Sempre Existe Uma Réstia De Esperança
22 O reencontro
Notas iniciais
Numa loja bastante peculiar, na cidade de Karakura estavam reunidos os protetores da cidade. Ishida, Sado, Ichigo, Rukia e o Renji.
− Passa-se alguma coisa Urahara-san? Falou o Quincy com o seu tique bastante conhecido. Ajeitar os seus óculos.
− Não se preocupem! Apenas estamos à espera de uns convidados especiais! Escondeu o rosto por detrás do leque.
− Convidados? Interrogou o Ichigo, já um pouco irritado. – Chamaste-nos aqui só para receber alguém? Poderia estar a fazer coisas bem melhores, em vez de estar aqui à espera de sei lá quem! A última frase foi mais um sussurro, mas os outros ouviram ainda assim.
− Espero que não estejas a referir-te a coisas nada indecentes com a minha irmã! Falou alguém à entrada da porta.
− Bom dia Capitão Kuchiki! Cumprimentou o lojista, que apenas recebeu um aceno de cabeça do Capitão.
− Bom dia Byakuya-bo! Falou a Deusa do Relâmpago, irritando o Kuchiki.
− Byakuya! Aconteceu alguma coisa para estares aqui na cidade? Perguntou o ruivo.
O Capitão não disse nada, apenas deu uns passos para o lado e deixou que outra pessoa entrasse na loja.
− Bom dia pessoal! Uma voz sedosa e gentil, que fez saudades a muitos corações da cidade de Karakura, foi ouvida dentro da loja, provocando três pares de olhos abrirem-se em total surpresa e choque. Ali, vestida com um uniforme de shinigami estava a antiga Deusa da escola de Karakura. Inoue Orihime. A sua beleza parecia estar ainda maior. O seu cabelo estava num rabo-de-cavalo e chegava até ao rabo. Curvas ainda mais sinuosas do que antes e uma postura elegante e graciosa que transmitia nobreza por todos os poros do seu corpo.
− Orihime! O Ishida foi o primeiro a sair do choque e levantou-se rapidamente para abraçar fortemente. De seguida foi o Sado, que mesmo sem dizer nada, conseguia transmitir à ruiva o que sentia.
− Peço desculpa por não ter vindo mais cedo! Muita coisa a fazer antes de vos visitar! A sua voz para além de conter a mesma doçura de sempre, carregava uma grande dose de confiança e maturidade, algo que surpreendeu os amigos, afinal apenas tinha passado um ano desde que ela os havia deixado.
− Nós sabíamos que mais cedo ou mais tarde irias aparecer por cá! Retorquiu o Sado.
− Acham que eu me esqueceria dos meus irmãos? Deu-lhes um sorriso encantador. O sorriso brilhante que fazia falta nas suas vidas diárias. Os dois rapazes perceberam algo fora do normal e olharam para a mesa onde estavam sentados anteriormente. Só então perceberam que o ruivo, não se tinha pronunciado e nem se movido para lhe dar um abraço. A Rukia ao ver os olhares dirigidos ao seu namorado, decidiu agir autoritária como sempre. Deu-lhe um murro na cabeça.
− Para que foi isso Rukia? Gritou a massagear a cabeça.
− Não cumprimentas a Orihime idiota?
− Eu não falo com aqueles que são estranhos para mim!
Tal resposta deixou todos os que estavam presentes, chocados. Nunca pensaram que o ruivo fosse falar tal coisa da mulher que salvou do Hueco Mundo depois de ter sido acusada de traição pela Soul Society.
− O que estás a dizer Kurosaki? O Quincy foi o primeiro a recuperar-se do choque. – Depois de um ano é assim que tratas os teus amigos? Falou furioso com o substituto de shinigami.
− Eu já disse! Eu não falo com estra…
− Aconselho-te a não terminar essa frase! Uma voz que pensavam morta, falou à entrada da loja.
− Grimmjow? Disse o ruivo surpreso. – Como é que é possível? Tu devias ter sido morto há um ano atrás quando a In… Lançou um olhar de fúria sobre a Inoue. – Foste tu, não foste? Parece que agora também te dás pelo título de traidora!
Ficaram mais chocados ainda. Até a própria Rukia estava estupefacta. O Byakuya e o Grimmjow já se estavam a preparar para ensinar uma lição ao ruivo pelas suas ofensas, mas foram impedidos pela ruiva.
