Não estavam longe do local onde queriam parar, e no final do dia chegaram. Lígia pegou Joaquim e Miguel a acompanhou levando algumas coisas. A criança já estava se sentindo um pouco melhor, mas Lígia insistia que ele fosse examinado por um médico. Por sorte, na Base sempre havia alguém de plantão para emergências e Miguel conhecia todos alí.

– Miguel!! Que bons ventos o trazem de volta?! — cumprimentaram ao avistá-lo.

– Como estão? É bom revê-los!

– Dessa vez não está sozinho. Como vai?? — disse o supervisor da Base, estendendo a mão para Lígia. – E vc é?

– Lígia...

– É minha esposa, e esse garotinho aqui é meu filho...

– Então o velho lobo solitário não é mais tão solitário assim.- riu.

Miguel sorriu, e sem perder a mania de falar pouco de sua vida, foi logo explicando que precisava de um médico que desse uma olhadinha em Joaquim.

– Claro!! Porém ele só volta pela manhã. Saiu para socorrer um pescador numa vila aqui próximo.

– Nesse caso... ficaremos no barco e voltaremos pela manhã.

– Pq não ficam nos nossos alojamentos?? Assim se ele voltar antes vcs já estão por aqui...

– O que vc acha Lígia?

–Por mim tudo bem.

O homem os levou até um quarto nos fundos da Base. Era pequeno, mas tinha banheiro, e era muito bem aquecido. Tinha tudo o que eles precisavam para passar a noite.

Lígia se acomodou com Joaquim, que estava choroso e sem muita vontade de comer.

– Vou falar com o supervisor da Base... eu volto logo. Vc quer que eu traga alguma coisa?

– Não. Só que vc volte logo.

Ele sorriu e assentiu.

Miguel encontrou o velho amigo da Base sentado à mesa, tomando um café quente e analisando alguns papéis.

– Senta aqui Miguel. Quer um café?

– Sim. Obrigado.

Ele sentou e bebeu do café.

Falavam sobre o clima para seguir viagem. Miguel explicava a rota que pretendiam seguir e, distraído, nem reparou que já haviam se passado mais minutos do que ele havia prometido que levaria para retornar ao quarto.

Joaquim havia pegado no sono e Lígia se deu conta que esquecera o termômetro no barco.

“Talvez eles tenham um aqui... cadê o Miguel que não volta??” – ela abriu a porta e o vento gelado lhe atingiu. Ela se agasalhou mais, envolvendo os braços ao redor do corpo. Não viu nenhum sinal de Miguel. Olhou de volta para Joaquim que dormia tranquilo e decidiu ir atrás do termômetro antes que ele acordasse.

Pegou a chave, fechou a porta e correu até a Base.

A conversa seguia mais animada. Miguel e o supervisor riam das histórias que já tinham passado em tantas viagens àquela Base.

– Vc lembra da Bia?

– A alpinista?!

– Sim. – o supervisor riu. – ela esteve aqui há 3 meses. Perguntou pelo “navegador solitário”.

Miguel riu. E foi então que percebeu que Lígia estava lá parada, sem dizer nada.

– Lígia?

...