Sempre Ao Teu Lado
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Notas iniciais
Espero que gostem
Estava deitada, ainda com a roupa do dia anterior, a olhar as mesmas fotografias.
A Mariana bateu à porta e entrou com o pequeno-almoço que tencionava que eu comesse.
-Não dormiste, pois não?
-Dormi. – Menti. – Mas estava cansada e nem vesti o pijama.
-Não me enganas fofinha. Lamento.
-Lamentas o quê? Não ter conseguido enganar-te ou o que está a acontecer?
-As duas coisas. – Deixou-me o pequeno-almoço na cama e sentou-se no chão.
-Não tenho fome, podes levar. – Disse-lhe apontando-lhe a comida.
-Poder até posso, mas não o vou fazer. Ontem à noite não jantaste, agora não queres o pequeno-almoço. – Ela calou-se.
-Eu quero que este pesadelo acabe. Quero que isto não seja real. – Disse-lhe baixinho com as lágrimas nos olhos.
Ela levantou-se, tirou-me a comida da frente e abraçou-me naqueles braços onde eu sabia que encontraria sempre ajuda.
-Sê forte. Isto vai passar…
-Ele foi-se embora quando viu as fotografias. – Disse-lhe. – Podes deixar-me sozinha, por favor?
Ela saiu e eu fique ali, a chorar.
POV da Mariana
Não conseguia vê-la mais assim. A Inês não merecia nada do que se estava a passar e aquilo tinha de ser resolvido rapidamente.
Agarrei no meu telemóvel e liguei para o Niall. Ele não atendeu. Liguei então para o Harry.
-Olá Harry. Podemos encontrar-nos? – Perguntei-lhe.
-Olá Mariana. Sim, claro que pudemos.
Despachei-me e fui ter com ele ao café onde tínhamos combinado. Fui por trás dele e despenteei-o todo.
-Olá para ti também engraçadinha. – Disse-me. – O que é que se passa?
-Já sabes o que é que se passa entre o Z e a Inês?
-Sei que ela recebeu umas fotografias do Zayn com outra e que está muito mal. O que devo saber mais?
-A Inês não come. Ontem à noite, não jantou, hoje não a consegui fazer tomar o pequeno-almoço, não dormiu… Ela não está bem, Harry. Tens de me ajudar, porque ela não está bem e pode acontecer-lhe alguma coisa…
-Calma Mariana. A Inês vai ficar bem. Mas ela ficou assim SÓ por causa das fotografias? – Perguntou-me enquanto tentava acalmar-me.
-Não. Eu liguei ao Zayn para ir lá a casa. Ele apareceu e foi ter com ela. Não sei o que é que se passou, mas não ouvi uma palavra e ele saiu sem dizer nada, nem a mim, nem à Inês.
-Ok… — Ele estava a pensar. E ficava tão sexy quando estava a pensar… — Então fazemos assim: eu vou a casa do Zayn, e não saio de lá enquanto ele não falar comigo. Vou ver se a Carolina foi lá ou se lhe ligou. Quando descobrir alguma coisa ligo-te, pode ser?
Acenei-lhe que sim, absorta nos pensamentos.
Ele levantou-me e deu-me um beijo na testa. Quando saiu do meu campo de vista, larguei um suspiro.
Voltei para casa com uma caixa de morangos. Era a fruta preferida da Inês, podia ser que os comesse.
-Não como! Não tenho fome, e quando as pessoas não têm fome não comem! – A Inês estava a gritar comigo.
-Até pode ser verdade, mas não acredito que não tenhas fome. Não comes nada à quase 24 horas. Já enfiaste alguma coisa dentro dessa barriguinha desde o almoço de ontem? – Queria convencê-la a comer.
-Não. Quero. Comer. Entendes?! Quero estar sozinha, quero desaparecer, mas não quero comer! – Disse-me entre soluços.
Abracei-a e só quando pedi que se levantasse, percebi o quão grave era a situação. A Inês não tinha forças para se manter em pé, não tinha equilíbrio. Ajudei-a a deitar-se outra vez e disse-lhe que ia chamar uma ambulância à medida que me dirigia para a sala a passo rápido.
-Não chames. Não vale a pena. Não são eles que vão tirar a dor que tenho dentro de mim. Não são eles que me vão obrigar a comer.
Parei mesmo antes de começar a marcar o número. O telemóvel começou a tocar e vi que era o Harry. Atendi e combinámos encontrar-nos no mesmo local. Ele prometeu ser rápido e eu saí a correr. Quando lá cheguei, ele já estava sentado.
-Ainda bem que já cá estás. Ouve, eu não me posso demorar. Tenho de ir ter com a Inês, tenho de chamar uma ambulância… — Eu estava a chorar.
-Calma pequenina… — Ele chegou-se para mais perto de mim e abraçou-me. – Não chores. Trouxeste as fotografias do Zayn?
Acenei que sim.
-Só consegui uma, a Inês não larga as outras. E como correram as coisas em casa do Zayn?
-Foi difícil falar com ele, mas percebi que a Carolina esteve lá e que lhe deixou este envelope.
Atirou um envelope para cima da mesa que eu não resisti a abrir.
-Mas isto é a Inês e o Martim! – Estava chocada. – Estas fotografias foram tiradas quando eles eram namorados, em Portugal.
Em todas as fotografias, eles estavam ou abraçados, ou aos beijos. Tinha a certeza que aquilo era no colégio onde andávamos; conhecia aquelas árvores e as pessoas que estavam por trás deles.
-Tens a certeza? A Carolina disse ao Zayn que estas fotos tinham sido tiradas na semana passada, quando estávamos no estúdio.
-É mentira, Harry. É mentira! Eu conheço as pessoas que estão atrás deles. Isto era a nossa escola! – Eu não queria acreditar.
-Eu acredito em ti. Agora mostra-me a fotografia do Zayn. – Pediu-me.
Tirei a fotografia do bolso e entreguei-lha.
-Então mas isto é… Ela é… era uma rapariga com quem o Zayn andava a sair. Acho que ele gostava dela, mas nunca nos disse nada, apenas que ia beber uns copos com ela. Esta foto tem mais de um ano! – O Harry também estava surpreso.
-A Inês pensava que esta fotografia tinha sido tirada ontem, porque o Zayn tinha a mesma roupa.
Ele acenou que não.
-A Carolina não os quer ver juntos. Ela está a fazer tudo para os separar – Disse o Harry.
-E está a conseguir… – Disse-lhe. – Tenho de ir embora. A Inês precisa de mim.
Ele levantou-se e eu comecei a rir-me.
-O que é que foi?
-Tens o fecho das calças aberto. – Disse ainda a rir.
-Perversa. – Disse-me com aquele sorriso maroto.
Fui embora para casa a correr. Chamei pela Inês e ela não me respondeu. Também já não a ouvia chorar e pensei que finalmente tivesse caído em si e tivesse comido alguma coisa.
Entrei no quarto e não queria acreditar no que vi. Voltei para a sala à procura do meu telemóvel. Liguei o número de emergência e atenderam logo.
-Em que pudemos ajudar? – Disseram do outro lado.
-A minha amiga está desmaiada em casa. – Respondi com uma lágrima a cair.
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