Notas iniciais
Espero que gostem :)

Passou-se a minha primeira semana em solo britânico. O Martim ainda não me tinha ligado desde que tinha ido até Portugal e eu ainda não tinha tido muito tempo para falar com ele.

O trabalho estava a correr bem; a dona da esplanada estava contente com a minha eficiência e achava-me muito bem-educada para aquele trabalho.

O trabalho, a casa e as visitas que fazia àquela cidade, não me deixavam tempo para ligar para Portugal.

Estava a fazer uma sandes e preparava-me para me sentar a ver televisão, (como qualquer adolescente normal quando está cansado) quando o meu telefone tocou.

Fiz uma cara feia, mas quando vi que era o Rodrigo atendi muito feliz.

-Olá! Tinha tantas saudades de falar comigo, mas como arranjei um emprego e cheguei à pouco tempo, não tenho tido muito tempo para mim… — Eu não me calava.

-Inês, Inês, pára! Preciso de falar contigo! Acalma-te, eu não me importo que não me tenhas falado desde que aí chegaste. Mas, por favor, senta-te porque não vais gostar de saber o que aconteceu.

Eu calei-me e o meu sorriso desapareceu da cara. Agora estava preocupada.

-O que é que se passou? Estás a deixar-me preocupada. Foi alguma coisa contigo? Com a Carolina? Com a minha família? – Eu não me calava. Outra vez.

-Inês!! Calma, ok? Eu estou bem, a tua família está bem. Calma.

-Então foi a Carolina, o que é que lhe aconteceu?

-Não foi o que é que lhe aconteceu, mas o que é que ela fez… Ela e o Martim.

-Rodrigo, conta tudo de uma vez! Queres que vá para o hospital com um ataque de nervos?!

-Ook.. Não vais gostar nada… Eu vi ela e o Martim a beijarem-se…

Fiquei em silêncio.

-Inês? Estás aí? Devia ter ficado calado, não era? – Ele estava preocupado.

-Estou bem. – Caiu-me uma lágrima. – Eles viram-te?

-Sim, viram. E pediram para não te contar nada. Obviamente que eu não ia ficar calado. Tinhas de saber. O que vais fazer agora?

-Agora? Vou ver televisão. Depois ligo ao Martim a pedir-lhe que venha buscar as malas que deixou aqui.

-Admiro a tua força, Inês. Vais ficar bem? Sim, porque eu sei que estás a chorar, embora não te oiça.

Sorri. Ele conhecia-me como ninguém.

-Vai demorar até eu conseguir ficar bem. Mas vou conseguir. Desde que nunca mais oiça o nome dele ou da Carolina, vou conseguir ultrapassar isto.

-Queria estar aí contigo, mãe… Tenho de desligar. Tu és forte e não vais abdicar desses três anos só porque o teu ex-namorado te traiu.

-Com a minha melhor amiga. – Conclui. – Mas não vou mesmo voltar para Portugal. Ainda para mais ter de os ver? Aqui posso estar sozinha, mas não vejo as duas pessoas que mais me desiludiram.

-Adoro-te – Disse-me ele.

-E eu a ti. – E desliguei.

Chorei sentada no chão, encostada ao sofá, e comecei a ouvir a única coisa que me acalmava neste mundo: a voz dos rapazes do One Direction.

Quando já não chorava, voltei a agarrar o telemóvel e marquei, pela última vez, o número que eu mais marcava: o do Martim.

Ele não atendeu, por isso fui dormir.

No dia seguinte, acordei com uma mensagem dele.

“Bom dia princesa. Desculpa ontem não ter atendido, mas já estava deitado. Amo-te miúda. Para sempre”

Como é que era possível ele ainda me conseguir dizer aquilo? Levantei-me e tomei um duche rápido. Depois liguei ao Martim.

-Olá princesa, viste a minha mensagem? Quarta-feira estou ao pé de ti outra vez.

-1º não sou a tua princesa, 2º não te quero aqui na quarta-feira, quero amanhã, 3º se não tivesse visto a tua mensagem, podes ter a certeza que não te ligava.

-Porque é que me estás a falar assim?

-Porque é que estás a fingir que não se passou nada? – Respondi-lhe.

-O que é que o Rodrigo te disse?

-A verdade. Vens amanhã buscar as tuas coisas. E não há lugar para discussões. – Desliguei-lhe o telefone na cara.

Vesti umas calças de ganga e uma camisola de alças e saí.

Fui até ao meu emprego. A dona viu que eu não estava bem e pôs-me à-vontade para desabafar com ela. Agradeci, mas andei todo o dia calada.

No final do dia, a minha patroa disse que eu amanhã estaria de folga, o que até me convinha, porque o Martim vinha cá buscar as malas.

Vagueei pela cidade. Às 02:30 cheguei a casa. Não me lembro o que fiz nessa noite, mas lembro-me de ter chegado a casa e de ter adormecido no sofá.

Acordei com a voz do Martim a cantar-me aos ouvidos. Levantei-me de repente e fui ao quarto buscar as malas dele.

-Agora quero-te fora da minha casa! JÁ!! – foi a única coisa que lhe disse.

-Tem calma Inês… Eu não volto mais, mas vamos falar como pessoas decentes. Acho que mereço isso.

-Tu achas o quê?! E quem és tu para falar em decência? Nem isso tiveste para me contares que andavas com a minha melhor amiga! Quero a tua chave de casa aqui. Já – estendi-lhe a mão, para ele colocar a chave.

Ele largou a chave em cima da mesa e sentou-se no sofá.

-Qual foi a parte do “QUERO-TE FORA DA MINHA CASA” que tu não percebeste? SAI! – Gritei-lhe eu.

-Inês, vamos só até ao café. Se não queres falar comigo aqui, falamos num sítio público. Por favor… — Ele estava a implorar-me.

-Não quero falar contigo nem aqui, nem em lado algum! Quero-te fora daqui! – Eu já me estava a passar. Mesmo a sério.

-Ok.. Então eu saio. – Dirigiu-se para mim com o intuito de me dar um beijo, para impedi-o, com um estalo na cara.

Depois, ele saiu, e eu fiquei sozinha, a chorar mais uma perda.

Notas finais
No próximo capítulo vai aparecer alguém... :) Quem será?
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