Sempre Abraça-me
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Em meio a tantos encontros apaixonados, os dias foram passando sem que percebessem. Frederico e Cristina a cada dia que passava descobriam-se mais e mais um no outro. Já não havia a necessidade de dormirem em quartos separados, pois queriam estar juntos todas as noites e , assim, Frederico mudou-se para o quarto de sua esposa. A data da cirurgia havia sido marcada para as próximas semanas e Cristina ansiava com todo o seu ser a chegada desse dia, rogando a Deus que tudo saísse bem e que ela voltasse a enxergar.
Enquanto Cristina e Frederico se encontravam mais apaixonados que nunca, Debora e Estela não perdiam uma oportunidade de derramarem seus venenos ou de rodiar Frederico com claras intenções de seduzí-lo, mas de nada adiantavam seus esforços.
Maria do Carmo havia descoberto os verdadeiros sentimentos de José Maria, mas não podia corresponder-lhe, pois era apaixonada por Carlos Manuel, mesmo sabendo que o mesmo estava comprometido com Débora. Isso, causava-lhe uma enorme dor, porque morria de ciúmes só em vê-los juntos, mas não havia nada que pudesse fazer, ao menos, era o que pensava.
Apesar de amar Cristina, Robles percebeu que todos os seus esforços eram inúteis, pois a mesma nunca lhe deu esperanças. Havia chegado a tão esperada cirurgia e ela estava ali à sua frente, inconsciente. Tinha que dar o seu melhor e era o que faria.
Sala de Espera
Fred: Mas que demora! (estava impaciente).
MC: Calma seu Frederico (tentava acalmá-lo).
Fred: Sabia que isso era uma besteira. Cristina não deveria ter aceitado se submeter a essa cirugia (falava alterado).
Cons: Se minha filha está nessa situação agora é por sua culpa. Não esqueça que você causou o maldito acidente que deixou minha Cristina cega e que a fez perder o beber. (disse com ódio no olhar).
Frederico não pode dizer mais nada, afinal, ela estava certa. Ele havia sido o culpado por tudo. Para não perder a fortuna de Cristina foi capaz de tentar matá-la. Que estúpido! (disse sua consciência).
Após horas de espera chegaram Carlos Manuel e Angelo Luís.
Fred: Como está Cristina? (correu desesperado de encontro aos médicos).
Cons: Cristina está bem? Voltará a enxergar? (falava com a voz quebrantada).
CM: Acalmem- se todos. Deixem o doutor falar, por favor.
Todos assintiram com a cabeça.
Robles: Cristina está bem e quanto aos resultados da operação só saberemos quando ela acordar, pois está sedada e já foi transferida para o quarto de observação.
Todos sentiram como se a alma voltasse ao corpo. Passaram-se algumas horas que, para Frederico, foram equivalentes a uma eternidade. Cristina começou a acordar.
Cris: Frederico...(disse sonolenta e com os olhos vendados).
Fred: Estou aqui, meu amor (estava em pé ao lado da cama de Cristina).
Entraram no quarto.
Robles: Que bom que já acordou Cristina (disse após ter ouvido o breve diálogo).
Cris: Eu voltarei a enxergar? (disse esperançosa).
Robles: É exatamente isso que vim descobrir.
Robles começou a desvendá-la e, quando terminou, pediu para que Cristina abrisse os olhos e assim ela fez.
Robles: O que vê?
Cris: Oh meu Deus! (se emocionou derramando lágrimas).
Fred: O que houve Cristina? O que você tem? (preocupado).
Cristina não podia conter suas lágrimas e, olhando para ele, disse:
Cris: Eu posso vê-lo, Frederico. Posso vê-lo! (repetiu sorrindo entre as lágrimas).
Nesse momento, entraram no quarto Maria do Carmo e Consuelo.
MC: Madrinha! (correu e a abraçou).
Cristina sentiu que morreria, mas de felicidade. Sua filha estava ali com ela e agora ela podia ver seu rosto. Ambas se encaravam emocionadas.
Cris: Maria do Carmo... minha Maria, minha menina (segurava o rosto de Maria do Carmo). É tão linda.
Maria do Carmo arregalou os olhos e depois sorriu.
MC: Madrinha, você pode me ver?
Cris: Sim, filha. (abraçaram-se).
Casa Alvarez-Rivero
Cozinha
Est: Então quer dizer que Cristina já não é mais cega...(falava com desdém).
Cand: Sim. A menina voltou a enxergar (disse cheia de felicidade).
Vice: Graças a Deus e a Virgenzinha. Orei tanto por isso (falava contente).
Est: E como ficaram sabendo?
Cand: Seu Carlos Manuel ligou ainda a pouco para nos avisar.
Est: Hum... (virou as costas e saiu).
Casa da Débora
Flora entrou na sala apressada deixando as suas sacolas em qualquer lugar. Tal comportamento assustou Débora que levantou do sofá ao mesmo instante.
