Sempre Abraça-me
1 Capítulo 1
Numa tarde tranquila, sentada em um banco; sentindo o ar fresco que soprava das árvores e plantas ao seu redor; ouvindo o canto dos pássaros se encontrava Cristina Alvarez de Rivero submergida em seus pensamentos:
[ON] "Diego... Ah, meu Diego! O que terá sido de você? Por que não regressou para buscar-me naquela noite? Tudo haveria sido tão diferente se tivessemos fugidos com nossa filha."[OFF]
Cris: Hoje completa 15 anos que meus olhos perderam o brilho; 15 anos que estou atada a um monstro chamado Frederico Rivero.
MDC: Falando sozinha, madrinha?
Cris: Apenas pensando alto, filha. (disse serenamente, esboçando um leve sorriso) Mas sente-se aqui ao meu lado.
MDC: Aiiii... Madrinha, hoje chegou outra carta do Carlos Manoel (disse sorrindo e entusiasmada).
Cris: Percebo que, pela sua alegria, você gosta muito do Carlos Manoel e fico muito contente com isso. Carlos Manoel é um bom rapaz.
MDC: Não imagina o quanto, madrinha. Mal posso esperar para que regresse.
Cris: Também mal posso esperar (sorriu) Ele disse que tem uma surpresa para nós.
MDC: Sim, madrinha. O que será? Aaaaah... estou tão feliz que dentro de poucos meses ele voltará. (levantou-se sorrindo e saltitante como uma moleca).
Cristina estava imensamente feliz em percebê- la daquele jeito. Apenas lamentava não poder vê- la; saber com ela é; com quem se parece...
O dia transcorreu na fazenda Bananal como todos os outros dias. Sem nenhuma novidade, nada fora do habitual; com a tranquilidade de sempre. E, assim anoiteceu.
Casa Alvarez de Rivero
Sala
Candelária: Menina Cristina, quantos pratos ponho sobre a mesa?
Cris: Ponha a mesa para 3. Hoje Maria do Carmo jantará comigo e com minha mãe (sorriu).
Candelária: Mas e Seu Frederico, não irá jantar? (perguntou meio sem jeito).
Cris: Pois não sei de Frederico. Deve estar na tenda de Juancho bebendo e apostando como faz quase todas as noites (disse séria e secamente).
O jantar transcorreu na maior harmonia, pois ali se encontravam as 3 gerações feminina da família Alvarez, embora Maria do Carmo não soubesse disso. Comeram, conversaram sobre tudo e, acima de quelquer coisa, riram e compartiram um momento maravilhoso. Horas depois...
Deitada em sua cama, com a cabeça repousada em seu travesseiro e com os olhos mirando o nada estava Cristina. Até que escutou a porta se abrir...
Cris: Quem está aí? Frederico? É você, Frederico? Responda! (disse um tanto alterada).
Fred: Sim, sou eu, seu marido (percebia-se sua embriaguês ao falar).
Cris: O que faz aqui? O que você quer? (disse desafiadora, porém sentada na cama).
Fred: Venho em busca do que é meu por direito (disse enquanto se dirigia à cama de Cristina).
Cris: Não se aproxime! Saia do meu quarto agora mesmo! (disse nervosa, levantando da cama).
Frederico acercou-se pegando-a pelos braços de forma bruta, jogando-a sobre a cama e posicionando- se sobre ela. Ambos cairam na horizontal sobre a cama.
Cris: Solta-meee...! (gritando enquanto Frederico a prendia pelos pulsos contra a cama).
Fred: Es minha mulher! Tenho todo o direito (disse enquanto beijava seu pescoço, com a respiração acelerada).
Cris: Sou tua mulher porque você me obriga ser. Nunca me entreguei a você e jamais me entregarei (disse rendida, pois era inútil medir forças com ele).
Para Frederico o que menos lhe importava era o que sua mulher estava dizendo, pois ele se encontrava muito ocupado a acariciando com violência e sua sanidade não era a melhor naquele momento por conta de sua embriaguês. Seguia beijando o pescoço de Cristina, descendo para o colo enquanto que com uma mão arrebentou os botões superiores da camisola para ter livre acesso aos seios; ao passo que com a outra mão prendia os pulsos dela sobre a cabeça. Após isso, enquanto deleitava-se com os seios de Cristina, levantou sua camisola até a cintura e arrancou sua calcinha posicionando- se entre suas pernas. Liberou seu membro e adentrou- se em Cristina com brutalidade, fazendo movimentos contínuos até a chegada do climax. Cristina durante todo esse tempo apenas chorava e rogava a Deus que tudo aquilo terminasse o quanto antes. Suas lágrimas rolavam; seu choro era silencioso. Era a sensação mais humilhante que uma mulher podia viver. Sentia-se impotente, suja, infeliz.
Dia Seguinte
Os raios de sol entravam por entre as brechas da janela. As cortinas eram claras e permitiam a ultrapassagem da luz. No entanto, para Cristina isso não acrescentava em nada; todos os dias eram noites para a mesma, pois vivia em completa escuridão, literalmente. Frederico despertava gradativamente, incomodado com o sol que cobria a sua face. Sentia-se mal por conta de sua bebedeira na noite anterior. A dor de cabeça era insuportável.
