Sempre ao seu Lado

43 𝟐𝟐 𝐝𝐞 𝐀𝐠𝐨𝐬𝐭𝐨 ➶


Notas iniciais
Oi, gente! Ainda se lembram de mim?! rsrs Primeiramente, feliz 2025, espero que estejam bem... Vocês e suas famílias e amigos <3 Segundo: Esse ano eu espero estar bem mais ativa que os 2, 3 anos anteriores. Desejo demais que assim aconteça! Aproveitem muuito o capítulo, em breve o próximo estará concluído e não vejo a hora do projeto seguinte começar a ganhar forma! Meu desejo é que eu consiga elaborar uma trilogia da trama, com mudança de personagem principal e tudo! E terceiro: eu entrei hoje no Nyah e puff não existe mais!! Estou começando do 0 nesse novo modelo e já sinto falta de jeitinho antigo kkkkk mas está bem bonito o modelo atual, os desenvolvedores estão de parabéns! <3 Boa leitura!


Sempre ao Seu Lado

Capítulo 39

Não era a primeira vez que eu passava pela experiência de parto.

Não era a primeira vez que eu sentia contrações e me condicionava a passar positivamente pelo avanço de cada uma delas...

Mas foi a primeira vez que eu não obtive a recompensa por todo o esforço passado.

Era a primeira vez que eu não tinha certezas se estava realmente viva para poder desfrutar da missão de dar à luz a uma vida.

E era a primeira vez que me senti enlouquecer por sentir o medo tão cru à minha frente.

A confusão e o medo tomaram conta de mim; é como se as palavras se desfizessem em fumaça antes que eu consiga articulá-las. O “píí” incessante ecoava na minha mente, tão forte, de uma maneira incomum me parecia estar me explodindo em diversos pontos e intensidades, e em alguns lapsos de coerência eu ouvia vozes conhecidas que indiretamente eu conseguia identificar de estarem falando comigo, tentei me concentrar, mas a neblina mental é densa, e a dor pulsante reverberava, fazendo com que cada pensamento se dissolvesse em fragmentos, impossíveis de juntar. Sinto uma pressão crescente na minha cabeça, como se alguém estivesse tentando empurrar suas intenções malignas para dentro de mim. É uma luta constante, e eu me sinto drenada, como se estivesse lutando contra um mar revolto que ameaça me esmagar e me engolir em intensa dor.

Quis muito chorar, clamar por socorro para que alguém pudesse fazer tudo isso passar, meu desespero é tamanho que a dor se intensificou ainda mais, se meu corpo conseguisse externar tudo que eu sinto nesse momento, minhas cordas vocais se inflamariam de tanto que eu iria gritar; mas só consigo sentir, nada mais.

Entre todo o caos que me aprisionava, pude claramente perceber quando tive a sensação de sentir um arrepio percorrer minha espinha quando o cheiro do sangue chega até mim pela primeira vez. É um aroma forte e metálico que invade minhas narinas, quase como se o tempo parasse por um momento. Meu coração acelera, e uma onda de emoções me atinge: uma variação de medo, curiosidade e uma estranha sensação de alerta. Meus sentidos ficam aguçados, como se eu estivesse em um estado de prontidão, mesmo tão altamente fragilizada. A dor foi minimizada e minha mente cessou aquele soar irritante e começou a vagar, lembrando dos momentos de vulnerabilidade e fragilidade e reagi quando uma luz clareou entre branco e vermelho bem à frente dos meus olhos.

Olhei ao meu redor, mas tudo me parece distorcido, como se a realidade estivesse se desvanecendo, o breu chamuscado de cores indefinidas foi sumindo, me dando o prazer de poder enxergar algo real e conhecido, era Isabella Cullen, próxima de uma maneira que jamais esteve. Me esforcei para responder o que ela me perguntava naquele momento, nem tive forças para dizer o suficiente, quando dei por mim, a escuridão indefinida tomou minha visão, a tempestade estava se formando dentro da minha mente mais uma vez, um turbilhão de emoções e pensamentos que não consigo controlar. Tudo começou com uma leve sensação de desconforto, minha própria voz se tornando um sussurro insistente que se transformara em gritos ensurdecedores. A ansiedade se instalou, como se uma sombra estivesse me observando, e meu coração acelera, batendo descompassado e doído, como se quisesse escapar desse terror invisível.

