Notas iniciais
Oh Lord...
Por favor, não me crucifiquem por esse anti-clímax...

Enjoy... ^^

Eu já sabia que conviver com Ks era sinônimo de viver uma vida confusa. Mas isso praticamente beirava o ridículo. Ele sentia enjôo de ver o próprio sangue, como é que ele acabou por beber o do Kl? Do IRMÃO dele! Bufei.

- Kn, que dia é hoje? — Me perguntou Ks do banheiro. A voz dele estava meio estrangulada, acho que ele devia estar prendendo a respiração, na hora não entendi o porquê.

- É quarta-feira... Você passou uns 3 dias apagado gritando, igual o Kl agora.

Agora que eu parei pra pensar, 3 dias gritando e depois acordar com os olhos vermelhos me lembrava algo. Talvez uma história que eu tenha lido, em algum livro de capa preta. Sei lá.

Um barulho de pedra quebrando me tirou dos meus devaneios, e eu tive certeza que foi culpa do Ks quando o ouvi.

- Merda!

- O que houve Pirralho? — Ks sempre me inspirou tranqüilidade, mas agora com esses olhos cor de rubi eu estava com medo de ficar sozinho no mesmo cômodo que ele. Apesar de diferente, ele ainda era meu irmãozinho. Não era?

- Não venha aqui, Kn. Sério. — Pronto. O que foi que ele aprontou dessa vez?

- Não venha aqui o caramba. O que você... — Estava prestes a dar um belo puxão de orelha nele, quando entendi qual era o problema. — Eu já ouvi falar em marca de dedos na pedra, mas isso? Ks são os SEUS DEDOS? Como você fez isso?

Ele refez a proeza. Colocou uma das mãos na parede, e fez pouca pressão. Com um estalo, pequenas rachaduras apareceram sob seus dedos, e tirando a mão, parecia que ele tinha feito o molde da própria mão em massinha. Tentei fazer o mesmo, mas por mais força que eu fizesse, a parede permanecia sólida sob minha mão.

- Okay. Agora eu to ficando assustado. — Falei.

- AGORA??? EU PASSO 3 DIAS BERRANDO, ACORDO COM ESSES OLHOS VERMELHOS, BEBO O SANGUE DO KL, DEIXO A MARCA DOS MEUS PRÓPRIOS DEDOS NA PAREDE E VOCÊ COMEÇA A FICAR ASSUSTADO AGORA??? — Ele surtou, e o grito foi tão estridente que o espelho já trincado do banheiro se estilhaçou.

- Caramba! Você consegue quebrar vidro com um grito! Será que funciona com uma taça de cristal? — Não era um bom momento eu sei. Mas eu tive que perguntar. Ks nunca foi o melhor cantor da família...

- Isso não é hora para brincadeiras, Kn. — Sibilou ele para mim. Acho que desde meia hora atrás, que foi quando ele acordou, eu nunca senti tanto medo dele como naquele momento. Acho que foi por causa do olhar que ele me laçou. Redefiniu completamente a expressão "Fuzilando com o olhar".

- Okay maninho, relaxa, respira fundo... — Acho que foi um mau conselho para se dar. Uma expressão de puro deleite tomou seu rosto, mas depois eu vi lá apenas agonia e ele travou sua respiração. — Qual é a da careta?

- Esse... Cheiro... faz minha garganta arder, como se eu visse... Sei lá... Um belo de um prato de lasagna na minha frente, mas não pudesse degustar. Se bem que isso não parece mais tão apetitoso...

Ks falando que uma lasagna não parece apetitosa? Há algo de podre no reino da Dinamarca... Espera, frase de efeito errada... O mundo não faz mais sentido. Agora sim.

- Pirralho... Er... Você ouviu o que acabou de dizer? Lasagna não parece apetitosa? Ta com febre? — Me aproximei para tentar ver a temperatura em sua testa. Ele não recuou, o que eu julguei como um bom sinal. — Ks, você tá frio.

