Sempre Você

2 Reencounter


Quase 6 anos depois da formatura e eu ainda trabalho na lanchonete, quer dizer, é uma lanchonete diferente, uma cidade diferente e eu só voltei a ser uma garçonete 6 meses atrás, mas ainda assim, continuo em uma lanchonete. Ann e Evan se tornaram bem diferentes, ela entrou para advocacia e ele é um criminoso brilhante, no entanto ainda são amigos, assim como eu.

Mais ou menos na mesma época em que fui controlada no Jhonny's tive que ir morar com Charlotte já que meu salário é baixo demais para alugar meu próprio apartamento e ela é absolutamente rica. Recentemente reatei meu namoro com Thomas, o cara que me defendeu muitos anos atrás em uma festa e com quem namorei durante o último ano no colégio e mais um antes de segredos nos separarem.

Nesta manhã assim como na maioria das outras quando acordo minha melhor amiga já está se arrumando, faço como sempre e preparo o café da manhã para nós duas. Por mais que Ann tenha acordado antes compenso a diferença de tempo me arrumando mais rapidamente em comparação a ela e saímos juntas, ela para o escritório e eu para o Jhonny's.

Muita vezes no trabalho algum cliente faz alguma coisa e causa uma cena, hoje foi um desses dias. Um garoto alto, loiro, bonito e claramente rico estava sentado com uma garota tão bonita quanto ele, eu estava prestes a ir atendê-los quando ele disse alguma coisa que a deixou bem chateada e ela se levantou e saiu chorando.

— Uau o que você fez?

— Não é da sua conta.

— Você é bem educado, hein?

— Perdão. — ele se ajeita — Foi só um mal entendido, nada demais, ela achou que estávamos namorando e eu achei que não.

— Acontece com ele o tempo todo.

Um outro garoto também bonito, também alto, também claramente rico, porém dessa vez moreno chega e se senta de frente para o amigo. Os dois estavam de terno, quem diabos usa terno para ir na lanchonete nesse calor?

— Eu te conheço.

Meu sangue gela com a afirmação do recém-chegado.

— Eu acho que não. — tento parecer calma

— Eu tenho certeza de que sim. — ele me olhava de cima a baixo

— Então talvez tenha me visto aqui na lanchonete.

— Não, é a primeira vez que venho aqui.

Então ele se lembrou.

— Alice May Hardy.

E eu também me lembrei.

— Arthur Chase Fray.

— Fala sério, se lembram dos nomes completos? Fazem tipo 6 anos.

— Se chama memória Jace.

— Ah Deus, Jace Lowe, o dono dos meus pesadelos.

— No entanto não me reconheceu.

— Tento bloquear qualquer memória de vocês dois, inclusive dos rostos.

— Você está ainda mais linda May, agora, eu gostaria de um café, o que você quer Chase?

— Eu gostaria de colocar o papo em dia.

— Estou em horário de trabalho Chase, um café saindo.

Por mais que servir café não seja a minha atividade preferida ainda era melhor do que colocar o papo em dia com aqueles dois, especialmente se eles acabassem por descobrir certas coisas do meu passado. Meu turno já estava acabando e os dois continuavam lá, fazendo pedidos e reclamando dos pedidos e para minha sorte eles, usando seu direito como clientes, exigiram que fosse eu quem os atendesse.

Em determinado momento Lowe saiu por um tempo e então voltou trazendo consigo uma pasta de arquivo e mostrando as informações nela contidas para Arthur. Depois, cinco minutos antes do turno acabar, os dois pagaram a conta, deixaram uma gorjeta generosa e saíram sorrindo com as mãos nos bolsos.

Recebo uma mensagem de Tommy dizendo que estava chegando assim que saio pela porta dos fundos e me apoio na parede para esperá-lo. Eu e meu namorado estávamos bem, depois que nos separamos pensei que nunca mais o veria e quando nos reencontramos achei que fosse impossível que reatássemos. No entanto estamos juntos agora, juntos e felizes.

Não passei um minuto esperando antes dos dois homens de terno e sorrisos insuportavelmente brilhantes me abordaram, Jace segurando a pasta de antes.

— Eu estou surpreso. — ele levanta o arquivo — O que aconteceu com aquela boa garota, May?

— O que é isso?

— Dados. Sobre você Supergirl, ou talvez agora que crescemos devesse chamá-la de Wonder Woman.

Ele continua com sua mania de me apelidar como super heroínas.

