Sempre foi Você
12 Deixa estar. O que tem pra ser, vigora.
"O nosso beijo
Olhos se fecham
Bocas se abrem
Línguas se encontram
O infinito nasce."
— Victor Hugo
♪♫ Heaven – Boyce Avenue ♫♪
Eles permaneciam ali, juntos, mergulhados naquele paraíso particular que lhes fora tão acolhedor. O lugar que fora palco de seus sentimentos sendo transformados em atos, atos esses que ambos desejavam.
Apreciavam ainda mais a companhia um do outro. O vento gélido do descampado não era suficiente para combater seus corpos quentes. Estavam ali já há algum tempo, tal qual não seria necessário ser contado. O tempo parou no exato momento em que seus lábios tocaram-se. Agora, o desejo de que suas bocas se encontrem se fazia ainda maior e urgente.
Eles não imaginavam que precisavam tanto daquilo até sentir o gosto um do outro. Sentir o quão bom é aquela sensação de borboletas no estômago e o arrepio percorrendo todo o corpo.
Ambos estavam alheios a tudo que acontecia fora da bolha particular que estavam mergulhados. A única coisa que eles queriam era aproveitar aquele momento, um momento que ambos desejaram desde sempre, mas que só agora tiveram coragem para demonstrarem. Talvez por medo, talvez porque estivessem procurando respostas para algo tão grande e, até então, desconhecido por eles. São tantos talvez, mas que naquele momento foram totalmente esquecidos, bom... Pelo menos por hora.
Como dizem por aí: Tudo acontece exatamente quando deve acontecer e o momento deles talvez seja agora.
Os cabelos de Regina moviam-se com a melodia do vento, tornando aquilo ainda mais belo. Nada poderia atrapalhar aquele momento deles, aquela troca.
Robin tinha uma mão na nuca da morena, emaranhando seus dedos nos fios negros, enquanto a outra descansava na cintura da morena, deixando uma leve pressão ali, era como se aquele ato diminuísse ainda mais a distância, inexistente, entre eles. Mills tinha suas mãos depositadas nos braços do loiro, deixando uma leve pressão de acordo com a intensidade.
O encaixe de seus corpos beirava a perfeição, como se fossem um quebra-cabeça. O beijo seguia calmo e lento, demonstrando todo o carinho que sentiam um pelo outro, todo aquele sentimento sendo construído. Eles queriam apenas provar daquela mistura inebriante de gostos, explorar delicada e minuciosamente cada canto que existira.
Depois de alguns segundos a mais naquela descoberta de caminhos, o beijo fora ficando mais urgente. Regina pedira passagem com a língua e sem pensar duas vezes, o loiro concedera. Suas línguas já estavam ali, travando uma batalha por dominância. Não queriam um real ganhador e certamente não existiria.
O beijo era o total oposto de alguns segundos atrás, agora tinha anseio e desejo. Quando o ar se fez necessário, eles separaram os lábios com a maior relutância.
Malditos pulmões que necessitavam de oxigênio!
Finalizaram o beijo com vários selinhos, já que eles, definitivamente, não queriam acabar com aquilo. Suas respirações estavam completamente desreguladas.
Ainda mantinham os olhos fechados, a fim de colocar no lugar tudo aquilo que estava fora. Suas testas estavam coladas uma na outra e com lentidão abriram os olhos, fazendo com que o oceano dele tentasse decifrar a órbita dela.
O loiro alisou as maçãs de seu rosto e por reflexo Regina encerrou a conexão entre as orbes, apreciando o contato dos dedos dele com a sua pele levemente gélida. Os dedos do loiro analisaram mais uma vez aqueles lábios carnudos e inchados, por conta dos beijos. O modo que eles o atraiam chegava a ser insano, era a visão dos céus, ou o pezinho no inferno, para ele. A cicatriz no canto da boca dela os deixavam ainda mais sexy.
— Eu poderia ficar aqui por um bom tempo. – a voz dele fez-se presente, quebrando o silêncio que os rodeava. Ela sorriu quando a voz rouca do loiro adentrou seus ouvidos e fora captada por seu cérebro. Um sorriso totalmente apaixonante, que certamente fizera com que o coração de Locksley acelerasse um pouco mais.
