Sempre Existe Uma Réstia De Esperança
10 O convite
Notas iniciais
Estava a anoitecer e a ruiva encontrava-se no estúdio da academia a ter aulas.
− Muito bem meninos! Agora vamos passar às vossas apresentações. Mostrem o que têm até agora! Falou o professor. – Não precisam de ficar nervosos, isto é apenas um ensaio! Acalmou os alunos ao ver as suas expressões de aflição. – Mesmo assim deem tudo de vocês! Ele não pedia, exigia, algo que os alunos já conseguiam identificar pelo olhar que ele sustentava diariamente.
− Desculpe professor, eu ainda não entendi porque vamos fazer esta apresentação? Nós estamos na academia há pouco tempo. Não é ao final de um ano que fazemos as apresentações? Perguntou uma das alunas.
− Como eu já tinha dito antes Matsuri. Vocês são especiais, talentosos! Apenas estamos a dar-vos oportunidade de serem “caçados” mais cedo.
− Não íamos começar os ensaios? Falou um rapaz com a cara fechada.
− E tu devias aprender a ter mais respeito pelos mais velhos! Agora, Matsuri, és a primeira!
No gabinete da diretora, uma reunião estava a ser finalizada, com ambas as partes bastante contentes.
− Espero vê-lo daqui a um mês! A diretora da academia estendia a mão para um senhor de fato e gravata bastante apresentável e agradável aos olhos das mulheres.
− Será um prazer ver os novos talentos! Retribuiu o gesto e apertou-lhe a mão com um sorriso cúmplice para a mulher à sua frente.
− Eu acompanho-o até à saída! Os dois adultos dirigiam-se para a saída principal do edifício quando ouviram música de uma das salas.
− Ainda há aulas a esta hora? Perguntou curioso.
− São os alunos que durante o dia estudam noutra escola. Eles têm as aulas a esta hora porque é a única oportunidade do dia! Quer ver? Esta turma é relativamente especial!
− Estou deveras curioso para ver quem está a dançar ao som desta música! O seu rosto apresentava um sorriso curioso e ansioso.
Quando chegaram ao estúdio onde decorria a aula, depararam-se com a entrada bloqueada pelos alunos e professor.
− Desculpem, poderiam dar passagem! A diretora pediu gentilmente.
Os alunos dificilmente desviaram a atenção da dançarina mas arredaram-se para dar passagem. O senhor de fato e gravata ficou ainda mais curioso ao ver as expressões de total admiração e adoração nos rostos dos demais. No entanto, assim que dirigiu o olhar para o mesmo sítio que os outros, compreendia a razão de tanta veneração pela dançarina. A dançar ao som de E.T. – Katy Perry, uma jovem de beleza extenuante, ruiva com grandes e lisos cabelos, curvas sinuosas e desejáveis tanto por homens como mulheres, pela clara, olhos cinzentos e rosto perfeito, mostrava uma graciosidade e elegância na dança nunca antes vista, e ao mesmo tempo era sedutora e selvagem.
− Um verdadeiro talento! Falou o homem que estava a acompanhar a diretora.
− Já a vi dançar algumas vezes e em todas elas não consigo evitar de sentir esta admiração. É como se ela nos puxasse para o mundo dela!
− Parece que vou caçar alguém mesmo antes da apresentação daqui a um mês!
− Pretende levá-la para alguma companhia? Estava surpresa. A ruiva estava apenas há pouco mais de cinco meses na academia e conseguir chamar a atenção de alguém tão cedo era inédito naquela academia e provavelmente em muitas outras escolas de dança do país.
− Esta rapariga não precisa disso para brilhar. Ela sozinha consegue pôr o mundo aos seus pés!
Esperaram que ela acabasse de mostrar a sua apresentação para falar com ela.
− Inoue Orihime! Chamou a diretora. – Vem comigo ao meu gabinete. Preciso que conheças uma pessoa! Falou com um sorriso. A ruiva simplesmente seguiu-a com uma face curiosa.
Chegaram em poucos minutos ao gabinete. Lá sentado estava o homem que conversou e acompanhou a diretora ao estúdio de dança. Havia vindo para o gabinete mais cedo a pedido da mesma.
− Este é o Sr. Oswald! Um caça talentos.
− Muito prazer, eu chamo-me Inoue Orihime!
− Muito prazer minha jovem! Eu estive a ver a tua dança há pouco e tomei uma decisão. Eu vou fazer de ti uma estrela de sucesso, com a minha ajuda é claro!
− Eu?! Falou confusa. – Porquê?
− Tu tens talento, garra, beleza! Tu és perfeita. Quando danças mostras um mundo diferente aos expetadores! Então aceitas?
− Posso falar consigo em privado? Olhou para a senhora mais velha a pedir permissão.
− Eu estarei lá fora! Disse e saiu, deixando os dois à vontade.
− Eu adorava aceitar, mas eu tenho alguns problemas! Respirou fundo. – Eu tenho apenas alguns anos de vida, no máximo talvez cinco anos!
− Como assim só cinco anos de vida?! Isso quer dizer que não devias estar aqui!
− Este é um dos meus sonhos! Eu adoro dançar e sempre quis ter aulas de dança. Até uma carreira, mas óbvio que com poucos anos de vida isso é impossível!
− Não é impossível! Falou sério. – Diz-me o que é exatamente a tua doença?
− Eu tenho uma doença rara, que aos poucos vai enfraquecendo o meu corpo até que ele deixe de funcionar por completo. Eu adorava aceitar mas duvido muito que haja alguém interessado numa dançarina como eu! Falou a última parte baixinho, mostrando a sua pouca autoestima, mas o Sr. Oswald ouviu.
