Sempre com Você
1 Sempre com você
Notas iniciais
Estava em minha cama, despertei lentamente notando cada foto minha com Tatiana, parecia um dia comum mas senti algo diferente,não sabia o que era mas continuava sentindo, caminhei impaciente até o escritório dela, a vi parada segurando um porta-retrato. Estranhei a expressão vazia com que ela encarava o objeto, soltei um sorriso fingindo que havia acordado naquele momento, Tatiana não moveu um músculo, me assustei.
— Amor? — Me aproximei dela por trás e reparei uma lágrima descer pela sua face. Eu estava no retrato a abraçando — Ei, porque você está chorando? Amor...- Tentei abraçá-la. Meus braços passaram através dela , pairando no ar como se não houvesse ninguém ali. Caí no chão e um flash possuiu minha mente.
* Lembrança*
-Liga! — Falei nervosa com minha moto, e a mesma ligou na hora- Ah, obrigada Deus! — Agarrei meu capacete me preparando para ir trabalhar, assim que o segurei senti dois braços envolta da minha cintura, automaticamente sorri e segurei as lindas mãos que me envolviam.- Bom dia linda.
— Bom dia meu amor- Flutuei escutando a suave voz de Tatiana, me sentia a mulher mais feliz do mundo quando estava com ela — Você poderia me dar uma carona? Tenho que encontrar o Luís- Ela sorriu tentando não reparar o ciúmes que me tomara, pensei um pouco antes de responder.
— Não- Me virei soltando o capacete voltando minhas mãos para sua cintura- Não para encontrar o Luís, mas vou levá-la a um lugar- A abraçei continuando a segurá-la encostando minhas costas na moto , sua expressão me encantava.
— Ah é? Para que lugar? — Ela sorriu tímida retirando os meus braços dela ao perceber um vizinho descer no estacionamento.Revirei meus olhos. Voltei a abraçá-la, puxando seu corpo para o meu, a senti corar.
— Surpresa- Sussurrei passando uma das minhas mãos para seu pescoço a beijando, o interessante é que mesmo com as pessoas presentes ela não o rejeitou.- hmm, agora perdeu a vergonha amor? — Sorri subindo na moto.
— Vergonha? Quero mais que todos morram, a única que me importa é você — Um grande sorriso se formou em meu rosto, antes de colocar o capacete a beijei mais uma vez.Como minha agenda estava agitada com escola, trabalho e a carreira musical acabei esquecendo o aniversário dela, e como namorada era minha obrigação lembrar,Tati falou que estava tudo bem, mas eu sabia que não estava, então resolvi fazer uma "surpresinha" para ela, iria pedir sua mão em casamento no lugar onde nos conhecemos, no parquinho da escola primária João Pedro I de Goiás, aposto que ela irá amar. Nós morávamos um pouco longe de lá então demoraria uns 40 minutos, passamos os sinais vermelhos conversando e ela segurando fortemente em mim me deixava cada vez mais feliz.Paramos em uma lanchonete para descansar e comer um pouco, todos nos olhavam não sei porque, não parecíamos lésbicas pois eu era uma tomboy*, sentamos em cadeiras próximas eu a abraçei, na mesma hora seu celular tocou. Era Luís. Ela se afastou e foi para fora do local atender o telefonema.
— Alô?Oi, me desculpe eu estav...Não, não a Zee me convidou para ir à algum lugar. Não sei onde...É estou morrendo de curiosidade...-Apareci na sua frente com um canudinho fazendo falso bigode, sairam muitas gargalhadas de sua boca — N-não aconteceu nada! Tenho que desligar, beijos lú!- Assim que ela desligou a beijei — Boba! — Ela sorriu, todos na lanchonete nos olharam como se dissesem "Ooouwnt" — E então vai me contar para onde vamos? — Pensei que não haveria problema.
— Para onde nos conhecemos.- Sorri subindo na moto.
— A escola? Sério? Ainda existe? — Seus olhos brilhavam, subimos na moto e ela encostou a cabeça nas minhas costas sussurrando — Eu te amo- Ecoei essas palavras para ela enquanto entrávamos em um túnel, Tatiana fez cócegas em mim levemente e uma luz enorme nos atingiu.
* Fim da lembrança *
O choque de que eu estava morta não passava, o choro da minha amada ficava mais intenso, me lembrava do osto de sangue em minha boca e a última imagem que eu tinha era dela caindo encima de mim coberta por ferimentos. Os flashes pararam com a entrada de Luís no escritório, Tatiana se levantou e correu para abraçá-lo.
-N-não consigo! — Ela chorava pesadamente, e os braços dele a envolveram com força — Ela, e-ela...-Tati afundou seu rosto no peito dele, eu observava aquela cena atordoada, não podia consolá-la.
-Calma, meu amor — Luís ficou inseguro ao chamá-la assim, um ódio me tomou, me agachei segurando meus joelhos com os braços encarando o vazio.Ela o empurrou para longe, surpreso caiu no chão ao meu lado.
— Sai daqui! N-não...Me cham-me assim!! — Ela jogou o que estava em sua mesa no chão, o expulsando de lá em meio a lágrimas e gemidos de dor. Luís saiu silenciosamente perturbado com o comportamento dela. tremendo aproximei me a ela, ficando frente àquela linda pessoa que chorava desesperadamente agarrada ao meu retrato. Uma lágrima desceu pelo meu rosto caindo no chão, ao que me pareceu Tatiana percebeu a mancha d'água no carpete.
-M-mas o que...- colocou sua mão sob a gota, pousei a minha junto a ela fazendo-a tremer — Zee?- Sussurrou trêmula, se agachou olhando ao redor, nesse momento a beijei mesmo sabendo que ela não sentiria...Mesmo sendo em vão. Automaticamente suas mãos correram para sua boca fazendo cair uma única lágrima, ela se levantou — Você está ai não é? Zee?!?! Meu amor me responda! — Ela gritava enquanto pegava algo do seu bolso. Tentei responder, mas não consegui encostei meus lábios levemente nela e a abraçei, ela sentia meu calor...ela SABIA que eu estava lá! De repente uma luz muito forte surgiu, me sugando na direção do nada. Eu lutava para ficar com o meu amor.
— Tatiana! — Gritei, e como se fosse um milagre ela me escutou e conseguiu me ver.
— Zee!! — Seus olhos brilharam junto ao seu sorriso uma última vez, correndo em minha direção enquanto eu sumia em meio a luz deixando descer mais uma gota de meus olhos. ela abraçou o ar caíndo em seguida no chão, seu punho foi de encontro ao solo junto com suas lágrimas de tristeza, sua outra mão se abriu deixando cair o objeto brilhante que tirára do bolso. A aliança que eu daria para ela no colégio.
- Volta para mim...
Fale com o autor