— Eu certamente iria adorar essa opção. – Regina abriu os olhos novamente, podendo ver o brilho nas orbes claras, essas tais que estavam ainda mais brilhantes por conta do luar. As mesmas daquele homem que, a cada dia mais, conquistava seu coração.
— Ah, é? – Robin perguntou com um sorriso brincando em seus lábios finos, um daqueles que deixavam a morena sem chão. Lábios esses que desejavam provar novamente do gosto. O loiro delineou toda a extensão de seus lábios carnudos com o polegar mais uma vez, ansiando por outro beijo.
— Hunrum! – foi à única resposta que saiu por entre seus lábios.
Robin tinha as duas mãos no rosto da morena e em um súbito colaram seus lábios outra vez, fazendo com que os corpos estremecessem com o rápido contato.
Eles beijavam-se com avidez, um beijo urgente e delicioso. Ambos explorando cada centímetro da boca um do outro, suas línguas entravam em batalha novamente. Quando seus pulmões reclamaram por oxigênio, o beijo fora cessado.
Suas respirações estavam completamente descompassadas e seus corações batiam em um ritmo avassalador. Talvez eles quisessem ser escutados, mostrar o quanto estavam felizes por estarem os dois ali, juntos.
— Acho melhor irmos. – fora Regina quem pronunciou-se dessa vez.
Okay, Regina! Você não queria ir.
— Tem razão! – disse, tentando controlar a respiração. – Está esfriando e você só está com essa camiseta, pode acabar pegando um resfriado. – falou com uma voz beirando a preocupação.
A morena não deixou de sorrir com toda a preocupação que ele demonstrava ter com ela. Era sempre assim quando estavam juntos, sorrisos fáceis e corações que não cabiam no peito.
Despediram-se do lugar que fora o palco deles, com mais algumas trocas de carinhos.
Caminharam a passos lentos e de mãos dadas até o carro. Talvez, nenhum dos dois quisessem ir embora daquele lugar. Ou daquele momento.
Ambos sentiam medo de que ao sair dali e voltarem para a realidade, as coisas mudassem entre eles. Que alguma coisa se perdesse entre a amizade que os dois construíram com tanta verdade ao longo desses dias.
O clima entre eles poderia ficar estranho, seria natural, não é? Eles tecnicamente ainda eram “amigos”. Mas, não fora isso que aconteceu. Eles seguiam como sempre. Sem clima. Tudo seguia da maneira mais natural possível. Eles ainda teriam que conversar sobre o que acontecera, sobre tudo que sentiam e sentiram no momento, mas, por agora, tudo que aconteceu seria suficiente.
Robin e Regina ainda estavam com os pensamentos totalmente fora de ordem, seus corações ainda batiam descompassados e nenhum dos dois saberia dizer se algum dia eles bateriam ritmados quando estivessem juntos.
A morena, que agora estava no banco do carona, ligou o radio colocando em uma música qualquer. Ao escutar as primeiras batidas da canção, a morena já começou a se animar, aumentando o volume.
As vozes do grupo “Maroon 5”, cantando “She Will Be Loved” invadiu o carro. E lá estava ela, sorrindo e cantarolando a letra da canção.
— Eu amo essa música. – ela falava em alguns tons acima do normal, para que ele pudesse escutá-la.
Robin sorria ao vê-la tão entregue a canção. Regina Mills era surpreendente e o loiro não cansaria de admirá-la jamais.
Quando a música chegou ao refrão, ela pedira para que ele cantasse com ela. Como no dia do karaokê, juntos, como uma dupla.
— Vamos, Robin. Cante comigo. – pediu, mexendo o corpo de acordo com a batida. –“And she will be loved, and she will be loved...”
— “And she will be loved, and she will be loved...” — a música começou a sair em meio a voz rouca do loiro.
E o restante do caminho fora feito assim, regado de música e principalmente, interação entre o casal.
Robin entrou pela garagem e subiram juntos até seu apartamento. Tinha certeza que sua mãe estava sentindo-se mal pelo que tinha falado no jantar, conhecia bem Dona Eliza. Mas, desde a conversa com a morena, as coisas estavam alguns tons mais claros. Claro que o assunto não era o seu favorito, mas ele agiria como o adulto que era. Decidira caminhar com as próprias pernas e era isso que faria. Era isso que estava fazendo nesse primeiro mês e alguns dias que estava na cidade.
