Notas iniciais
Aqui mais um capítulo pra vocês saindo do forno!
Obrigada a todos que deixaram review e que acompanham esta fic!
BOA LEITURA!

Os loiros cabelos eram levados ao vento, acompanhando a velocidade em que a mulher dirigia-se até a sala de seu capitão. Matsumoto Rangiku iria partir em missão de longo período.

Estava com pressa. Promovera uma reunião com seu capitão para decidir o futuro de seus serviços em seu esquadrão, afinal, não podia deixar o pequeno capitão na mão.

- Taichou! Me desculpe a demora! — disse ofegantemente entrando na sala de reunião.

- Está atrasada, Matsumoto. — respondeu o garoto de cabelos prateados cruzando os braços e franzindo o cenho.

Rangiku estava acompanhada de uma bela garota de longos cabelos tão negros como a noite sem luar e tão lisa quanto a macia seda cor-de-violeta que compunha a faixa presa em um belo laço que unia o shuhakushou e o hakama da shinigami de pele mulata.

- Não pretendo demorar nesta reunião, capitão.

- Então diga, eu tenho muito serviço. – bufou sem encarar a tenente.

— Eu só quero te apresentar a 3ª oficial Sayaka Iamela. Ela irá me substituir neste meio período. É de pela confiança. — sorriu.

- Sinto-me honrada em trabalhar ao seu lado, Hitsugaya taichou. — disse a pequena abaixando a cabeça fazendo reverência ao capitão.

Hitsugaya por um momento teve o interesse de virar-se para as figuras femininas que entraram na sala. Encarou a morena de forma analítica e soltou um minúsculo sorriso. Iamela parecia ser uma pessoa bastante tímida.

- Não precisa de toda essa formalidade. — abaixou-se para encarar os orbes castanhos.

- S-Sim! — ergueu-se abrindo um doce sorriso.

- Tenha uma boa viagem, Matsumoto. Vamos, Sayaka.

- Obrigada, taichou. — respondeu a tenente. — Boa sorte, Mela-chan!

- Sim!

--X--

A garota ainda não acreditava no que via. Como Rukia conseguira sair do próprio corpo, abrir um portal do nada e sumir nele? E o pior de tudo: o corpo ainda estava de pé e cuidando das crianças enquanto Ichigo choramingava no meio da sala e encarando o nada.

- Yura-chan, é melhor voltar. Seus pais acabaram de brigar, é melhor não se intrometer. — disse Tae silenciosamente à garota.

- Tae-san, você viu aquilo? — perguntou a pequena de olhos arregalados tentando raciocinar algo que explicasse a cena que acabara de presenciar.

- Como assim? É claro que eu vi. É bom não interferir, você já está atrasada para a escola.

- Mas por que a naturalidade? Ver sua mãe sumir no meio do nada é algo natural?!

- Mas do que está falando? Sua mãe está ali.

Horrorizou-se mais ainda. Tae não havia visto Rukia dentro de um kimono preto e desaparecendo em um portal para o além? Tae estava cega ou Yura finalmente ficara louca?

- Yura?! — assustou-se Ichigo percebendo a entrada da filha.

- Não se preocupe, vim buscar algo que esqueci. Espero não ter interrompido o momento romântico de vocês. — ironizou friamente.

Ao pegar um rolo de cartolina, Yura retirou-se do ambiente, deixando Ichigo encarando-a por trás.

“Será que ela viu alguma coisa?” preocupou-se.

--X--

A aula já tinha acabado. Enquanto a professora havia explicado as equações de 2º grau, Yura só tinha a mente centrada nos acontecimentos anteriores.

- Yura, o que aconteceu? — preocupou-se Kaito encarando a menina da carteira de trás.

A ruiva respondeu com um olhar tristonho. O garoto sentiu o coração derreter, odiava ver a amiga naquele estado.

- Não fica assim, por favor.

- Kaito-kun. — levantou-se. — Meus pais brigaram mais uma vez. — encarou o chão.

- Eu sinto muito. Sei que você não merece presenciar tudo isso. – segurou a mão da menina. — Eu te disse que minha casa está de portas abertas para quando quiser fugir.

- Mas não é só isso. Minha mãe saiu do corpo dela e passou a vestir um kimono preto, depois ela abriu um portal e saiu do nada!

Kaito assustou-se com a história da garota. Sabia muito bem do que se tratava, mas Ishida prometeu a Ichigo que Kaito jamais tocaria neste assunto com ela.