Fred: Humm... que inferno (levantando-se lentamente e resmungando).
Cristina mantenve-se imóvel de costas para Frederico.
Fred: Cristinaa...(disse suspirando enquanto fechava e abria os olhos; ajeitando sua roupa) A cada ano que passa se vê mais despreciável (ele não se conformava com o fato de Cristina nunca ter se entregado a ele, por isso a agredia verbal e fisicamente) Incapaz de satisfazer o seu marido. Não passa de uma cega inútil (soltou sua gargalhada que ecoava em toda a casa e retirou- se do quarto).
Após ouvir a porta bater, Cristina iniciou um choro sem fim e sem consolo.
Cris: Deus meu, por que sofro tanto? Por que não posso ser feliz? Até quando terei que aguentar os abusos de Frederico Rivero? Responda-me! Responda-me!!!!! Te suplíco!
Eram muitas perguntas e nenhuma resposta.
Sala
Estela estava na sala e ficou admirando Frederico descendo as escadas com seu típico traje preto com colete, bota e chapéu no mesmo ton. Era um homem de físico forte, bonito, um verdadeiro macho capaz de estremecer qualquer mulher e despertar o medo em qualquer homem. Frederico passou ao lado de Estela que estava ao pé da escada.
Estela: Bom dia, Frederico (num tom sedutor e ao mesmo tempo irônico, pois ela sabia que pela expressão dele aquele era um mal dia).
Fred: DON Frederico para você! (enfatizando a palavra "Don" para impor respeito. Estava muito mal humorado para ter que aturar a Estela).
Estela: Está bem... Está bem... Entendi! Parece que alguém não durmiu bem (prosseguiu ela com intuito de descobrir o que passou).
Frederico encontrava-se de costas para Estela e servia- se de um copo com água para curar a ressaca.
Fred: Isso não é da sua conta! Não devo satisfações a uma criada mexiriqueira (disse sério sem olhá-la. Ignorando-a por completo).
Estela: Pois é na cama dessa criada que você satisfaz suas necessidades de homem, pois sua mulher lhe rejeita como marido (disse isso e retirou-se furiosa batendo os pés e balançando suas cadeiras).
Frederico continuou bebendo sua água e pensando:
[ON] "Eu não sou domado por mulheres... Nem por Cristina Alvarez. Todas, absolutamente todas são umas vádias que só servem para serem usadas" [OFF] (soltou sua maravilhosa e assustadora gargalhada). Em seguida retirou-se para recorrer a fazenda e fazer suas vistorias a cavalo.
Quarto de Cristina
Batem na porta...
Cris: Entre! (Já vestida com sua calça preta e sua camiseta delicada de manga curta, cor clara).
Consuelo: Bom dia, Cristina! (disse abrindo a porta lentamente e entrando).
Cris: Bom dia, mamãe! (disse com voz entristecida).
Consuelo deu-lhe um beijo na testa e sentou-se frente a sua filha.
Consuelo: Vim aqui porque você não desceu para tomar o café e... (foi interrompida).
Cris: Perdoe-me, mas acordei indisposta (não queria relatar para sua mãe algo tão deprimente).
Consuelo: Mas o que sente? Quer que chame a um doutor? Ou... (mais uma vez interrompida).
Cris: Não, mamãe! Vou ficar bem (forçou um sorriso para tranquilizar sua mãe) Eu só necessito descansar um pouco mais (disse de forma calma essas palavras).
Cosuelo: Então... lhe deixo para que descanse (beijou a testa da filha novamente e saiu).
Cristina permaneceu em seu quarto por mais algumas horas e depois acompanhou sua mãe à igreja.
Fazenda Bananal
No campo a colheita ocorria a todo vapor. A fazenda era produtiva e rendia muito dinheiro. Cristina havia sido o melhor negócio na vida de Frederico. Sim, negócio! O casamento não passou de uma troca de interesses. Cristina era a sua mina de ouro e por isso ele jamais a deixaria. Jamais!
Fred: Vamos! Vamos! Trabalhem! Não quero ninguém fazendo corpo molhe (dizia isso em tom alto e firme; montado em seu cavalo).
Benito: Seu Frederico, não podemos continuar assim. Trabalhamos aqui mais do que deviamos, nossos salários nunca aumentaram e não há nenhuma condição humana de trabalho. Muitos adoeceram e não podem ser obrigados a continuarem trabalhando (disse humilde e suplicante).
Fred: Mas aqui ninguém é obrigado a trabalhar. Quem não estiver satisfeito basta retirar-se. Há muitos querendo trabalho por aí (disse de forma dura e gargalhou).
Ernesto: Isso mesmo, Seu Frederico! Quem não estiver satisfeito que vá embora da Bananal (disse rindo e sentindo-se superior).
José Maria: Pois se é assim, estou me retirando. Vou em busca de um trabalho dígno longe dos abusos de Don Frederico (olhou para Frederico de forma desafiadora, enfrentando-o. Deu as costas e saiu).
Frederico apenas observou a José Maria se distanciar. O odiava e ao mesmo tempo enxergava-se nele pelo temperamento forte do rapaz.
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