Notas iniciais
Como prometido. Dia de capítulo. Aproveitem!

QUINN POV

E o que estava evitando aconteceu. Eu não consigo descrever as sensações que senti naquele momento. Além das já conhecidas, boca seca, estômago revirando, suor frio e tremores, um enjoo repentino se fez presente. Por instinto, apoiei a mão no estômago e baixei a cabeça. Logo percebi a visão escurecendo.

Q: Droga...

F: Quinn você está bem?

Acenei positivamente, e sentei no banco

ao lado. Fechei os olhos. Não demorou muito para ouvir sua voz novamente.

R: Desculpa por isso, não vou incomodar mais. –Um desespero a muito não sentido entrou em contato com o meu corpo.

Q: Não! – subi o olhar e a encarei, estava com lágrimas nos olhos, nada diferente de mim. – Por favor não vá Rach.

Percebi sua expressão de confusão, e um rubor na face. Mas não era de vergonha ou nada do tipo. Eu a conhecia, e como conhecia.

R: aaaa não?? Por que? Qual a diferença pra você Lucy? – doeu. – Você sumiu e agora está em nova Iorque e nem ao menos pensou em me procurar. – quase conseguia ver sua raiva se materializando.

Q: Não é bem assim Rach.

R: Para de me chamar assim. – gritou. Algumas pessoas olharam. Não consegui conter as lágrimas. – Para! Você não tem o direito de chorar.

F: Rachel! Eu acho melhor vocês conversarem uma outra hora. Quinn não está bem agora.

R: E eu Frannie, Não estou bem a 3 anos. – deixou escapar um soluço angustiante. Esmaguei o banco em que estava apoiada. — E você Quinn – virou-se para mim. — parece que se saiu bem sem mim. – Oi?

Levantei-me com o resto de força que possuía. A segurei pelo ombro.

Q: Que diabos te faz pensar isso? Não teve uma noite se quer, que consegui dormir bem. Não teve um dia em que não pensasse em você, não teve um fim de semana em que não enchi a cara para aliviar por hora a dor que sentia. – respirei fundo para controlar as lágrimas que jorravam no meu rosto. – Não teve um dia que eu deixei de amar você. – Saiu mais como um sussurro.

Rachel me olhava assustada e com os olhos vermelhos. Nos encaramos por alguns segundos depois das palavras ditas. Ninguém ousou se meter.

Eu tentava decifrar o que seu olhar dizia naquele momento. Só conseguia ver dor. Me sentia a pior pessoa do mundo. Talvez para quem está de fora ache realmente que assim eu sou. Mas na época eu não tive escolha. Eu tinha 19 anos, estava assustada e sozinha. Sentia solidão e dor a cada 10 segundos e o pior de tudo... Não tinha como aliviar. Eu precisava tirar Rachel do presente e deixa-la no passado. Não que isso tenha aliviado minha dor, mas me ajudou a respirar de forma branda com o passar do tempo. Eu voltaria e largaria tudo para ficar com ela, ela não quis! Ela não permitia por achar que estava salvando a minha vida e mantendo meus sonhos. Ela não entendia e nem eu tinha maturidade para verbalizar que o meu maior sonho era ela. Viver com ela, estar presente em cada conquista, amá-la acima de tudo. As vitórias dela seriam as minhas. A felicidade dela seria a minha. No fim, éramos imaturas. Eu desisti para não cometer um loucura. Fui fraca, eu sei. Mas eu iria atrás dela se ela não jurasse sair da faculdade. Como eu deixaria isso acontecer? Toda vez que Rachel falava da Broadway seus olhos brilhavam e um sorriso completamente involuntário surgia nos seus lábios. Como tirar isso dela?

Hoje talvez eu conseguiria achar uma outra saída, mas naquela época?! Não, acho que não seria diferente.

E agora... Eu simplesmente não conseguia me afastar. Tinha planejado tudo caso esse encontro acontecesse, porém esqueci de uma coisa. Eu ainda a amava, e enquanto isso existisse dentro de mim eu sempre perderia o rumo diante a ela.

R: Bom, eu preciso ir. – piscou algumas vezes afastando o contato visual.

Q: Não vá.

R: Eu preciso! – falou um pouco dura.

Q: Precisamos conversar!

R: Não Quinn, não precisamos.

Q: Eu preciso!

R: Acredito que não, uma vez que não fez questão de me procurar quando chegou.

Q: Rachel! Por favor, as coisas agora estão um pouco complicadas.

R: Hamm. – bufou. – Pra você sempre foi e sempre será assim. Tudo muito complicado. – puxou ar. – Sabe qual é o seu problema Quinn? Você sempre coloca as dificuldades na frente. Seja lá do que seja. Experimente trocar as coisas de lugar. Se algum dia você amar alguém, coloque isso a frente de qualquer coisa e vai ver que nem tudo é tão difícil; — engoli o bolo que se formou na minha garganta.

Q: Eu amei você! – falei soando como uma súplica.

R: Será? – ficamos nos olhando. – Bom, mesmo que seja verdade, isso não existe mais.

Q: Isso é você quem tá dizendo. – Percebi que ela ia rebater, não lhe dei tempo. – Só preciso de uma hora para te dizer tudo que tenho. – Rachel olhou para Kurt, e voltou o olhar para mim.

