Sempre ao seu Lado

42 𝐋𝐮𝐚 𝐌𝐢𝐧𝐠𝐮𝐚𝐧𝐭𝐞 ➳


Notas iniciais
Obrigada por estarem comigo até aqui. Obrigada aos relatos, apoios e incentivos ♥ ♥

Sempre ao Seu Lado

↠ .Renesmee. ↞

Eu definitivamente detestava não poder ajudar a recém-nascida, Helena.

Era frustrante tanto quanto repulsivo me ver poder ter a capacidade de chegar tão perto dela, mas não encontrar forças e motivações que me impulsionassem a estender minhas mãos para me conectar na mente dessa menina!

Eu a pegava no colo quando era necessário, até mesmo cheguei a trocar suas fraldas, mas quando a intensão era me manifestar dentro da sua mente, não importava a quantidade de justificativas de me incitassem ou o quão sutil eu seria, meu tato era repelido no momento em que eu realmente cogitava fazer. Eu sequer conseguia esticar minhas mãos para perto dela outra vez.

Eu me sentia um alienígena quando isso acontecia.

O que há de errado comigo?

O que há de errado com essa menina?

E por que ser tão chorona?

Meus ouvidos sensíveis não aguentavam mais captar seu manifestar sonoro, mesmo que em segundo plano. É tão irritante, que mesmo que eu não saiba como realmente funciona o desconforto de uma dor de cabeça, é através dela que eu posso me basear no quão incômodo possa ser.

Isso me deixa frustrada, para dizer o mínimo. Sequer prestava a devida atenção ao Cole, e tinha ciência de que minhas respostas às perguntas que me eram direcionadas saíram todas aguadas, não eram o suficiente para ele. Eu sabia, e mesmo assim preferi manter-nos assim.

Me encolhi sem graça quando tia Franchesca ficou aborrecida com o que eu falara, a ideia era que ela não chegasse a me escutar, eu sabia que meu comportamento, que é estranho até para mim mesma, a deixava cabisbaixa. Me senti mal por ela ter me ouvido, mas não me neguei a oportunidade de voltar a afundar em meus próprios pensamentos e conflitos e só percebi estar sozinha na sala quando levantei minha cabeça num estalo, reconhecendo que minha tia Rose chamava por mim. Me levantei, deixando que algumas fotografias dos álbuns de Amberli caíssem ao chão, e num piscar de olhos, já estava no corredor em que sua voz soara.

Passei para dentro do cômodo, caminhando até o banheiro da suíte de onde ela estava, disposta a saber a causa de seu chamado; o cheiro que predominava o local atraiu minha atenção e me surpreendi de vê-la banhando a bebê com ingredientes tão..., não comuns.

— O que foi que eu perdi? — deixei que soubesse o quanto eu estava confusa.

— Ordens da mãe do Cole... Ou melhor, direcionamentos. — disse com toda a calma. Analisei-a: sua mão direita apanhava aquela água, a escorrendo com calma contra as costas da menina, que lutava impaciente em sua outra mão — Veja, esse é o banho de preparação para que a Helena possa visitar a mamãe, com as ervas finas: Dill, Papoula, Juniperberry e Equinácea. — seus olhos se ergueram para me olhar por um breve momento — Como eu disse, são direcionamentos... — tragou uma respiração — Aquela senhora determinou até mesmo os minutos que esse banho tem que durar, não tenho muitos minutos, e a querem lá o quanto antes... Você pode preparar a toalha e separar uma roupa para ela, por favor? Quatro mãos são melhores do que apenas duas.

Assenti em silêncio, dei as costas para ela e apanhei tudo o que seria necessário para a ocasião. Fiquei um pouco indecisa, movi meus lábios de um lado para o outro num beicinho enquanto pensava entre pegar um vestidinho de mangas longas, ou apenas o conjunto de body e a calça mijão; estampas e cores não influenciavam, só havia todos os tons de branco possíveis. Resolvi vesti-la do conjunto e não resisti em pegar um dos sapatinhos de crochê que tia Franchesca havia nos entregado, eram tão fofos e minúsculos, que sempre me surpreendia de vê-los cobrindo os pés dela. Tia Rose deixou que eu ficasse com a parte tranquila de vestir o pequeno serzinho, pois ela tem dó de exercer sua força para imobilizá-la, já eu, via a situação apenas como necessária. Helena não deixaria de chorar menos por conta disso.