Eles estavam de mãos dadas quando adentraram ao apartamento, Regina ria de alguma coisa que o loiro falara, coisa tal que não passou despercebida pelas duas mulheres que os aguardavam na sala. Quando a voz de Zelena se fez presente, eles desvencilharam as mãos.
— Finalmente! – revirou os olhos. – Estava quase indo embora e te deixando aqui. – falou nitidamente cansada da espera, e também uma pontada de curiosidade.
— Já estava ficando preocupada, querido. – levantou-se do sofá, caminhando ate o filho. – Com os dois. – sorriu terno para a menina.
— Desculpem! – falaram em uníssono, um tanto quanto sem graças. Sabiam que tinham demorado, mas não tanto assim.
— Mas, afinal, onde vocês estavam? Foram para outra dimensão? – perguntou com sarcasmo na voz.
— Praticamente. – Regina respondeu alheia a tudo, lembrando-se do momento de poucas horas atrás. Robin olhou-a e sorriu.
— Engraçadinha. – serrou os olhos verdes em direção à morena. – Bem... Vamos? – chamou à ruiva.
— Vamos! – caminhou até onde estava sua bolsa, pegando-a. — Foi um prazer te conhecer, Eliza! – abraçou a mais velha que retribuiu prontamente o carinho.
— O prazer foi meu, querida! – alisou o rosto de Mills. Pronunciando um “Obrigada” apenas para que ela visse. Regina meneou a cabeça entendendo sobre o que ela estava pedindo. – Volte mais vezes. Saiba que o convite esta feito caso queira visitar Londres. – falou carinhosamente.
— Pode deixar! Vou adorar! – meneou a cabeça em afirmação, sorrindo largo para a senhora.
— Sai, deixa eu me despedir da MINHA tia. – deu ênfase na palavra, fazendo com que a morena revirasse os olhos.
Após as despedidas, o loiro acompanhou as duas até a porta. Zelena caminhava distraída com seu celular até o elevador, enquanto os dois ficaram para trás e agora se encontravam de frente um para o outro.
Seus olhares interagiram da maneira que só eles sabiam e conheciam. Azul e castanho. Era tanta intensidade que seria capaz de desnudarem suas almas ali mesmo.
— Obrigado por hoje. – Robin se pronunciou, quebrando o silencio.
— Você não tem que agradecer. – sorriu.
Eles estavam prontos para despedirem-se do jeito que já conheciam tão bem, mas algo estava diferente nos olhos dela. Fora então que Regina ficou na ponta de pé e depositou uma mão na nuca de Locksley, puxando-o para mais um beijo naquela noite. De início ele ficou surpreso, não imaginaria que ela o beijaria ali, mas rapidamente correspondeu. Eles estavam em um beijo calmo, daqueles recheados de sentimentos e dizeres. Eles tinham um encaixe perfeito.
— Regina! O elevad... – a voz da ruiva fora diminuindo na medida em que ela virava em direção aos dois. Seus olhos arregalaram em incredulidade pelo que estava vendo.
Eles sorriram entre o beijo quando ouviram a voz da amiga. Ambos sabiam o que esperavam-nos. Finalizaram com um selinho casto e um olhar.
— Até mais! – disse ela com um tom de voz mais baixo, tinha um sorriso de canto brincando em seus lábios.
— Até. – o loiro respondeu na mesma medida, ainda sem conseguir acreditar.
Regina caminhou até o elevador de cabeça baixa, sorrindo do que acabara de fazer, limpando o canto dos lábios.
— O que foi aquilo? – Zelena perguntou quando ela já estava dentro da caixa de metal, sua voz saíra um pouco mais alta que a distância entre elas pedira.
— Um beijo? — olhava para frente, não queria encará-la e ganhar alguns tons de vermelho sobre sua bochecha.
— Sério? E você não tem nada para me falar? – questionou, arqueando as sobrancelhas.
Mills agradeceu pela porta do elevador ter abrido e caminhou para onde o carro da ruiva estava estacionado.
— Regina! – gritou. — Estou falando com você!
