Sempre Com Você
12 Peter
Notas iniciais
-Isto não é bom. – falou Lucy. Edmund encolheu os ombros. Fiquei algum tempo a olhar para o local onde antes Peter estivera. Demorei ainda algum tempo até que decidi levantar-me e ir atrás dele. Subi as escadas, atravessei o corredor e dirigi-me até à porta do quarto de Peter. Bati à porta. Ninguém respondia. Esperei um pouco e voltei a fazer o mesmo. Obtive a mesma resposta.
-Peter! Eu sei que estás aí! – berrrei pois Len ainda não estava em casa. Mais uma vez ninguém falou. Perdi a paciência e abri a porta. Ao faze-lo vi imediatamente Peter deitado no chão, inconsciente.
O meu coração parou. O meu corpo não reagia. Eu comecei a tremer e lágrimas começaram a correr-me pela face. Quando recuperei o controlo de mim própria , gritei de pânico. Ouvi logo a seguir passos apressados nas escadas. Edmund entrou no quarto abruptamente e sem cerimónias. Lucy vinha atrás dele mas Edmund impediu-a de entrar. Ele tinha o choque espalhado na sua cara.
-Lucy vai lá para baixo. – consegui articular.
-O que é que aconteceu? O que é que se passa? Eu quero ver! Deixa-me entrar Ed! – pediu Lucy.
-LUCY, ouve o que a Su te diz e vai JÁ para a sala e ESPERA POR NÓS LÁ. – berrou Edmund.
Embora contrariada, Lucy saiu do corredor e desceu as escadas.
-Edmund o que é que fazemos? – eu chorava descontroladamente e tinha o corpo inconsciente de Peter no meu colo.- Acorda, Peter… Peter..- mais lágrimas caiam dos meus olhos.
-Ele ainda respira? – perguntou friamente Edmund.
-S-sim.- eu continuava a chorar e já começava a soluçar de desespero.
-Vou chamar uma ambulância. Ele tem que ir para o hospital.
Edmund saiu e eu decidi colocar a minha mão no pescoço de Peter para voltar a ver se o coração dele ainda se encontrava a bater. Ao fazer isso, a minha mão sentiu algo por baixo da gola da camisa dele. Afastei-a e vi uma corda. Ele estrangulara-se com aquela corda! Levantei-me e corri pelas escadas até alcançar a sala. Edmund estava a abraçar Lucy que se encontrava a chorar.
-Ed, preciso de falar contigo, é urgente. – Edmund afastou-se imediatamente de Lucy e veio até mim.
-Já chamaste a ambulância?
-Sim, já. Deve chegar dentro de alguns minutos. O que é que me querias dizer?
-Eu… Eu encontrei uma corda à volta do pescoço de Peter.
-O quê?!
Comecei a chorar novamente e Edmund colocou o braço à volta dos meus ombros para me consolar.
Decidi voltar ao quarto de Peter e coloquei-o em cima da cama. Sentei-me aos pés dela e apenas chorei. Ele ainda respirava mas eu não sabia por quanto tempo. Eu estava tão preocupada com os meus próprios problemas que nem reparei nos dele. Eu apenas notara que ele andava sempre pensativo e calado. Mais lágrimas caíam. Como é que Len iria reagir quando descobrisse? Ela iria ficar de rastos.
Alguém tocou à campainha. Dirigi-me ao meu quarto e aproximei-me da janela, vendo que a ambulância tinha chegado. Edmund abriu a porta e os enfermeiros subiram as escadas, trazendo consigo uma maca. Levaram com muito cuidado Peter pelas escadas e Edmund veio ter comigo.
-Su, vou com Peter para o hospital. Quando Len chegar explica-lhe tudo. Toma conta da Lucy.
Assenti com a cabeça e Edmund e Peter foram-se embora. Desci as escadas e sentei-me ao lado de Lu. Len deveria estar prestes a chegar. Coloquei o meu braço sobre os ombros de Lucy e aconcheguei-a.
A campainha soou mais uma vez, eu levantei-me e fui abrir a porta.
-Olá Susan, então, como é que te correu o dia? – à ausência da minha resposta Len voltou a falar. — Ai o que é que te aconteceu? Estás tão pálida…
-Mãe… O Edmund e o Peter estão no hospital…
-No hospital?! – a minha mãe ficou tão em choque que deixou cair as sacas de compras no chão.
-Sim. Encontrei Peter desmaiado no seu quarto. Tinha uma corda à volta do pescoço. Chamamos uma ambulância e Edmund foi com ele. – Len ficou ainda mais em pânico.
-Tenho de ir ter com eles! – Len afastou-se de mim, abraçou Lucy e foi logo de seguida para a cozinha.
Ajudei a minha mãe a preparar o jantar para mim e para Lucy. Ela comeu algo e partiu para o hospital, deixando-me encarregue de Lucy.
Jantei em silêncio com Lucy. Ela tinha os olhos bastante vermelhos por causa de ter chorado. Eu nem queria imaginar como é que estava a minha cara… Lucy gostava mesmo de Peter. Ela estava mesmo devastada com aquilo que lhe tinha acontecido e eu tinha a sensação que, tal como eu, também ela se sentia em parte culpada naquilo que se tinha sucedido. Nunca imaginara que Peter quereria acabar com a sua própria vida. Eu sempre pensara que era apenas uma fase. Mas enganara-me, e de que maneira. À medida que as horas passavam, a ansiedade corroía-me por dentro. Estava tão nervosa que se tornara difícil de se aguentar. Já era noite avançada e Lucy já se encontrava a dormir, eu tentara fazer o mesmo, mas sem sucesso. Encontrava-me de pé e a andar de um lado para o outro. No dia seguinte era sábado por isso eu não tinha a necessidade de me levantar tão cedo como eu normalmente fazia. Já tinha passado tanto tempo e eu ainda não tinha recebido nenhum telefonema, nem nada do género que me garantisse de que Peter estava bem. Sem isso eu não poderia dormir em paz.
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