Sempre ao Seu Lado
2 A verdade
Notas iniciais
Obrigada a todos que deixaram review e que acompanham esta fic!
BOA LEITURA!
Os loiros cabelos eram levados ao vento, acompanhando a velocidade em que a mulher dirigia-se até a sala de seu capitão. Matsumoto Rangiku iria partir em missão de longo período.
Estava com pressa. Promovera uma reunião com seu capitão para decidir o futuro de seus serviços em seu esquadrão, afinal, não podia deixar o pequeno capitão na mão.
- Taichou! Me desculpe a demora! — disse ofegantemente entrando na sala de reunião.
- Está atrasada, Matsumoto. — respondeu o garoto de cabelos prateados cruzando os braços e franzindo o cenho.
Rangiku estava acompanhada de uma bela garota de longos cabelos tão negros como a noite sem luar e tão lisa quanto a macia seda cor-de-violeta que compunha a faixa presa em um belo laço que unia o shuhakushou e o hakama da shinigami de pele mulata.
- Não pretendo demorar nesta reunião, capitão.
- Então diga, eu tenho muito serviço. – bufou sem encarar a tenente.
— Eu só quero te apresentar a 3ª oficial Sayaka Iamela. Ela irá me substituir neste meio período. É de pela confiança. — sorriu.
- Sinto-me honrada em trabalhar ao seu lado, Hitsugaya taichou. — disse a pequena abaixando a cabeça fazendo reverência ao capitão.
Hitsugaya por um momento teve o interesse de virar-se para as figuras femininas que entraram na sala. Encarou a morena de forma analítica e soltou um minúsculo sorriso. Iamela parecia ser uma pessoa bastante tímida.
- Não precisa de toda essa formalidade. — abaixou-se para encarar os orbes castanhos.
- S-Sim! — ergueu-se abrindo um doce sorriso.
- Tenha uma boa viagem, Matsumoto. Vamos, Sayaka.
- Obrigada, taichou. — respondeu a tenente. — Boa sorte, Mela-chan!
- Sim!
--X--
A garota ainda não acreditava no que via. Como Rukia conseguira sair do próprio corpo, abrir um portal do nada e sumir nele? E o pior de tudo: o corpo ainda estava de pé e cuidando das crianças enquanto Ichigo choramingava no meio da sala e encarando o nada.
- Yura-chan, é melhor voltar. Seus pais acabaram de brigar, é melhor não se intrometer. — disse Tae silenciosamente à garota.
- Tae-san, você viu aquilo? — perguntou a pequena de olhos arregalados tentando raciocinar algo que explicasse a cena que acabara de presenciar.
- Como assim? É claro que eu vi. É bom não interferir, você já está atrasada para a escola.
- Mas por que a naturalidade? Ver sua mãe sumir no meio do nada é algo natural?!
- Mas do que está falando? Sua mãe está ali.
Horrorizou-se mais ainda. Tae não havia visto Rukia dentro de um kimono preto e desaparecendo em um portal para o além? Tae estava cega ou Yura finalmente ficara louca?
- Yura?! — assustou-se Ichigo percebendo a entrada da filha.
- Não se preocupe, vim buscar algo que esqueci. Espero não ter interrompido o momento romântico de vocês. — ironizou friamente.
Ao pegar um rolo de cartolina, Yura retirou-se do ambiente, deixando Ichigo encarando-a por trás.
“Será que ela viu alguma coisa?” preocupou-se.
--X--
A aula já tinha acabado. Enquanto a professora havia explicado as equações de 2º grau, Yura só tinha a mente centrada nos acontecimentos anteriores.
- Yura, o que aconteceu? — preocupou-se Kaito encarando a menina da carteira de trás.
A ruiva respondeu com um olhar tristonho. O garoto sentiu o coração derreter, odiava ver a amiga naquele estado.
- Não fica assim, por favor.
- Kaito-kun. — levantou-se. — Meus pais brigaram mais uma vez. — encarou o chão.
- Eu sinto muito. Sei que você não merece presenciar tudo isso. – segurou a mão da menina. — Eu te disse que minha casa está de portas abertas para quando quiser fugir.
- Mas não é só isso. Minha mãe saiu do corpo dela e passou a vestir um kimono preto, depois ela abriu um portal e saiu do nada!
Kaito assustou-se com a história da garota. Sabia muito bem do que se tratava, mas Ishida prometeu a Ichigo que Kaito jamais tocaria neste assunto com ela.
