Sempre Com Você

19 Visita ao hospital


Notas iniciais
(odeio mesmo a Margaret :))) )

No final da tarde, tinha eu acabado de sair da minha última aula do dia quando me lembrei que eu me tinha esquecido completamente de ir ver como William estava. Eu não me recordava se naquele dia ele tivera na escola de tarde ou não. Mesmo não tendo a certeza que ele ia estar lá dirigi-me o mais depressa que pude à sua sala. Eu ainda tinha tempo, o autocarro só passava dentro de aproximadamente vinte minutos.

Quando lá cheguei, para meu espanto, a sala encontrava-se vazia. Ele não tinha tido aulas de tarde. Precisava mesmo de saber como é que ele estava.

Encontrava-me a descer a minha rua quando fui invadida por uma sensação estranha. Sentia que algo se encontrava ali a observar-me. Olhava para todos os lados mas tudo o que via era pessoas atarefadas vivendo a sua vida.

Já me encontrava em frente à minha casa quando ouvi uma voz suave e familiar chamando o meu nome. Parei no meio do passeio e procurei a toda a minha volta o local de onde tinha vindo aquela voz. Olhei e nem sinal do dono daquela voz. Nem sinal de Caspian.

Ouvir a voz dele novamente ao fim de tanto tempo pusera o meu coração a bater com grande velocidade, quase fazendo-me perder o fôlego. Eu tinha a certeza que ouvira a voz dele. Eu sabia que não tinha sido apenas produto da minha imaginação.

Finalmente entrei em casa. Ainda estava um pouco atordoada com o que tinha acontecido. Mas comecei a convencer-me que só podia ter sido a minha mente a pregar-me partidas. Como é que poderia Caspian estar ali no meio de Finchley? E se Caspian estivesse realmente ali, de certeza que viria ter comigo.

-Cheguei. – disse eu num tom alto.

-Su, Su! – ouvi passos rápidos lá em cima e logo após os mesmos passos apressados desciam as escadas. – Nem sabes o que aconteceu! – Lucy parecia estar incrivelmente feliz.

-Diz Lu. – era bom ver Lucy novamente animada.

-Eu, Peter e Edmund estivemos a jogar um novo jogo de tabuleiro. É mesmo divertido. Tens que experimentar!

-Não sei…Estou tão cansada. Acho que me vou deitar logo após o jantar.

-Mas tens que jogar connosco Su!

-Oh Lucy, porquê? Estou mesmo exausta.

-Para ele se lembrar de ti! – as lágrimas começaram a correr pelo rosto de Lucy. – Eu quero que voltemos a ser uma família!

-Nós ainda somos uma família. Nunca o deixamos de ser.

-Mas-mas…O Peter não se lembra de ti, por isso não somos uma verdadeira.

Não lhe respondi. Para ser sincera não sabia sequer o que dizer. O que quer que eu tentasse esclarecer, iria levar-me a romper em lágrimas, e eu não queria chorar à frente de Lucy.

-Só uma partida então…-Lucy ficou completamente radiante. Não sabia bem o que pensar. Não tinha voltado a falar diretamente com Peter desde o dia em que ele tinha regressado a casa e em que mostrara não me reconhecer. Tinha evitado todo e qualquer tipo de contacto direto com ele porque honestamente apenas me iria magoar. Ainda não tinha passado muito tempo desde o seu regresso mas ser uma desconhecida para Peter era uma das coisas mais horríveis que eu alguma vez experienciara.

Não tinha o mínimo interesse em falar com Peter novamente, mas também não queria arruinar a felicidade de Lucy. Com a desculpa de uma forte dor de cabeça, consegui esquivar-me à partida de tabuleiro. Eu não queria de maneira nenhuma enfrentar Peter.

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O final da semana tinha chegado e Peter ainda não tinha voltado à escola. Não porque ele tivesse piorado, mas sim porque ainda se encontrava bastante cansado.

Era de tarde e eu nesse dia não tinha aulas a essa hora, por isso encontrava-me em casa.

-Susan! – falou Len aproximando-se de mim. – Vou ao médico com Peter, não queres me acompanhar?

-Sim, pode ser.- na realidade não tinha a mínima vontade de ir, mas aquela era a primeira vez que Peter ia falar com o seu médico após o seu regresso a casa e isso significava que ele ficaria ao corrente da situação atual de Peter. Para dizer a verdade, eu apenas queria ver o que o médico ia dizer sobre o facto de Peter não se lembrar apenas de mim. Esperava bem que ele dissesse que aquilo era algo temporário.

Encontrava-me já pronta no hall de entrada à espera quando Peter desceu. Ele ficou a olhar para mim com um ar confuso, algo a que eu já estava a habituar-me lentamente.

Um silêncio desconfortável pairava entre nós. Nenhum sabia o que dizer. Para Peter eu era a estranha que morava em sua casa e que toda a gente insistia para ele se lembrar. Porquê eu? Por que é que ele não se lembrava de mim? Se eu soubesse naquele dia o que Peter iria fazer, tê-lo-ia impedido a todo o custo. Mas, como poderia eu saber? A maior das ironias era que tinha sido eu a encontra-lo após a sua tentativa de suicídio, e, da nossa família, eu era a única de quem ele não se recordava.

