Sempre Em Minha Vida
22 Capítulo 22 — Restaurando o Amor
Rosalie abriu a porta de casa com Joshua ao seu lado, muito animado, mesmo após voltarem do restaurante. O menino foi o primeiro a entrar, correndo pela sala, fazendo barulho. Emmett veio logo depois de Rosalie.
— Josh, vá escovar os dentes. E não se esqueça de vestir o pijama.
— Poso usar o ipad depois? — parou, olhando a mãe em expectativa.
— Pode, mas só um pouquinho. Lembre-se que temos a hora da leitura.
— Tá bom — respondeu, imediatamente saiu da sala correndo.
Rosalie deixou as chaves no aparador. Emmett fez o mesmo ao deixar ali a chave do carro. Suas mãos chegaram se tocar no caminho.
— Obrigado por ter aceitado o convite para jantar conosco.
Ela meneou a cabeça sutilmente.
— Joshua estava radiante — continuou ele.
— A felicidade de meu filho é que mais importa. — Deu alguns passos se distanciando.
Emmett agiu por impulso ao segurar seu braço. Rosalie virou o rosto para olhar para ele.
— Eu também gostei muito — admitiu para ela.
— Foi agradável — recordou Rosalie. O olhar foi direcionado a mão dele em seu braço. Emmett imediatamente a soltou. — Pode conferir se Josh escovou os dentes? Vou só me trocar, já encontro vocês de novo.
Seguiram pelo corredor, Emmett apenas um passo atrás dela. Rosalie entrou no quarto e fechou a porta devagar. Ele a observou, se condenando por todas as atitudes impulsivas nas últimas semanas. Chegou mais perto da porta, ergueu a mão na altura da maçaneta, desejando poder entrar. Aguardou um instante, antes de mover a mão como fosse bater para chamar atenção.
A porta do banheiro abriu a poucos metros de onde estava, em seguida, Joshua apareceu no corredor.
— Onde está a mamãe?
Emmett se afastou da porta do quarto dela.
— Acho que foi vestir o pijama — disse. — E você, já escovou os dentes? — Pôs a mão no ombro do menino.
— Acabei de escovar.
— Deixe papai ver.
Joshua soprou o hálito de creme dental provando dizer à verdade.
— Muito bem! Agora vá vestir o pijama.
— Aonde vai?
— Vou ao banheiro. Encontro você em alguns minutos.
Joshua seguiu pelo corredor até o próprio quarto. Porém, em vez de vestir o pijama, pegou o ipad na escrivaninha, e o ligou. Foi deitar na cama com o ipad nas mãos. A pelúcia de dinossauro estava bem ao seu lado. Encontrou o joguinho favorito, esquecendo completamente o que tinha de fazer.
A porta aberta do banheiro fez Rosalie pensar que estava desocupado. Ao entrar encontrou Emmett escovando os dentes diante o espelho. Recuou um passo se desculpando.
— Desculpe, eu pensei… — Mostrou a porta aberta. — Volto depois…
Emmett terminou enxugando as mãos na tolha. Virou-se de frente para ela.
— Está tudo bem, Rose. Já terminei aqui. Você pode ficar à vontade.
Chegou para o lado quando ele se moveu a caminho da porta. Os batimentos cardíacos aceleram, a respiração ficou pesada. Emmett estava parado em sua frente, conectados por uma troca de olhar que perturbava os sentidos.
Emmett ergueu a mão, movendo uma mecha de seus cabelos louros para detrás da orelha.
— Desculpe — murmurou. — Me perdoe. — Recolheu a mão, desapontado consigo mesmo. Deixando o banheiro de cabeça baixa.
Num gesto automático, Rosalie encostou a mão à mecha de cabelos que ele tocou. Fechou os olhos relembrando o toque recente.
— Ei, carinha — disse Emmett ao encontrar Joshua na cama jogando no ipad. — Por que não vestiu o pijama ainda?
— Esqueci.
— Esqueceu é?! — Se movimentou pelo quarto atrás do pijama do menino. — Com licença — pediu, encostando a mão no ipad, antes de pegá-lo.
— Papai, não — Joshua esticou os braços tentando recuperar o ipad.
— Vista o pijama antes que sua mãe fique irritada com nós dois.