- Não Kn. Você que está quente. E... — Ele se interrompeu e ficou olhando para mim. Para o meu pescoço melhor dizendo. Suas pupilas dilataram e o rubro dos olhos pareceu ficar mais rubro.

- Ks, foco cara, anda. — Falei estalando os dedos em frente a seus olhos. Pouco a pouco o foco foi voltando aos olhos dele, e quando eu finalmente concluí que ele estava comigo ele sumiu. Simplesmente desapareceu. Num segundo estava com as minhas mãos em seus ombros e no outro eu segurava apenas ar.

Ks havia sumido...

***

Um dia havia se passado, e o segundo estava para se concluir. Kl se retorcia. Ks ainda estava desaparecido e eu estava andando de um lado para o outro, atento a qualquer movimento da porta. E é quando as portas do inferno se abrem. Apenas um grito é o aviso que o prelúdio do meu pesadelo está começando...

- NÃO!!! EU NÃO SEI O QUE VOCÊ QUER, MAS EU NÃO TENHO MUITO DINHEIRO E... SE AFASTE! EU VOU CHAMAR A POLÍCIA!!! EU VOU... — Os gritos foram subitamente interrompidos quando eu ouvi o som de algo quebrando. Sabia que algo havia acontecido no quarto ao lado.

Olhei para Kl por um momento. Ver Ks passar pela transformação foi difícil, principalmente pela parte dos gritos. Ver Kl passar por isso estava sendo pior. Ele parou de gritar depois da segunda hora, porém, se retorcia, como se estivesse amarrado sobre uma toca de formigas do fogo.

De repente, com um estrondo, Ks fez sua entrada triunfal no quarto onde estávamos. Eu teria rido, se sua boca não estivesse suja de sangue, assim como sua regata.

- O que foi que você fez? — Perguntei em um fio de voz. Os olhos rubros me fitaram. Sangue escorria por seus lábios. Então eu me toquei de que havia outra razão para que presenciar a transformação de Kl fosse pior que ver a de Ks. Durante a de Ks, eu tinha Kl para conversar. Agora, eu estava lidando com um que se transformava e um que estava transtornado, confuso e sedento de sangue. Que não seja o meu sangue... – Ks! Terra chamando! – Falei estalando os dedos em frente aos seus olhos.

- O que foi? – Perguntou ele inexpressivo, sem piscar, me encarando.

- Por onde você andou?

- Por aí. – Disse ele dando de ombros.

- Como “por aí”? O que andou fazendo? – A forma como ele não reagia estava me incomodando.

- Por aí, Kn. Desopila cara.

- Mas o que você andou fazendo que sumiu por quase dois dias?

- Eu estava... Dando vazão aos... Instintos... – E dizendo isso ele me lançou um meio sorriso e eu tive a impressão de vislumbrar seus caninos brilhando.

Essa personificação da arrogância que estava na minha frente não era meu irmãozinho. Ks podia ser impulsivo, teimoso, orgulhoso, autoconfiante até demais, mas ele não era soberbamente arrogante e o sangue... Ks tomava distância de acidentes onde houvesse feridos. Eu não conseguia imagina-lo matando.

- Instintos? Que instintos? E o que é todo esse sangue?

- Você se preocupa demais. – Começou ele se aproximando de mim, aqueles olhos rubros que nunca piscavam me encaravam e eu não consegui desviar o olhar. Nem me mover. – Você vai acabar entendendo. – E dizendo isso, segurou meu pulso e o levou até a boca e o mordeu. A dor que eu senti no mesmo momento era impossível de descrever. Agora eu sabia o que Ks havia passado e o que Kl estava passando e eu passaria.

Minha visão escureceu e eu não me lembro se meus joelhos suportaram meu peso. Tudo que eu sabia era que meu corpo estava em chamas.

Notas finais
Okay pessoal não me crucifiquem. Eu precisava que o Ks tivesse essa transformação completa no próximo capítulo vocês vão entender.