Sempre Irmãos...
15 E os Enfins...
Notas iniciais
Obrigado Por tudo Big B...
Capítulo dedicado ao Bearkl...
Enjoy... ^^
Kl Pov
Depois que a sensação de estar em meio a um inferno ardente cessou, eu consegui finalmente raciocinar de forma coerente. Fui engolfado em um turbilhão de sentidos, olfato, audição, paladar... Eu sentia o ar quente do quarto percorrer por minha pele como faíscas de energia; senti um gosto ardente na boca quando passei minha língua por meus dentes e senti meus caninos levemente mais pontiagudos, e finalmente quando percebi que o barulho constante e incômodo que estava ouvindo era Kn gritando eu abri meus olhos para me deparar com uma cena irreal. Haviam dois corpos largados no tapete e deles emanava o inebriante e doce cheiro da morte. Meu irmão mais novo estava jogado na poltrona, se retorcendo e agarrava os braços estofados como se estivesse à beira de um abismo que acabava em chamas e gritava como se as labaredas estivessem lambendo seu corpo. Me levantei da cama e o peguei para coloca-lo sobre o colchão duro. Ele pareceu ficar menos desconfortável, mas eu não saberia dizer.
Passando por cima dos corpos, cheguei ao portal que ficava entre o quarto e a sala e lá vi outra cena, mais absurda que a primeira. Em que tipo de pesadelo eu acordei? Pensei comigo. Um corpo estava jogado à entrada e Ks estava confortavelmente esparramado no sofá, drenando uma garota. Ela estava de frente para mim e eu vi sua expressão de completo pavor. Os cabelos; supus outrora dourados, agora levemente acobreados por conta do sangue emolduravam um rosto, de aparentes feições delicadas. Se eu visse aquela garota em outro momento, que não fosse às portas da morte, a acharia linda e com certeza gostaria de me perder na profundidade azul que eram seus olhos. Duas safiras. Que me encaravam e imploravam por socorro. Mas eu podia ouvir seus batimentos cardíacos diminuindo, e sabia que mesmo que conseguisse tira-la das mãos de Ks, só retardaria seu sofrimento e não poderia impedir sua morte.
Fechei meus olhos e abaixei minha cabeça, porém de nada adiantou. Eu sabia que mesmo que vivesse por 1000 anos, a expressão suplicante daquela garota permaneceria queimada em minhas retinas e em minha memória.
Ks deve ter notado minha presença quando soltou a garota agora inerte que caiu de qualquer jeito no chão com um baque seco.
- Kl, irmão! Que bom vê-lo acordado! – Ele exclamou se levantando. Mas algo estava errado. Aquele sorriso, não era o sorriso inocente e genuíno de meu irmão caçula. E aquele olhar não transmitia alegria. Eu podia notar um leve contentamento, amargura e muito sarcasmo borbulhando.
- Onde está o Kn? – Decidi interromper qualquer que fosse o comentário que ele ia fazer.
- Calma cara... Mal acordou e já quer arrumar encargos e preocupações? Eu no seu lugar aproveitaria o momento. Quer caçar? – Eu imaginava no que havia me transformado e juro que se ainda fosse humano teria tido um calafrio.
- Samuel. Onde está o Nathan?
- Como eu disse, Leo, relaxa cara... Eu o transformei só isso... Ele está bem.
- Só o transformou? Você diz como se isso não tivesse importância.
- Já se olhou no espelho? – O olhar rubro dele cintilava com a fria malícia.
- Ks, por que você simplesmente o transformou? – Questionei o ignorando.
- Eu achei que seria injusto mantê-lo humano, já que eu estava transformado e você no meio da transformação.
- Essa escolha cabia a ele!
- Eu pude fazer essa escolha?
- Não bastava tirar a minha escolha, teve de tirar a dele também? – Ks não respondeu. Pude perceber que aquilo soou como um tapa para o caçula. Eu nunca havia falado naquele tom com ele. – Desculpe colocar dessa forma Ks, mas, você viu a forma como tem se comportado? Esse não é você! Você é melhor que isso. Se tivesse outra opção eu sei que você a escolheria, você é humano demais para conseguir matar.