Joshua suspirou, contrariado. Ainda assim, pegou o pijama com o pai e começou se trocar.
— Papai.
— Oi, filho?
— Foi muito legal hoje, não foi?
— Foi sim. — Ajudou Joshua passar o braço pela manga do pijama.
— Mamãe também parecia feliz — emendou Joshua. Vestiu a parte de baixo do pijama. E sentou no colchão com um pulo.
— Está falando da mamãe? — Rosalie tentou descobrir ao chegar à porta, na metade da conversa.
Joshua olhou o pai, que deixou o ipad na mesinha de estudos, movendo os lábios silenciosamente para dizer que quase foram pegos.
— Estava falando com meu pai que você parecia feliz no restaurante com a gente.
Rosalie entrou no quarto.
— Estou sempre feliz quando estou com você — declarou a Joshua, se curvando para beijar sua cabeça.
— Estou falando de estarmos os três juntos. Você, papai e eu. Você gostou?
Ela sentou na beirada da cama, de costas para Emmett.
— Sim.
— Por que não deixa o papai dormir no seu quarto? O colchão pode ser desconfortável para ele.
— Vamos continuar a leitura de onde paramos na última vez?
— Papai e eu lemos mais um pouco no fim de semana.
— Tudo bem, continuamos de onde o seu pai parou.
Emmett pegou o livro, entregando na mão dela.
— Obrigada — agradeceu, imediatamente buscou onde estava o marcador de páginas.
— Mamãe.
— Não, Josh.
Joshua ficou desapontado.
— Não é hora para isso, okay.
Ele virou para o outro lado, puxando o cobertor até o peito.
Rosalie tocou sua perna.
— Ei, vai ficar com raiva de mim agora?
— Mamãe — lamentou o menino.
— Tudo bem, então. Vou deixar seu pai lendo com você — repousou o livro no colchão.
Joshua levantou o tronco, segurando seu braço de repente.
— Meu pai vai lê, e você fica aqui pertinho de mim.
Emmett pegou de volta o livro, sentando-se na outra extremidade da cama, os pés sobre o colchão onde dormiria.
Joshua aguardou o pai iniciar a leitura, para voltar deitar a cabeça no travesseiro.
Joshua cochilava, quando Rosalie sentiu um mal-estar. Descansou a mão sobre a mão de Emmett um segundo depois.
— Termine sem mim — murmurou.
Emmett parou a leitura, olhando em seu rosto.
— Você… — Olhou Joshua cochilando. — Você está bem?
Rosalie fechou os olhos um instante.
— Só preciso descansar um pouco.
Emmett ficou olhando ela deixar o quarto, reparando nos movimentos lentos. Continuou lendo para Joshua, mesmo com os pensamentos nela. Não muito tempo depois, ouviu barulho de portas sendo abertas. Acreditou que Joshua estava em um sono pesado, deixou o livro aos seus pés para olhar no corredor.
Notou a porta do quarto de Rosalie aberta. Ouviu ruídos, a porta do banheiro entreaberta e a luz acesa lá dentro.
Apressou-se até lá, terminou de abrir a porta no impulso. Encontrou Rosalie com joelhos no chão, debruçada na privada, vomitando todo o jantar.
— Rose — chamou seu nome, apressando-se em ficar ao seu lado. Ela não olhou em seu rosto. Emmett juntou seus cabelos e ficou segurando. — O que… — se viu falando.
Ela apenas moveu a mão como quisesse dizer que não tinha condições de falar. Outra ânsia recomeçando.
— Mamãe — Joshua se assustou ao encontrá-la daquela maneira, no chão do banheiro, diante a privada. — Mamãe.
— Josh — Rosalie se esforçou em falar.
O menino entrou no banheiro.
— Mamãe. — Pôs a mão pequena em seu ombro.
— Leve ele daqui — Rosalie pediu, quase chorando.
— Volte para o quarto, Josh — Emmett pediu que fizesse.
— O que a mamãe tem?
— Volte para o seu quarto, Joshua — ordenou num tom mais firme.
Joshua saiu para o corredor.
— O que a mamãe tem? Papai?
— Está tudo bem, vida — se esforçou em dizer. Emmett soprou sua nuca. Ela ouviu o choro de Joshua no corredor. Segurou-se ao braço de Emmett em um momento de pausa daquela agonia. — Vá ficar com ele.