− Não façam nada! Falou numa voz séria, fria e autoritária. Até a sua expressão era diferente. Os seus olhos mostravam uma calma e determinação que a tornavam assustadora.
− Nee-sama! Falou a Rukia, surpreendendo os demais, à exceção do irmão e da pantera azul, pela formalidade e nervosismo na voz. Alguns até notavam um certo grau de receio e medo. – Por favor, não leves as palavras dele a sério, ele está apenas a brincar! Tentou livrar o namorado da morte certa.
Desde que ela entrou para a escola de shinigamis e se formou, um lado completamente diferente foi presenciado por todos na seireitei. Uma pessoa que podia ser tão assustadora quando a Capitã Unohana, que podia utilizar expressões iguais ou melhores que o seu irmão, que podia ser tão mortífera quanto a zampaktou da Capitã Soi Fong. Isto e muito mais. Esta mulher era um demónio no corpo de um anjo, e quando a punham num estado alterado, as coisas nunca corriam bem e havia sempre um shinigami que acabava na enfermaria por um mês.
− Não te intrometas Imoto! Ao ouvir tal referência um arrepio subiu-lhe pelas costas. O medo aumentou e notava-se a aflição no seu rosto. – O rapaz precisa de um corretivo pelos seus maneirismos!
O Urahara e a Yoruichi estavam com um sorriso conhecedor na cara. O Renji abanava a cabeça pela estupidez do Ichigo, a Rukia tremia de medo pelo que pudesse acontecer de agora em diante, o Byakuya estava na sua calma normal, mas por dentro sentia-se orgulhoso da sua hime, o Grimmjow tinha um sorriso que dizia, “Estás tão morto!”, o Ishida e o Sado nem tinham palavras para descrever a situação e a amiga que se apresentava totalmente diferente, e o Ichigo estava com a boca aberta para as palavras que saíram da boca dela.
O ruivo levantou-se finalmente, e com uma expressão furiosa e indignada falou para a Inoue.
− Quem tu pensas que és para falar assim à minha namorada? Uma traidora como tu não merece o respeito dela! A sua reiatsu estava a começar a subir e levou a mão até ao punho da sua zampakatou.
− Se pensas em apontar essa espada para a Orihime, vais ter de passar por cima de mim primeiro! Falaram o Byakuya e o grimmjow ao mesmo tempo com a zampaktou desembainhada e apontada à garganta do ruivo.
− Eu já vos venci uma vez, acham que não o faria outra vez? Falou de maneira convencida. A Rukia que apenas observava o desenrolar da discussão, sentia-se tão assustada que nem conseguia achar palavras para os parar.
− Se tu queres resolver as coisas pela espada, então sugiro que utilizemos outro local! Olhou para o lojista com um sorriso na cara. Ninguém diria que era a pessoa séria e fria de há poucos segundos. – Kisuke-san, poderias emprestar a cave?
− Mas é claro! Tudo pela nossa querida Hime!
Ela foi a primeira a seguir o Urahara e a Yoruichi, o Byakuya e o Grimmjow logo atrás. Os restantes seguiam-nos curiosos para ver o combate e uma receosa pela vida do namorado.
− Nee-sama! A Rukia tentou acalmá-la de novo assim que estavam na cave da loja. – Por favor! Eu não quero que aconteça o pior! Quem a ouvia a falar, estava surpreso por ver a bela e forte princesa Kuchiki tremer e falar de maneira tão assustada.
− Rukia-chan! Falou suavemente. – Eu nunca ultrapassaria dos limites com o Ichigo. Ele é um dos meus preciosos amigos! O seu tom brincalhão era o suficiente para aliviar o medo da pequena shinigami. – Apesar de estar a precisar de um bom corretivo! Ao ouvir a última frase, ela sabia que o Ichigo iria ficar pelo menos um mês de cama.
− Hime! Já está tudo pronto para o vosso combate! Afirmou o Urahara a sorrir. Estava desejoso para ver o combate e a Inoue em ação.
− Obrigada Kisuke-san! Olhou para os demais. – Aconselho-vos a afastarem-se! Poderão não aguentar a pressão!
Sem mais nenhuma palavra seguiu para a área de combate e colocou-se a uma distância segura do ruivo.
− Diz-me Ichigo!
− Não me chames pelo meu primeiro nome! Interrompeu-a furiosamente, lançando-se contra ela e apanhando-a desprevenida.
