Sempre com você
10 Capítulo 10
Lígia desviou o olhar de Miguel e passou por ele ignorando o aperto em seu braço que ele lhe deu na tentativa de fazê-la ficar.
– Tá tudo bem? – perguntou Adela quando Lígia passou por ela.
– Sim, desculpe.
Ela entrou na residência e foi direto para o quarto. Miguel parou para falar com Adela.
– Ela foi atrás de Nora?
– Sim, Miguelito. Ela fez perguntas sobre Nora e o menino... e eu contei da gravidez... bom, não contei TUDO... apenas disse que não sabia quem era o pai da criança e toda aquela confusão...você sabe...
Miguel pediu licença, visivelmente preocupado e foi à procura de Lígia. Encontrou ela arrumando algumas coisas...
– O que você tá fazendo?
– Porque não me contou a verdade?! – ela largou tudo e olhou pra ele.
– Que verdade?
– Que você conhecia a garota. Fico pensando... o que mais você não está me contando?
– Não há nada para contar.
– Esse é o problema não é Miguel... Eu sempre fico sabendo por terceiros...
– Tá. Eu conheci a Nora durante o tempo que morei aqui... qual é o problema? Eu conheci muita gente... estava confuso... não lembro de todo mundo.
– Confuso... Hm... – ela passou a mão no rosto e andou pelo quarto – O problema é que ela parece lembrar muito bem de você. Desde que chegamos aqui tudo que ela faz é ficar por perto, observando.
– Lígia, você não tá achando que eu... – ele chegou perto, mas ela não deixou e o afastou, para logo em seguida sair correndo do quarto, da casa, em direção ao campo.
Perto dalí havia alguns cavalos e Lígia, num impulso, subiu em um deles e saiu a galope. Miguel teve tempo apenas de vê-la partindo.
– Lígia!!! Espera!!!
O cavalo corria bastante e estava sem controle. Lígia não sabia muito bem o que fazer.
– Vai atrás Miguel! Esse cavalo não é dos mais dóceis. – gritou Adela que presenciara a cena.
Miguel montou em outro e seguiu o rastro de Lígia. Não demorou para avistá-la.
– Faça ele parar!! – ele gritou.
– Não consigo! Ele não me obedece. – Lígia já estava desesperada e chorava. – Miguel, me ajuda!!!!! Eu não consigo fazer ele parar!
– Fica calma!!
Ele então teve uma ideia. Apressou o passo batendo na lateral do seu cavalo com os pés e conseguiu correr ainda mais, passando a frente dela. O cavalo de Lígia estancou de repente e com o susto ela desequilibrou e caiu.
– Lígia!!! – ele desceu depressa e correu até ela.
– Miguel, me ajuda. – ela chorava copiosamente e segurava a barriga.
– Você tá machucada? Lígia! Fala comigo. Fica calma, vou te levar pra casa.
– Tá doendo muito, Miguel! Eu tô com medo de perder nosso filho. – ela chorava.
– Filho? Você... – ele não sabia o que fazer – você tá gravida?! Por que não me contou?!
Ele a carregou nos braços e deu um jeito de coloca-la em seu cavalo, montando logo atrás dela.
Lígia chorava e implorava que ele não deixasse ela perder aquela criança.
...
Chegaram de volta à Vila. Adela esperava aflita o desfecho daquela confusão. Alfonso estava com ela.
Miguel chegou carregando Lígia nos braços.
– O que aconteceu?!
– Preciso colocar ela na cama! – Miguel entrou na casa o mais rápido que pôde, seguido por Adela e Alfonso.
– Miguel, meu filho! Não me deixa perder meu filho.
– Você tá grávida? – perguntou Adela, surpresa.
– Precisamos de um médico. – disse Miguel.
– Só temos um na cidade, mas não há uma boa estrutura aqui. O melhor lugar para leva-la é na Base. Vou buscar o médico para que ele preste os primeiros socorros.
– Obrigado!
Alfonso partiu em direção a cidade em busca do médico.
– Onde está o Joaquim? – Lígia perguntou.
– Está com Ruanito. Não se preocupe. Vou cuidar dele. – ela saiu, deixando os dois sozinhos.
Miguel sentou na cama ao lado de Lígia, segurou a mão dela. Ela não o afastou.
– Por que não me contou?
– Soube hoje.
– Lígia...
– Por favor, Miguel... Vai pegar o Joaquim. Eu quero falar com ele.
Ele se inclinou sobre ela e lhe beijou na testa, depois saiu do quarto. Encontrou Joaquim brincando em frente à casa.
– Filho, sua mãe quer te ver.
– Cadê ela? – ele perguntou.
– Tá deitada. Sua mãe tá dodói, então seja cuidadoso. Vamos.
Ele levou Joaquim para ir sentar ao lado de Lígia na cama.
– Mamãe, o que você tem?
– Eu me machuquei...igual quando você caiu no parquinho aquela vez, lembra?
– Sim.
– Mas já já vou ficar bem. O médico já vai vir me ver.
– Você vai tomar injeção?? – ele perguntou consternado.
Ela sorriu.
– Não sei.
– Se você for tomar eu seguro a sua mão, tá? Não se preocupa mamãe.
Lígia fez carinho em seus cabelos e trouxe ele pra perto para um beijo.
– Obrigada meu amor. Agora vai brincar... e não se preocupe.
...
Depois de ser examinada, o médico chamou Miguel e deu a notícia.
– Parece que está tudo bem com a mãe e o bebê. Mas pra ter certeza só fazendo alguns exames mais específicos. Melhor leva-la à Base. Lá eles tem o que é preciso.
– Obrigado.
Lígia, Miguel e Joaquim despediram-se de seus anfitriões e embarcaram novamente no veleiro. A viagem de volta à Base foi breve e Miguel se desdobrou em dois, na medida em que não permitia que Lígia sequer levantasse da cama até que fosse reexaminada.
– Miguel! De volta tão cedo?! – cumprimentou o comandante da Base ao avistá-lo.
– Uma emergência... minha mulher está grávida e sofreu uma queda de cavalo. Ela precisa fazer alguns exames para termos certeza se está bem, mas na Vila eles só tem o básico.
– Não se preocupe. Aqui temos o que é preciso.
A Base era um lugar equipado com tudo que um navegante pudesse precisar no meio do nada em terras geladas. Era um lugar de apoio e referencia e por isso mesmo é para lá que os navegadores corriam quando precisavam de algum socorro.
Lígia foi conduzida à sala de exames e depois de realizados todos os procedimentos ficou em observação enquanto a médica avaliava os resultados.
– Está tudo bem, tanto com a mãe quanto com o bebê.
Miguel respirou aliviado e foi contar a novidade para Lígia.
Ele entrou na sala de emergência onde ela estava deitada de olhos fechados. Encostou a porta e nesse momento ela despertou com o barulho.
– E os exames? – perguntou aflita.
– Está tudo bem. Tanto você quanto nosso filho... ou filha. – ele sorriu.
Ela respirou aliviada e Miguel chegou perto dela na cama.
– Será que podemos conversar?
...
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