Joshua voltou espiar na porta do banheiro.
— Não vou deixar você sozinha.
A agonia recomeçou. Emmett permaneceu ao seu lado até que teve um fim.
Joshua permaneceu espiando na porta, com o rosto cheio de lágrimas.
Emmett a ajudou levantar, permanecendo ao seu lado pelo tempo que levou para escovar os dentes e lavar o rosto. Sem pedir permissão, ele a pegou no colo e a carregou para fora do banheiro.
Joshua os seguiu de perto.
— O que a mamãe tem?
— Não se preocupe, vai ficar tudo bem — Emmett falou para ele. A levou para a cama. Ajeitou o travesseiro embaixo de sua cabeça, acariciou o rosto pálido.
— Mamãe — Joshua soluçou.
— O deixe vir até aqui — pediu a Emmett, que abriu caminho para o filho.
Joshua se aproximou assustado. Subiu na cama, abraçando a mãe.
Rosalie afagou seus cabelos.
— Fique calmo, vida. Mamãe está bem.
— Não está, não — Joshua insistiu. — Você vomitou um monte. Nunca vi nada igual.
— Josh, deixe sua mãe respirar um pouco.
— Você pode ficar do lado da mamãe — Rosalie sugeriu. — Não precisa ir para seu quarto agora.
— Há algo que eu possa fazer por você? — pediu Emmett.
— Se puder me trazer um pouco de água para beber.
Emmett saiu e voltou logo em seguida com um copo de água. Ajudou, segurando o copo na mão trêmula de Rosalie.
— Vou ficar aqui essa noite, ainda que seja no chão.
A mão dela tocou a sua.
— Não precisa ser no chão.
Joshua prestou atenção a cada gesto e palavra que diziam, ao lado da mãe, uma mão descansando na barriga dela.
Emmett se acomodou ao lado deles. Passou o braço sobre o travesseiro de Rosalie, usando a mão livre para acariciar seu rosto.
— Não entendo… — sussurrou, preocupado. — Quer que eu a leve a emergência?
— Não é necessário.
Levou um tempo até Joshua estar novamente dormindo.
Emmett acariciou os cabelos de Rosalie.
— Se sente melhor?
Ela moveu a cabeça lentamente ao confirmar.
— Não deveria ter ido jantar fora.
— Por quê?
— Fui com Alice ontem a noite comer em uma lanchonete… passei muito mal depois disso. Eu deveria saber que não estava bem para me aventurar comer fora outra vez.
— Foi ao médico?
— Não achei que fosse necessário.
— Rose.
— Eu sei. Vou marcar um horário.
Emmett beijou sua testa. Ela fechou os olhos, aceitando o gesto de carinho.
— Quer que eu leve Joshua para a cama dele agora?
— Não precisa. Quero que fique aqui essa noite. Senti saudade do cheirinho dele, enquanto esteve longe de mim.
— Tente dormir um pouco. Se precisar, estarei aqui.
— Obrigada — murmurou.
Emmett beijou novamente sua testa. E passou a mão nos cabelos de Joshua.
— Ele ficou mesmo assustado.
— Não queria que tivesse me visto daquele jeito — lamentou Rosalie. — Nem mesmo você.
Emmett puxou o cobertor encobrindo aos dois. Permaneceu ao lado deles por toda a noite. De tempos em tempos, acordava para ver como estava Rosalie.
[…]
Ele estava acordado, quando Joshua despertou, com olhos sonolentos, tentando entender o que aconteceu antes de pegar no sono.
Emmett aguardou para o que iria dizer.
O menino sentou, olhou a mãe dormindo.
Emmett tocou seu braço.
— Ei — disse.
Joshua olhou em seu rosto.
— Mamãe está dormindo?
— Sim, ela está dormindo.
O menino pareceu aliviado. Olhou novamente a mãe. Como se lembrasse de algo se voltou para o pai com um sorriso se formando nos lábios.
— O que foi?
— Você dormiu com a gente?
Emmett sorriu de volta.
— Sim.
— A noite toda?
— Todinha.
— Mamãe não pediu para você ir para meu quarto dormir no colchão?
— Não.
— Maneiro! Você e a mamãe são namorados de novo?
— Se depender de mim.