Deixamos o quarto juntas e seguimos escada abaixo, seus braços sustentavam com carinho a bebê inquieta, tia Rose me dispensou a frente da porta, dizendo que só poderia entrar onde todos os outros estavam assim que tivesse permissão para tal e eu não hesitei de entrar sem a companhia dela, assim talvez minha presença fosse um prenuncio para tia Franchesca de que a Helena já estava pronta. Me encaixei entre meus tios, e observei a conversa em outra língua que se desenrolava entre mãe e filho, ambos inclinados em cima da Amberli imóvel naquela maca cheia de fios e apetrechos hospitalares. Tia Alice afagou meu braço direito, seu toque chamou minha atenção, me fazendo virar meus olhos para encará-la. O leve sorriso fechado que me deu naquele breve momento era esperançoso e otimista e quando a voz de Cole soou pelo ambiente, ela não hesitou em mover-se de acordo com a ordem ainda falada, caminhou até a porta para que minha tia Rose pudesse passar.

A próxima ordenança repassada por Cole foi objetiva e apenas no primeiro segundo me deixou apreensiva, passar uma bebê híbrida para o colo de uma humana me pareceu incabível naquele mísero segundo, só naquele apenas, pois eu conheço a certeza imbatível dos espíritos quileutes que regem aquela mulher. Ela não delegaria algo que os espíritos desaprovassem, ela sequer moveria os lábios para falar algo contra a decisão destes.

Isso me fez soltar o ar dos meus pulmões com mais tranquilidade, minha vontade era de avançar um pouco mais a frente entre os demais da minha família, mas me forcei a permanecer onde bem estava e ficar ainda mais atenta ao que poderia acontecer. Cada segundo contava e eu não perderia por nada.

A situação se prolongou, a mãe falando e o filho traduzindo; quando Helena intensificou seu choro de modo absurdo, a potência carregada em suas cordas vocais teve a capacidade de me fazer tapar meus ouvidos com as mãos e a fechar meus olhos por me perceber zonza e perturbada por um momento.

Abri meus olhos de maneira arregalada e apressei para reordenar minha concentração, não podendo ignorar a tensão da expectativa que parecia ter o poder de nos espremer, o desconforto que eu sentia era tamanho que me vi balançar os ombros discretamente para que meus músculos relaxassem um pouco enquanto meus olhos devoravam a imagem de Cole movendo suas mãos contra os tecidos que cobriam o colo de sua imprinting, seguindo os possíveis comandos que sua mãe dava.

Meu peito ardeu, fazendo crescer um caroço na garganta causando uma sensação de aperto e ardor por dentro e quando eu a vi colocar Helena sobre Amberli, lutei contra a sensação sufocante na garganta, engolindo o que quer que aquilo fosse para que eu não perdesse um segundo sequer da minha concentração de novo, para captar tudo o que meus olhos e sentidos pudessem me oferecer, cada detalhe era valiosíssimo.

Ah, e como foi valioso! Ver a Lee abraçando o corpinho de sua filha, da mesma maneira que deveria ter acontecido naquela terça-feira, foi de tirar o fôlego. Meus olhos se aguaram de lágrimas emocionadas enquanto eu via, claramente via a perspectiva mudando, o cenário da vida ia enchendo os olhos de cada um ali.

Helena tocou sua mãe, como se quisesse ter a certeza absoluta de quem era, e a conhecia. Sua mãozinha parecia colher informações valiosas de reconhecimento, e a cada segundo que avançava eu tinha certeza de que ela sabia sim quem era aquela mulher, e os conflitos internos que possivelmente aquela bebê possuía, foi se findando conforme seu choro foi ficando cada vez mais controlado, calmo e por fim: silencioso.

O que jamais passou pela minha cabeça era que as mesmas etapas pareciam estar acontecendo com a Amberli!

Puxei uma grande quantidade de ar para os meus pulmões enquanto via a frente dos meus olhos a histeria de Helena sendo rompida e findada depois de tantos longos dias, ao mesmo tempo que o corpo de Amberli sinalizava que ela estava voltando a consciência, sinais estes que a despertavam para a última situação em que esteve vivendo. A última que ela tinha realmente vivido: o dia do parto.