- Por favor, não pense que eu atingi o auge da minha loucura só por ver fantasmas e depois isso! — implorou.
O garoto no fundo queria ajudar a amiga, mas ao mesmo tempo queria protegê-la de quaisquer que fossem informações ligadas a Soul Society e shinigamis.
- Eu... eu...
- Kaito, você sabe de algo a respeito? — encarou-o com seriedade.
- É claro que não, Yura! Só acho que você deveria se controlar mais e manter a calma. Deve ter sido uma ilusão sua. Já estava impressionada demais com a briga.
- Ilusão!? EU JURO QUE EU VI AQUILO! Você nunca vai entender!
Yura ficou indignada com as palavras do amigo. Ao invés de dizer que iria ajudá-la, declarou indiretamente que a menina estava louca. Pegou suas coisas e saiu em direção à porta.
- Hey Yura, espera! — tentou impedi-la.
- Não me siga! — respondeu correndo dali.
--X—
Mansão Kuchiki. A neve tomava sua forma esbranquiçada no solo do gramado mais verde de todo o Seireitei. Um semblante entristecido era refletido pelo transparente e purificado lago do jardim.
O ventre da pequena herdeira Kuchiki era acariciado pela mão da própria. As palavras de Ichigo ainda a perseguiam. Seu coração estava em mil pedaços e o pior é que não tinha como juntá-los novamente, sentiu-se completamente abandonada, sem rumo.
- Rukia. — a fria voz chegara mais perto.
- Nii-sama? — desviou o opaco olhar encarando a figura do líder Kuchiki.
O capitão apenas a encarava, não queria dizer nada. Há 12 anos avisou à irmã que casar com Ichigo não valia a pena. Ele não passava de um garoto imaturo, grosso e irresponsável. Uma prova disso foi ele ter engravidado Rukia antes de ter uma união formal, um casamento. Aquilo o desonrara profundamente. Mas como dizem, "o amor supera tudo". Acreditou nas palavras do casal e permitiu a união.
Rukia sentiu-se envergonhada com o estado no qual se encontrava. Deu total razão às antigas palavras do irmão.
- Nii-sama, eu...
- Vamos entrar, — estendeu a mão direita com a intenção de ajudar a irmã a se levantar. — o jantar já está servido.
Kuchiki Byakuya estava sendo compreensivo e generoso com ela?! Assustou-se com a atitude do irmão, mas resolveu aceitar a gentileza. Os pensamentos do capitão eram sempre expressados por gestos, ele queria ajudar a irmã a se levantar, erguer a cabeça e seguir em frente. O que era para acontecer não aconteceu. Tinha que aceitar a realidade de cabeça erguida sem perder o orgulho.
- Obrigada, nii-sama. — sussurrou.
-X-
O cansado médico acabara de cumprir sua missão do dia. Estava cansado da longa jornada de trabalho e com a confusão que teve com Rukia. Acima de tudo, queria sua baixinha ali, esperando-o em casa ao lado das crianças, como foram todos os dias.
Jogou-se exaustadamente no sofá e entregou a mente ao subconsciente. Arrependeu-se amargamente do que havia dito à shinigami. Queria consertar aquilo de uma vez, trazê-la de volta e enchê-la de amor. A criança que Rukia esperava era um motivo de felicidade e não de briga. Tomou sua decisão.
- Irei atrás dela, e vai ser agora! — levantou-se.
De repente o ruivo escuta a porta de entrada fechar-se. Vislumbrou uma certa garotinha que não deveria estar chegando àquela hora.
- Ei ei ei! Mocinha!
- O que foi? — falou sem encarar o pai.
- Onde a senhorita estava a essa hora da noite? — levantou-se.
- Não é da sua conta. — começou a subir as escadas.
- Não foi assim que eu te ensinei a me respeitar, Yura! Volte aqui! Agora!
- E o que você vai fazer se eu não voltar?! — exaltou-se — Me bater?!
- Eu nunca te bati! — engrossou o tom.
Ichigo vislumbrou os olhos de Yura. As enormes castanhas estavam consumidas por horas de choro. Aquilo doeu no coração de Ichigo.
- Yura, o que aconteceu? Conte-me. — subiu alguns degraus ficando na altura da filha e tomou a pequena mão delicadamente.
A garota sentiu a ternura e a preocupação vindas dos olhos de Ichigo. Sentiu-se confortável.
- V-Você e a mamãe... — soluçou.