- Eu deixei de ser humano, se você não percebeu, Leonard.
- Não só deixou de ser humano como deixou de ser racional, Samuel! Esse não é você. E você não está contente com esse seu novo eu. Você não é sanguinário. Você não é assassino...
- VOCÊ NÃO FAZ IDÉIA DE COMO É ISSO!
- ACHO QUE EU FAÇO SIM! AFINAL, EU SOU COMO VOCÊ! E GRAÇAS A VOCÊ! NÃO TENTE SE FAZER DE VÍTIMA. EU TE CONHEÇO A VIDA TODA. TE CONHEÇO O SUFICIENTE PARA SABER QUE VOCÊ SÓ ESTÁ AGINDO ASSIM POR QUE NÃO CONSEGUE CONVIVER EM PAZ COM SUA CONCIÊNCIA, SABENDO QUE TEVE QUE COMETER ASSASSINATOS PARA SOBREVIVER!
- CALA A BOCA, LEO! – Movido pelo impulso, Ks me deu um gancho de esquerda que me pegou desprevenido. Acabei atravessando o quarto, indo parar no sofá. Ks não viu o meu vôo porque fechou os olhos antes de me dar o soco e os manteve assim. Vi que ele estava com as mãos cerradas em punhos ao lado do corpo. – Cala a boca! Cala a boca! Cala a boca!
- Ei... – Disse me levantado do sofá. – Ai... – “Caramba, ele finalmente aprendeu a socar.” – Pensei comigo ao me aproximar dele, sem saber o que esperar. – Eu estou aqui com você, irmãozinho. – Falei puxando ele para um abraço. Ele não me abraçou de volta. Se manteve no modo estátua resmungando consigo mesmo. – Eu sei que isso é ruim para você... Mas a gente está junto nessa. Eu, você e o Kn, assim que acordar. – Ks finalmente reagiu, correspondendo ao abraço. – Por dentro dessa casca, você está se castigando pelas mortes que foi responsável. Está se martirizando por ter simplesmente dado asas ao seu instinto e saído por aí, assassinando nem quero saber quantos. Eu se que a necessidade é forte. Afinal, é o que precisamos. Sangue. Mas a pergunta é: precisamos mesmo matar?
- Você consegue parar? – Murmurou Ks ainda sem sair do abraço.
- Touchè... – Afiado como uma navalha. Tive de rir. – Ainda bem que você continua afiado nas respostas. Acho que eu sentiria falta desse seu lado.
- Mentiroso... – Riu Ks finalmente se afastando.
- Tem razão... Não sentiria... – Ri de novo, mas um gemido do Kn no quarto me lembrou que ele não estava nos melhores dias. – Mas então, quanto tempo Kn ainda tem até acordar?
- Acho que entre 17 e 20 horas. – Respondeu Ks incerto.
- Consegue ser mais preciso?
- Acho que não...
- Imaginei. É, acho que vou ter que passar a eternidade tentando evitar que o Kn te assassine... Ou desmembre... Sei lá... Céus! – Será uma longa eternidade. Cobri o rosto com as mãos dramaticamente.
- Olha pelo lado bom irmãozão...
- E tem? – Perguntei sem tirar a mão do rosto, para não trair a encenação.
- Você vai estar comigo e com o Kn. – Disse Ks com um largo sorriso.
- Eu pedi um lado bom, Little. – Retruquei com um sorriso torto.
- Poxa. Magoou profundamente, irmãozão. – Disse Ks com um bico. Gargalhei com a cara dele.
Talvez estivéssemos mias tranqüilos ao encarar a transformação de Kn, pelo fato de já termos passado por isso e sabermos que logo acabaria. Mas eu não consegui deixar de imaginar como foi que ele lidou com a minha. Deve ter sido estressante. Eu... Bem... Num estado muito desagradável e Ks daquele jeito estranho. Arrogante, sádico. Vou me surpreender se ele não der um sermão no Little quando acordar.
Notas finais
Escrever Sempre Irmãos foi incrível. O Primeiro projeto que eu terminei... Teoricamente...
Já que postei o fim da fic, nada mais justo do que postar o Epílogo também...
Até lá galera... ^^
Fale com o autor