— Estou te ouvindo, babe. – entrou no carro, abaixando o vidro para olhá-la. – Vamos embora.
— Não pense que vai fugir. – bufou.
Zelena deu a volta em seu carro com uma expressão de pouco amigos. Regina riu da amiga, sabia que ela não deixaria passar.
Robin fechou a porta indo ao encontro da mãe. Tinha um sorriso bobo nos lábios por conta da atitude da morena, nem em seus melhores sonhos esperaria uma despedida dessas. Quando seus olhos enxergaram a claridade da manhã, não poderia imaginar que o dia tomaria aquele rumo. Já estava feliz porque iria assistir a um simples filme com Regina, mas beijá-la foi o ápice da felicidade para ele.
Sua mãe estava sentada no espaçoso sofá, de cor cinza, que ficava bem no meio da sala. Seus olhos claros refletiam curiosidade, visto que ele saíra do apartamento mal pelas suas palavras e voltara como se tivesse visto um passarinho verde. Ou melhor, olhos castanhos. Já sabia bem, seu coração de mãe a alertara e ela não poderia ficar mais feliz se suas suspeitas fossem confirmadas.
O loiro sentou ao lado da mãe, que logo começou a falar. Sentia-se mal consigo mesma por ter feito o filho sofrer com lembranças que poderiam ficar no passado.
— Filho, me perdoa. Não deveria ter tocado nesse assunto, odeio te ver triste. – pegou as mãos do loiro, juntando com as suas.
— Tudo bem mãe. Eu sei que a senhora não falou por mal. – soltou um suspiro. – Eu só esperava um pouco mais de respeito da parte do Jonh... – deu uma pausa em sua fala. -Mas seria pedir muito se isso acontecesse. – acariciou as costas da mão de sua mãe com o polegar.
— E como você esta se sentindo agora? – perguntou, queria ter certeza que seu menino estava realmente bem com aquilo.
— Estou bem! – olhou-a nos olhos. — Regina ajudou-me a entender alguns pontos, foi muito bom abrir-me com ela. – sorriu involuntariamente, ato que fez Eliza sorrir junto. – Pareceu menos pesado quando estávamos conversando, sabe. Não sei te explicar, mas ela me ajudou bastante.
— Sei. – acariciou o rosto do filho. – Talvez porque não exista explicação. A gente só sente. – levou sua mão até o lado esquerdo do peito do loiro. –Sabe, eu gostei dela. E, eu pude perceber que você também gosta. – falou sugestivamente.
— Mãe, somos amigos. – será que o beijo ou os beijos, mudara alguma coisa entre eles? Mas, era isso o que eles eram, não é? Pelo menos até alguém dar um passo a mais. – Você andou conversando muito com a Zelena. – a mais velha gargalhou com as palavras do filho.
— Eu sou sua mãe, esqueceu? Sei mais do que se passa aqui... – apontou para a cabeça do loiro. – E aqui... – depois para o coração. – Mais do que imagina. – Robin suspirou derrotado, era impossível esconder algo de sua mãe, ela o conhecia tão bem.
— Você não tem jeito. – Eliza olhou-o, encorajando-o a continuar e a pôr para fora todos os sentimentos. – Você sabe que eu nunca fui muito de demonstrar sentimentos por alguém, até porque acho que eles não existiam realmente e também porque meus relacionamentos não eram baseados em sentimentos verdadeiros, e foi isso que fez-me acreditar que eles não existiam. Mas com ela não. Com Regina é diferente, eu senti que era diferente desde a primeira vez que a vi; isso chega a ser insano. Tudo muito por acaso, ela me fez acreditar até em destino. – riu de sua constatação. — Eu tenho uma necessidade de cuidar dela, sabe. E ela é uma pessoa maravilhosa, mãe! Eu me sinto bem só de poder ver aquele sorriso, de fazê-la sorrir. – sorriu ao lembrar. – Eu realmente não sei explicar.
— Eu sei exatamente como você se sente. Quando seu pai e eu ficamos juntos existia amor. – sorriu nostálgica. – Quer um conselho de mãe? Não deixe essa oportunidade de conhecer o amor da sua vida passar, porque em um piscar de olhos ele pode ir embora. Apenas viva isso, sem medos ou receios e deixe que o tempo trabalhe da melhor forma. – aconselhou o filho. Seu coração de mãe estava imensamente feliz por ter certeza em suas indagações.