- Não fique assim, aquilo foi só uma briguinha boba.
Sem pensar duas vezes a pequena e frágil Yura agarrou-se no pescoço de Ichigo e esbaldou-se nas lágrimas. O cuidadoso pai tomou a filha nos braços e acariciou os longos fios tão alaranjados quanto os seus.
- Não briguem mais, por favor. — chorou.
- A culpa foi minha. Eu juro que nunca mais magoarei a Rukia. — segurou-se para não chorar.
- Sério? — encarou os orbes castanhos.
- Eu juro pela minha alma.
Yura deixou escapar um meigo sorriso capaz de acalmar totalmente o espírito de Ichigo. Assim como aquele doce olhar era idêntico ao de Rukia, Ichigo ainda se sentia em paz ao ver uma das maiores riquezas de sua vida transmitindo-lhe aquela agradável sensação.
- Agora vá dormir. Já é muito tarde, amanhã você tem aula. E não pense que você está livre de mim, amanhã vou querer saber onde esteve.
- Eu estava na casa do Kaito-kun. A Orihime-san me convidou para cozinhar o jantar com ela.
O Kurosaki assustou-se. Rezou mil vezes para que sua pequena não tivesse aprendido alguma coisa sobre os estranhos gostos culinários da amiga.
- E-então tudo bem. Pode ir. — arrepiou alguns fios da garota.
- Boa noite. — disse antes de depositar um beijo no rosto do maior.
- Boa noite!
-X-
O copo de chá estava depositado ao lado do adormecido corpo da shinigami. Aquele dia havia sido tão difícil a ponto de fazê-la dormir ali mesmo: em frente ao seu quarto perto do jardim. Ficava admirando a lua como se estivesse procurando alguma resposta por estar passando por tudo aquilo. Sim, não merecia estar ali. Queria ter Ichigo e os três filhos ao seu lado, mas a própria imaturidade de Ichigo afastou-lhe de tudo aquilo.
Alguém encapuzado admirava o sono da Kuchiki de longe. Desceu do telhado que o limitava do chão e dirigiu-se cuidadosamente em direção à morena. Agachou-se e acariciou os negros fios. Fechou os olhos e sentiu duas reiatsus vindas do corpo adormecido.
- Como eu pensei. – sorriu de canto.
Ao retirar o capuz, o rapaz deixou amostra sua bela figura. Possuía os fios dourados e rebeldes e os olhos tão verdes quanto a mais bela esmeralda. O corpo e o rosto pareciam ser esculpidos pelos mais enaltecidos deuses gregos. Suas vestes eram compostas por uma camisa social marrom com os três primeiros botões abertos, uma calça preta e um par de botas de couro. Sua figura era semelhante com a de um nobre príncipe europeu.
- Kuchiki Rukia. A partir de agora você será só minha. – riu sinicamente.
De repente a pequena desperta de seu sono e depara-se com a estranha figura. Comprimiu os olhos e assustou-se ao reconhecer aquele rosto.
- Murakami... Itsuki...
- Há quanto tempo, Kuchiki-dono.
- Achei que estava morto! – levantou-se.
- Por que alguém como eu estaria morto?
O tom de voz do loiro era o mais suave e sereno. De repente a shinigami empunha sua espada e parte para o ataque cruzando espadas com o rapaz.
- Calminha aí, não precisa ficar tão exaltada. Ainda somos amigos. Você não tem por que me atacar.
- Você é um criminoso!
- Eu, particularmente, não fiz nada. Era apenas uma criança indefesa pré-formada na academia.
Rukia sentiu seus olhos ficarem pesados e a respiração tornar-se mais dificultada.
- Arigatou. – disse o loiro à pessoa que nocauteou Rukia por trás deixando-a desacordada.
-X-
- SAYAKA! ACORDA! – gritou o pequeno capitão a tenente substituta adormecida na pilha de papéis.
A morena acorda assustada e fica constrangida ao ver seu capitão encarando-a tão de perto.
- Minhas sinceras desculpas, Hitsugaya taichou! – fez a rápida reverência. – Mas, eu acabei dormindo e nem percebi que havia terminado todo o serviço! Hehehe.
- Como assim? – tomou em mãos um dos papéis.
- E-eu terminei nesta madrugada e-e não tive forças para voltar pra casa, então acabei dormindo aqui mesmo. Hehehe. – gaguejou bastante nervosa.
