Sempre ao Seu Lado
4 Doce Monstro
Notas iniciais
No capítulo anterior:
“Ichigo bufou. Estava cheio daquela ladainha enfestada de Soul Society, complicações e famílias nobres. Queria apenas levar Rukia para casa, pedir desculpas de joelhos e esperar seu filho nascer. A situação de Yura também o deixava tenso só de imaginar sua filha de apenas 12 anos lutando contra estrondosos hollows.
- Já que os Murakami e os Kuchiki eram grandes amigos, os Murakami propuseram uma união de clãs através do casamento entre seus herdeiros. Claro, com a intenção de aumentar seus poderes na Soul Society.
- Eles pensaram que conseguiriam mais poder unindo as duas famílias. – deduziu Ichigo.
- Isso mesmo. E aí que a Rukia-san entra. Ela seria a herdeira Kuchiki prometida ao herdeiro Murakami.
- Mas, o que isso tem a ver com o seqüestro dela?! – exaltou-se.
- Deixe-me terminar a história. – tomou um gole do chá. – Kuchiki Byakuya não permitiu a união de famílias justamente pensando na irmã e nas reais intenções dos Murakami.
Ichigo suspirou fundo e por um momento agradeceu a Byakuya. Se Rukia tivesse casado com outro, talvez ele nem estivesse ali vivo.
- Os Murakami estavam tão sedentos pelo poder a ponto de travarem guerra contra a própria Soul Society. Pelo decorrer disto, este clã inteiro foi exterminado pelas 13 divisões. Mas apenas uma pessoa sobreviveu e fugiu para o Hueco Mundo: Murakami Itsuki, o último herdeiro da família. Hoje ele tem um palácio e recebi relatórios de que ele anda fazendo experiências com hollows.
- Não me diga que foi esse cara quem seqüestrou a Rukia?!
- Sim, foi ele.
- Desgraçado! – levantou-se furiosamente. – Por que vocês não foram atrás dele?! Esperaram ele seqüestrar a Rukia?!
- Nós não sabíamos que ele estava vivo. Na época ele era apenas um aluno da academia.
- E o que ele ainda quer com ela?! Ele deveria saber que ela é uma mulher CASADA! – deu ênfase à última palavra demonstrando seu intenso ataque de ciúmes.
- Creio que ele não queira casamento desta vez. – indagou pensativo. – Ele possui o mesmo Objetivo de Aizen: conseguir a chave real e matar o Rei Espírito. Itsuki percebeu que os planos de Aizen não deram certo e decidiu recorrer a um segundo meio de conseguir essa chave.
- Quer dizer que existe um segundo meio de se conseguir essa chave sem usar o Hougyoku?
- Sim, e parece que esta informação não vai lhe agradar.
Ichigo não abiu mão do olhar tenso que se direcionava ao cientista de chapéu.
- O segundo meio de se conseguir a chave real é... – encarou Ichigo com mais seriedade. – sacrificando a alma shinigami mais pura que existe, ou seja, a alma de seu filho e da Rukia-san que está por vir.”
-- Sempre ao seu lado –
-- Fernanda Pinheiro –
-- Cap. 4 – Doce monstro –
A eterna manhã que pairava no esconderijo subterrâneo de Urahara Kisuke não permitia que Yura e Ichigo tivessem a mínima noção do tempo. Ambos estavam concentrados no treinamento da garota. Yura já havia completado a 1ª fase do treinamento, a qual resumia-se em sua luta contra Ururu.
- Yura, você ainda não mudou de idéia? Ainda há tempo. – perguntou o preocupado Ichigo.
- Tá brincando? Agora que comecei, não posso parar no meio do caminho.
Ichigo estava consumido por uma euforia descomunal que o dominava dos pés até o último fio alaranjado de seu cabelo, contando também com alguns brancos que já possuíra desde então. Sabia que a partir da 2ª fase, não haveria mais volta e que as coisas começariam a ficar perigosas. Sua pequena, a partir daquele momento, não estaria mais conectada ao próprio corpo. Tal evento era simbolizado pelo elo entre correntes.
- Está preparada, Yura-san? – perguntou o loiro de chapéu listrado.