Minha visão se embaçou quando o acúmulo de lágrimas foi significativo, pisquei os olhos para que as lágrimas pudessem escorrer pelo meu rosto, bem a tempo para que eu pudesse ver o leite brotando milagrosamente dos mamilos de Amberli. Ouvi o arfar da minha mãe, se maravilhando com a situação ao comentar que em todos esses dias, nunca houve estímulos para amamentação, que isso o leite vazar assim não deveria estar acontecendo.

Este foi o anúncio mais puro e vivo de que mãe e filha aguardavam por esse momento e que ficariam bem.

O mais curioso de tudo, era ver a pequena Helena tão inclinada ao instinto de procurar se alimentar de sua mãe. Aquela era a reação reflexiva mais humana que um híbrido poderia ter.

Fui envolvida num ambiente tão cheio de sentimentos que meus lábios tremeram choroso e percebi abrir um sorriso carinhoso, influenciada pelas boas emoções do lugar. E isso fez com que outra lágrima quente e solitária escapasse do meu olho direito. Desviei meus olhos daquele momento delas e olhei para os que estavam amontoados ao redor, todos sem exceção, da maneira limitada da espécie, choravam. Foi impossível não deixar de rir em meio as minhas lágrimas de alegria, nos olhávamos emocionados e cheios de alívio, os pensamentos entrelaçados..., era surpreendente!

Olhei para a maca novamente, Carlisle era acompanhado de perto pela minha mãe e tia Franchesca; um sorriso ainda brilhava em meus lábios.

Amberli viveria para ver a filha que havia gerado.

Amberli definitivamente havia acordado, e apenas meu avô e minha mãe puderam permanecer dentro do escritório para avaliarem sua condição para a interrupção da ventilação mecânica, já que não contavam que ela abriria seus olhos hoje. Uma melhora clínica, sim; mas despertar tão bem desta maneira? Não. Até porque, havia um tubo dentro da sua garganta que simulava sua respiração, pois ela não tinha tanta capacidade de respirar sozinha e agora que estava desperta ela não poderia se mexer e muito menos tentar falar com aquilo dentro dela.

Durante as próximas horas dos dias, foi realizado o desmame da ventilação mecânica; Amberli ficou sem esse tubo, mas colocada em outra fonte de oxigênio suplementar por mais de cinquenta minutos em observação intensa para que detectassem precocemente sinais de intolerância ou falência e outras circunstâncias que definiam como ela seria tratada a partir de então.

Nas primeiras horas que ela foi devidamente liberada, houve uma confusão passageira para ela se situar e entender que não poderia falar, nem sequer se esforçar para isso pois poderia agravar algum trauma sofrido, e entender que não estava mais passando pelo trabalho de parto, a tranquilizaram o suficiente para que a cabeça dela assimilasse que a situação não era mais preocupante, e que a bebê já havia nascido. Aconteceram mais visitas entre ela e a pequena Helena, e o único choro acometido foi o da Lee, a pequena menina apenas assimilava a presença da mãe num silêncio surpreendente. Meu pai acompanhava junto com tio Jasper essa situação, Amberli chorava como um tipo de escape para e realidade, até porque, ela havia dado à luz uma criança não consentida... E a menina absorvia a presença da mãe de maneira saudosa, como se a privação entre elas tivesse causado algum tipo de dor que havia feito com que ela chorasse em todos aqueles dias, daquela maneira.

As observações médicas para a liberação da transição respiratória continuaram a serem feitas e houve poucas complicações, que de acordo com a minha mãe, já eram esperadas.

E após testes e mais testes de respiração espontânea, a extubação só foi realizada cinco dias depois. Não que a Lee não tenha precisado de outros testes de eficácia do seu corpo para poder suportar a transição de conseguir respirar e funcionar por si mesmo, mas minha família estava pronta para o que viesse. E queríamos passar a segurança necessária de que ela venceria essa etapa da vida.

No fim da segunda semana, Amberli ainda não conseguia falar e claramente estava muito abaixo do peso ideal, mas não menos saudável. Seus dias em coma foram longos o suficiente para que seu útero se recuperasse tanto da hemorragia quanto do parto, e só teríamos que acompanhá-la para sua melhora gradativa. Ela estava muito bem agora, por mais que a adaptação a deixe desmotivada e cansada, não a deixamos desistir de se esforçar ao máximo para a sua recuperação, sabíamos que nossos cuidados e carinho a fariam melhorar cada dia mais, e a presença de Cole nessas horas eram uma validação à mais.

