Notas iniciais
Mais um capítulo fresquinho! Tal como prometi, atualizei antes do fim de semana! Kiss para as minhas lindas leitoras!

O sol despertou na cidade da Karakura, e os adolescentes acordaram bastante cedo para as aulas. O Ichigo e os amigos já estavam na sala à espera da professora e de uma faltante.

Ishida – Arisawa-san! Por acaso sabes porquê é que a Inoue-san ainda não chegou?

Tatsuki – Não! Ela não me disse nada desde ontem a hora de almoço!

Sado – Estranho! Ela nunca chega atrasada!

Ichigo – O que se passa malta? Perguntou aproximando-se dos amigos.

Ishida – A Inoue-san ainda não chegou!

Ichigo – Se calhar adormeceu! Daqui a nada ela está aí! Disse sentando-se no seu lugar. Antes que pudessem falar mais alguma coisa, a professora chegou e todos viram-se obrigados a sentar-se nas suas devidas mesas. Tiveram mais duas aulas até à hora de almoço e mesmo assim nada dela. A Tatsuki já estava a arrancar cabelos pela preocupação. O Ichigo, o Ishida e o Sado comprometeram-se a procurar por ela, em conjunto com a morena, depois das aulas.

Chizuru – Que saudades da minha Hime! Será que aconteceu alguma coisa?

Keigo – É isso! Falou de rompante como se tivesse tido uma ideia genial. – Ela foi atacada a caminho da escola. De certeza que um pervertido agarrou-a… Antes que pudesse terminar a morena deu-lhe um murro na barriga para se calar antes de dizer o resto da frase.

Tatsuki – Cala-te seu desgraçado! É impossível uma coisa dessas acontecer. A Orihime pode não gostar de violência mas quando necessário utiliza aquilo que lhe ensinei! Gritou furiosa. Não suportava ouvir tal comentários, pois tratava-se da melhor amiga. Pensar em tais coisas simplesmente a enfureciam, porque a possibilidade de uma coisa dessas ocorrer era grande e não estava disposta a deixar algo assim, acontecer com a melhor amiga.

Ishida – A Arisawa-san tem razão! Ela é capaz de pôr um homem inconsciente sem problemas!

Ichigo – Eu não sabia que ela conseguia utilizar os poderes dela dessa maneira! Falou pensativo.

Tatsuki – Ela não precisa dos poderes para isso! Eu ensinei-lhe Karaté. O suficiente para se defender facilmente.

Ishida – Acho que é bem mais do que isso! Ela está no primeiro nível da faixa preta, o suficiente para matar alguém! Agitou os óculos para disfarçar o seu nervosismo. Tal como na primeira vez, quando a ruiva lhe contou, ele sentia-se um pouco medroso por tal facto. A amiga para além de ter uma beleza inigualável, sabia defender-se muito bem e tinha os seus poderes. A ruiva com uma personalidade diferente poderia ser bastante perigosa.

O grupo ficou bastante surpreso com tal revelação, exceto o Ishida e a Tatsuki. Afinal não esperavam que a Deusa da Escola de Karakura fosse tão "mortífera”.

Tatsuki – Se a conhecessem bem, saberiam isso e muito mais! Estava dicecionada com eles, especialmente com o ruivo, que não via nada à sua frente, nem mesmo o amor incondicional da ruiva. Dirigiu-se para a sala, agarrou nas suas coisas e foi-se embora, mas não antes sem dizer aos outros os seus planos.

Tatsuki – Vou ver o que se passa com a Orihime! Não preciso que venham comigo, eu depois falo convosco amanhã!

Foi-se embora sem dizer mais nada e obviamente irritada. Dirigiu-se primeiro à casa da amiga, mas não tinha ninguém. De seguida foi até ao rio, onde elas costumam estar muitas vezes a conversar. Também não tinha ninguém. Correu os parques todos e mesmo assim nada, nem um vestígio da amiga. Começou a ficar desesperada e bastante preocupada pelo bem-estar da amiga. Há duas horas que a tentava encontrar e nada. Quando pensou em desistir, viu uma cabeleira ruiva a passar pela rua paralela àquela onde estava. Correu o mais depressa possível até à amiga.

− Orihime! Tentou chamar a atenção enquanto corria para a amiga, mas não teve sucesso. Apenas quando estava ao pé dela é que conseguiu o que queria. – Orihime! A ruiva olhou sobressaltada para a voz. – O que pensas que estás a fazer a desaparecer assim? Já estava com lágrimas nos olhos pela preocupação e aliviada por a ter encontrado. Sem dar hipótese de falar à amiga, abraçou-a fortemente, surpreendendo a Inoue com o estranho comportamento.

− Tatsuki-chan! Chamou para poder sair do abraço. – Porque é que estás a chorar?

− Porque é que eu estou a chorar? Idiota! Deu-lhe um murro na cabeça pela súbita irritação que a amiga lhe causara. Afinal, quem faz uma pergunta daquelas quando que a culpa é inteiramente de quem faz as ações? – Desapareceste sem deixar notícia e deixaste-me preocupadíssima!

− Desculpa! Falou baixinho e tristemente. Sabia perfeitamente que o que fizera causara uma grande angústia na amiga, mas não o podia evitar. Ela precisava de o fazer para poder pensar. – Queres ir até à minha casa? Prometo-te contar tudo!