Num movimento quase invisível, a Inoue retirou a sua zampakatou da bainha e bloqueou o ataque dirigido a si. O embate entre espadas causou uma onda de choque com alguma intensidade, provocando algum pó ao redor dos dois. Assim que a poeira assentou, os que estavam a ver ficaram surpreendidos com a visão à sua frente. O Ichigo estava a lutar com toda a sua força para tentar empurrar a ruiva para trás. Ela nem se mexia um milímetro. A sua expressão era calma, como se não estivesse a fazer força nenhuma.
− Como queiras Kurosaki Ichigo! Diz-me, porque me odeias tanto?
− Porque escondeste tudo de mim quando estavas a morrer! Porque confiaste nos outros e nem te importaste com aquele que te salvou inúmeras vezes!
− Eu já te tinha dito a razão! Mas parece que te deixaste mergulhar na raiva que sentias contra mim! Preferias viver infeliz e sem cumprir a tua promessa à Rukia-chan? Ele deu um salto para trás e encarou-a chocado.
− Como sabes disso? Lançou um Getsuga Tenshou.
− Eu vi-vos no parque! Apareceu atrás dele utilizando o shumpo e encostou a espada ao seu pescoço. – Achas que eu iria destruir a tua relação com ela? Achas que eu queria viver os meus últimos anos com um coração cheio de culpa? Se te tivesse contado tudo, até os meus sentimentos, irias ficar quieto e ver-me morrer sem ao menos ter a oportunidade de amar?
− Como? Perguntou surpreso ao ver o poder da amiga.
− Treinei, é óbvio! Agora diz-me, achas que as tuas razões são suficientes para me chamares de traidora e acabares com a nossa amizade? Eu não sei se percebeste, tu és o meu futuro cunhado e eu não estou desposta a viver os meus dias na Soul Society a discutir contigo. Bastaram-me os dias que aqui passei, na solidão, a sofrer sozinha!
− E o Grimmjow? Como pudeste dar vida a um arrancar?
− Ele não é um arrancar! Eu transformei-o num shinigami há um ano atrás! Todos merecem uma segunda chance! Desapareceu e voltou a aparecer no local onde estava há pouco.
− Eu não te entendo! Ele tentou matar-te várias vezes, e mesmo assim deste-lhe vida! Colocou a Zangetsu à sua frente e gritou. – Bankai!
− Oh! Vais utilizar a Bankai?! Estás assim tão furioso comigo? E eu a pensar que eras meu amigo! A deceção era visível na sua voz. – Parece que vou ter de aumentar o nível também! Respirou fundo e depois sussurrou. – Brilha na escuridão, Rikka!
A reiatsu libertada foi imensa e o Ichigo sentiu-se a sufocar debaixo de tanto poder, mas conseguiu manter-se direito. Os restantes olhavam admirados para a zampakutou da ruiva. Em tons de dourados e azuis, com duas flores semelhantes às suas antigas presilhas alongadas pelo punho, ao longo da lâmina um par de asas apresentava-se cravado no metal, brancas como neve enquanto o restante da lâmina apresentava um leve dourado, que se via bem à luz do sol.
O Ichigo, que também admirou a espada dela por um momento, focou-se no seu objetivo e lançou-se outra vez contra ela. Normalmente, ninguém conseguiria ultrapassar a velocidade do seu Bankai, mas para a sua surpresa, a ruiva simplesmente bloqueou sem sequer lhe dirigir o olhar.
− Vais mesmo tentar matar-me? Mesmo quando eu mereço uma segunda chance? Mesmo quando eu merecia ser feliz e não queria estragar a felicidade de ninguém. Mesmo que eu tenha dado uma nova vida à pantera azul do Hueco Mundo? Mesmo quando tu merecias uma oportunidade para viver uma vida normal quando eras tudo menos normal? Essa raiva não te faz bem!
− Tu não fazes ideia do quanto me magoaste com os teus segredos! Retorquiu o Ichigo.
− Tu magoaste me mais! Imagina o que é ver a pessoa que tu gostas há alguns anos oferecer o seu coração a outra. Imagina o que é sentires-te sozinha e não teres ninguém para te dar um abraço. Imagina o que é tu descobrires que vais morrer em pouco tempo quando não tens felicidade alguma na vida! O ruivo ficou em silêncio e apenas ouviu. – Durante esse tempo eu tive uma segunda chance, e apenas fiz o mesmo pelo Grimmjow. De uma vida sem sentido no Hueco Mundo, passou a ter uma vida cheia na Soul Society! Eu não cedi o meu coração às trevas e desde que fui para a Soul Society consegui o que sempre quis enquanto humana. Uma segunda chance!