— Vocês me investigaram?

— Não, nós pegamos emprestado a investigação de um amigo.

— Que amigo Lowe?

— Não importa, o que importa é o que descobrimos.

— E o que foi isso? — me aproximo de Chase

— Você gosta muito de arte não é mesmo? — é a vez dele de se aproximar — A ponto de roubá-la.

— Supostamente.

— Nunca foi pega, nada foi provado. — me viro para Jace quando ele fala — Admirável.

— Sempre foi brilhante, sabia que poderia ser o que desejasse, só não pensei que escolheria ser uma criminosa.

— O que querem comigo?

— Amizade, isso é tudo.

— Calem a boca, amizade o caralho, olha eu não sei o que querem mas...

— Esse é o meu número. — Jace estende um cartão — O seu eu já tenho.

— Por que não enfia esse cartão...

— Ei amor.

A preocupação de Thomas era evidente, afinal de contas que tipo de bom namorado não se preocuparia ao encontrar a namorada discutindo com dois homens em um beco atrás da lanchonete aonde trabalha? Os sorrisos de Chase e de Lowe aumentam ao ver Tommy chegar e beijar minha testa, Jace ainda estendendo o cartão insistindo que eu o pegasse.

Antes que Thomas tivesse a chance de dizer qualquer coisa e na esperança de que ninguém se lembrasse de ninguém peguei o cartão e guardei na bolsa. Arthur e Jace não estavam ali para começar nenhuma briga, não direcionam uma palavra ao meu namorado e nem mesmo a mim, ficam lá, quietos, esperando que eu pegue a droga do cartão até eu fazê-lo, e assim que o faço, os dois vão embora.

— Tchau May.

— Nos vemos por aí Wonder Woman.

Silêncio. Eu e Tommy agora estávamos em silêncio, eu esperando ele perguntar e ele esperando eu me explicar, mas eu não podia explicar, a verdade era um segredo que eu teria que manter se eu quisesse que continuássemos bem e como eu queria. Enquanto as palavras não saíam de sua boca e a pergunta não surgia eu inventava a resposta, nada soava bom o suficiente e quando a pergunta veio eu não tinha a história perfeita.

— Quem eram? O que queriam?

— Ninguém importante, não se preocupe não pretendo vê-los nunca mais.

— No entanto pegou o cartão.

— Para irem embora, o que mais eu podia fazer?

— Não sei. — uma longa pausa — Sabe você já foi uma melhor mentirosa.

— Tommy...

— Tenho que acordar cedo amanhã, vou te deixar no apartamento e ir para casa ok?

— Ok.

Não sabia o que falar, ele já sabia que estava mentindo e eu não podia dizer a verdade, mentir sempre foi fácil para mim, tanto inventar as mentiras como viver com elas e honestamente continua fácil na maioria das vezes. Thomas era o meu oposto quando se tratava disso, era sempre honesto, um péssimo mentiroso desde que nasceu e não suportava mentiras, segredos, não suportava o que eu mais tinha.

São poucos minutos de carro da lanchonete até o apartamento de Charlotte, mas essa viagem entra facilmente para as mais longas da minha vida.

—--

— Nunca vai adivinhar quem estava na lanchonete hoje.

Era de costume que eu, Charlie e Scottie nos reuníssemos para beber à noite e contar como foi o nosso dia, exceto é claro que Evan não gosta de contar sobre qualquer atividade criminosa que ele tenha feito. Ann estava tomando vinho como sempre, Scott tomando cerveja como sempre, e eu estava tomando whisky, eu gosto de variar.

— Fala Alice. — Scott

— Se lembra do Jace Lowe e do Arthur Chase Fray?

— Não acredito que continua o chamando pelo nome completo.

— Ah eles se tornaram modelos. — Charlie desvia o olhar do celular — Famosos, ricos e gostosos, acha que tenho uma chance?

— Péssima ideia, não tem fama de ser caras legais.

— Como se eu me importasse com isso.

— Ei espera como assim eles são modelos?

— Uau Ali é sério? Você é tão estranha.

— Cala a boca Charlotte. Eles sabem sobre mim.

— Sabem o que exatamente? — Evan se ajeita preocupado

— Tudo Scottie, tudo, eles tinham um arquivo sobre mim, me deram um cartão com o número do Jace e tinham o meu.

— O que eles queriam? — Charlie também se preocupava

— Não sei.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.