— Eu nem sei se ela sente a mesma cois... – começara a falar, mas Eliza interrompeu-o.
— Zelena tem razão. – revirou os olhos. – Você parece que está um pouco cego, meu filho. Eu vi o jeito que ela te olhou, que vocês se olharam na verdade. E depois desse passeio, vocês estavam ainda mais iluminados, eu poderia até afirmar que algo aconteceu. Então, não me diga que não sabe, porque os olhos dela dizem tudo, você que parece não querer ver. – disse firme.
— Eu só não quero perder a amizade dela. – deixou escapar confuso. – Ela se tornou tão importante que não sei como é não tê-la por perto, mesmo que só por amizade.
— Um relacionamento é construído na base da confiança, da amizade, e vocês possuem tudo isso. – apertou um pouco mais a mão de Robin enquanto falava. — E o principal, vocês se gostam. Você não tem que ter medo de perder nada, pelo pouco que conheci dela, ela é uma pessoa sensata. Então aproveite o momento e veja no que dá. Conversem francamente, coração de mãe nunca se engana, meu filho!
— A senhora tem razão. – sorriu sem mostrar os dentes. — Vamos ver o que o tempo tem reservado para nós.
O celular do loiro começara a tocar, chamando a atenção dos dois. Robin levantou-se para tirar o aparelho do bolso, sorrindo ao constatar de quem era a chamada de vídeo, e logo sentou-se novamente para que a mãe também pudesse ver.
Chamada de vídeo.
— Oi, maninho! – a voz doce de Rose invadiu a sala do loiro. – Oi, mamãe!
— Oi, fadinha! – disse, fazendo com que a loira revirasse os olhos.
— Oi, meu amor! – Eliza cumprimentou a filha com um sorriso no rosto. –Não está muito tarde aí para a senhorita ainda estar acordada?
— Já são o que? – olhou para o relógio de pulso. — 03:00 PM da manhã ai em Londres.
— Mais ou menos isso! – sorriu de canto. – Estava com alguns amigos em um barzinho aqui perto, mas já estou em casa, Okay, Dona Eliza! Só estava com saudades e resolvi ligar, já que ai não é tão tarde.
A mais velha assentiu em afirmação.
— Amigos? Sei! – disse emburrado.
— Ai que ciumentinho você, Robb! – gargalhou. –Coitada da sua filha quando tiver uma.
— Não é ciúmes, só não estou aí para cuidar de você. Só se cuide, okay?
— Sim, senhor!
Eliza observava a interação de seus filhos com um sorriso no rosto, amava ver o quanto eles amavam-se e cuidavam um do outro. Sempre fora assim desde que Rose nasceu.
— E o que é isso? – Rose perguntara.
— O quê? – os dois replicaram uma pergunta em uníssono.
— O brilho nos olhos do meu irmãozinho!
— Lá vem você. – revirou os olhos.
— Até sua irmã que está do outro lado do oceano percebe isso, meu filho.
— O quê?! Então tem alguma coisa? Eu bem que estranhei essa cara de tonto. Qual o nome dela?
— Regina! Uma moça adorável, a conheci hoje. – a mais velha respondeu a pergunta feita pela filha.
— Mãe! Eu ainda estou aqui! – bufou. – Vocês duas não têm jeito. – meneou a cabeça em negação. – Somos só amigos, só isso!
— Deixe-me ver uma foto dela, Robb. Por favorzinho! – fez cara de pidona para a câmera.
O loiro rolou os olhos mais uma vez. O que ele tinha feito ao universo para ter tantas mulheres insistentes ao seu lado?
Afastou um pouco o celular para abrir o compartimento de fotos, enviando a mais recente que ele tinha dos dois, uma que fora tirada naquele dia mesmo, enquanto se divertiam no shopping e a morena estava rindo distraída, fazendo o loiro aproveitar-se e registrar o momento.
— Uau! Você tem muita sorte, Robb! Ela é uma gata! – falou ao abrir a imagem enviada pelo irmão. – E vocês são ridiculamente apaixonados um pelo outro, a cara de vocês não nega, nem por uma foto. – pontuou.