A garota suspirou e pensou duas vezes. Estaria mesmo preparada para aquilo ou Ichigo estava certo? O que a fez decidir-se definitivamente foi a imagem de sua mãe em perigo em sua mente. Não queria deixar esta tarefa somente a Ichigo.
- Sim.
De repente, o loiro pressionou sua bengala contra a testa da garota extraindo a alma da mesma para fora do próprio corpo. Yura estava impressionada ao encarar seu corpo ali sem vida no chão. Uma dor no peito a possuía de uma forma tão descomunal a ponto de obrigá-la a ficar de joelhos e segurando a corrente do destino a fim de amenizar a agonia. Piorou ainda mais quando Urahara Kisuke usou a própria katana para romper os elos que ainda existiam entre a alma e o corpo de Yura.
- Esta etapa é bem simples. – começou o cientista.
- Simples? Tsc. – bufou Ichigo.
- Esta corrente será totalmente corroída em torno de 3 dias. – explicou o loiro apontando para a extremidade do elo em autodestruição. – Se você não conseguir sair deste buraco antes de sua corrente desaparecer, você se transformará em hollow.
- Mas qual buraco, Urahara-san? – questionou a pequena olhando ao redor de si.
Urahara não precisou responder. Foi uma questão de tempo para que Tessai aparecesse por trás de Yura e surgisse um buraco altamente profundo debaixo dos dois. O grito da garota ecoou até a mesma chegar à máxima profundidade da abertura.
- Ainda está viva, Yura-chan? – perguntou o loiro cobrindo a boca com o leque.
Ichigo apenas observava seriamente com os braços cruzados.
- Eu... estou bem! – exclamou a ruiva levantando-se desajeitadamente. – Essa tarefa é fácil. Com o corpo leve e as minhas aulas de basquete, será moleza saltitar por essas paredes. – menosprezou com vigor.
Mal Yura sabia que Tessai já estava preparando-se para lançar seu kidou sobre a garota.
- Bakudou nº 99, Kin!
Foi uma questão de segundos para que a ruiva ficasse com os braços amarrados por faixas pretas e seu corpo fosse violentamente pressionado contra o chão.
- O que é isso?! – perguntou a assustada garota que tentava se livrar do feitiço.
- Achou que seria fácil assim? – debochou Urahara. – Boa sorte.
- Desgraçado! – rosnou Yura.
A garota sentiu-se fraca por um momento. Sentiu uma sensação familiar circulando seu ser. Será que era a pressão espiritual de Tessai? Já sentira aquilo quando sua mãe partira para a Soul Society. Sim, era a exótica reiatsu de shinigami. Sua prórpia reiatsu.
--X—
As madeixas negras e exóticas mexiam-se a favor do vento, assim como o brinco constituindo uma enorme pena azul escura com detalhes amarelos e vermelhos que estava pendurado em sua orelha direita. Sayaka Iamela estava atrasada para o encontro que marcara com seu capitão. Passou o seu dia de folga lendo livros de psicologia que comprara no Mundo Real, abrindo mão de seu descanso. Estudar a mente dos humanos sempre fora uma paixão sua, mas era inútil no mundo no qual se encontrava.
Ao comparecer ao local, a morena percebeu que o capitão já se encontrava ali. Sentiu-se uma tola ao chegar atrasada. E se o rapaz tivesse aberto mão de algum compromisso só para estar ali na hora marcada?
- Desculpe o atraso, capitão! — sentou-se rapidamente à frente do rapaz.
Toushirou observou discretamente o jeito desleixado e tímido de Iamela. Por que estava se desculpando?
- Por quê? É normal alguém chegar atrasado. Eu que cheguei cedo de mais. — cruzou os braços.
- Como assim? Achei que você fizesse o tipo certinho, estressado e incompreensivo. — debochou.
- O que a Matsumoto andou falando de mim? — disse com uma veia saltando em sua testa.
A morena não pôde evitar uma sutil risada. Seu capitão era daqueles que conseguia ser engraçado com a própria personalidade séria e conservadora. Sayaka adorava aquilo.
- Então o que me diz sobre você? De onde veio? — perguntou o rapaz abrindo o cardápio.
- Para que o senhor quer saber? — perguntou meio sem jeito.