— Como assim?
— Quero que fiquemos os três juntos como uma família. Mas não basta somente eu querer. Sua mãe tem de querer também.
O olhar de Joshua foi para a mãe adormecida.
— Eu acho que a mamãe quer.
— Bom, ela precisa sinalizar.
— Dizer que aceita ser sua namorada outra vez?
Emmett afagou suas costas.
— Isso mesmo.
— E se ela não fizer isso, vocês nunca mais serão namorados?
— Não vamos pensar nisso agora.
Joshua concordou.
— A mamãe precisa acordar para preparar meu café e lanche da escola.
— Tudo bem se o papai fizer isso, dessa vez? Vamos deixar sua mãe dormir mais um pouco. Ela teve uma noite difícil.
— Legal! — Joshua ficou de pé no colchão, chegou perto da beirada e pulou no chão. O contrário de Emmett que se retirou com o máximo de cuidado.
— Não vamos fazer barulho, certo? — orientou ao menino.
Entraram juntos no banheiro para escovar os dentes. Joshua em cima da escadinha para se olhar no espelho. Foram ao quarto de Joshua e Emmett o ajudou se trocar. Penteou os cabelos do filho, e também os seus.
Na cozinha, Joshua ficou na banqueta olhando o pai fazer panquecas e ovos mexidos, após retirar o pão da torradeira. Também preparou o sanduíche para o lanche da escola, acrescentou iogurte, uvas e mirtilos à lancheira.
— Quer mais alguma coisa, filho? — pediu a aprovação do menino.
— Está bom assim.
— Tem certeza? Eu posso acrescentar uma caixinha de suco.
— Não precisa.
— Josh — ouviram Rosalie chamando. — Josh, estamos atrasados, vida. Onde você está?
— Na cozinha.
— Estamos atrasados — tornou se queixar chegando à entrada da cozinha. — Parou ao encontrar Joshua tomando café da manhã, vestido para ir à escola. Emmett de pé do outro lado da ilha, fechando a lancheira. — O que eu perdi?
— Papai disse para deixar você dormir mais um pouco.
O olhar dela foi direcionado a Emmett.
— Como se sente? — ele pediu.
Rosalie se aproximou, parando logo atrás de Joshua. Pôs a mão na cabeça do menino fazendo um carinho.
— Melhor — confirmou. — Obrigada por cuidar de Josh.
— Não tem que me agradecer por isso.
— Já conferiu a mochila? — ela perguntou ao menino.
— Sim, papai me ajudou.
— Que ótimo!
Rosalie se movimentou pela cozinha, parando diante a geladeira onde pegou a caixa de suco de maracujá.
— Preparei torradas para você — Emmett lembrou. Pegou uma torrada, passou geleia de uva e entregou na mão dela.
— Obrigada. — Rosalie mordeu a torrada, antes de puxar a banqueta e sentar ao lado de Joshua.
Emmett serviu seu copo com o suco de maracujá.
— Obrigada.
— Você vai com o papai me levar na escola hoje? — Joshua parou com o copo de leite na mão. A mãe usou o guardanapo para limpar o bigodinho branco em seus lábios.
— A mamãe tem que trabalhar. Seu pai vai embora assim que deixar você na escola, preciso estar com meu carro para te buscar mais tarde.
Joshua não questionou, embora tenha ficado desapontado.
Emmett prestou atenção aos dois.
Rosalie terminou e foi se trocar para o trabalho.
Antes de Joshua entrar no carro alugado pelo pai, Rosalie se despediu dele. Emmett fechou a porta depois de Joshua se acomodar, então, foi se despedir também.
— Tem certeza que está bem para trabalhar?
— Estou bem, não se preocupe.
— Posso adiar meu retorno para Nova Iorque…
— Não é necessário.
— Vai me ligar se precisar de ajuda?
— Pode ir tranquilo.
— Eu realmente quero que faça isso, Rose.
— Eu sei.
Ambos ficaram em silêncio por um tempo. Joshua olhava os dois de dentro do carro.
— Estou pensando em um jeito de ficar mais tempo perto de vocês. Fica cada dia mais difícil ter de me despedir.
Rosalie sustentou seu olhar. O coração cheio de esperança de um futuro juntos.
— Posso te dar um abraço? — ele pediu.