Eu me perdi em mim mesma desde então.

Meus sentimentos oscilavam de forma frenética. A tristeza surge sem aviso, acompanhada de uma raiva que não sei de onde vem, e o tempo... Ah... Eu não tinha nenhuma noção do que ele poderia representar. E o que me restava eram as recordações, uma versão minha que me gerava dúvidas e eu aceitava-as como sonhos que se tornam pesadelos, refletindo a batalha interna que travo. Cada vez que tenho a sensação de fechar os olhos, sou arrastada para um abismo de incertezas e medos, e a única coisa que desejo é encontrar um lugar seguro dentro de mim, onde essa tempestade não possa me alcançar.

Enquanto eu me encontrava em um estado de sonhos e pesadelos, algo diferente começou a se manifestar. Uma brisa suave começou a me contornar, trazendo consigo os cheiros frescos da floresta. O aroma terroso das folhas molhadas e o leve perfume das flores silvestres preenchiam o ar, criando uma sinfonia de fragrâncias que parecia me chamar. Senti uma onda de energia percorrendo meu corpo, como se algo invisível estivesse me envolvendo. Era uma força sobrenatural, intensa e acolhedora, que me guiava suavemente, era como se a própria natureza estivesse me guiando, instigando-me a libertar-me das amarras psíquicas que me prendiam. Me inclinei diante da oportunidade de me livrar dessa prisão distinta e senti que a promessa de liberdade estava acontecendo.

E entre esse acontecimento eu vi, estava bem ali, junto comigo naquele ambiente sem forma, esperando que eu pudesse alcançá-lo. O vento criou uma proporção corpórea muito semelhante à de um lobo, não havia cor em sua pelagem para que eu pudesse identificar, mas era majestoso e forte.

A presença dele me trouxe uma onda de amor e esperança, instigando-me a abrir os olhos para fora dali, e eu quis tanto poder estender minhas mãos em sua direção, gritar para que ele pudesse me levar para um lar seguro. Me esforcei para me libertar e a cada respiração funda que saía pelos meus lábios, devido ao esforço de me aproximar, as amarras que me prendiam começaram a se desfazer, eu não podia apresentar uma explicação a mim mesma, mas aquela energia maligna começou a se desfazer, como se fossem fios de seda se desintegrando ao toque daquele vento. E a força sobrenatural que me envolvia parecia me empurrar gentilmente em direção à liberdade.

A cada respiração, uma clareza começava a surgir em minha mente, e a neblina que obscurecia minha percepção se dissipava, eu conseguia perceber o som contínuo de máquinas, eu sentia que estava sendo chamada para acordar, para me libertar das correntes que me mantinham presa a um estado de confusão. Era como se uma luz divina estivesse iluminando meu caminho na floresta, mostrando que a realidade aguardava por mim. Com cada passo que eu dava, sentia a força me impulsionando, como se estivesse sendo guiada por aquele lobo em forma de vento e sensações invisíveis, que me encorajavam a deixar para trás o que me limitava. Nesse momento, senti algo inesperado: uma mão pequena e delicada pousou sobre meu tórax. O toque era bem quente e suave, como a carícia de um raio de sol em um dia de primavera. É como se, naquele instante, eu estivesse conectada a algo mais profundo, a uma parte primitiva de mim mesma. Sinto um impulso de proteger a mim e aos que amo, enquanto a realidade do que está acontecendo se instala. É uma experiência que, embora desconcertante, me faz perceber a força que existe dentro de mim e a complexidade da vida.

— Você está segura, Lee. — disse a voz, e eu me perguntei se isso era verdade.

O que significava estar segura? O que havia acontecido? As lembranças eram como fragmentos de um sonho que se dissipavam ao amanhecer. O medo começou a se misturar com a confusão. Eu precisava saber o que havia acontecido. O que tinha sido da minha gravidez? E o bebê? Havia um vazio no meu coração, uma angústia que me consumia. As máquinas continuavam a apitar, e cada som parecia me lembrar da fragilidade da vida. Tentei me concentrar, mas tudo o que consegui foi mais uma onda de confusão.

