Sempre Abraça-me
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Como ambos passaram todo o tempo perdidos em seus pensamentos, o caminho até a Casa Alvarez-Rivero fez-se curto, porém bem aproveitado por eles. Não sabiam, mas, a partir daquele momento simples que compartiram, nasceria um sentimento, até então desconhecido e assustador, pois o único sentimento que conheciam era o ódio mútuo.
Fred: Chegamos! (disse decepcionado, pois, por algum motivo, ele queria que aquele passeio fosse eterno)
.Cristina não disse nada. Limitou-se a suspirar. Não estava feliz por haver chegado, embora devesse estar. Afinal, Frederico era um monstro e o mais natural era sentir-se feliz ou mais tranquila por haver chegado em casa. Mas por que não se sentia assim? A caso algo havia mudado nela? — Não! (disse para si mesma, tentando convencer-se de que nada havia mudado).
Fred: Vem! Apoie-se em mim, te ajudarei a descer (disse normalmente, mostrando-se prestativo).
Assim Cristina o fez. Apoiou-se em Frederico, mas uma de suas maos, que pousavam sobre os fortes ombros de seu marido, deslizou. Cristina sentiu que ia cair e se agoniou, pois a cegueira impossibilitava qualquer reação instintiva. Frederico agiu rapidamente sustentando-a com seus braços firmes e trazendo-a para ele. Seus corpos ficaram pegados; as respirações agitadas. Nos olhos de Cristina se podia ver todo o seu medo por conta do incidente: aqueles olhos verdes arregalados; mechas do cabelo de Cristina caiam-lhe sobre a face. Frederico ficou por alguns segundos admirando toda aquela beleza de sua esposa, apesar dela estar com o cabelo desordenado. A distância foi diminuindo lentamente entre os dois. Cristina sentia o rosto de Frederico próximo ao dela por conta de sua respiração e , por algum motivo, foi de encontro a ela. Suas bocas se roçaram e aos poucos tocaram-se por completo. Era um beijo lento e cálido, mas aos poucos ganhou vida e intensificou-se; suas linguas bailavam dentro de suas bocas. Era maravilhoso! Frederico abraço-a mais forte e Cristina elevou seus braços até o pescoço de Frederico e assim permanecerem até cessarem o beijo lentamente como se não quisessem separar-se.
Mas Cristina reacionou de imediato após o beijo.
Cris: Leve-me para dentro de casa. Estou muito cansada (disse ainda muito ofegante, mas não queria dar oportunidade para que Frederico falasse sobre o que ocorreu).
Vicenta passava naquele momento pela varanda da casa e Frederico a avistou.
Fred: Vicenta!!! Leve sua patroa até ao seu aposento. Necessita descansar (disse ele aos berros como era característico dele enquanto montava novamente em seu cavalo. Assim como Cristina, ele também queria fugir dali).
Vicenta estranhou a situação, mas achou melhor não perguntar nada a Cristina. Então, levou sua patroa até ao quarto e a deixou sozinha,pois assim lhe pediu Cristina.
Sentada em sua cama, agarrada a uma almofada e perdida em seus pensamentos estava Cristina.
Pensamento [on]: Deus, o que foi aquilo? Por que correspondi aos beijos de Frederico? Pior. Por que gostei de beijá-lo? Será que sinto algo por ele? Não... isso não! Jamais me apaixonaria por Frederico Rivero. Ainda mais depois de tantos anos de crueldade que vivi ao lado dele. O que eu senti hoje foi apenas uma confusão. Foi coisa de momento e sem importância. [off]
Fazenda Bananal
Cavalgava a toda velocidade. Em sua cabeça passavam-se mil coisas. Se recusava a crer no que estava sentindo. Estaria gostando de Cristina? Essa era a pergunta que não parava de se repetir na mente de Frederico Rivero. O homem mais duro da região; que tinha qualquer mulher aos seus pés e, normalmente, costumava colecionar amantes; o fazendeiro mais temido pelos demais estava se apaixonando e por sua esposa. Por sua esposa? Depois de 15 anos, como era possível? Não! Não podia ser verdade.
Em meio a tantos pensamentos e num estado de euforia cavalgando o mais rápido que podia, Frederico queria convencer-se a qualquer custa que não sentia nada por Cristina e a única ideia que lhe veio a cabeça era deitar-se com outra mulher.