Rosalie aguardou. O coração aumentando o ritmo das batidas antevendo o contato físico. O cheiro.
Emmett chegou mais perto. Passou os braços ao redor de sua cintura aproximando seus corpos sem pressa. Ambos gostando de sentir de perto o perfume do outro. A sensação maravilhosa de estar junto.
Ele ergueu as mãos até estarem no rosto de Rosalie, gentilmente movendo o polegar com uma carícia, alimentando o desejo de provar dos lábios dela mais uma vez. Chegou roçar os lábios ao dela, mas ela recuou. Sentiu faltar um pedaço seu a cada passo recuado por Rosalie.
— Se cuida — pediu.
Rosalie anuiu, afastando uma mecha de cabelos para longe dos olhos.
Joshua ainda olhava a mãe, mesmo depois de o pai ter entrado no carro. Ela beijou a palma da mão e lhe soprou. O menino fingiu capturar o beijo e colocá-lo na bochecha.
[…]
Joshua saiu do carro na frente da escola. Os ombros curvados demonstrando toda sua tristeza com a despedida do pai.
— Não queria que tivesse de ir — lamentou.
— Eu vou, mas volto.
— Vai ser sempre assim? Você fica um pouquinho e vai embora? Vai sempre deixar a gente?
— Vou encontrar um jeito de ficar mais tempo, eu prometo.
— Você e mamãe têm de ficar juntos.
Emmett afagou seu rosto.
— Você faz um favor ao papai?
— O quê? — pediu cabisbaixo.
— Qualquer coisa que acontecer, seja com você ou com sua mãe, vai me avisar? Ainda que ela diga para não fazer isso.
— Prometo.
— Não fique triste filho. Os dias passam rápido. Quando piscar, estaremos juntos outra vez.
— Não gosto que seja assim.
Emmett afagou seus cabelos louros.
— Eu também, não. Agora vá! Você precisa entrar.
Joshua se despediu com um abraço. Virou de costas e começou se afastar.
— Josh — Emmett chamou.
O menino virou o rosto em sua direção.
— Eu te amo.
— Também amo você, papai.
— Eu volto logo, filho.
Emmett entrou no carro com o coração apertado por ter de despedir de Joshua mais uma vez.
Joshua ficou na porta olhando ele partir.
Summer veio correndo e o pegou de surpresa com um abraço. Joshua sorriu ao se dar conta de quem o abraçava.
— Está triste porque seu pai teve de voltar para Nova Iorque. Ele vai voltar, porque te ama, Josh. Vamos apostar uma corrida até a sala de aula?
— Não podemos fazer isso.
— Não, mas… — ambos riram, em seguida, saíram correndo. Não demorou, foi chamada atenção dos dois. Com risadinhas chegaram à sala de aula, juntando-se a Dilan.
[…]
Quarta-feira, pouco após o horário do almoço. Um dia atipicamente abafado para a estação. O cansaço que vinha sentindo nas últimas semanas parecia piorar em dias quentes como esses.
Na área externa da pousada, Rosalie orientava uma das funcionárias quanto à arrumação das mesas no jardim.
Manteve os cabelos presos no alto da cabeça em um rabo de cavalo. Ainda assim, tinha a impressão de não adiantar muita coisa.
Emmett deixou o carro alugado no estacionamento da pousada. Na recepção encontrou Alice com um casal de idosos, muito simpáticos, em uma conversa animada.
Aguardou ela estar livre, para então se aproximar.
— Olá!
Alice deixou algumas folhas de papel na gaveta embaixo do balcão, logo seguida olhou o recém-chegado.
— Emmett — disse ela, num tom de surpresa.
— Rose está por aí? — Olhou em volta ao fazer a pergunta.
— Ela não está esperando por você…
— Na verdade, queria surpreendê-la.
— Com certeza você vai. — Abriu um sorriso. — Ela está lá fora. — Mostrou as portas de vidro na lateral da recepção. — Vá por ali e irá encontrá-la.
Ele olhou o caminho indicado por Alice. — Obrigado. — Se virou e começou se afastar.
Alice ficou com um sorriso no rosto ao vê-lo ir atrás de Rosalie.