Robin apenas riu da irmã. A verdade é que ele não poderia desmenti-la em ponto algum.
Zelena estacionou o carro em frente ao prédio que Regina residia. No caminho, a ruiva questionou diversas vezes sobre o que acontecera no corredor do prédio do loiro, mas a única coisa que recebeu fora o silêncio da morena, já que Regina parecia estar em outra órbita.
— Vou indo, ruiva. – Regina falou, tirando o cinto.
— De jeito nenhum que vou embora sem saber o que rolou entre vocês. – tirou o sinto, saindo do carro em seguida.
— Você é impossível. – a morena gargalhou.
As duas entraram no prédio, seguindo para o elevador e assim Regina abriu a porta de casa, retirou seus sapatos deixando próxima à mesa de canto. Após, caminhou até o sofá, deixando que seu corpo caísse sobre este. Zelena veio logo atrás e sentou-se no mesmo sofá que a mais nova.
— Tá, agora desembucha, já aguentei tempo demais sem nenhuma informação. – a ruiva falou.
— Nós nos beijamos. – foi diretamente ao ponto. Regina tinha seus olhos fechados e um sorriso gracioso escapou de seus lábios, como se estivesse lembrando-se do momento.
— Meu deus! Finalmente! – exclamou, algumas notas acima do normal e batendo as mãos na perna da morena, o que fez com que Regina reclamasse imediatamente do ato. – Por isso vocês chegaram com aquelas caras bobas, quer dizer, mais bobas.
— Também não é assim Zel. – disse, levantando um pouco a cabeça para olhá-la, deitando novamente em seguida.
— Ah não? Pergunta a Tia Eliza, ela deve ter notado também. – sorriu sugestivamente. – Quero detalhes Regininha!
— Bom... Ele queria um lugar para respirar e levei-o até o campo... – Zel interrompeu-a.
— Você o levou lá? – recebeu um menear de cabeça da morena, que já se encontrava sentada com o corpo em direção à amiga. – Eu mal sei onde fica e sou sua melhor amiga. – fez bico.
— Eu só senti que precisava levá-lo lá, esperava que aquele lugar pudesse trazer para ele, a mesma paz que trás para mim. – contou. – Ele parecia tão perdido, o brilho dos olhos dele havia sumido e aquilo me fez perceber o quanto eu amo vê-los brilhar. – sorriu singelamente.
— Você não sabe o quanto fico feliz te vendo assim. – sorriu abertamente para a amiga.
— Ele contou-me sobre o pai. – o sorriso de Regina sumiu tão rápido quanto veio depois que suas palavras brincaram com o ar. – E isso deixou-me imensamente feliz, mas também com o coração apertado. Feliz por saber que ele confia em mim a ponto de contar-me coisas que o deixam angustiado e também por deixar-me ajudá-lo. Em contrapartida, meu coração apertou-se por vê-lo daquele jeito.
— É bom saber que ele desabafou um pouco sobre isso. Robin é adulto, sabe lidar melhor com tudo agora, mas ele já sofreu muito com todas as cobranças do pai- Regina estava atenta a todas as palavras da ruiva, concordando com tudo. – Continua.
— Conversamos sobre tudo isso. E depois eu não sei o que aconteceu. Nos beijamos e nossa, ele é maravilhoso. – sorriu nostálgica.
— Eu imagino que sim, com uma beleza daquelas. – Regina olhou-a com os olhos semicerrados, fazendo Zelena gargalhar. – Isso tudo é ciúmes, Regininha?
— Claro que não! – respondeu rápido demais.
— Sei... E agora? – perguntou.
— Agora o quê? – indagou sem saber onde ela queria chegar.
— Você é um pouco lenta, hein. – Regina deu-lhe um tapa na perna. – Ai! Grossa. Depois do beijo ou dos beijos, né. Como vocês ficam?
— Eu não sei. – falou um pouco mais baixo, recebendo o olhar da amiga. – Eu não quero que fique uma coisa estranha entre a gente, sabe. Tenho medo de perder a amizade dele.