Fred: Estela!!!! Estela!!!! (Entrou na casa da criada como um vendaval).
Estela: O que é, hein? Por que entrou gritando assim? (disse isso com cara de confusão. Realmente não entendia nada).
Frederico não queria conversar; queria fazer. A pegou pela cintura com brutalidade e a jogou contra a parede. Estela estava espantada, mas não despediçaria aquela oportunidade. Entre beijos, amassos e esfregões caminharam até o quarto onde Frederico a jogou sobre a cama e se pôs sobre ela. Já desnudos podia-se ouvir as respirações agitadas; os barulhos dos corpos se chocando e o ruído que fazia o balanço da cama. Estavam a ponto de chegarem ao climax quando Frederico a olhou e viu o rosto de Cristina. Fechou os olhos para tentar voltar a sí, mas quando abriu só conseguiu ver a Cristina embaixo de seu corpo. Assustado com o que via, parou de movimentar-se e Estela logo resmungou e isso fez com que Frederico voltasse a sí.
Estavam tirados sobre a cama e enrolados no lençol. No rosto de Estela via-se satisfação, mas o de Frederico estava tenso e seus pensamentos estavam distantes.
Pensamento [on]: Não pode ser. Por que não me sinto satisfeito como sempre me sentia quando me deitava com uma mulher? Por que pensei em Cristina enquanto me enroscava com Estela? Cristinaaa... minha Cristina: sua pele macia, seu cheiro de rosas, sua boca pequena, seu corpo delicado... Ah! Como te desejo, Cristina! [off]
Casa Alvarez-Rivero
Havia anoitecido e a janta estava servida. Todos ( Cristina, Consuelo, Maria do Carmo, Carlos Manuel e Debora ) estavam sentados e prontos para iniciarem o jantar quando chegou Frederico e sentou-se.
Fred: Boa Noite! (disse sério enquanto sentava-se na cabiceira da mesa).
Todos responderam com um "Boa Noite".
Cris: Candelária, já pode servir o jantar (disse séria, pois havia sentido o perfume de Estela em seu marido. Estaria com ciúmes? Não! — negou para sí mesma).
CM: Amanhã iniciarei o meu trabalho no hospital de Vila Hermosa (disse entusiasmado).
MC: Que bom, Carlos Manuel. Isso significa que ficará por aqui (disse esperançosa enquanto sorria).
Deb: Sim. Carlos Manuel ficará, pois pretendemos nos casar em breve (disse com um ar de vitória. Debora queria ferir Maria do Carmo com suas palavras).
Cons: Bom. Como foi o seu dia na escola, Maria do Carmo? (disse isso para trocar de assunto).
A conversa seguiu enquanto Cristina e Frederico permaneciam mudos. Não sabiam e nem tinham o que dizer. Estavam ainda sem compreender o que estava acontecendo entre eles. Após o jantar cada um seguiu para seus respectivos quartos.
Quarto de Cristina
Já havia trocado-se e agora repousava sobre sua cama. Começaram a bater na porta de seu quarto.
Cris: Entre (disse normalmente).
Fred: Vim porque queria saber se você não necessita de mais nada antes de dormir (essa foi a única desculpa que passou pela mente de Frederico).
Cris: Não. Muito obrigada! (estava nervosa. Não sabia o porquê).
Fred: Bom, então me retiro. (disse desiludido enquanto se virava para sair).
Cris: Espera! (disse Cristina surpresa consigo mesma).
Frederico se virou esperançoso.
Cris: precisarei de alguém que me leve até Vila Hermosa para comprar umas coisas. Pensei em um pião para levar-me, mas amanhã é dia de colheita e creio q estarão muito ocupados. Então, pensei que talvez você pudesse levar-me. (disse insegura. Estava muito confusa).
Fred: Sim. Claro! Amanhã te levarei (disse decepcionado. Tinha esperança de que Cristina fosse falar sobre o beijo).
Cris: Obrigada, Frederico! Até amanhã (disse serenamente).
Frederico retirou-se e foi até seu quarto. Depois de muito pensar em Cristina conseguiu dormir.
"Que este amor que siento es por que tú lo has merecido
Con decirte amor que otra vez he amanecido
Llorando de felicidad
A tu lado yo siento que estoy viviendo
Nada es como ayer"
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