— Você teve um bebê. — As palavras ecoaram em minha mente, mas não consegui processá-las completamente.

Eu já havia dado à luz?! Conforme a névoa começou a se dissipar, flashes de memórias começaram a surgir: A última memória que tinha era de estar esperando pelo meu bebê, o ser pequenino que eu sonhava em segurar nos braços. Mas algo não parecia certo. Eu não sentia sua presença em mim. O que havia acontecido? Meu coração disparou. O medo se instalou em mim, mas eu não tinha certeza do que temer. A voz continuava a falar, agora com mais urgência, e eu percebi que era alguém que se preocupava comigo. Um familiar? Um amigo? Não sabia.

— Você está voltando para nós. — a voz disse, e eu me perguntei se isso era realmente possível. Poderia voltar a ser quem eu era? A mulher que tinha sonhos, planos, e uma vida?O que eu havia perdido enquanto estava presa nesse estado de inatividade? Será que sabiam que eu estava aqui, presa em um corpo que não parecia mais meu?

Onde estava minha filha, Hilary? Uma dor profunda de saudade me invadiu, e eu pude sentir quando as lágrimas começaram a escorregar pela lateral do meu rosto. O que havia acontecido com as minhas crianças? A preocupação me consumia. Hilary era tão pequena, tão cheia de energia. Eu me lembrava de seus risos e das histórias que costumava contar para ela antes de dormir. Será que ela estava bem? Será que entendia o que tinha acontecido com a mãe?

Com um esforço colossal, finalmente consegui mover meus dedos, era um pequeno sinal de vida, mas ainda assim, uma vitória;havia algo macio e quente debaixo deles, sentir era mais um pequeno passo, e me trouxe uma centelha de esperança. Eu estava acordando, e isso significava que ainda havia uma chance de voltar para minhas crianças. Eu precisava lutar, não apenas por mim, mas por Hilary e pelo bebê que eu não tinha conhecido. Com essa determinação, fechei os olhos novamente, tentando reunir forças para enfrentar o que quer que viesse a seguir,desejando que o próximo despertar trouxesse a alegria de estar com a minha família novamente, pronta para enfrentar a vida, com a certeza de que a luz e o amor sempre estariam ao meu redor.

Acordei lentamente, com uma sensação estranha, como se estivesse flutuando entre dois mundos... Como se estivesse emergindo de um profundo abismo. O primeiro pensamento que cruzou minha mente foi a sensação de sufocamento.Tentei abrir os olhos, mas a sensação de peso nas pálpebras era quase insuportável, quando finalmente consegui, tudo parecia embaçado, como se estivesse vendo através de um vidro sujo, mas percebi ser meus olhos cheios de lágrimas que se derramavam pelos cantos, a luz que entrava pela janela era intensa e, por um momento, temi que ainda estivesse sonhando. Olhei para baixo e vi os tubos conectados a mim, um deles me ajudando a respirar, tudo parecia confuso e distante, meu corpo estava entorpecido, e eu não conseguia me lembrar de como cheguei ali. O cheiro de desinfetante, álcool e o som constante de máquinas ao meu redor me deixaram inquieta, me lembrando que eu estava em um ambiente hospitalar, mas eu não consegui entender o porquê. Pisquei os olhos mais uma vez e num estalo, finalmente percebi que ao abrir os olhos, eu estava no mundo real, livre e renovada, pronta para abraçar as possibilidades que a vida apresentava diante de mim. O pânico subiu como uma onda brava, e eu tentei me mover, mas meu corpo não respondia. O que estava acontecendo? Por que eu estava assim? A lembrança de estar grávida e estar em trabalho de parto ativo me veio à tona, mas era como uma lembrança distante, quase apagada.

Uma voz familiar que eu não conseguia identificar murmurava algo, mas as palavras se misturavam em um zumbido distante, "Por favor, alguém, me diga que o bebê está bem!", pensei, mas as palavras não saíam. Eu estava frágil, e a sensação de impotência era esmagadora. A luta entre a necessidade de respirar e o desejo de gritar me deixava em um estado de desespero.