Deb: Mas o que aconteceu? Está fugindo de quem? (disse ignorantemente).
Flora: Você não vai acreditar no boato que se espalhou por esse povoado.
Deb: A mim pouco me importa o que esse povinho diz (ajeitou-se no sofá novamente).
Flora: Pois creio que esse assunto lhe interessará (disse querendo dispertar a curiosidade de Débora).
Deb: O que foi? Fala logo de uma vez! (disse sem paciência).
Flora: Estâo dizendo que Cristina voltou a enxergar (fez cara de surpresa).
Deb: Não pode ser. Isso deve ser alguma brincadeira de mal gosto (indignada).
Flora: Pois conforme-se.
Deb: Maldita Cristina! Tem que morrer! (gritou).
Anoiteceu e Cristina já estava de volta a sua casa. Ficou encantada por ter revisto cada pedacinho do seu povoado no trajeto de volta, mesmo que pela janela da caminhonete. Era como se tivesse voltado 15 anos no tempo ou nascido de novo. Quando chegou em casa recorreu-a toda, pois queria relembrar de cada detalhe e comprovou que poucas eram as coisas que haviam mudado.
Agora estava em seu quarto se aprontando para dormir. Frederico estava no escritorio revisando alguns documentos. Ela estava nervosa, pois a única noite que compartiu com Frederico, enquanto enxergava, foi a noite do primeiro abuso que sofreu. Fechou os olhos e uma lágrima escorreu ao lembrar disso; lhe doía. Sacudiu a cabeça e afastou esses pensamentos de sua cabeça. Pôs sua camisola e deitou-se esperando seu marido.
Cris: Por que tanto demora?
Cansada de esperar, enrolou-se em sua bata e com suas pernas de fora, pois a camisola era curta, desceu. Dirigiu-se até ao escritório e bateu na porta.
Fred: Entra (disse enquanto olhava um papel).
Cristina entrou sem dizer nada e caminhou até a mesa de seu marido e parou na frente da mesma.
Cris: Vim buscar meu marido (disse com voz melosa).
Frederico, escutando aquela voz inconfundível, levantou o olhar lentamente devorando Cristina dos pés à cabeça. Arrumou os papéis na gaveta, pois já não lhe interessava mais; sua esposa havia lhe desconcentrado.
Fred: Vem!
Frederico levantou em direção à Cristina com um sorriso sedutor e um olhar intenso. Ele começou a conduzí-la até o seu objetivo.
Cris: Para aonde está me levando? (perguntou quando notou que não subiriam a escada para o quarto).
Fred: Já verás! (sorriu)
E, saindo da casa, ele parou e a posicionou em sua frente lhe rodeando a cintura.
Cris: Não acha que está muito tarde para ficarmos aqui fora? (disse melosa).
Fred: Sim, mas não podia deixar de mostrá-la o quão linda está a noite...(a olhou por cima do ombro) assim como você.
Cristina o encarou por alguns segundos com um amplo sorriso e um olhar apaixonado.
Cris: Não sabia que era romântico (disse docemente).
Fred: E não sou. Por isso, não se acostume (sorriu). Sabe que sou um homem do campo e, para mim, isso é coisa de ... você sabe!
Cris: De homem sensível? (sorriu).
Fred: Não era exatamente isso que iria falar, mas pode-se dizer que sim (gargalhou).
Cris: Frederico, contenha-se ou irá acordar a todos (fingindo estar brava).
Fred: Perdão, señora Rivero (disse enquanto dava-lhe um selinho).
Cris: Frederico, preciso ir beber um pouco d'água.
Fred: Deixa que eu busco.
Dito isso, Frederico, já foi se afastando de Cristina sem esperar a resposta e, quando estava a ponto de soltá-la, Cristina teve um pequeno mal estar, sentindo-se tonta.
Fred: Cristina!
Reacionou assustado a segurando firme nos braços. Cristina aos pouco foi voltando a si, pois não havia chegado a desmaiar por completo. Apenas sentiu-se tonta e se desequilibrou.
Cris: Estou bem. Não foi nada.
Cristina tentava convencê-lo que estava bem, porque viu em seu rosto o desespero e queria acalmá-lo.
Fred: Como que está bem? Você quase apagou em meus braços.
Cris: Foi só um mal estar. Talvez eu não tenha me alimentado direito hoje por conta da ansiedade de rever tudo que há 15 anos eu não via.
Fred: Sim. Pode ser, mas, de qualquer forma, vamos entrar e assim você repousa. (advertiu)
Já estavam no quarto deitados e trocando pequenos beijos e algumas carícias sob o lençol. Aos poucos o clima foi esquentando entre o casal e todo o receio que Cristina havia sentido em relação a fazer amor, agora que enxergava, sumiram e a sensação que ela teve era que o prazer havia se multiplicado, pois agora podia ver o quão maravilhoso era o seu marido na intimidade.
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