Emmett passou pelas portas indicadas. Parou, olhando em volta, tentando avistá-la. Ele a encontrou, linda, em um vestido longo, de alça, estampa floral. Sandálias rasteirinhas nos pés. Os cabelos presos em um rabo de cavalo, a brisa soprando os fios que escaparam.
Logo ao lado, uma garota morena, também com os cabelos presos, trocava a decoração das mesas. Foi essa garota que o avistou primeiro. Comentou algo com Rosalie, que logo depois virou o rosto em sua direção.
A expressão em seu rosto revelou surpresa no momento que o encontrou ali. Falou algo com a garota e começou vir em sua direção.
Parou incrédula, com as mãos na cintura, a cabeça levemente inclinada para o lado direito, então, sorriu.
— O que está fazendo? — se viu perguntando.
Emmett deu alguns passos diminuindo a distância entre eles.
— Não aguentei de saudade — confessou e o sorriso de covinhas brincou em seu rosto, levando Rosalie sentir as pernas fraquejarem. Chegou ainda mais perto. Ela ficou sem reação, aguardando seu próximo movimento. Emmett moveu a mão até estar em seu rosto. Afagou sua pele com o polegar, em uma lentidão que lhe causava fisgada.
Sem se dar conta, Rosalie moveu o rosto seguindo o movimentar da carícia em sua pele.
Emmett encostou a testa a sua, a mão descansando na nuca.
— Diga que não fui o único — sussurrou as palavras. — Que também sentiu minha falta.
Rosalie passou os braços ao redor da cintura dele. O sorriso voltou ao seu rosto. Emmett moveu a cabeça de modo a fazer o nariz roçar ao dela. Deslizou a mão em suas costas e voltou descansar na cintura. Com a outra mão acariciou seu queixo.
Rosalie inclinou o rosto, aguardando seu beijo.
Roçou os lábios aos dela, controlando a vontade de tomá-la ali mesmo. Segurou firme o corpo curvilíneo contra o seu, permitindo o desejo e saudade conduzir o beijo que lhes roubou o ar. Permaneceram abraçados mesmo depois, sentindo o coração acelerado se acalmar.
Ele voltou beijar no alto da cabeça dela, pálpebras, ponta do nariz e novamente os lábios. Sentiu-a suspirar em seus braços, e o desejo de não soltá-la mais foi tentador.
— Josh sabe que… — Ele a calou com mais um beijo.
Estava sorrindo ao responder:
— Não contei. Queria que fosse surpresa para os dois.
Rosalie acariciou seu rosto, a barba recém-aparada.
— Vamos juntos buscar ele na escola?
— É exatamente o que quero fazer. — Segurou a mão dela, levando a altura dos lábios, beijando seus dedos.
— Vai levar um tempinho ainda.
— Posso esperar… onde quiser que eu espere.
— Não quero que vá a lugar algum — respondeu ela.
Os lábios de Emmett roçaram sua orelha, a língua morna deslizou em sua pele. O corpo inteiro reagiu com arrepios. Sentiu a excitação dele.
As palavras soaram ao pé do ouvido com rouquidão.
— Daria tudo para ser apenas você e eu agora — fez-se um silêncio doloroso antes de ele voltar a falar. — Tem certeza que não pode sair antes?
Alguém pigarreou atrás de suas costas propositalmente. Olharam e se depararam com o casal de idosos que conversava com Alice quando ele chegou.
Rosalie chegou dois passos para trás, envergonhada.
Emmett sorriu, sem se importar com a plateia.
— Seu namorado, mocinha? — disse a senhora de cabelos grisalhos.
— Pai do filho dela, também — respondeu Emmett. Esticou o braço trazendo Rosalie para perto novamente. Beijou seu rosto e canto dos lábios. Rosalie permitiu a mão descansar no peito forte, com um sorriso tímido.
— Bem — disse a senhora —, fez uma excelente escolha. O pai de seu filho é mesmo bonitão.
O senhor ao lado, resmungou enciumado.
— Não seja bobo, George — ela o repreendeu. Deram-se as mãos e saíram andando.
Ainda o ouviram resmungando enquanto se afastavam. Riram da cena. Emmett abraçou Rosalie, plantando um beijo em sua têmpora.
— Fez uma excelente escolha — repetiu as palavras da senhora ao ouvido.
— Não seja convencido.