— Você está segura. — ouvi um homem dizer, mas sua voz parecia tão distante e cheia de emoção.

Eu queria gritar, perguntar onde estava minha menina, minha alegria, Hilary. A saudade dela me atingiu como um golpe. Lembrei-me de como ela costumava correr pela casa, rindo e brincando. Será que ela estava bem? E como estava meu outro bebê? Estava bem?

Um afago delicado e quente dissipou minhas preocupações naquele momento, havia um peso sobre mim, algo quente, macio e convidativo, eu sentia seu peso, mesmo que não me incomodasse. Meus braços sentiam seu calor e esse algo acariciava a pele do meu colo, perto da clavícula, protegido debaixo das minhas mãos fracas. Com um esforço monumental, consegui mover meus dedos, havia vida pulsando bem ali, e de alguma maneira eu soube que era a mesma que outrora estava dentro de mim!

As lágrimas escorreram pelo meu rosto, grossas, riscando um caminho de recomeço e permitindo que eu pudesse enxergar o que mais havia por ali, olhei para baixo, forcei meu olhar e pude ver, mesmo que limitada, um corpo pequeno, um bebê, com olhos brilhantes que pareciam refletir a luz da floresta que me trouxe de volta. A conexão que senti era profunda, como se aquela pequena criatura fosse a que estivesse me encorajando a acordar, a deixar para trás a névoa que envolvia minha mente. Lutei para me sentar, mas meu corpo parecia não responder, apenas minhas mãos tinham a possibilidade de apalpar seu corpinho estranhamente quente e macio. Passeei meus olhos para longe dessa vez, meu coração batia forte em alívio quando encontraram outro par de olhos moderadamente claros. Cole pairava sobre nós, inclinado sobre a cama hospitalar. Seu sorriso lindo e trêmulo de emoção me cobria de uma forma totalmente nova aos meus olhos, a senhora Franchesca se encontrava do meu outro lado, com os olhos cheios de lágrimas, logo após, pude perceber Carlisle ali também. Fui tomada de fortes emoções por estar acordada de verdade, e a reação do meu corpo ante a grande vontade de chorar foi a sensação de um peso esmagador e desconforto na minha garganta, as máquinas piscaram e zumbiram incessantemente, isso me deixou um pouco assustada, dando-me a impressão de que meu corpo estava pesado, e senti uma pressão no meu peito.

Carlisle tomou a frente, à sua maneira apaziguadora ele me pediu para que ficasse calma, Cole curvou-se a mim, dando um beijo em minha testa reforçando o pedido de Carlisle, e junto de Franchesca saiu se afastou enquanto Carlisle continuava a falar. Desejei poder rogar para que ele continuasse ao meu lado, no entanto senti que o bebê foi sendo gentilmente tirado dos meus braços, a sensação de impotência e medo tomou conta de mim enquanto podia ouvir o som das vozes ao redor se distanciando, meu coração bateu forte naquele momento aterrador, onde a única coisa que eu queria era estar bem para proteger e cuidar do meu bebê! Tentei estender minha mão na direção em que ele foi afastado, mas um toque gelado interceptou meu movimento, era Carlisle, fazendo-me a promessa de que ele e Isabella estariam ali comigo.

— Você precisa descansar. — Carlisle insistiu quando tentei me sentar mais uma vez, mas eu não conseguia ficar em paz.

Apesar de acordar e tê-los ao meu redor, gerando-me alívio, a incerteza pairava em minha mente e me deixava inquieta. Eu precisava saber sobre aquela criança. Eu precisava ver, abraçar e garantir que estava bem. E havia Hilary. O medo de que algo pudesse ter acontecido com ela era insuportável, eu não queria que ela pensasse que eu havia a abandonado.

