Sempre amigos
1 Capítulo único
Notas iniciais
Caminhando entediado pelo castelo, Judal avistou uma cena que lhe chamou a atenção.
A oitava princesa do império estava sentada no jardim colhendo flores alegremente, cantarolando qualquer música lhe viesse à mente, com um olhar sonhador de uma donzela apaixonada.
O que era muito estranho, visto que Kougyoku jamais se sentiu à vontade no castelo, normalmente ela se trancaria em seu quarto, ou admiraria seu irmão Kouen pelas sombras, acanhada. Esse tipo de comportamento vinha desde criança, quando se habituou a ser ignorada por suas irmãs, e até mesmo os serviçais não a notavam.
O que teria acontecido? O curioso sacerdote se aproximou dela silenciosamente por traz, agarrando-lhe o cabelo com um leve puxão.
— Waa! J-ju-dal-chan! Mas o que…
— O que cê tá fazendo aí? — Interrompeu o retruco da garota. Ela logo trocou o bico aborrecido por uma expressão orgulhosa, estendendo as mãos com uma coroa de flores, exibia satisfeita o fruto do seu trabalho. — Isso é...
— Linda não é? Foi o meu amigo Alibaba-chan que me ensinou, quer que eu te mostre como se faz? — Seus olhos brilhavam, mas a maneira dela falar desse seu novo “amigo” de alguma forma irritou Judal.
Ele se sentou perto da menina ruiva, porem enquanto a mesma explicava animadamente o passo-a-passo da confecção de coroas, o magi estava com a mente bem longe em pensamentos.
“Desde quando Kougyoku sabe como fazer amigos? Espera aí, Alibaba não é aquele reizinho do magi nanico? Bem... é verdade que eu recusei ser amigo dela há algum tempo, e ala deve tá solitária, mas isso não justifica ficar amiguinha de um inimigo!”
Foi durante esse seu diálogo interno que Judal percebeu que talvez apenas estivesse com ciúmes, talvez até inveja. A princesa havia evoluído tanto longe de seus olhos, já podia se virar e interagir com outras pessoas além dele. Sentiu-se sendo largado para traz, e temeu de ser esquecido.
Sim, ele negou a amizade da garota uma vez, mas não por não gostar dela, longe disso, ele apenas não sabia como lidar com esse tipo de sentimento, sua insegurança o impedia de se aproximar de quem lhe era importante. E Kougyoku era sem duvida muito importante.
Nascido como um Magi, ele sempre fora evitado, julgado e usado pelos outros. Mas a menina de olhos rosados mostrava-se a ele tal qual ela é: incrivelmente honesta, sorria, chorava, se irritava, sem se importar com o ridículo. E era certamente cômico, por isso Judal gostava tanto de mexer com ela, era sua forma de mostrar carinho, esses pequenos momentos foram o seu apoio para continuar seguindo em frente.
Ela o aceitou tal qual ele é.
Só que seus corações encontraram com uma bifurcação no caminho. Não mais iguais, ela o superou, encontrou sua luz.
— E então Alibaba disse que... Ei! Ei, está me escutando? — Quando a atenção do rapaz voltou-se à ela, Kougyoku pareceu ter percebido o que se passava em sua cabeça aflita. Colocou a coroa de flores no cabelo do garoto, deslizando as mãos para sua face, acariciando gentilmente. — Está tudo bem, eu estou bem aqui do seu lado, sempre estarei.
Sorrindo gentil e serenamente, ela se levantou deixando-o sozinho.
Com as bochechas levemente coradas, Judal observou as costas da pequena princesa que se retirava, naquele momento ela lhe pareceu muito maior do que qualquer um de seus medos.
Desde o começo nunca foi algo que pudesse ser decidido, os dois tornaram-se amigos, e quando se deram conta já eram insubstituíveis um para o outro. Mesmo em caminhos diferentes, ela o esperaria no final, não importa quanto tempo demore.
Por um único segundo, rukhs brancos dançaram pelo jardim.
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