- Por favor, não pense que eu atingi o auge da minha loucura só por ver fantasmas e depois isso! — implorou.

O garoto no fundo queria ajudar a amiga, mas ao mesmo tempo queria protegê-la de quaisquer que fossem informações ligadas a Soul Society e shinigamis.

- Eu... eu...

- Kaito, você sabe de algo a respeito? — encarou-o com seriedade.

- É claro que não, Yura! Só acho que você deveria se controlar mais e manter a calma. Deve ter sido uma ilusão sua. Já estava impressionada demais com a briga.

- Ilusão!? EU JURO QUE EU VI AQUILO! Você nunca vai entender!

Yura ficou indignada com as palavras do amigo. Ao invés de dizer que iria ajudá-la, declarou indiretamente que a menina estava louca. Pegou suas coisas e saiu em direção à porta.

- Hey Yura, espera! — tentou impedi-la.

- Não me siga! — respondeu correndo dali.

--X—

Mansão Kuchiki. A neve tomava sua forma esbranquiçada no solo do gramado mais verde de todo o Seireitei. Um semblante entristecido era refletido pelo transparente e purificado lago do jardim.

O ventre da pequena herdeira Kuchiki era acariciado pela mão da própria. As palavras de Ichigo ainda a perseguiam. Seu coração estava em mil pedaços e o pior é que não tinha como juntá-los novamente, sentiu-se completamente abandonada, sem rumo.

- Rukia. — a fria voz chegara mais perto.

- Nii-sama? — desviou o opaco olhar encarando a figura do líder Kuchiki.

O capitão apenas a encarava, não queria dizer nada. Há 12 anos avisou à irmã que casar com Ichigo não valia a pena. Ele não passava de um garoto imaturo, grosso e irresponsável. Uma prova disso foi ele ter engravidado Rukia antes de ter uma união formal, um casamento. Aquilo o desonrara profundamente. Mas como dizem, "o amor supera tudo". Acreditou nas palavras do casal e permitiu a união.

Rukia sentiu-se envergonhada com o estado no qual se encontrava. Deu total razão às antigas palavras do irmão.

- Nii-sama, eu...

- Vamos entrar, — estendeu a mão direita com a intenção de ajudar a irmã a se levantar. — o jantar já está servido.

Kuchiki Byakuya estava sendo compreensivo e generoso com ela?! Assustou-se com a atitude do irmão, mas resolveu aceitar a gentileza. Os pensamentos do capitão eram sempre expressados por gestos, ele queria ajudar a irmã a se levantar, erguer a cabeça e seguir em frente. O que era para acontecer não aconteceu. Tinha que aceitar a realidade de cabeça erguida sem perder o orgulho.

- Obrigada, nii-sama. — sussurrou.

-X-

O cansado médico acabara de cumprir sua missão do dia. Estava cansado da longa jornada de trabalho e com a confusão que teve com Rukia. Acima de tudo, queria sua baixinha ali, esperando-o em casa ao lado das crianças, como foram todos os dias.

Jogou-se exaustadamente no sofá e entregou a mente ao subconsciente. Arrependeu-se amargamente do que havia dito à shinigami. Queria consertar aquilo de uma vez, trazê-la de volta e enchê-la de amor. A criança que Rukia esperava era um motivo de felicidade e não de briga. Tomou sua decisão.

- Irei atrás dela, e vai ser agora! — levantou-se.

De repente o ruivo escuta a porta de entrada fechar-se. Vislumbrou uma certa garotinha que não deveria estar chegando àquela hora.

- Ei ei ei! Mocinha!

- O que foi? — falou sem encarar o pai.

- Onde a senhorita estava a essa hora da noite? — levantou-se.

- Não é da sua conta. — começou a subir as escadas.

- Não foi assim que eu te ensinei a me respeitar, Yura! Volte aqui! Agora!

- E o que você vai fazer se eu não voltar?! — exaltou-se — Me bater?!

- Eu nunca te bati! — engrossou o tom.

Ichigo vislumbrou os olhos de Yura. As enormes castanhas estavam consumidas por horas de choro. Aquilo doeu no coração de Ichigo.

- Yura, o que aconteceu? Conte-me. — subiu alguns degraus ficando na altura da filha e tomou a pequena mão delicadamente.

A garota sentiu a ternura e a preocupação vindas dos olhos de Ichigo. Sentiu-se confortável.

- V-Você e a mamãe... — soluçou.