- Primeiramente, me chame de "você". Não estamos no ambiente de trabalho. E segundo, sobre o que mais você quer conversar? Não sei você, mas eu gostaria de saber um pouco sobre misteriosa Sayaka Iamela, que por sinal tem um nome muito esquisito.
- Ha ha ha — ironizou. — Muito engraçado, senhor capitão. — cruzou as pernas.
- Então, o que vai me responder? — perguntou abrindo um sorriso de canto.
- Bem, sou de Rukongai. Distrito 70. Descendo de uma tribo indígena. Deve ser por isso que acha meu nome estranho.
O capitão desconhecia tal dominação. Parecia ser algo relacionado aos humanos, já que fora estudioso desde os tempos da academia, sabia apenas sobre shinigamis.
- Sayaka, não sei do que está falando. — cruzou os braços e desviou o olhar. — Eu nasci aqui na Soul Society. Nunca fui vivo.
- Nem eu! Mas eu conheço minhas ascendências. Deveria se interessar em estudar os humanos. Eles são muito interessantes.
- Não, obrigado. Não é tão útil por aqui. — disse tomando um gole do chá que havia pedido.
- Bem, o termo "índio" foi adotado pelos colonizadores europeus para denominar os primeiros habitantes da América, o lugar onde minha tribo habitou. — tomou um gole de chá.
- E quem são os europeus?
- Aqueles que habitavam a Europa e invadiram a minha terra atrás de matéria-prima para os produtos industrializados deles. Mas já que não tínhamos muito que oferecer, eles acabaram habitando nossas terras. Para isso eles dizimaram toda a minha tribo.
- Nossa. Pelo visto você entende bastante do assunto. — sorriu.
- Eu uso minhas horas vagas para estudar os humanos, é um hobby bem estranho, não é? — riu.
- Não, é bastante interessante. Melhor do que muitas pessoas por aí que só se interessam em beber e fazer confusão. – lembrou-se de Matsumoto. — Não procuram evoluir em nada e nem buscar um certo conhecimento.
- Sério? Obrigada.
Sayaka sentiu-se feliz em saber que pelo menos alguém dava importância ao seu estudo sobre humanos. A garota era absolutamente fascinada por cada letra de cada livro de História e Psicologia dos humanos.
- Me dê a sua mão? — pediu a moça.
O rapaz ficou totalmente corado sem ter o que dizer.
- Ma... mas pra quê?
- Um truque que o pajé, feiticeiro da tribo, me ensinou. Ele só pôde ensinar a mim, já que eu e ele éramos os únicos que tinham pressão espiritual.
- Mas que truque? Algum kidou?
- Nãão! — riu. — Eu vou tentar prever as energias que aguardam seu futuro.
- Uma espécie de advinhação? – questionou.
- Hum... Sim, mais ou menos.
Hitsugaya estendeu a mão direita para a morena de pele escura, mas ao mesmo tempo analisou seu olhar. As castanhas refletiam bastante sabedoria e conhecimento de vida, coisas que admiravam o pequeno capitão.
- Hum...
- O que viu? — perguntou com indiferença.
- Vejo um furacão em sua vida. — sorriu. — Antigas lembranças retornarão, mas um furacão as varrerá completamente. Só. — soltou a mão de Toushirou.
- Só isso?
- Acha pouco? Sou shinigami, e não cartomante!
- Ahm. — encarou a mão direita. — Desculpe.
- Ok, tudo bem! Mas o que vamos comer? Estou com fome!
--X--
O dia amanhecera lá fora de tal forma que ninguém que estivesse presente nos subterrâneos de Urahara Shouten percebesse. A garota de cabelos alaranjados ainda se encontrara na mesma posição pensando em alguma estratégia para se livrar daquilo. A velocidade com a qual as correntes se corroíam assustavam a baixinha. Ichigo passara p tempo todo ali apenas observando. Yura suspirou, esforçou-se para olhar para cima e encarou a figura paterna.
- E você? Vai ficar aí calado? Não tem nenhuma dica?
- Eu não precisei de dicas para sair daí. Se vira! — exclamou friamente.