Conforme os dias foram passando, os motivos dela ter acordado sem preparo e indução ainda não tinha explicação; minha mãe, tio Jasper e vovô Carlisle sondaram e especularam com Franchesca, mas ela não tinha pautas que levassem os motivos para o âmbito espiritual ou sobrenatural. Franchesca só havia sido aconselhada pelos espíritos quileutes a estar na mansão da minha família para ajudar Helena, e isso tinha a ver com estar ajudando a Amberli também, nada que fugisse desses direcionamentos.

Mas aceitamos com o pensamento mútuo de que ligações maternas podem mover forças desconhecidas do próprio corpo humano e minha família abafou essa questão.

Já eu e papai sempre especulamos secretamente sobre a menina, as melhores linhas de raciocínio é de quando nos reunimos a frente do piano, aparentemente distraídos e melódicos o suficiente, eu não precisava tocá-lo para que soubesse o que se passava na minha mente. E meus pensamentos eram claros para ele, de que a meu ver, a pequena Helena reagiu de uma maneira bem peculiar a familiaridade de saber que Amberli era sua mãe, ela não a reconheceu diretamente pelo cheiro característico e instintivo.

E juntando isso com o fato de que conforme o cérebro de Amberli foi despertando e a Helena se acalmando, meu pai foi tendo acesso a ambas as mentes, minhas divagações especulativas só triplicaram, até porque, ele nem estava naquela sala com a gente, e sim cuidando da Hilary em outro cômodo, não é como se ele estivesse se esforçando para alcançar a mente das duas.

Minhas conspirações triplicaram, só que não tínhamos bases convictas para que pudéssemos estudar sobre isso, a mente da Amberli estava gradualmente mais saudável e a Helena tornava-se mais tátil e responsiva ao mundo ao seu redor, reagindo como uma criança híbrida saudável. Meu pai me expôs a opção de contatarmos Eleazar para que nossas dúvidas fossem sanadas de uma vez por todas, mas neguei veemente; apresentarmos mais outra híbrida a outros tão cedo, não passou nem mesmo em meus piores pensamentos. Eu queria livrá-las de holofotes do nosso mundo por alguns anos, ou até mesmo, por toda a eternidade.

— Está na minha hora. — a voz do meu pai soou baixa e suave por baixo dos acordes.

Seus dedos dedilharam por algumas teclas antes de findar a canção; Ele se levantou, ajeitando a calça sobre as pernas, toquei seu braço em despedida e o vi subir para o escritório do meu avô; Amberli teria fisioterapia agora. Saí da sala e procurei por minha avó, enquanto eu percorria a casa de um cômodo para outro, vi tia Rose cuidando da Helena na sala. A menina estava sentada na cadeira alta de alimentação, atenta às brincadeiras cognitivas que minha tia ensinava a ela durante alguns períodos do dia. A pequena desviou seu olhar compenetrado para mim assim que passei próxima a elas, ergui minha mão e acenei para ela e sorri, sua face miúda e delicada não expressou reação alguma, mas seus olhos azuis claros acompanharam meus passos até que sumíssemos da vista uma da outra; segui o cheiro de Esme, caminhando até em seu jardim dos fundos vendo-a distraindo a nossa pequena Florzinha, que estava com as mãozinhas afundadas na terra húmida.

— Aqui não é absurdamente alto para pular?! Sério! Como vocês não sentem medo..., disso? — essa era uma das mais jovens da família de Jared Cameron. Apertei meus dedos dos pés descalços contra os resquícios de vegetação que sobrava naquela ponta de rocha, virei meu rosto na direção da Mabel, seu tronco se inclinava de maneira hesitante na beira do penhasco, suas pernas tremiam por debaixo das camadas de calças que vestia, enquanto encarava com certo horror as ondas escuras que se chocavam contra o rochedo.

— Quem teve a brilhante ideia de trazer a Mabel com a gente, hein Taylor? — Thomas ironizou andando ao nosso redor enquanto retirava suas peças de roupas maiores. Eu já havia o proibido de ficar nú na presença da menina.