Ao ver a tristeza e sinceridade no olhar da Inoue, apenas assentiu a seguiu-a até ao apartamento dela. Assim que chegaram, a ruiva nem teve tempo de pousar a mala no sítio, pois a morena exigiu logo explicações. Depois de a ter convencido a sentar-se e a tomar um chá é que se sentiu preparada para explicar a situação.

− Tatsuki-chan, quero apenas que ouças e fales só no fim está bem?

− Sim! Começa por desembuchar! Ordenou no seu estilo de manda-chuva, com os braços cruzados sobre o peito e um olhar impaciente.

A Inoue começou por lhe falar sobre o seu cativeiro no Hueco Mundo, algo que nunca havia dito a ninguém. Depois contou sobre o seu regresso, os seus pesadelos e as noites mal dormidas, a culpa que sentia em relação ao fato do Ichigo ter perdido os poderes, o dia em que havia visto o beijo do ruivo com a pequena shinigami, até chegar ao tópico mais importante. O que fizera no dia anterior.

Quando terminou de contar, a Tatsuki estava chocada com as informações reveladas. Não conseguia dizer uma única palavra, apenas chorava e soluçava bastante. A Inoue ficou devastada. Era a primeira vez que via a melhor amiga tão destroçada e quebrada. Teria de arranjar maneira de a acalmar porque senão ela começaria a chorar também.

− Tatsuki-chan, por favor não chores! Eu já me conformei! Tentou falar calmamente e suavemente para a sua voz não sair embargada pela tristeza e angústia que sentia. Até conseguiu oferecer um sorriso, ainda que pequeno.

− Como podes dizer algo assim, como podes sorrir ao saber que vais… A morena não conseguia terminar a frase. Era horrível demais dizer tal palavra.

− Sabes, de alguma maneira eu sinto-me mais livre. Parece que em toda a minha vida vivi enjaulada, agora vou aproveitar e gozar o quanto posso. Quer seja cinco, dez ou quinze anos! Eu preciso do teu apoio! Preciso de alguém ao meu lado para apoiar as minhas decisões! Era estranho para a Inoue falar de maneira tão sábia, já que quem devia estar a receber palavras de conforto e aconselhamento era ela e não o contrário.

− Eu não quero perder a minha melhor amiga! Declarou em prantos.

− Tu não vais perder! … Há uma coisa que ainda não te contei! Atraiu logo a atenção da morena. – Eu estou a treinar os meus poderes com o Hachi-san, um dos Vaizards! Afirmou receosa da reação da amiga.

− Estás a treinar? Mas… Isso vai tirar anos da tua vida! Tu disseste-me que o médico te deu alguns anos de vida, mas que se te esforçasses demais, eles poderiam reduzir! Porque é que vais fazer isso?

− Para ser mais forte! Respirou fundo e deu um sorriso. – Quero defender a minha cidade e os meus amigos. Para isso preciso de ficar mais forte! De qualquer maneira eu sempre quis treinar para elevar os meus poderes!

− Tens a certeza disso?

− Sim! No entanto eu vou aproveitar para realizar os meus sonhos, ou pelo menos alguns! Falou entusiasmada por imaginar as várias coisas que queria fazer.

− Eu não vou impedir-te, mas a partir de agora quero que me metas a par de tudo! As lágrimas ainda não se tinham ido embora dos olhos dela e a voz embargava uma grande dose de soluços em conjunto com uma enorme tristeza.

− Então devo avisar-te que eu pretendo inscrever-me para algumas aulas de dança, continuar o treino, talvez arranjar um part-time, gozar o tempo com os meus amigos… Não continuou, simplesmente ficou com um olhar distante e pensativo.

− O que foi? Perguntou preocupada.

− Uma das coisas que eu mais queria não poderei fazer! Afinal de contas, de que vale a pena amar alguém se eu não vou ter tempo para aproveitar esse amor! Colocou um sorriso triste ao lembrar-se do bebé que havia encontrado no restaurante há pouco tempo. – Para além disso, se eu constituísse família o mais provável seria passar a minha doença para os meus filhos! Eu não quero que eles tenham uma vida limitada!

− Orihime! Sussurrou o nome da ruiva com grande tristeza. Iria perder a melhor amiga cedo e não conseguia fazer nada para lhe dar um pouco de verdadeira felicidade!

− Tatsuki-chan, eu não quero que contes a ninguém! Quando eu estiver preparada contarei!

− Está bem! Diz-me, o médico mandou-te alguma medicação?

− Mandou-me comprimidos para dormir. A falta de descanso prejudica o meu estado de saúde e a cada dia que passa sinto-me mais fraca.

− Então, o que vais fazer amanhã? Os outros não vão cair em qualquer desculpa. Para além disso, amanhã eu não tenho treino e posso acompanhar-te depois das aulas!

− Queres vir comigo ao meu treino? Perguntou surpresa.

− Sim! E também quero conhecer os Vaizards! A morena acalmou-se, aceitando aos poucos a realidade e a situação da Inoue.

− Obrigada Tatsuki-chan! É sempre bom contar com o apoio de alguém!

A ruiva abraçou a Tatsuki fortemente até desmaiar por cansaço nos braços da amiga. A morena levou-a para o quarto e colocou-a na cama, depois de a despir e colocar um dos seus pijamas.