Toushirou ficou impressionado. Já havia pensado que Matsumoto lhe indicara outra preguiçosa que nem ela, mas engoliu seus pensamentos. Iamela era bastante eficiente.
- Ótimo. Você fez o que Matsumoto faria em uma semana. – sorriu.
- Muito obrigada, capitão! – sorriu e fez reverência.
- Não precisa de toda essa reverência. Vou te dar a manhã de folga para descansar um pouco.
- Obrigada, capitão! – sorriu.
- Mas a propósito, você sabe o porquê de toda essa correria pelo Seireitei? Tudo amanheceu tão agitado hoje.
- Eu não sei, fiquei aqui a noite toda. Mas já que o senhor é capitão, deveria informar-se a respeito. Quer uma pista se eu descobrir alguma coisa?
- Claro!
“Finalmente alguém agradável com quem compartilhar a sala” pensou o pequeno capitão. Matsumoto era um grande sinônimo de preguiça e abobrinhas. Será que ele podia trocar de tenente? Sayaka era uma pessoa bem prestativa e eficiente, pessoas assim deveriam ser mais valorizadas nos esquadrões. O serviço era o que mais importava ali, Hitsugaya só pensava naquilo.
- Tentarei descobrir e qualquer coisa eu lhe aviso. – disse a quase energética Iamela.
De repente um oficial do 1º esquadrão se faz presente na sala de Hitsugaya.
- Hitsugaya taichou, o soutaichou marcou reunião urgente dos 13 esquadrões. Ele exisge sua presença sem falta!
- Entendido. – respondeu.
- Parece que o senhor já terá a resposta. – disse Sayaka.
- Creio que sim.
-X-
Ichigo corria apressadamente em sua forma shinigami. Não aguentava mais se ver sem Rukia. Queria pedir desculpas à esposa e dar um ponto final a essa história ridícula que ele mesmo colocara início. Havia saído de casa às pressas deixando Kon em seu lugar para que Yura não notasse nada de anormal.
Já estava chegando à casa de Urahara.
- Urahara-san! – disse abrindo a porta de madeira.
- Olha, é o Kurosaki-san. – disse sutilmente abanando-se com o leque.
- Eu preciso que abra o portão Senkaimon urgente!
O loiro de chapéu listrado ficou em silêncio. Como iria dar aquela notícia sem evitar a exaltação de Ichigo?
- O que aconteceu? – assustou-se o ruivo.
- Não posso te deixar ir para a Soul Society sem estar informado disso. O Gotei 13 esteve em reunião hoje. Eu já ia mandar te chamar.
- E o que eu tenho a ver com isso?
- A Rukia-san foi seqüestrada.
Em um só impulso, Ichigo tomou Urahara pelo kimono e exaltou-se.
- O QUE ACONTECEU COM A RUKIA?! ONDE ELA ESTÁ?!
- Acalme-se!
De repente Tessai surge do outro compartimento da sala e desgruda o desesperado Kurosaki de seu chefe.
- Ela ainda não está em perigo, Kurosaki-san. Acalme-se! – disse o loiro ajeitando o próprio kimono.
Ichigo sentou-se, mas não deixou de ficar exaltado.
- A Rukia está esperando um filho! Ela não pode ficar em perigo! Eu vou atrás dela!
- Sabe pelo menos onde ela está?! Como pretende ir até lá sem um plano em mente?! – disse uma voz bastante familiar vindo de trás de si.
- Ishida, Inoue, Chado? – disse ele passando encarar os três.
- Não é só a gente, Kurosaki. – disse mais uma vez Ishida, dando espaço para mais pessoas entrarem.
O Kurosaki viu seu mundo virar ao presenciar uma das duas pessoas que dali surgiram.
- Kaito e... YURA?! – arregalou os orbes castanhos ao ver sua pequena vindo logo atrás.
- Oi, pai. – disse cruzando os braços sem encarar Ichigo.
- Mas, o que está acontecendo?! – levantou-se encarando Yura profundamente. – O que você está fazendo aqui?!
- PRESENCIANDO A VERDADE! A MAIS PURA VERDADE QUE VOCÊ E A MAMÃE ESCONDERAM DE MIM TODOS ESSES ANOS! – disse firmemente encarando Ichigo sem medo.
CONTINUA...
Notas finais
Sejam sinceros, por favooor!!
Agradeço imensamente a todos os leitores que deixaram reviews!!
Até o próximo cap gente!!
Fale com o autor