Isabella me analisava de perto, cuidadosa de uma maneira que jamais imaginei ser, quando Carlisle direcionou um comando para que ela ficasse à frente, eu pude ver a preocupação em seus olhos, um reflexo da minha própria ansiedade. Ela se aproximou e sua expressão suavizou, um leve sorriso apareceu em seu rosto e senti um conforto imediato. Eu não precisava tentar lhe dizer nada, o olhar dela dizia que tudo ficaria bem. Eu fechei meus olhos por um momento, tentando respirar fundo com o tubo enorme me fornecendo oxigênio, e quando os abri novamente, ela estava me observando com um olhar encorajador. Enquanto ela preparava os equipamentos, trocamos olhares que falavam de força e esperanças. Um gesto de sua mão perolada, um olhar que dizia “Estou aqui por você”, e tudo parecia um pouco mais leve de lidar. Naquele momento de silêncio, criamos um laço que transcendeu as palavras e eu soube que, mesmo em meio à dor, não estive sozinha.

No decorrer, eles passaram a me explicar o procedimento e me garantiram que tudo será feito para minimizar o desconforto, sei que o desmame da ventilação mecânica é um passo crucial para minha recuperação e isso precisava ser feito o quanto antes. O processo começou com a redução gradual da dependência da ventilação mecânica, eles começaram a diminuir a frequência e a pressão do ventilador, permitindo que meus pulmões assumam mais responsabilidade pela respiração. Logo ambos administram medicamentos intravenosos para relaxar minha garganta e reduzir a tensão do meu corpo, e assim que os minutos necessários avançam, Carlisle ajusta a minha posição sobre a maca, Bella reforça a necessidade de respirar profundamente e cuidadosamente remove o tubo da traqueia. A sensação de ter o tubo sendo retirado da minha garganta foi estranha, desconfortável, mas ao mesmo tempo libertadora. Nos primeiros momentos, eu sinto uma mistura de alívio e cansaço. Respirar sem o tubo me trouxe uma sensação de autonomia e recuperação. Foi um passo importante no caminho da minha melhora, e me fez perceber o quanto a respiração é fundamental e muitas vezes subestimada. À medida que o desmame avança, posso sentir minha respiração se tornando mais difícil. Parecia ser novidade para o meu corpo, ter que retomar suas atividades integrais, meus pulmões parecem mais fracos, e preciso fazer um esforço consciente para inspirar e expirar e quando me esquecia desse detalhe, sentia falta de ar. A garganta estava um pouco irritada, uma sensação de secura, e quando tentei os informar sobre isso, soube que eu precisava de tempo para me acostumar a falar novamente. A oxigenação suplementar foi colocada em mim, através da cânula nasal para eu aspirar com mais confiança. Mas ainda assim, falar tinha que ficar em segundo plano, era complicado fazer os dois ao mesmo tempo.

Permaneci por mais longas horas em monitoração, havia muito a se fazer em meu corpo, eu ainda tinha sondas conectadas em mim, e tantos outros fios de várias espessuras, que nem sabia qual era a finalidade de cada um. Carlisle realocou muitos deles em locais estratégicos na minha pele, e tantos outros simplesmente foram descartados, eu continuava imóvel e em silêncio na cama hospitalar, o coração acelerado e a mente cheia de perguntas. Vez ou outra, Carlisle me olhava intrigado, e perguntava se estava tudo bem; eu apenas acenava lentamente que sim, desviava meu olhar de seus olhos e continuava em silêncio, atenta aos seus passos. Quando vi que ele saía para fora, não me contive em tentar respirar fundo de alívio, o gesto passaria despercebido, não notariam que era o nervosismo que me pinicava. Isabella ainda continuava ali, sempre tão profissional e atenta, a ideia de chamá-la e fazer uma pergunta parecia simples, mas havia um receio que me paralisava. O que eu diria? E se minha dúvida fosse considerada boba? E se eu parecesse ansiosa demais? E se ela achasse que eu estava me apressando? Eu sabia que Isabella era gentil e sempre pronta para ajudar, mas a incerteza me deixava inquieta. O desejo de segurar meu bebê nos braços é tão forte e eu queria tanto saber quando poderia vê-lo de verdade pela primeira vez, mas o receio me paralisava.