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Já estávamos no hospital e Peter não parava de olhar à sua volta com um olhar sonhador. Ele tinha emagrecido muito para o curto período de tempo que tinha ficado internado.

-Peter Pevensie, o médico está à sua espera. – chamou uma enfermeira roliça de meia-idade – sala 3, ao fundo do corredor.

Quando entramos vi o médico de Peter. Tinha uma aparência sábia e o olhar dele era calmo. Os seus cabelos eram grisalhos e rugas marcavam a sua testa.

-Bem-vindos.- falou ele com uma tranquilidade enorme. De certo modo fazia-me lembrar Aslan.

-Olá Doutor, como tem estado? – perguntou Len educadamente.

-Bem, obrigado. E esta aqui é…? – ele levantou a sua mão apontando para mim.

-Sou a Susan, irmã de Peter.

-Ah bom, prazer conhecê-la menina Susan. Então Peter, tem estado melhor? – questionou ele com um tom paternal.

-Sim, obrigado doutor. – respondeu Peter curtamente, parecendo estar aborrecido.

-Bem, ele tem tido alguma evolução desde que abandonou o hospital? – perguntou ele falando agora com Len.

-Sim…Ele já ganhou algum peso e até já teve melhores noites de sono do que aquelas passadas no hospital. – olhei para Len. Melhores noites de sono? Então Peter tinha tido dificuldades em dormir durante o seu internamento? – Ele lembrou-se de mim e dos seus outros irmãos…-Len ficou um pouco hesitante…

-Mas? – falou o médico lendo a expressão de Len.

-Ele não se lembra de Susan… — o doutor Smith olhou para mim com um ar curioso no olhar.

-Está-me a dizer que Peter se lembra de toda a gente menos dela?

-Infelizmente, sim. – desabafou a minha mãe.

-Peter, tu não fazes a mínima ideia quem ela é?

-Não doutor.

-Isto não é raro acontecer, mas é curioso porque normalmente quando ocorrem perdas de memória costumam acontecer por grupo. Vou-me explicar melhor…Por exemplo, quando uma pessoa sofre traumatismos de algum género pode ficar com amnésia e perdas de memória. Há pessoas que deixam de saber tocar piano, algo que fizeram a vida inteira, e não se lembram também dos seus colegas que estudaram com essa pessoa na escola de música nem de professores dessa altura. De certo modo a pessoa perde todo o rasto que indicaria que alguma vez soubera tocar piano. Esquece-se de tudo que alguma vez tivera de algum modo ligado a essa atividade.

-Mas doutor nós ainda não sabemos de ele se vai lembrar das pessoas da sua escola… E de outros sítios. – falei eu desesperada.

-O que acha que devemos fazer para ele se lembrar de Susan?

-O que eu sugiro é que não estimulem a sua memória. Não falem de pessoas fora da família nem lhe recordem de viagem ou locais onde ele já estivera. Não lhe falem da escola até ele lá regressar. Logo após ele voltar a frequentar o seu local de estudo, estimulem ao máximo a sua memória. – de seguida o médico receitou alguns medicamentos e alterou a dose de outros que ele já ingeria. Deu mais umas quantas indicações. Peter parecia estar muito desconfortável naquele local, apesar de o médico ser bastante acolhedor. Ele não devia gostar de ser tratado como se não se encontrasse presente.

Saímos do hospital e voltamos para casa. Mal pusemos pés dentro do nosso lar, cada um partiu para um canto diferente. Eu percorri o hall e fui em passo rápido até ao telefone. Peguei nele e marquei um número bastante familiar.

-Estou? – falou uma voz feminina que eu não conhecia do outro lado da linha.

-Ah, estou? É a mãe de William? – perguntei eu.

-Sim…E com quem é que estou a falar…?

-Susan. Susan Pevensie…

-Ah Susan. Então, o teu irmão, como é que ele está?

-Ele está bem, obrigada.-respondi eu insegura.

-Manda-lhe um beijinho e deseja-lhe as melhoras. Diz que quando ele estiver completamente recuperado que tem de vir jantar aqui! Já tenho saudades dele! – de facto Peter passava muitos dias na casa de William, principalmente nas férias.

-Bem, podia passar a William?

-Ah, claro querida. Vou passar-lhe.

-Estou? – falou uma voz cansada.

-William! – não pude deixar de exclamar.

-Susan.- ele pareceu surpreendido.- A que se deve uma chamada a estas horas? – gracejou ele.

-Só queria saber como é que estás. Soube que entraste numa rixa com Stanley…

-Bem ele está pior que eu, por isso está tudo bem.

-Tu realmente não existes. Eu aqui preocupada contigo e tu ainda fazes uma piada dessas…

-Eu estou bem Susu, acredita- ele fez uma pausa, como se estivesse a reunir coragem.-Olha, su, quando é que o Peter volta?

-Segunda ele volta para a escola. – não pude evitar e suspirei. Queria mesmo que Peter se recordasse de William.

Notas finais
~~comentários são bastante apreciados por mim~~