Notas iniciais
Cá está mais um capítulo.
Espero que gostem!

Apanhámos um táxi e fomos até casa do Rodrigo.

Bati à porta e a mãe dele abriu. Quando me viu, sorriu e disse-me que o Rodrigo ainda estava a dormir, mas que o ia chamar. Estava nervosa e o Zayn deu-me a mão.

Quando o Rodrigo apareceu à porta, agarrou-me num abraço que me tirou do chão.

-Não acredito que estás aqui! – Ele estava espantado. – Que boa surpresa!

O Zayn afastou-se e eu apresentei-os um ao outro.

-Só cá estou porque o Z teve a ideia. Eu não voltava cá e tu sabes disso.

O sorriso dele desapareceu. – Sei. – Disse num sussurro.

-Bem, vens almoçar connosco? – Perguntei-lhe.

-Claro que sim. Vou só vestir qualquer coisa.

Saímos e fomos almoçar os três. Como era bom estar com os meus dois melhores amigos!

-Inês, desculpa, mas tenho de ir à escola fazer exames para ver se entro. – Disse o Rodrigo. – Já não te vou ver mais, pois não?

Abanei a cabeça. Ele abraçou-me e deu-me uma caixa pequena. Abri-a e tirei de lá um par de brincos. Eram lindos. Pretos e prateados que se entrelaçavam e formavam um nó.

-Obrigada. – E abracei-o.

Ele foi-se embora e eu saí com o Zayn.

Agradeci-lhe outra vez.

-Voltas a agradecer-me e não te falo mais.

-Não conseguias. Tu já não vives sem mim. – Disse-lhe a sorrir.

Chamei um táxi e meti o Zayn lá dentro comigo.

-Onde vamos? – Perguntou-me.

-Apetece-me ar puro. Em Londres, mostraste-me o teu sítio. Agora mostro-te o meu, em Portugal. – Dei a indicação ao taxista e ele seguiu em frente.

Ainda demorámos algum tempo, porque ficava isolado de toda a população e não era assim muito próximo da cidade.

O táxi parou quando a estrada chegou ao fim. Paguei-lhe e saí, logo atrás do Zayn.

-Chegamos? – Perguntou-me ele.

-Ainda não. Agora temos de ir a pé. – Disse-lhe.

Andámos um bocado e eu parei.

Estava ao pé de um ribeiro. Aquele era o único sítio onde eu sentia que podia ter privacidade. Da outra margem do rio, existia um enorme canavial que fazia uma enorme sombra para a água e para o lado onde eu estava.

Aproximei-me do ribeiro e descalcei-me. Pus os pés dentro de água e o Zayn imitou-me.

Vi-o a olhar para uma árvore.

-Fui eu que a plantei quando era pequena. Ela cresceu desde que fui embora. – Disse-lhe.

-Este sítio é lindo. Apenas se ouve a Natureza.

Sorri e olhei para trás.

-Ele seguiu o meu olhar e viu uma casa.

-É a tua casa? – Perguntou-me.

-Sim. Mas não quero lá ir. Prefiro que só o Rodrigo saiba que vim a Portugal.

Ele levantou-se, apanhou uma flor amarela que estava ali perto e colocou-a por trás da minha orelha.

Sorri-lhe.

-Foste a melhor coisa que me aconteceu nestes últimos tempos, sabes?

-Sei. – Respondeu-me com um sorriso.

-Não estou a brincar. — Afirmei.

-Nem eu.

-Ajudaste-me muito. Não voltei a pensar no Martim desde que falaste comigo, tornaste-te indispensável para mim. És muito importante no meu dia-a-dia.

Ele ficou calado e eu também não disse mais nada.

-Fiz uma tatuagem nova, sabias?

Olhei para ele. – Não. Onde?

Mostrou-me o braço. Por baixo dos dedos cruzados que tinha tatuado à mais tempo, estava agora escrito “The rest is silence.” (O resto é silêncio) Agarrei-lhe o braço e sorri. Aquela frase não era em vão. -Tu não existes. Quando é que a fizeste? – À duas semanas. -Não acredito que não tinha reparado! – Fiquei desiludida comigo e ele percebeu isso. -Não fiques assim. Isto é só um pormenor. Reparas em coisas bem mais importantes em mim. -Pois reparo… Reparo que não dizes coisa com coisa… -Isso é porque te… — Calou-se. -Porquê? Ele continuou em silêncio. – Vamos andando? Levantou-se mas eu continuei sentada e olhou para mim. -Não saio daqui enquanto não acabares a frase. Porque me… Vi-o a morder o lábio. Porque é que ele estava nervoso? -Levantei-me e dei-lhe a mão. Ele não olhava para mim. -O que é que se passa? -Vês? Não reparaste na minha tatuagem, mas reparaste que se passa alguma coisa. -Vá lá… Estás a preocupar-me. Sou eu a causa? -És. – Foi a única coisa que ele disse.

-O que foi que eu fiz?!

-Fizeste-me ver o quanto o mundo é belo, um sorriso teu é o suficiente para me alegrar o dia. Nunca tive uma amizade tão aberta com uma rapariga. O que eu te ia dizer, era que eu te amava.

Corei.

-E já não amas? – Disse-lhe.

-Aii! Claro que amo. Mas porque é que eu te estou a dizer isto? Tu só me fez como uma amiga.

-Vejo-te como o meu melhor amigo, vejo-te como o irmão que nunca tive, vejo-te como o meu… Esquece.

-Não esqueço. Também te disse aquilo que sent… — Calei-o com um beijo na boca.

Calcei-me e comecei a andar. Ele apanhou-me e obrigou-me a parar.

-Vejo-te como o meu namorado. Era isso que eu ia dizer à bocado.

Ele mostrou-me um sorriso como eu nunca tinha visto.

Abraçou-me e deu-me um beijo. Estava ali, colada a ele, sem o largar.

Eu era uns 10 cm mais baixa que ele, mas não me importava.

Quando nos soltamos, sorrimos um para o outro. Depois ele largou-me e segurou-me só uma mão.

-Queres namorar comigo? – Ele fez-me o pedido com aquele sorriso de criança que derrete qualquer coração.

Dei-lhe outro beijo.

-Desculpa, mas quero uma palavra.

-Claro que quero! Amo-te, Z.

Ele agarrou-me ao colo e levou-me para o rio. Sentou-me e sentou-se ao meu lado. Ficámos lá a tarde toda e depois fomos a pé até à estrada esperar um táxi.

-Contamos alguma coisa aos outros? – Perguntei-lhe.

-Ainda não. Quando chegarmos a Londres falamos com eles, pode ser? – Perguntou-me.

-Claro que sim. – Sorri-lhe.

Já era noite cerrada quando chegamos ao hotel.

— Estávamos à vossa espera para jantar. – O Louis vinha na nossa direcção. – Onde é que vocês andaram para estarem todos sujos?

-Fui mostrar um sítio ao Zayn, no fim de almoço.

A conversa acabou ali. Jantámos no hotel, para não darmos nas vistas e descobri que eles tinham ido à praia.

À noite fomos todos dormir, ou pelo menos tentar, porque eu não consegui pregar olho a noite toda a pensar no que se tinha passado.

Notas finais
E então? Quem está à espera do próximo capítulo?