Depois de alguns minutos de reflexão, respirei fundo, e ponderei, tirar essa dúvida é parte do processo de cuidar de mim mesma, ficar ansiosa e em silêncio como estou é capaz de me fazer passar mal. Então, decidi que valia a pena superar esse receio, o medo de ser julgada; O amor e a ansiedade que eu sentia pelo meu bebê supera qualquer medo. Respirei fundo mais uma vez, engoli a saliva que se acumulara e decidi que era hora de perguntar. Afinal, a conexão com meu bebê começara aqui, e eu merecia saber quando poderia finalmente vê-lo.

— É o Logan, ou a Helena? — ouvi aquele som frágil que saía dos meus lábios formando as palavras que pediam para que Bella tirasse a dúvida que eu carreguei comigo por mais de vinte dias.

Nossos olhares se cruzaram instantaneamente, ela levantou uma sobrancelha, questionando minha atitude de fala. Eu apenas sorri, balancei a cabeça e ergui os ombros, como se eu dissesse “Eu precisava perguntar, eu já não aguentava mais esperar”; mas ainda assim meu olhar lhe revelou um leve toque de tristeza.

Imediatamente ela entendeu e abandonando os itens na bandeja, se aproximou, seus olhos transmitindo uma mensagem de apoio e compreensão.

— *Quando eu estava naquela mesa fria, eu não conseguia sentir as coisas que eu deveria, e nada parecia estar no lugar certo, — encostou na guarda da cama — e aí, pude ouvir meu marido sussurrar, que aquele bebê; era nossa filha. — ela sorriu, seu olhar estava longe, suas sobrancelhas levemente franzidas pela lembrança antiga — Não era o pálido e perfeito filho que eu imaginava, sabe? Eu senti um momento de choque. E então me enchi de calor, era Renesmee, minha filhinha, uma coisa pequenina e forte, pingando sangue. — seus olhos continham a emoção passada — E ela me mordeu, bem aqui... — apontou para o seio, logo seus olhos me transmitiam compreensão mais uma vez — Esse momento não aconteceu com você, e ainda assim foi forte. Só teve um vislumbre logo que acordou, deve se lembrar de seus olhos..., mas não pôde ver a quantidade de vérnix que a cobria, ou a tonalidade de sua pele, a maciez... É a Helena, quem te espera. Você teve uma menina Amberli.

Quando me revelou que eu tinha dado à luz, outra menina, uma mistura de emoções tomou conta de mim. A alegria e a surpresa se entrelaçaram, e eu não pude conter o sorriso em meu rosto, enchendo-me de um amor instantâneo e ainda mais profundo, como se já a conhecesse. A conexão que eu sentia era tão forte que me fez querer chorar de emoção. Ela estava viva, eu consegui!

Deixei as lágrimas pingarem de meus olhos, quando o alívio acalentou meu coração e senti a paz entre a mistura de bons sentimentos. Eu sabia que cada momento a partir dali seria único e precioso, e mal podia esperar para segurá-la nos meus braços e começar essa nova jornada juntas. Imediatamente, minha mente começou a imaginar todas as possibilidades: Eu pensei em como seria especial vê-la crescer, imaginei a relação especial que ela e Hilary teriam. Pensei em como seria lindo vê-las crescer juntas, compartilhando risadas, segredos e momentos únicos. A ideia de ter duas filhas me trouxe uma sensação de completude, como se minha família estivesse se formando de uma maneira extremamente singular. Uma formação estranhamente perfeita. Essa era a minha recompensa; valeu a pena.

— Helena Adhara... — sussurrei para mim mesma o seu nome.

Meus olhos, que ainda acumulavam lágrimas não derramadas, se ergueram a procura de Isabella. A decisão, o desejo de vê-la triplicou. Eu ansiava em ver minha filha. Não havia espaço para temer ou ter receios. Eu a queria, agora, não esperaria mais uma hora sequer.

Isabella acatou meu desejo sem empecilhos, dizendo-me que a trariam para mim; e ansiosa, não esperei por muito tempo, logo vi Carlisle retornar com Rosalie atrás de si e caminharem sem enrolações ou conversas e ensinamentos sem necessidade, como temi que poderia acontecer.