— Babe, com o que vocês têm, e eu sei que tem porque eu vejo, esse seria o próximo passo a ser dado. E demorou até demais. – acariciou a perna da mais nova por cima da calça jeans que ela usava. – Você não tem que ter medo de nada, só aproveita isso que vocês sentem da melhor maneira possível. Deixa que o tempo encarregue-se dos detalhes. – piscou. – E pelo que eu pude perceber nada mudou, muito pelo contrário. Você não pode deixar que o medo te impeça de viver algo que você quer e deseja. Você não pode deixar que essa oportunidade de felicidade passe, Regina!
— O que seria de mim sem seus conselhos?
— Não sei te responder essa. – respondeu convencida.
— Espero que você esteja certa. – suspirou.
— Eu sempre estou certa, querida.
As duas conversaram sobre tudo o que aconteceu no dia e principalmente o que acontecera naquela noite. Zelena sempre estava ali quando a morena precisava dela, e isso sempre seria recíproco. Após a longa conversa, a ruiva decidiu ir embora, já que estava tarde e precisavam descansar.
Regina já estava pronta para dormir, depois de um banho quente que ajudou-a a relaxar o corpo. Ainda tinha dúvidas se realmente pegaria no sono, pois sua cabeça não parava de pensar em Robin, em tudo o que aconteceu e no passo que deram. Ela poderia sentir o gosto dos beijos que trocaram, de como foi tudo tão perfeito e singular quando suas bocas se envolveram, de como sentiu-se ainda mais segura em seus braços.
Ela poderia não saber o que seria deles a partir daquilo, mas uma coisa era certa, ela não queria deixar de beijá-lo, e esperava que esse fosse o desejo dele também.
Repassava tudo de novo em sua cabeça, como se estivesse assistindo a um filme, desde a saída deles do cinema, depois eles no apartamento do loiro, toda a conversa que tiveram no campo, até o momento que eles compartilharam um momento único. Nesse momento, poderia afirmar que estava sendo inundada por milhares de borboletas em seu estômago.
Foi tirada de seu transe quando percebeu uma luz vinda de seu celular, alertando-a sobre alguma notificação. Tal fez com que, prontamente, Regina pegasse o aparelho em cima do criado mudo, desbloqueando-o para ver do que se tratava.
Talvez ela estivesse mesmo esperando uma mensagem. Nos últimos dias era sempre assim, eles sempre trocavam mensagens ou telefonemas antes de dormir, nem que fosse algo rápida desejando boa noite. Ela sorriu ao ver que era ele em seu celular, abrindo a aba da conversa no aplicativo.
Ela perguntava-se internamente se nunca pararia de sorrir quando tratava-se dele. Talvez não. O riso vinha fácil e ela não estava preocupada em impedi-lo de brotar em seus lábios.
Mensagem On
Robin Locksley (23:15): Acordada?
Regina Mills (23:16): Hurum!
Robin Locksley (23:16): Eu queria agradecer por hoje. Foi muito bom ter conversado com você sobre aquele assunto, então obrigada.
Regina Mills (23:16): Você já agradeceu... Eu fico feliz em saber que confiou em mim para abrir-se.
Robin Locksley (23:17): Não custa agradecer de novo. Eu confio de olhos fechados, morena.
Regina Mills (23:17): Bom saber disso. É reciproco, então.
Os dois estavam hesitantes em tocar no assunto, tinham medo de que aquilo pudesse, de alguma forma, afetar a amizade que eles construíram, mas, às vezes, é necessário deixar os medos mudos e dar voz a coragem.
Robin Locksley (23:20): Hm... Regina, sobre o beijo...
Regina Mills (23:20):Você está arrependido?
Robin Locksley (23:20): Claro que não! Você está?
Regina Mills (23:20):Você beija bem demais para me arrepender, Robin!
Robin Locksley (23:21): Se eu te falasse algo diferente disso estaria mentido. E eu acho que isso seria um elogio, não?
Regina Mills (23:21): Hahaha Bobo! Pode apostar que sim.
Eles permaneceram em silêncio, sem trocar nenhuma mensagem. Pensavam nas palavras que acabaram de enviar. Regina não saberia dizer de onde veio tanta coragem para dizer aquilo, mas ela não estava mentindo, não é mesmo? Não poderia se arrepender por uma coisa que, com toda certeza, ela adoraria repetir muito mais vezes.