R: Tenho que ir. Foi bom te ver Quinn, independentemente de qualquer coisa.

Q: Eu posso te dar um abraço? – não respondeu. — só um abraço.

R: Tudo bem. – baixou o olhar.

Não esperei muito, envolvi aquele corpo em meus braços apertando o máximo que podia. E dessa vez não tentei segurar nada. Chorei como uma criança. Eu sentia seus batimentos cardíacos misturando-se com o meu. Eu sentia suas lágrimas molhando o meu vestido.

Inalei o cheiro doce dos seus cabelos, deixando a nostalgia me invadir. Eu não podia ter mais certeza. Nunca deixei de amar aquela mulher. Não podia deixar ela escapar, pelo menos não antes de ouvir meu lado da história. Ela estava quebrada, doída, magoada. Nem que fosse para ela seguir em frente, eu devia isso a ela.

Q: Eu estou no prédio azul – sussurrei ao seu ouvido ainda abraçada. – É só olhar a sua frente que consegue vê-lo. Apartamento 903. – Senti suas mãos desfazendo o abraço. – Vou te esperar. Por favor Rachel. Me dê somente a chance de dizer tudo!

Ela nada disse, passou por mim e seguiu andando seguindo por kurt, que antes de continuar, virou-se para mim ainda não acreditando que estava me vendo.

A observei até não conseguir mais avistá-la.

F: Vamos para casa, você precisa descansar. – Concordei – E chorar também. – soltou um meio sorriso.

Q: Obrigada Frann.

F: Não por isso meu amor. Respire. Tudo vai ficar bem.

QUINN POV OFF

RACHEL POV ON

Precisei Me segurar em Kurt para me manter firma. Assim que entrei no prédio da audição parei e só consegui chorar. Desabei em um choro completamente desesperador. Olhava para Kurt para, quem sabe, obter alguma saída. Como isso pôde acontecer? Como depois de anos, nos reencontrarmos assim? Tantas pessoas em Nova York... Eu precisava me concentrar faltavam poucos minutos para o meu teste. Quinn não podia me tirar isso também.

R: E-e-e-eu preciso me concentrar Kurt. – Fungava a cada palavra.

K: Eu sei Rach. Mas temos alguns minutos. Por que não descarrega isso?

R: Você acha mesmo que conseguirei descarregar em alguns minutos? Isso que sinto nunca passou, você bem sabe disso. Mas revê-la... – chorei mais forte. – Revê-la acabou comigo. Ela continua aquela Quinn...- O encarei – Minha Quinn Kurt.

O abracei novamente e me deixei ser confortada. Kurt sabia fazer isso como ninguém. Um simples toque, sem palavras... Ele era simplesmente o irmão que a vida me deu de presente. Ficamos abraçados por mais ou menos 20 minutos. Consegui organizar alguns pensamentos. No fim, Kurt tinha razão, como sempre.

R: Já era para eu ter sido chamada.

K: Vou procurar saber o que houve.

Observei Kurt abordar uma senhora com um crachá. Depois de algumas expressões ele voltou parecendo um pouco sentido.

K: Barbra, um dos jurados não passou bem. Estavam aguardando para saber se ele melhoraria. Mas parece que não apresentaram sucesso. Vamos aguardar mais alguns minutos para o anúncio oficial.

Concordei com a cabeça, e olhei uma concorrente ao lado. Estava muito nervosa, não sei se mais que eu. Mas naquele momento tive inveja. Ela não parecia ter maiores problemas. Depois que cantasse sairia aliviada e esperaria o resultado. Enquanto eu sairia com o coração mais quebrado que nunca.

Deus! Que vida...

Depois de alguns minutos, a mesma mulher que Kurt conversou nos avisou que ligariam para remarcar o teste. Explicaram a situação e nos liberaram.

O caminho de volta foi preenchido por vozes silenciosas e mentes gritantes. A minha só faltava entrar em colapso e a do Kurt não devia estar diferente.

K: Por que não tenta dormir um pouco?

R: Acha mesmo que é válido tentar?

K: HUmmmmm... Nops. – riu baixinho provocando o mesmo em mim. – Então o que acha de comer coisas engordantes e ver filmes?

R: Só se for terror ou ação.

K: Entendi. Vou no mercado e vou passar na locadora ok?

R: Obrigada novamente Kurt. Não sei o que seria de mim sem você.

K: Depois de cobro favores.

Rimos e ele se foi comprar o que precisava. Deitei no sofá como se isso fosse um convite a pensamentos proibidos. E não estava errada, Quinn e sua voz ao meu ouvido me chamando para uma conversa...

“Não Rachel! Não ouse”

“Mas eu preciso ter respostas e...”

“Xiuuu”

Depois de um tempo com esse tipo de diálogo comigo mesma, o que não imaginava nem por segundo acontecer se tornou realidade. Dormi!

RACHEL POV OFF

Enquanto uma dormia e sonhava a outra sonhava acordada.

No coração da loira uma chama voltava a ganhar força. No da morena uma dor irreparável, segundo a mesma.

Será que existe destino?

Será que o assunto assim são almas gêmeas ou almas afins?

Caro leitor, não sabemos nada mesmo sobre a vida. Ela nos ensina a cada momento.

Então como esperar algo? Como planejar algo?