Sim, Ichigo estava estressado. Se aquela garota se transformar em hollow, a culpa será inteiramente dela por não ter lhe escutado. Pelo menos era assim que o morango pensava, mas se Rukia estivesse ali, diria na cara dele que ele choraria pelos cantos e se sentiria culpado pelo resto de seus dias, afinal, ela o conhecia mais do que ele mesmo.
Os suspiros simultâneos de Yura tiraram o Kurosaki de seus pensamentos. Ao encarar o fundo do buraco, vislumbrou a imagem do rosto da filha sendo coberta por uma espécie de pasta branca. Sim, era a reiatsu de um hollow.
- YURA! — gritou ele ao posicionar-se para descer a cavidade, mas foi impedido por Urahara.
- Acalme os ânimos, Kurosaki-san.
- EU NÃO POSSO! ELA NÃO PERTENCE A ESSE MUNDO! — disse o ruivo referindo-se à Soul Society e de forma desesperada enquanto as lembranças dolorosas de quando o mesmo não sabia controlar os poderes do hollow surgiam.
- Acredite na Yura-san. — disse sem perder a calma.
- YURA!
De repente, Ishida Uryuu aparece segurando o amigo.
- Mantenha a calma, Kurosaki! Se ela for como você, ela conseguirá se safar dessa.
- Ishida. — disse o ruivo recuperando a calma.
Tessai estava meio assustado. Como uma garotinha transformara-se em hollow em menos de 3 dias? A reiatsu emanada era mais assustadora do que aquele fato.
- WAARH. — ouviu-se o rugido de um hollow.
- YURA! — gritou Ichigo.
Sem ninguém perceber, um vulto negro saíra do buraco com bastante violência a ponto de demolir parte das paredes que envolviam o buraco provocando um leve terremoto. Tessai saíra dali assustado.
- Tudo bem, Tessai-dono? — perguntou Urahara.
- Sim, mas... — o shinigami estava suado. — a reiatsu desta garota é imensa e esmagadora.
- Onde ela está?! — perguntou o aflito Ichigo.
- ATRÁS DE VOCÊ, KUROSAKI! — exclamou Ishida.
Ichigo rapidamente virou-se e encarou a visão de uma pequena garota mascarada e com vestes de shinigami vindo com alta velocidade e a espada apontada em sua direção.
- MERDA! — rapidamente empunhou a Zangetsu e cruzou espadas com o semi-monstro.
O golpe fora tão forte que empurrou Ichigo para longos metros de distância dos companheiros. O ruivo teve uma visão nada agradável: sua filha fora de controle e com uma máscara de hollow perfeitamente igual à que o ruivo usava durante seu treinamento com os vaizards. Ele mal conseguia encarar os olhos da garota.
- Yura, controle-se! — exclamou movimentando Zangetsu para que Yura voasse longe. E assim aconteceu.
A garota posicionou-se para ataque de quatro, como se fosse um lobo prestes a dar seu ataque. O poder de hollow atiçava bastante seus instintos.
- Pode vir! Vou fazer você voltar ao normal! — posicionou-se Ichigo.
E ocorreu o que Ichigo menos esperava: a ruiva desapareceu com um shumpo.
- Merda! — olhou para cada canto e nada.
E sem perceber, a gigantesca reiatsu reapareceu por trás do ruivo. Mal deu tempo de virar-se para trás, o golpe de espada foi em cheio no ombro, tirando litros e litros do sangue de Ichigo.
- É assim mesmo? Será que teremos que jogar de igual pra igual? — disse suspirando com o ferimento grave e encarando a pequena mascarada que estava parada à sua frente. — BANKAI!
Ichigo não perdeu tempo, assim que ativou sua bankai, seus poderes de hollow também foram despertados. Enquanto a luta entre iguais ocorria, Urahara e Ishida presenciavam de longe.
- Você acha que Yura será igual ao Kurosaki? — perguntou o quincy.
- A reiatsu dela está bastante instável. É provável que ela seja mil vezes mais forte que o Kurosaki-san.
Ishida ficara estático com as palavras do loiro. A junção de um mestiço com uma shinigami gerava descendentes mais fortes ainda?
- Como assim?!