Emmett ergueu um dedo, se divertindo.
— Nenhum pouco.
— Não — brincou Rosalie. — Nada.
Emmett beijou seu pescoço. Rosalie sentiu os olhares ao redor.
— Já chega! — afastou Emmett, embora não desejasse fazer isso. — Como você viu, não somos os únicos por aqui.
— Podemos facilmente resolver isso. É só aceitar vir comigo.
— É tentador, mas realmente não posso. Preciso dar continuidade a meu trabalho.
— Vai ser difícil ficar vendo você de longe, nesse vestido que me convida a tirá-lo. — Tentou puxá-la para perto mais uma vez. Rosalie se esquivou, embora não estivesse disposta a ficar longe de verdade.
— Vá dar uma volta — sugeriu.
— Em um dia lindo como hoje, eu e você no carro, no meio do nada… Isso te lembra de alguma coisa?
— Ah, eu lembro sim.
— Não quer repetir?
Rosalie rolou os olhos.
— Ei, não faça isso. Não está ajudando.
A garota com quem Rosalie trabalhava antes de ele chegar chamou por ela.
— Vá fazer alguma coisa — disse para Emmett. — Preciso voltar ao trabalho.
— Onde fica o banheiro?
Rosalie parou e olhou para ele.
— Preciso usar o banheiro.
— Volte à recepção e pergunte para Alice, ela vai indicar o caminho.
— Não pode vir comigo?
— Boa tentativa.
— Ao menos eu tentei.
Rosalie se afastou com um sorriso no rosto. Olhou novamente para trás. Emmett estava entrando na recepção pela mesma porta que chegou àquela parte do jardim.
Há cerca de uma hora e meia, o encontrou nos fundos da pousada olhando o lago artificial.
— Está na hora — chamou sua atenção ao se aproximar, carregando a bolsa pendurada no ombro.
Emmett se virou, retirando as mãos do bolso, o sorriso se revelando para ela.
— Josh fica livre em alguns minutos.
Emmett veio em sua direção.
— No seu carro ou no meu?
— Pode ser no seu, mas vai ter de me trazer no trabalho amanhã.
A mão dele alcançou a sua.
— Será um prazer.
Retornaram, passando pelo jardim lateral até estar no da parte da frente e então no estacionamento.
[…]
Eles aguardavam na fileira de carros a vez de pegar Joshua.
Rosalie o avistou ao lado dos amigos. Joshua olhou na direção do carro deles, no momento que o carro na frente se afastou. Ele os reconheceu e o sorrio de covinhas brincou em seu rosto. Quis correr ao encontro deles, mas foi impedido pela moça que os acompanhava. Somente quando o carro ficou no ponto exato, o deixou ir.
Ele entrou no carro radiante, deixando mochila e lancheira ao lado do assento de elevação.
— Eu não sabia que papai estava com você — disse.
— A mamãe também ficou tão surpresa quanto você, vida.
Joshua se colocou de pé entre os bancos. Abraçou o pai, então, a mãe.
— Que legal!
— Sente no seu lugar, filho — Emmett pediu.
Joshua obedeceu prontamente.
— Põe o cinto — Rosalie orientou.
Emmett saiu com o carro em velocidade reduzida até estar fora de área escolar.
— Meu pai foi te buscar na pousada?
— Foi sim.
— Quando chegou papai?
— Já tem um tempinho.
— E onde ficou se a mamãe estava no trabalho?
— Na pousada mesmo, esperando sua mãe ficar livre.
— Poxa vida! Eu nem sabia. Onde ficou seu carro, mamãe?
— No estacionamento da pousada.
— Gostou da surpresa? — pediu Emmett.
— Gostei muito. — Joshua se agitou no assento. — Foi a melhor coisa que aconteceu hoje.
— Mamãe e papai tem uma coisa para te contar — lembrou Rosalie.
— O quê?
— Em casa conversamos.
— Não vou aguentar esperar. Não sou bom nisso, você sabe.
Os pais sorriram.
— Eu vou gostar? — sondou.
Emmett e Rosalie trocaram olhares, se divertindo com sua curiosidade e impaciência.
— Com certeza.
Joshua se viu avaliado aos dois por todo o caminho até em casa.
Quando o carro parou na entrada de veículos, se livrou do cinto e saltou.