Quando apenas me ajudaram a sustentar o corpo da minha filha em meus braços, meu mundo parou, o coração disparou, a conexão que eu sempre torci para ter com minha filha estava prestes a se tornar realidade. A vontade de chorar, rir e gritar tomou conta de mim enquanto ela era colocada em meus braços. Era a primeira vez que eu estava a segurando nos braços e a cada batimento de meu coração, ele se enchia de emoções indescritíveis. Ela era diferente de qualquer mínima imaginação que ousei a ter; pequena, com uma cabeleira farta de fios enrolados escuros que parecia brilhar sob a luz. Seus olhos estavam fechados, e apenas quando só minhas mãos a seguravam, ela, me parecendo sonolenta, permitiu mover suas pálpebras clarinhas com lentidão, e quando nossos olhares se encontraram, senti um puxão dentro da minha mente, como se tudo e nada fizessem sentido.

— Olá, dorminhoca... — consegui sussurrar para ela.

A conexão que senti naquele instante foi mágica, como se ela já soubesse que eu era sua mãe. E a olhando nos olhos azuis claríssimos, grandes e expressivos que refletem toda a inocência e curiosidade do mundo. A cor é tão clara, que carregava intensidade e sob a iluminação do lugar, eles brilham como se fossem pequenos pedaços de diamantes.

Seu rostinho é delicado, com bochechas grandes, arredondadas e rosadas que convidam a ser apertadas com carinho. O nariz é pequeno e proporcional, completando a harmonia de seu rostinho. A boca pequenina emitiu um leve resmungar, e se curvada num leve sorriso de dentinhos perfeitos; apesar de Isabella ter me deixado ciente dessa característica dos bebês híbridos, me deixei ser confortada da estranheza por não ver nenhum deles afiados e característicos como os de filmes mitológicos, preferi focar no ar de pureza e contentamento que ela me transmitia através do seu sorriso, pois desejava vê-la sempre assim, sorrindo com os olhos alegres, mesmo que sejam nenhum pouco familiar e totalmente novo na minha vida.

Continuei a encarando e a percebi suspirar. Naquele instante, tudo pareceu se alinhar. A sensação de tê-la perto de mim, sentir seu calor e seu cheirinho, está sendo indescritível. Ergui minha mão direita curiosa para tocá-la, a pele dela é tão macia e suave ao toque, com um tom claro que contrasta lindamente com seus cabelos bem mais escuros que os meus. Cada detalhe, desde os cílios longos que emolduram seus olhos, até as pequenas orelhas, parece ser perfeitamente esculpida, e eu não conseguia parar de admirar cada detalhe, as mãozinhas, o seu pulso esquerdo com a pulseira que Cole nos presenteou, os pezinhos minúsculos, o formato das unhas e a fragrância doce completamente nova junto ao seu cheirinho de bebê.

Com meus olhos vidrados nela, diferente de qualquer reação que temi que pudesse ter, eu a envolvi com todo o meu amor, e uma lágrima escorreu pelo meu rosto, não de tristeza, mas de pura felicidade e alívio.

Deslumbrada vivendo o momento, eu percebi o quanto minha vida mudaria para sempre. Eu prometi a ela que estaria sempre ao seu lado, para protegê-la e amá-la incondicionalmente. Ela era minha filhinha, e eu já a amava mais do que tudo.

Estava quase tudo completo agora, e mesmo que eu quisesse que tudo se estabelecesse o quanto antes, eu sei que é melhor para eu mesma que os acontecimentos chegassem um de cada vez. ergui meus olhos para os três que me observavam, os meus anseios ainda não estavam saciados; havia mais uma preciosidade que meu coração chorava para rever:

— Onde está Hilary, também? — desviei meus olhos para a porta. Mesmo que eu não tenha pedido com todas as letras, era inegável meu desejo de vê-la.

Vi os três se entreolharem, antes de Carlisle apresentar o receio de deixar Hilary vulnerável na presença da recém-nascida, mas meus ouvidos não deram atenção para as inúmeras consequências. E a única frase que eu elaborei em resposta foi: “Eu só quero que minhas duas filhas estejam comigo, nada mais.”

