Sempre Vou Te Amar
38 O tempo e tudo o que não muda
Notas iniciais
K: Rach, você vai se atrasar!
R: Você está mais nervoso que eu. Respire Kurt.
K: De onde veio essa calma repentina? Os ingressos já esgotaram e com certeza o que não irá faltar são produtores na plateia. E de todos os alunos que irão se apresentar você de muito longe é a melhor.
R: Você não está ajudando. E independente de qualquer coisa, estou primeiramente preocupada em concluir meu curso. O restante é lucro.
K: Rach o que e isso agora? Nós dois sabemos muito bem que isso é muito mais que um trabalho de conclusão de curso. É sua porta de entrada para viver seu sonho.
Estava perdida nas últimas palavras proferidas quando ouvimos o assistente bater na porta e anunciar que começaria em cinco minutos.
R Ok obrigada! – falei mais alto para que ele escutasse do outro lado.
K: Tem certeza sobre a música?
R: Tenho!
K: Ok Eu vou indo Sentar no meu lugar. Blainne está me esperando. – veio ao meu encontro e me abraçou. – boa sorte meu amor. Vai dar tudo certo ok??
R: Vai sim. Obrigada por tudo. Digo, por tudo mesmo!
K: Te amo
R: Eu também!
Observei Kurt saindo e encarei através do espelho. Aquele era o meu momento. O momento que tanto sonhei. Pensei na minha infância, a forma que desejava ser uma grande estrela. Lembrei-me de perder noites, quando ainda estava no ginásio, procurando faculdades que oferecia o que eu buscava. Repassei a adolescência no clube do Coral. E como sempre fazia todos os dias, pensei nela.
Sentada no camarim do auditório de NYADA, no lugar exato que queria estar, mesmo depois de longos 3 anos, eu ainda conseguia pensar em Quinn, todo santo dia. Fechei os olhos tentando afastar as imagens de um passado distante. Mas o efeito foi reverso.
FLASH BACK ON
“Baby?”
“Precisamos conversar! Tem como me chamar no Skype?”
“Sim mas... Q... o que está acontecendo?”
“No Skype tudo será dito. Bjs”
Saí do banheiro com o coração apertado e fui para a biblioteca. Estava no final do primeiro ano em NYADA, ansiosa pelas férias para finalmente abraçar, beijar e amar minha namorada. Mal entrei no quarto liguei o tablet, acessei o Skype e iniciei uma chamada de vídeo. Tinha quase uma semana que não via seu rosto. Não consegui conter as lagrimas que se acumulavam nos meus olhos.
— Oi meu amor! -
— Rach eu não consigo mais. – evitou meus olhos.
— Não consegue mais o que? –
Quinn fechou os olhos.
—Q?-
—Precisamos acabar com tudo isso.-
Meu coração fez menção de explodir e instintivamente coloquei a mão no peito. Não fechei os olhos dessa vez. Olhei bem para a tela, sem nenhuma vergonha das lagrimas que caiam amiúde.
— Quinn. O que aconteceu? – Tentei fazer soar de forma suave e esta olhou para mim.
— Nada de novo. Eu só não aguento mais chorar todas as noites, não aguento mais desejar sua presença, não aguento mais toda essa situação. Eu não sinto fome, não consigo estudar, fiquei doente umas 4 vezes. E-E-Eu não aguento! –
— Mas nossas férias estão chegando. Amor, vamos no ver em pouco tempo. –
— E depois Rach? Mais 1 ano com tudo isso acontecendo e depois mais 1 e mais outro. Eu te amo demais e não aguento isso. Eu quero desistir disso aqui, quero ficar ao seu lado. Me deixe desistir disso, me deixa ficar com você em Nova Iorque– Começara um choro compulsivo. – Eu não aguento mais.
— Você não pode desistir. Vamos ser fortes Q. –
— Fortes? Me diga como você consegue ser isso? Porque eu não tenho noção do que fazer pra ter o mínimo de força. Como ser tão forte quando você esta sozinha na sua cama, chorando e não pode nem ligar para sua namorada que devido a distância apresenta uma diferença absurda de horário. Se passa uma menina de cabelos negros e com o seu andar eu choro, se alguém usa o seu perfume eu choro. Então o que eu faço? –
— E-E-E-Eu... – Na verdade eu não sabia. Porque tudo isso acontecia comigo também eu só não externava, pois sabia que melhorar não ia. – Não sei. Admiti.
— Preciso me acostumar a viver sem você. Desculpe-me Rach, mas você quis assim. –
Meu choro se tornou infantil, e meu desespero em alto calão passando de abstrato para concreto. Comecei a falar coisas desconexas. Me permiti xingar. Perdi todo o resto do orgulho que tinha e passei a implorar a Quinn que não consolidasse suas palavras.
Mas fora em vão...