O Ichigo afastou-se dela e voltou para o lugar onde estava antes. Baixou a sua zampakatou e desativou a Bankai. Encarou-a com um olhar de arrependimento e envergonhado pelo que fizera e dissera.
− Desculpa! Foi mais um sussurro, mas ainda assim a ruiva consegui ouvir. – Eu estava cego com a minha raiva e ofendi-te… muito!
− Ichigo! Falou enquanto desativava a shikai e punha a espada na bainha. Aproximou-se dele devagar. Os que observavam saíram do seu esconderijo e foram ter com eles. – Eu também tenho de pedir desculpa por não te contar! Deu-lhe um sorriso.
− Desculpas aceites! Falou voltando a ser o mesmo Ichigo de sempre.
− Ótimo! Assim já não te tenho de dar o corretivo! Tal comentário deixou o ruivo assustado.
− Hime-chan! Não digas isso, vais assustar o Ichigo! Comentou a Rukia.
− Acho que já é tarde demais! Gozou a Yoruichi ao ver a cara do ruivo.
Já numa sala na parte de cima da loja, estavam reunidos os shinigamis e os humanos a beber um chá, apesar de haver ainda alguma tensão no ar. Principalmente entre o Ichigo e o Grimmjow.
− Orihime! Chamou o Ichigo.
− O que foi?
− Como foi que ficaste tão forte? Todos os outros olhares caíram sobre ela, também curiosos.
− Quando eu fui para a Soul Society, o comandante adotou-me como sua filha! E como é óbvio, ele treinou-me!
Os três humanos não estavam a acreditar no que ouviam. O velho autoritário que comandava a Seireitei adotou um shinigami e treinou-o. Sim, realmente era difícil de acreditar.
− A Hime-chan é o orgulho do comandante, e os anciões do clã Kuchiki renderam-se aos pés dela quando souberam que se ia casar com o Nii-sama! Notava-se o orgulho na voz da princesa Kuchiki.
− Eu lembro-me de ver a cara deles quando estavam a fazer os preparativos para o casamento! Todos sorridentes. E quando tu passavas por eles e lhes sorrias, eles ficavam ainda mais felizes! A Yoruichi colocou-se a rir ao lembrar-se desses eventos. Havia sido madrinha de casamento, ao lado de Urahara que ia como padrinho.
− Então vocês sempre se casaram! Disse o Quincy. – Eu sabia que isso acabaria por acontecer. Mas eu não entendo uma coisa. Normalmente quando morremos e vamos para a Soul Society, perdemos a maioria das memórias. Como é que tu te lembras de nós?
− Antes de morrer, eu pedi aos meus poderes para criar uma barreira há volta das minhas memórias. Quando eu lá cheguei a barreira desapareceu e as minhas memórias ficaram intactas!
− E quando é que vocês os dois estão a pensar em ter filhos? Como sempre, a gata negra tinha de fazer um comentário desnecessário e na hora errada.
− Nós temos trabalhado nisso todas as noites! Os que estavam com a chávena de chá na boca engasgaram-se. Alguns ficaram vermelhos. A Inoue e a Yoruichi simplesmente riam-se da cara que os outros fizeram. – Parece que até conseguimos pôr o Kisuke-san e o Grimmjow vermelhos, não é Yo-chan!
O resto do dia continuou assim. Conversas e risadas. Os amigos voltavam-se a conhecer e laços voltavam a se formar. Era de noite quando o casal e o Grimmjow decidiram voltar para a Soul Society. O Grimmjow foi na frente e o Capitão e a Orihime deixaram-se estar cá atrás a conversar.
− Estás feliz Orihime?
− Claro que estou Bya-kun! Pude finalmente ver os meus amigos outra vez!
− Ainda bem! Abaixou-se um pouco até chegar ao ouvido dela. – Porque hoje à noite quero fazer te ainda mais feliz! Sussurrou sedutoramente.
A ruiva simplesmente ficou um pouco corada e sorriu-lhe. Estava ansiosa pela noite de prazer que viria.
Fim
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