- O Kurosaki-san possui uma reiatsu bastante modificada. — disse relembrando de várias vezes que Ichigo aperfeiçoou seus poderes. — Humanos, shinigamis, hollows, fullbingers, tudo isso ainda está nos vestígios de reiatsu do Kurosaki-san. Como se estivesse ocorrido uma mutação entre as partículas espirituais bastante alteradas do Kurosaki-san com as estáveis da Kuchiki-san.
Tal explicação deixara Ishida mais abismado ainda. Não imaginava que os shinigamis eram tão complexos.
- Quer dizer que a Yura-san, a qualquer momento, pode apresentar sérias modificações em sua reiatsu e perder o controle?
- Correção, a reiatsu dela em si já é bastante distorcida. Possivelmente mais alterada do que a do Kurosaki-san. – respondeu.
Sim, a situação de Yura era perigosa. Será que ela poderia se transformar em um monstro semelhante ao que viu anos atrás no Hueco Mundo durante a luta contra Ulquiorra? Ou em um ainda pior, como Urahara disse? É verdade, Ishida já suspeitava. Yura já emitia sua reiatsu enquanto era humana, mas parece que escondia de todos o fato de conseguir ver fantasmas. Bem, nem todos. Será que... Kaito!?
- Com licença, Urahara-san! – disse o Ishida saindo em direção às longas escadas.
--X—
A luz da manhã pairava entre as janelas de Urahara Shouten. Ishida Orihime e Ishida Kaito haviam passado a noite ali, esperando o momento de ir ao Hueco Mundo. Os dois estavam no lado de fora da casa com Yuzu, o pequeno Itsuki, que agora estava com 7 anos de idade, e uma bela garotinha de curtos cabelos ruivos e presos em duas maria-chiquinhas, dentro de um vestidinho rosa cheio de lacinhos lilás e que tinha seus 4 anos de idade: Ishida Tsukihime, a filha mais nova de Uryuu e Orihime.
- Eles estão se comportando direitinho, Yuzu-chan? – disse Orihime ajeitando o cabelo da filha que mais parecia uma bonequinha.
- Claro, Inou... digo, Ishida-san. – sorriu a Kurosaki.
De repente, Uryuu apareceu de dentro da casa em direção à família.
- Papai! – disse a garotinha avistando a figura paterna de longe.
Aquela voz foi musica para os ouvidos do moreno. Naquele momento cheio de tensão sua menina estava ali, sorrindo para ele juntamente com sua Orihime.
- Bom dia, Uryuu-kun! – sorriu Orihime.
Nossa, como eram parecidas. Tsukihime conseguiu puxar toda a beleza e doçura que somente sua mãe possuía. Aquilo cativava ainda mais Uryuu. Por que será que ele mesmo pôs “hime” no final do nome da filha?
- Bom dia, Orihime-san. – disse ele depositando um beijo na cabeça da esposa. – Eu quero saber se minha princesinha gostou da surpresa que fiz pra ela. – disse ele agachando-se à altura da filha menor.
- Eu amei! Mamãe disse que combinou com meus olhos. – disse ela abrindo com a mão direita a saia do vestido feito pelas mãos habilidosas do pai.
- Claro! Foi essa a intenção! – sorriu dando um beijo no rosto da menina.
Itsuki também se aproximou da figura paterna com um origami em mãos.
- Olha só, papai. – disse o garotinho em seu tom tímido e fraco. – Eu consegui... fazer um melhor...
- Nossa, Itsuki! Pelo visto você prestou atenção mesmo! Está vendo como você é habilidoso? – disse afagando a cabeça do menor.
- O... obrigado. – sorriu.
Apesar de Itsuki ter suas deficiências com o autismo, Uryuu e Orihime se esforçavam ao máximo para que o pequeno se sentisse normal perto de qualquer criança.
- Kaito, eu preciso falar com você. – disse Uryuu levantando-se e direcionando seu olhar para o maior.
- Sobre? – respondeu Kaito.
- Sobre a Yura.
Kaito logo se assustou arregalou os olhos. Havia acontecido alguma coisa com ela? Já havia adquirido seus poderes de shinigami?
- Como ela está?!
- Mais ou menos. Aconselho você a não descer, a pressão espiritual lá embaixo está alta de mais para você.
- Mas pode me explicar o que se passa?
- Vamos entrar, conversaremos com mais calma.