- Não fique assim, aquilo foi só uma briguinha boba.

Sem pensar duas vezes a pequena e frágil Yura agarrou-se no pescoço de Ichigo e esbaldou-se nas lágrimas. O cuidadoso pai tomou a filha nos braços e acariciou os longos fios tão alaranjados quanto os seus.

- Não briguem mais, por favor. — chorou.

- A culpa foi minha. Eu juro que nunca mais magoarei a Rukia. — segurou-se para não chorar.

- Sério? — encarou os orbes castanhos.

- Eu juro pela minha alma.

Yura deixou escapar um meigo sorriso capaz de acalmar totalmente o espírito de Ichigo. Assim como aquele doce olhar era idêntico ao de Rukia, Ichigo ainda se sentia em paz ao ver uma das maiores riquezas de sua vida transmitindo-lhe aquela agradável sensação.

- Agora vá dormir. Já é muito tarde, amanhã você tem aula. E não pense que você está livre de mim, amanhã vou querer saber onde esteve.

- Eu estava na casa do Kaito-kun. A Orihime-san me convidou para cozinhar o jantar com ela.

O Kurosaki assustou-se. Rezou mil vezes para que sua pequena não tivesse aprendido alguma coisa sobre os estranhos gostos culinários da amiga.

- E-então tudo bem. Pode ir. — arrepiou alguns fios da garota.

- Boa noite. — disse antes de depositar um beijo no rosto do maior.

- Boa noite!

-X-

O copo de chá estava depositado ao lado do adormecido corpo da shinigami. Aquele dia havia sido tão difícil a ponto de fazê-la dormir ali mesmo: em frente ao seu quarto perto do jardim. Ficava admirando a lua como se estivesse procurando alguma resposta por estar passando por tudo aquilo. Sim, não merecia estar ali. Queria ter Ichigo e os três filhos ao seu lado, mas a própria imaturidade de Ichigo afastou-lhe de tudo aquilo.

Alguém encapuzado admirava o sono da Kuchiki de longe. Desceu do telhado que o limitava do chão e dirigiu-se cuidadosamente em direção à morena. Agachou-se e acariciou os negros fios. Fechou os olhos e sentiu duas reiatsus vindas do corpo adormecido.

- Como eu pensei. – sorriu de canto.

Ao retirar o capuz, o rapaz deixou amostra sua bela figura. Possuía os fios dourados e rebeldes e os olhos tão verdes quanto a mais bela esmeralda. O corpo e o rosto pareciam ser esculpidos pelos mais enaltecidos deuses gregos. Suas vestes eram compostas por uma camisa social marrom com os três primeiros botões abertos, uma calça preta e um par de botas de couro. Sua figura era semelhante com a de um nobre príncipe europeu.

- Kuchiki Rukia. A partir de agora você será só minha. – riu sinicamente.

De repente a pequena desperta de seu sono e depara-se com a estranha figura. Comprimiu os olhos e assustou-se ao reconhecer aquele rosto.

- Murakami... Itsuki...

- Há quanto tempo, Kuchiki-dono.

- Achei que estava morto! – levantou-se.

- Por que alguém como eu estaria morto?

O tom de voz do loiro era o mais suave e sereno. De repente a shinigami empunha sua espada e parte para o ataque cruzando espadas com o rapaz.

- Calminha aí, não precisa ficar tão exaltada. Ainda somos amigos. Você não tem por que me atacar.

- Você é um criminoso!

- Eu, particularmente, não fiz nada. Era apenas uma criança indefesa pré-formada na academia.

Rukia sentiu seus olhos ficarem pesados e a respiração tornar-se mais dificultada.

- Arigatou. – disse o loiro à pessoa que nocauteou Rukia por trás deixando-a desacordada.

-X-

- SAYAKA! ACORDA! – gritou o pequeno capitão a tenente substituta adormecida na pilha de papéis.

A morena acorda assustada e fica constrangida ao ver seu capitão encarando-a tão de perto.

- Minhas sinceras desculpas, Hitsugaya taichou! – fez a rápida reverência. – Mas, eu acabei dormindo e nem percebi que havia terminado todo o serviço! Hehehe.

- Como assim? – tomou em mãos um dos papéis.

- E-eu terminei nesta madrugada e-e não tive forças para voltar pra casa, então acabei dormindo aqui mesmo. Hehehe. – gaguejou bastante nervosa.