Robin Locksley (23:32): Regina? Ainda está ai?
Regina Mills (23:33): Oi! Estou sim! E... Como foi com sua mãe?
Robin Locksley (23:33): Conversamos, ela me pediu desculpa por ter tocado no assunto, mas sei que não foi por mal.
Regina Mills (23:34): Tenho certeza que não, sua mãe é maravilhosa. Amei conhecê-la.
Robin Locksley (23:34): Ela também amou te conhecer, não parou de falar você um minuto.
A conversa desenrolou-se por um bom tempo, mas os dois estavam cansados devido ao dia que tiveram e quando o sono fez-se presente para ambos, decidiram despedir-se.
Robin Locksley (00:37): Boa noite, morena.Dorme bem.
Regina Mills (00:37): Boa noite. Impossível não dormir. Xoxo
Finalizaram as mensagens, com corações ainda mais aquecidos por toda aquela troca de palavras significativas. E, principalmente, por tudo parecer exatamente como antes.
Por mais que estivessem extasiados com os acontecimentos do dia, ambos entregaram-se rapidamente ao sono.
♡♡♡
A hora do almoço já estava próxima e Regina ainda tinha alguns papéis sua assinar. Mesmo com toda aquela exaustiva burocracia, hoje existia um brilho a mais refletido em seus orbes. Existiam motivos e existia o dono desses motivos.
A noite que passara não saia da cabeça de Mills, ela juraria que poderia enlouquecer. Seus olhos estavam fechados, alheia a tudo que envolvia o mundo real, com um sorriso brincando nos lábios e com um certo loiro invadindo seus pensamentos mais uma vez naquele dia.
— Regina? – a voz chamava-a, mas era como se Regina estivesse habitando outro universo. – Regina, amor, você esta bem? — a voz fez-se presente novamente — Regina Anne! – outro chamado e dessa vez despertou a mais nova.
A morena abriu os olhos em um sobressalto ao escutar seu nome completo, só uma pessoa chamava-a assim e somente quando estava encrencada.
— Mamãe! – disse levantando rapidamente de sua cadeira, feliz por ver sua mãe ali.
— Oi meu amor! – abraçou a filha, ficaram naquela troca de afeto por tempo suficiente. Cora afastou-se um pouco do abraço para reparar na morena. – Você está bem?
— Sim, mamãe! Estou ótima. – respondeu com um sorriso nos lábios.
— Que bom. Fiquei preocupada, te chamei e você parecia estar em outro mundo. – falou, e Regina sabia onde ela queria chegar. – Um sorriso de quem parecia que estava pensando no homem dos sonhos. – a mais velha arqueou as sobrancelhas.
— Ai dona Cora, seja tão exagerada. De onde a senhora tirou isso? – tentou esquivar-se das investidas da mãe.
— Era assim que eu ficava quando pensava no seu pai. – sorriu.
— Vocês são muito fofos! – admirava o amor de seus pais e amava o jeito que eles se tratavam. – Okay, mas a que devo a honra de sua visita?
— Não tente mudar de assunto, Anne. Eu lhe conheço. – arqueou as sobrancelhas analisando-a.
— Mãe! Para de me chamar assim. – não que não gostasse de seu segundo nome, mas era algo formal demais e sua mão só usava quando ela fazia alguma arte na infância, a fim de repreendê-la.
— Certo querida! Vim lhe chamar para almoçarmos todos juntos lá em casa, o que acha? – perguntou. – Estão todos nos esperando já.
— Acho uma ideia maravilhosa, estou morrendo de saudades de um almoço com todos reunidos.
— Vamos?
— Só deixe-me pegar minhas coisas e podemos ir. – pegou a bolsa e as duas saíram do escritório.
— Eu ainda não esqueci. – soltou, fazendo Regina gargalhar. Zelena até parecia ser filha de Cora Mills, tamanha era a insistência das duas.
— Vamos mamãe! – meneou a cabeça em negação.
Será que a morena não conseguiria disfarçar a felicidade que inundava-a?
Talvez ela simplesmente não quisesse deixar de transparecer o quanto aquilo estava fazendo-a bem.
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