--X—
Sereitei. 12º esquadrão. Alguns cientistas, inclusive o próprio capitão Kurotsuchi estavam muito tensos. Algo de estranho estava ocorrendo no mundo de transição que conectava a Soul Society, o Hueco Mundo e o Mundo Real.
- Vamos, seus inúteis! O que estão esperando?!
- Estamos tentando, capitão. – disse um homem com os olhos na tela do computador.
Algo parecia bloquear a passagem dos hollows para o Mundo Real e a Soul Society. Tudo bem, era vantajoso para dois os mundos, mas era necessário para manter o equilíbrio entre ambos, afinal, os hollows são constituídos de almas que deveriam estar na Soul Society.
- Capitão Kurotsuchi. – disse Nemu aproximando-se com um relatório. – Parece que há uma barreira constituída de alta quantidade de reiatsu. Não é nenhum kidou, é reiatsu pura.
- Como é?! – disse o excêntrico capitão tomando o relatório em mãos.
- Tanto hollows quanto shinigamis não conseguem ultrapassá-la.
Aquilo era algo absolutamente novo para a equipe de shinigamis. O que lhes restava era se preparar pelo pior.
--X—
- Como assim?! A Yura está correndo perigo! – exclamou o aflito Kaito.
- Acalme-se, Kaito-kun! – exclamou a mãe do rapaz.
- Mas não é isso que eu quero saber. Você disse a ela algo que prometemos não dizer? – perguntou Ishida sem perder a calma.
- É claro que não! Eu quero proteger a Yura de tudo isso, mas parece que não adiantou e as coisas ficaram bem piores!
- Eu quero saber o que ela te falava com você sobre o fato de ela ver fantasmas. Você é a única pessoa com que ela dividiria isso.
Kaito ficou calado por um momento. Virou o rosto e deixou de encarar Ishida.
- Kaito, é para o bem dela. Precisamos saber o que realmente está acontecendo com ela.
- Eu prometi guardar segredo. Não vou dizer.
Uryuu soltou um longo suspiro e se levantou.
- Ok, nunca mais diga na minha cara que você pretende proteger a Yura. – disse saindo em direção à porta.
Não, Kaito queria ser digno de protetor da melhor amiga. Não queria expô-la ao perigo. Estava disposto a qualquer coisa para não vê-la se ferir, até mesmo da confiança dela. “Perdoe-me, Yura-chan.” Lamentou em pensamentos.
- Ela já sabia usar a reiatsu dela.
Abismado, Ishida virou-se para o filho.
- Todos os dias quando saíamos da escola nós íamos ao parque e ela me ensinava técnicas novas, me apresentava seus amigos “imaginários”, ou melhor, os konpakus.
- Técnicas? – questionou Uryuu.
- Sim, eram coisas bem simples como acender uma lâmpada sem usar energia elétrica, transformar pedra em areia apenas com um brilho que saía de suas mãos.
- Os poderes de fullbinger!
- Ela via hollows também. Disse que o sonho dela era se aproximar de um. – riu. – Mas o que mais doía em mim... – e a primeira lágrima desceu. – Era o fato de eu ter que fingir que não via e não sabia de nada e isso fazia ela se sentir uma criança diferente das outras. Uma louca que obrigava o melhor amigo a aturar este lado dela, mas não é verdade.
- Kaito. – encarou o filho com tristeza.
- Eu sonho em um dia compartilhar essas mesmas semelhanças com ela. Mostrar à ela que também sou desses jeito e que a entendo profundamente.
- Uryuu-kun, isso quer dizer que... – abraçou o filho.
- Sim, Yura foi como nós. Uma humana com poderes e agora se tornou uma shinigami. Foi exatamente o que Urahara-san me disse. – abriu a porta. – Descanse bastante, Kaito. – virou o rosto e sorriu confiante para o rapaz. – Temos mais uma pessoa para proteger. – disse ele referindo-se à Rukia e Yura.
- Sim! – respondeu o garoto com entusiasmo.
Kaito sentiu-se aliviado ao perceber que finalmente suas habilidades de quincy lecionadas por Uryuu serviriam para proteger pra valer sua amiga.
- Não se preocupe, Yura. – sussurrou para si.
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