— Eu acho que já sei — declarou.
Rosalie e Emmett saíram do carro, para encontrar com ele na frente do veículo.
Joshua pulou diante deles.
— Pediu para mamãe ser sua namorada de novo? — Olhou no rosto da mãe com ansiedade. — Você aceitou mamãe? Aceitou?
Rosalie pôs a mão na de Emmett.
— O que você acha?
Joshua ergueu as mãos no alto com pulos de alegria.
Emmett beijou Rosalie. Joshua começou pular em volta deles.
— Estou muito feliz. Estou muito feliz.
Entraram na casa com Joshua pulando na frente deles, gritando o quanto estava feliz. Correu toda a sala comemorando. Parou de repente, a expressão de quem acabou de lembrar algo importante.
— Vocês vão se casar?
Rosalie deixou as chaves no parador junto à bolsa.
— É cedo ainda.
— Não é, não — alegou Joshua.
— No que depender de mim, agora mesmo — encorajou Emmett.
— Legal! — Joshua voltou correr pela casa. — Estou muito feliz. Feliz, feliz, feliz.
— Ei, garoto muito feliz, que tal ir para o banho agora? — lembrou Rosalie, sorrindo. — Lembre-se que tem lição de casa para fazer antes do jantar.
— Minha mochila ficou no carro.
— Eu vou lá pegar — Emmett avisou.
Ao retornar, instantes depois, não os encontrou na sala. Deixou a mochila no sofá e a lancheira levou para a cozinha. Foi procurar por eles. Ao se aproximar do banheiro, notou que estavam lá.
— Obrigado, mamãe — Joshua agradeceu. Abraçou a cintura da mãe e lhe beijou a barriga. — Estou muito feliz que você e papai são namorados de novo.
Rosalie fez carinho em seu rosto.
— Te amo, vida. Você é o melhor de nós dois.
Joshua avistou o pai espiando na porta. Rosalie acompanhou seu olhar.
— Pode ajudar ele?
Emmett balançou a cabeça, concordando. Suas mãos se tocaram no momento que ela se retirou do banheiro.
— Papai — Ouviu quando Joshua falou com o pai. — Você ainda vai voltar para Nova Iorque?
Aguardou para ouvir a resposta.
— Por enquanto ainda precisarei voltar. Mas estarei mais tempo aqui com vocês.
— Vai assistir ao meu jogo no sábado?
— É claro que sim. Não perderia por nada.
Rosalie os deixou no banheiro. Sentiu um mal-estar a caminho da sala. Aguardou um instante, apoiada ao encosto do sofá. Avistou a bolsa no aparador. Lembrou o que mantinha dentro dela a mais de vinte quatro horas, sem ter coragem de usar.
Aproximou-se do aparador ao cruzar a sala. Pegou a bolsa. Ficou um tempo com ela na mão, pensando no que fazer. Finalmente abriu, vasculhou o interior dela até encontrar a pequena caixa.
— Rose — a voz de Emmett soou a poucos metros, atrás de suas costas.
Levou um susto. As mãos estavam trêmulas ao esconder a pequena caixa novamente no interior da bolsa. Sorriu de um jeito nervoso. E finalmente ficou de frente para ele.
— Josh está no banho? — perguntou, em uma tentativa de disfarçar o nervosismo.
— Sim. Ele está incrivelmente feliz — disse. Aproximou-se dela. Colocou as mãos em sua cintura e a trouxe para perto. — Caramba! Estou tão feliz quanto Josh. — Seus lábios se tocaram com lentidão.
Rosalie envolveu o pescoço dele com os braços e o beijou.
Ao final do beijo, Emmett segurou seu rosto entre as mãos.
— Não quebre meu coração de novo, por favor. — Ele a beijou brevemente. — Eu te amo tanto.
Rosalie o beijou mais uma vez. Sorriram com Joshua chamando ao fundo.
— Mamãe, eu preciso de tolha limpa.
— Estou indo, vida.
— O que vocês estão fazendo?
— Esses anos longe de você, foram os piores de minha vida — Emmett desabafou.
Rosalie acariciou seu rosto. Seus lábios chegaram se tocar brevemente. Joshua voltou chamar do banheiro. Emmett a deixou ir. Ficou olhando se afastar até desaparecer de vista.
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