— Deixe a menina! — o calei — Ela precisa ir se acostumando com tudo o que vocês podem fazer. — ela deixou de olhar para a queda abaixo, para olhar para mim. Um curto sorriso surgiu em seus lábios antes que ela fosse tragada com violência para os braços de Thomas, que a lançou para frente, deixando as pernas delas livres na queda antes de rodopiar para longe da ponta do penhasco com ela perdendo o fôlego momentaneamente para depois gritar a plenos pulmões. Meus ombros tremeram com o riso contido dentro do peito — As coisas legais e heroicas, não as idiotas. — o repreendi. Mabel tropeçou para longe dele como um coelhinho traumatizado, procurando o irmão, pedindo para que não deixasse que Thomas se aproximasse novamente — Ah, que legal! Ela já não estava muito a fim de pular, agora então... — reclamei só para que o lobo pestinha pudesse escutar. Era um drama de adolescente o que ela estava fazendo, já que eu sei que ela acha os gêmeos super atraentes. Eu ainda podia ouvir seus batimentos acelerados e os resmungos da atitude de Thomas, ela estava assustada.

Flexionei os joelhos, agachando e sentando-me na ponta. Balancei meus pés na queda, admirando a vista do mar negro a minha frente e abaixo de mim, as ondas não estavam turbulentas, era um bom dia para pular no mar, e o cheiro da maresia me ajudava a encarar o dia com uma normalidade apaziguante entre os quileutes. Ouvi a movimentação de Thomas e Taylor ao se prepararem para o salto, mas não fiz questão de desviar meu olhar quando ouvi eles gritarem de entusiasmo penhasco abaixo. Senti Martim se aproximando de mim, seus passos tranquilos pararam ao meu lado e assim como eu, comtemplou a vista por um momento.

— Pensei que você fosse pular. — abaixou a cabeça para olhar para mim.

— E vou. — olhei para o meu corpo, vestido apenas com um biquíni todo preto, e ergui a cabeça para olhá-lo. Vestia apenas uma bermuda jeans — E você também.

— É, parece que sim. — deu um sorriso ligeiro — Eu queria saber da Lee, — foi direto ao ponto — eu sei que a melhora dela é muito mais lenta e natural; só que eu quero saber se tem alguma novidade dela, faz uns dias que não vejo o Cole, então...

— Ela está bem. — balancei a cabeça em concordância, aproveitando o movimento para jogar as mechas de cachos para atrás dos ombros — Está conseguindo formar frases inteiras.

— Ela finalmente consegue falar bem? — alegria e alívio foram perceptíveis em sua voz.

— Sim, aos poucos ela estará melhor do que quando a conhecemos. — sorri — Meu pai disse que é um processo bem lento, ela está aprendendo tudo de novo... Faz uns cinco dias que ela consegue caminhar sem apoio e seus reflexos sensoriais estão melhores do que no início da semana.

— E como a cabeça dela está?

— Ela aceita a maioria das visitas que o Cole tem feito à ela, está menos confusa a cada dia que passa..., — “mas têm chorado bastante” pensei comigo mesma. Disfarçando o pesar desse fato, evitei de desviar meu olhar de seus olhos — minha família é sincera com ela, a prioridade é vê-la cuidando bem de suas filhas, com a saúde em dia. Nós somos a única rede de apoio possível e disponível exclusivo para elas.

— Ela tem ao Cole agora também Nessie. — replicou de modo observativo.

— Sim, eu bem sei. Mas para a Lee, ainda somos seu ponto de apoio mais seguro. Fazemos um papel diferente do dele na vida dela. E ainda bem que um tem ao outro... — Cole tinha os pés mais firmes no chão desde que ela foi presenteada para a sua rotina, ele nunca esteve tão comprometido com seus familiares quanto é agora e isso refletia na maneira que ele se doava para a Lee, mesmo quando ela não permitia que nós o deixássemos entrar no mesmo cômodo que ela esteja. Ora pela aparência caótica que ela se encontrava ou com as emoções abalada. Havia momentos em que ela estava em situações delicadas. Me levantei, arrumando as tiras amarradas nas laterais do meu quadril. Olhei para o mar escuro abaixo de nós, vendo os meninos nadando em alto mar, era a minha deixa para a diversão — Tá na hora! — olhei para ele e sorri, desafiando — E aí? Vai encarar?!

Não esperei por resposta alguma vindo dele, eu sabia que ele aceitara o desafio. Apenas me virei, olhando para a Mabel e fiz a mesma pergunta para ela, e mesmo que demonstrasse sentir medo, ela me deu uma resposta:

— Só se você não soltar a minha mão quando pularmos no mar.

— Tudo bem então, — dei passos em sua direção sem tirar o leve sorrisinho de satisfação por também desafiá-la — tire essas roupas, eu prometo não te soltar.

Notas finais
Muito obrigada ♥