Em menos de cinco minutos eu já estava vomitando com o Kurt me segurando, sim ele passou em NYADA e sim a gente divide o aluguel do apÊ. E até nessa situação inferior em que me encontrava, consegui ter o seguinte pensamento:
“Eu tenho o Kurt aqui para me ajudar, e a Quinn? Quem vai ajuda-la?”
FLASH BACK OFF
“A próxima aluna tem 22 anos, e se apresentará através do canto. Com vocês, Rachel Berry.”
Caminhei com até o centro do palco, me colocando atrás do pedestal com o microfone. Respirei algumas vezes para controlar a voz.
R: Boa noite. Compus essa música a menos de um ano. Ela tem como inspiração, que pode parecer clichê, mas nunca será vencido. O amor. Espero que gostem e sintam o que ela transmite. – Ouvi as palmas. – Obrigada.
Enquanto o piano soava pelo ambiente, fechei meus olhos e foi impossível não ser levada a ela. Compus para ela. Depois de de 1 ano e meio me envolvi com uma pessoa, mas fora rápido e completamente sem nexo. Em nenhum mísero segundo deixei de amar Quinn, e o nosso fim foi o meu fim. Deus! Nosso fim. Senti meu rosto arder. “Não Rachel você não pode chorar agora”. Controlei não permitindo que as lágrimas caíssem. Permaneci com os olhos fechados e imaginei... Quinn sentada naquela enorme plateia.
It wakes me up at night
(Me acorda durante a noite)
Needs to share its light
(Precisa compartilhar sua luz)
It doesn't get how dark it is outside
(Não percebe quão escuro está lá fora)
Warms the rising sun
(Aquece o sol nascente)
It kisses everyone
(Beija todo mundo)
It doesn't remember the hate of yesterday
(Ele não se lembra o ódio de ontem)
Oh, can't you hear it in my voice
(Oh você não pode ouvi-lo na minha voz?)
Oh, can't you see it in my eyes
(Oh você não pode ver isso em meus olhos?)
Love, love is alive in me
(Amor, o amor está vivo em mim)
Hoooooo hôoooo ho ho
Hôooooo hôoooo uoo ho
....
When my golden crown
(Quando a minha coroa de ouro)
Becomes a cup of doubt
(Torna-se um copo de dúvida)
I try to remember all I need is all around
(Tento me lembrar o nosso amor, e tudo ao redor)
Oh, can't you hear it in my voice
(Oh você não pode ouvi-lo na minha voz?)
Oh, can't you see it in my eyes
(Oh você não pode ver isso em meus olhos?)
Love, love is alive in me
(Amor, o amor está vivo em mim)
Hoooooo hôoooo ho ho
Hoooooo hôoooo ho ho
Hôooooo hôoooo uoo ho
Oh can't you feel it in my touch?
(Oh você não pode sentir isso no meu toque?)
Know that I'll always have enough
(Sabe que eu sempre vou ter o suficiente)
Love, love is alive in me
(Love, love is alive in me)
Hoooooo hôoooo ho ho
Hoooooo hôoooo ho ho
Hôooooo hôoooo uoo ho
Deixei uma lágrima escapar enquanto entoava os últimos monossílabos. Tudo o que vivi com Quinn passou na minha cabeça. E eu realmente cantei como se ela estivesse ali.
Mas ela não estava.
Agradeci novamente, torcendo para não ter aparecido àquela maldita lágrima nas filmagens.
Sai do palco direto para o camarim. E desabei em um choro sôfrego. Maldita seja Quinn!
Eu tinha conseguido estabilizar minhas emoções. Mas essa música... Funesta hora que pensei nela enquanto compunha.
Mesmo negando de todas as formas, para os outros e para mim mesma, eu ainda a amava. Deus eu a amava! Precisava seguir em frente. Mas não sentia vontade.
Quinn era e sempre seria o amor da minha vida.
RACHE POV OFF
Minutos antes de Rachel entrar no palco, Quinn estava sentada no gramado do campus. Era fim de primavera no Alaska. Estava só e perdida nos seus pensamentos quando ouviu uma voz grossa saindo do notebook de um dos garotos que estavam sentados próximos a ela. Ele anunciava aquele nome o qual tanto ela fugia. Foi inevitável sentir seu coração acelerar e seu estômago revirar. Não conseguiu segurar tudo aquilo que estava sentindo.
Q: Hey garoto! O que está assistindo?? – perguntou um tanto ansiosa indo em direção aos meninos.
GAROTO: A transmissão ao vivo das apresentações dos formandos de NYADA.
Quinn sentiu uma leve tontura e resolveu sentar.
G: Você está bem? — assentiu com a cabeça.
Fez-se silêncio. Quinn de olhos fechados e cabeça baixa respirando fundo tentando recuperar o equilíbrio. O menino dono do notebook a encarando e os outros dois assistindo a transmissão.