− Para que saibas, quando tu danças, metes todos aos teus pés! Fazes as pessoas quererem aproximar-se de ti e receber esse brilho que transmites! Tu és um talento que raramente aparece. Ainda não te perguntas-te porque razão, depois de poucos meses está a ser convidada a ser uma bailarina de sucesso? É provável que esta seja a primeira vez que isto acontece nas escolas e academias de dança neste país! Alguém com um talento e beleza imensuráveis e ainda por cima muito jovem não se deve deixar escapar! Não importa se tens poucos anos de vida. Enquanto cá estiveres poderás fazer história no mundo da dança e ser uma inspiração para outras pessoas! Tais palavras encheram a ruiva de esperança. Agradava-lhe a ideia de poder realizar a maioria dos seus sonhos.
− Será egoísta da minha parte não aceitar esse convite? É que eu tenho outras coisas que pretendo fazer nestes anos que me restam!
− Óbvio que não é egoísta! No entanto, eu acho que tenho a solução perfeita! Assim que eu conseguir o teu primeiro espetáculo, irás fazê-los aos fins-de-semana! Os outros cinco dias serão teus para fazeres o que quiseres!
− Isso é possível?
− Claro que sim minha querida!
− Posso pedir-lhe um favor? Teve a confirmação quando o viu a acenar a cabeça. – Ninguém pode saber do meu verdadeiro nome! Apenas alguns dos meus amigos sabem a verdade e vai continuar assim até ao dia em que deixar este mundo. E para além disso, quando eu estiver a fazer as apresentações eu quero ter uma máscara no rosto!
− Não tem problemas nenhuns utilizar uma máscara. Em relação ao nome, podemos arranjar um nome artístico. Que tal Hime?
− O que o Sr. Oswald disser, estará bom para mim!
− Temos acordo então? A Inoue apenas assentiu com a cabeça. – Fica com o meu cartão. Amanhã falarei contigo!
− Sim! Obrigada Sr. Oswald por me dar esta oportunidade!
− Não deves agradecer minha querida! Tu és como um diamante raro e eu apenas estou a mostrá-lo ao mundo.
Depois de terem falado com a diretora, a ruiva foi-se despedir da turma e do professor. O Sr. Oswald simplesmente disse um “até depois” para a mulher mais velha e foi-se embora. A ruiva foi para casa com um sorriso de orelha a orelha e pronta para contar a novidade para a Tatsuki, o Ishida e o Sado.
A morena ficou orgulhosa da amiga e ofereceu-se para a acompanhar aos espetáculos, isto se o agente dela não se importasse. Os rapazes ficaram preocupados e sustentavam a mesma expressão que tinham quando a ruiva lhes contou sobre a sua doença. Apesar de estarem contentes com a felicidade da amiga, sabiam que este esforço apenas apressava o dia da sua morte. Pensar nisto era doloroso e a conversa de há pouco mais de cinco meses estava bem decorada e presente nas suas mentes.
“− Ishida-kun, Sado-kun, eu preciso que me ouçam! Esperou que eles se sentassem. – Há alguns meses fiz exames médicos… Eu estou a morrer!
− Morrer? Estás a brincar não é Inoue-san? O rapaz de óculos tentava encontrar um olhar brincalhão, um sorriso maroto, um tom de voz que revelasse tudo menos verdade, no entanto, apenas viu seriedade, determinação e sinceridade. Ao perceber isso, a sua expressão passou de séria para choque e tristeza.
− Porquê é que não nos contaste mais cedo? Perguntou o Sado. O mesmo, apesar de não mostrar muito as suas emoções, estava num tumulto de emoções no momento, e a maior parte era pura tristeza e angústia.
− Eu não fazia intenção de contar para ninguém! Para além de vocês, apenas a Tatsuki e os Vaizards sabem!
− Quer dizer que o Ichigo não sabe? O Ishida estava confuso e sem esperar a resposta dela simplesmente perguntou. – Porquê?
− Eu não tenho o direito de lhe estragar a felicidade!
− O que queres dizer com isso? Desta vez era o Sado que se encontrava confuso.
− Eu tenho a certeza que vocês sabem! Eu gosto do Ichigo já alguns anos. No entanto, há alguns meses percebi que não valia a pena lutar por um amor impossível. Estava no parque quando o vi com a Kuchiki-san. Vi lágrimas, um beijo e uma promessa! Se eu lhe contasse, provavelmente iria contar-lhe sobre os meus sentimentos e…
− Nós entendemos! Interrompeu-a. – Mas eu vou matar aquele maldito! Falou furioso e fechando os punhos contendo a sua raiva. – Eu havia feito uma promessa para mim mesmo que te protegeria dele a qualquer custo, mesmo assim…
− Acalma-te Ishida! Os dois sabemos que o Ichigo é um completo idiota e um tapado! O Sado interveio antes que o amigo corresse até à clinica Kurosaki e batesse no Ichigo.
− Não precisas de ficar assim Ishida-kun! Eu já me conformei há muito tempo, até já fiz os meus planos para o que vou fazer nos próximos anos! Falou entusiasmada. – Querem ver?
Os rapazes simplesmente não sabiam o que dizer ou como agir perante aquela situação. A melhor amiga deles ia deixar este mundo em breve, e no entanto ela continuou a mostrar o seu mais belo sorriso. Choravam por dentro, pois nunca na vida iriam mostrar as suas lágrimas. A fim de mostrarem o apoio que a ruiva merecia, deram um pequeno sorriso e responderam que sim.”
Notas finais
NOTA: No próximo episódio a Ran-chan irá aparecer! E o Byakuya-sama aparecerá brevemente.
Beijos para:
Miss-chan;
Hime-chan;
Klotus-chan;
Lila-chan;
Baai-chan;
Jessy-chan;
Naai-chan;
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