Toushirou ficou impressionado. Já havia pensado que Matsumoto lhe indicara outra preguiçosa que nem ela, mas engoliu seus pensamentos. Iamela era bastante eficiente.

- Ótimo. Você fez o que Matsumoto faria em uma semana. – sorriu.

- Muito obrigada, capitão! – sorriu e fez reverência.

- Não precisa de toda essa reverência. Vou te dar a manhã de folga para descansar um pouco.

- Obrigada, capitão! – sorriu.

- Mas a propósito, você sabe o porquê de toda essa correria pelo Seireitei? Tudo amanheceu tão agitado hoje.

- Eu não sei, fiquei aqui a noite toda. Mas já que o senhor é capitão, deveria informar-se a respeito. Quer uma pista se eu descobrir alguma coisa?

- Claro!

“Finalmente alguém agradável com quem compartilhar a sala” pensou o pequeno capitão. Matsumoto era um grande sinônimo de preguiça e abobrinhas. Será que ele podia trocar de tenente? Sayaka era uma pessoa bem prestativa e eficiente, pessoas assim deveriam ser mais valorizadas nos esquadrões. O serviço era o que mais importava ali, Hitsugaya só pensava naquilo.

- Tentarei descobrir e qualquer coisa eu lhe aviso. – disse a quase energética Iamela.

De repente um oficial do 1º esquadrão se faz presente na sala de Hitsugaya.

- Hitsugaya taichou, o soutaichou marcou reunião urgente dos 13 esquadrões. Ele exisge sua presença sem falta!

- Entendido. – respondeu.

- Parece que o senhor já terá a resposta. – disse Sayaka.

- Creio que sim.

-X-

Ichigo corria apressadamente em sua forma shinigami. Não aguentava mais se ver sem Rukia. Queria pedir desculpas à esposa e dar um ponto final a essa história ridícula que ele mesmo colocara início. Havia saído de casa às pressas deixando Kon em seu lugar para que Yura não notasse nada de anormal.

Já estava chegando à casa de Urahara.

- Urahara-san! – disse abrindo a porta de madeira.

- Olha, é o Kurosaki-san. – disse sutilmente abanando-se com o leque.

- Eu preciso que abra o portão Senkaimon urgente!

O loiro de chapéu listrado ficou em silêncio. Como iria dar aquela notícia sem evitar a exaltação de Ichigo?

- O que aconteceu? – assustou-se o ruivo.

- Não posso te deixar ir para a Soul Society sem estar informado disso. O Gotei 13 esteve em reunião hoje. Eu já ia mandar te chamar.

- E o que eu tenho a ver com isso?

- A Rukia-san foi seqüestrada.

Em um só impulso, Ichigo tomou Urahara pelo kimono e exaltou-se.

- O QUE ACONTECEU COM A RUKIA?! ONDE ELA ESTÁ?!

- Acalme-se!

De repente Tessai surge do outro compartimento da sala e desgruda o desesperado Kurosaki de seu chefe.

- Ela ainda não está em perigo, Kurosaki-san. Acalme-se! – disse o loiro ajeitando o próprio kimono.

Ichigo sentou-se, mas não deixou de ficar exaltado.

- A Rukia está esperando um filho! Ela não pode ficar em perigo! Eu vou atrás dela!

- Sabe pelo menos onde ela está?! Como pretende ir até lá sem um plano em mente?! – disse uma voz bastante familiar vindo de trás de si.

- Ishida, Inoue, Chado? – disse ele passando encarar os três.

- Não é só a gente, Kurosaki. – disse mais uma vez Ishida, dando espaço para mais pessoas entrarem.

O Kurosaki viu seu mundo virar ao presenciar uma das duas pessoas que dali surgiram.

- Kaito e... YURA?! – arregalou os orbes castanhos ao ver sua pequena vindo logo atrás.

- Oi, pai. – disse cruzando os braços sem encarar Ichigo.

- Mas, o que está acontecendo?! – levantou-se encarando Yura profundamente. – O que você está fazendo aqui?!

- PRESENCIANDO A VERDADE! A MAIS PURA VERDADE QUE VOCÊ E A MAMÃE ESCONDERAM DE MIM TODOS ESSES ANOS! – disse firmemente encarando Ichigo sem medo.

CONTINUA...

Notas finais
E aí? Gostaram? Essa última parte foi tensa né? Parece final de novela! KKK
Sejam sinceros, por favooor!!
Agradeço imensamente a todos os leitores que deixaram reviews!!
Até o próximo cap gente!!