Esperei que eles entrassem num consenso, até que Rosalie partisse dali e eu pudesse esperar para que Esme aparecesse. Desci meu olhar para Helena mais uma vez, ela exala uma energia pura e um encanto que derretia meu coração, apesar de sentir um fundo de estranheza por não conseguir me encontrar nela, é difícil não me sentir cativada por sua fisionomia frágil e adorável. Pedi para que Isabella pudesse me ajudar a trocá-la de braço para que eu continuasse a segurá-la, o cobertorzinho que a envolvia continuou em meus braços enquanto ela fazia a troca da posição e foi quando ouvi a porta do escritório se abrir, meu coração disparou mais uma vez. Eu estava tão ansiosa para ver Hilary, minha pequena alegria, que havia passado dias sem poder estar ao meu lado. Um medo assombrou meu coração, temi sua reação quando me visse agora... Me reconheceria como mãe, ou estaria bem mais apegada à Esme? Engoli em seco erguendo meu olhar, procurando-a. Esme entrou primeiro, segurando a mãozinha dela, eu consegui ver os olhinhos castanhos e curiosos da minha filha, brilhando com uma mistura de preocupação e alegria, algo completamente fora da nossa rotina estava preso em seus lábios, uma chupeta rosa. A vi falar algo quase indecifrável com Esme, que sorrindo tirou a chupeta da boca dela e Hilary lhe deu um sorriso inocente que iluminou o ambiente aos meus olhos.

— Oi, meu amor. — eu murmurei, tentando sorrir, mesmo que meu corpo ainda estivesse com a falsa sensação de fraqueza. Apertei minhas mãos no corpinho de Helena.

Hilary hesitou por um momento, mas logo avançou, seus passinhos pequenos ecoando no chão do lugar. Quando ela chegou perto da maca, seus olhos castanhos como os meus, se arregalaram ao me ver. "Mamãe!" ela exclamou, e eu senti uma onda de amor e saudade invadindo meu peito. Isabella a ajudou a se aproximar da maca, e eu a chamei com um gesto suave, tentando esconder a fragilidade da minha situação. Mas eu sei que o pior já havia passado. Esperei que seus pés estivessem estáveis em cima do colchão, Bella continuava com suas mãos atentas aos movimentos dela e Hilary não parecia se importar com a vigilância.

— Mamãe, mamãe, mamãe!... — ela exclamava como se estivesse absorvendo que eu estava na sua frente. Engoli meu choro enquanto observava minha pequena Hilary bem ali, saudável, bem cuidada e feliz.

— Eu estou aqui, querida. Oh, Hilary, minha alegria!... — respirei fundo, controlando minhas emoções — Olha, essa é a sua irmãzinha. — eu disse, gesticulando para os meus braços.


Hilary se aproximou com as mãos de Isabella, e vi seu olhar se suavizar ao ver o rostinho da bebê. E seus dedinhos com as unhas pintadas de rosa, tocaram delicadamente o cobertor onde a nova vida repousava. A expressão dela era de pura admiração. Eu me senti tão grata por esse momento. Hilary olhou para trás, especificamente para Isabella, e com o aval dela, Hilary tocou delicadamente a pequena mão da irmã, e eu sorri, emocionada.

Hilary olhou profundamente nos meus olhos, seu olhar aos poucos descia, até que estivesse olhando para sua pequena mão sobre a pequenina de sua irmãzinha e seus olhares se encontraram. A conexão entre elas estava começando a se formar, e naquele momento, enquanto eu observava minha filha mais velha ali, percebi que, apesar dos dias difíceis que passei, todo o tipo de dor e cansaço que já senti, naquele instante tornava tudo mais significativo. A vida estava se expandindo, e eu sabia que, juntas, elas iriam criar memórias que durariam uma eternidade.

Ter minhas duas filhas ali comigo fez tudo valer a pena.



Notas finais
O (*) na fala da Bella, foi retirado da narrativa original do livro e adaptado para a fala. Como de costume, eu mantenho intacto toda a construção dos Livros da Saga Crepúsculo até o presente momento.