Quinn queria sair correndo dali, ela não queria ver nem ouvir sua voz, ela não podia.
Mas já era tarde...
Ao ouvir o que Rachel dizia antes da música começar, ignorou sua fraqueza e correu para seu dormitório pegando o notebook agradecendo em silêncio por ele estar somente em standby.
Colocou a senha sem hesitar, acessou a página responsável pela transmissão e antes que se arrependesse ouviu o piano e a viu. Seu coração que quando ouvira as palavras de Rachel, martelava padecido no peito, agora parecia que iria parar.
Quinn chorou. E chorou muito. Ela sentiu no fundo do peito aquela sensação antiga sempre que ouvia aquela voz. Avontade que Rachel cantava, ela sabia! Sabia que foi feita para ela.
Q: Ela ainda me ama. — sussurou pra si. E não evitou um sorriso se formar.
A canção estava chegand ao fim, a câmera estava focada no rosto de Rachel, e Quinn viu. Ela viu quando a amada deixou uma lágrima escapar. Sua dor se intensificou, voltou a sentir a tontura já conhecida, seu ar sumindo dos pulmões. Sentiu que ia vomitar e tentou ir ao banheiro, mas antes de obter sucesso, caiu desmaiada.
RACHEL POV ON
Já estava em casa com o Kurt e Blaine a algumas horas. Insistiram em jantar fora mas eu não estava com vontade, então os convenci a pedir comida em casa. Tentava não pensar nas lágrimas de mais cedo ao mesmo tempo que tentava prestar atenção na conversa que acontecia na mesa.
Mas a minha mente estava realmente de escárnio comigo.
"Como é possível?"
"Depois de anos escrever uma música ara ela, pensar nela, cantar para ela e o pior de tudo ainda amá-la?!"
"Deve ter sido só uma recaída Rachel, não signifique que aidna a ame."
"Se eu não a amasse daria certo com a Sammy, ela era perfeita"
"Isso não quer dizer nada. Droga. A Quinn no mínimo deve ter namorada ou até casada."
"Como podemos nos tornar tão desconhecidas?"
"Eu não deveria ter excluido o face dela.!"
"Racheeeellll!!!!!"
K: Raaacheeeelll!!!!!!! — Tomei um susto e encarei um Kurt incrédulo e Blaine sem graça.
R: O-o-oi... Nossa que susto. — levei a mão ao peito. — Quer me matar?
K: Você não estava ouvindo nada não é? — Senti meu rosto corar.
R: Desculpa, minha cabeça não para.
B: Calma Rach, você sabe que sua apresentação foi impecável. Não só você como quase todo o mundo.
R: Não exagera!
B: Sério, com a transmissão ao vivo pela internet, as apresentações de hoje ficaram disponíveis para todos através do portal. E pelo que eu vi a uns minutos atrás a sua apresentação é a mais elogiada.
R: Não sabia que seria transmitido ao vivo, que bom.
K: Bom? Isso é ótimo, multiplicamos o número de produtores, e pode ter certeza que seu celular não vai parar de tocar.
Foi então que lembrei que tinha um celular. Corri até minha bolsa. só meus pais me ligaram umas 16 vezes. Eles não poderam me assistir ao vivo, uma vez que a apresentação era somente para alunos, professores e olheiros. Olhei as mensagens com uma empolgação a muito não sentida. Tinha que admitir, estava procurando pelo menos um "Parabéns" dela. Mas nada.
R: Larga de ser idiota Rachel! Esquece ela de novo. — comentei para mim mesma, tentando me fazer acreditar que alguma vez eu já tinha conseguido tal ato. Senti raiva de mim mesma, e dela.
"Quinn fodeu com a minha vida" — Pensei.
Olhei a página que o Kurt fez para mim e realmente tinha muitos elogios e muitas curtidas novas. Li alguns comentários e respondi, mas deixei pra continuar mais tarde, eram muitos.
Mandei uma mensagem para Kurt avisando que ficaria pelo quarto mesmo, tentaria dormir.
Deitei, não queria pensar, e não pensei. Dormi. Graças ao remédio que a muito tempo não precisava tomar.
RACHEL POV OFF
QUINN POV ON
Com o desmaio minha colega de quarto insistiu em me levar ao médico. Aceitei pelo fato de não ser a primeira tontura e fraqueza que sentia e porque estava preocupada com o meu trabalho de conclusão. Seria daqui a dois dia e eu não podia arriscar.
(...)
Fui examinada, colheram um pouco do meu sangue e aguardei o retorno do médico. Olhava para Alycia e agradecia por estar comigo. Eu estava nervosa pela demora. Não era pra ser só um susto e podem voltar tranquilas? Era nisso que estava pensando quando o médico entrou e sentou-se de frente para mim.
Médico: Bem Senhorita Fabray, meus parabéns, você está grávida!
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