Sempre Abraça-me
2 Capítulo 2
As horas se passaram voando naquele dia e quando menos perceberam já era noite. Frederico regressava à casa após um dia exaustivo. Cristina encontrava-se sentada no comedor junto com sua mãe e sua "afilhada".
Comedor
Fred: Boa noite! (num tom forte e sério).
As mulheres que até então sorriam e conversavam, automaticamente, mudaram suas expressões faciais demonstrando que a presença de Frederico era incômoda. Criou-se um ambiente tenso naquele momento. Apesar disso, todas responderam em unissono "Boa noite", frio e seco.
Fred: O que a filha da criada faz aqui sentada à mesa? (disse sentando-se e encarando a Cristina).
Cris: Eu a convidei. Não só isso, mas também mandei prepararem um quarto para Maria do Carmo nessa casa (disse com o olhar fixo no nada e decidida a não retroceder).
Fred: E com a autorização de quem tomaste essa decisão? (disse aumentando o volume de sua voz demonstrando-se muito irritado).
Consuelo: Minha filha não precisa lhe pedir consentimento, pois essa é a casa de Severiano... (não conseguiu concluir, por que foi interrompida).
Fred: ERA a casa de Severiano (enfatizou a palavra "era"). Não se esqueça que o velho Severiano morreu há 15 anos (disse sério e áspero encarando a sogra).
Consuelo: Morreu porque não pode suportar o desgosto de ver um homem como você casando-se com nossa Cristina (disse de retrucando e também o encarando).
Em todo esse tempo Maria do Carmo assistia calada a discussão. Não sabia se deveria retirar-se ou se permanecera ali.
Cris: Basta Frederico! Maria do Carmo ficará nessa casa comigo e está decidido (sentenciou).
Frederico achou melhor deixar assim, pois estava muito cansado para discutir com Cristina. Após o jantar cada um seguiu para seus respectivos quartos.
Quarto de Frederico
Ele dormia muito relaxado. Necessitava desse descanço, mas aos poucos começou a se mover na cama; suava frio e resmungava coisas incoerentes.
[Sonho on] Frederico estava no quarto de Cristina sobre o corpo de sua amada. Estavam desnudos embaixo do lençol; beijavam-se loucamente. Finalmente sua Cristina entragava-se a ele. [Sonho off]
Fred: Te desejo Cristinaaa...(disse ainda em transe, com a respiração acelerada e com os olhos fechados).
Ao abrir os olhos, decepcionou-se por tudo não ter passado de um sonho. Logo sentiu raiva, pois sabia que Cristina jamais se entregaria a ele. Levantou, tomou um banho e quando regressou a cama pensou em voz alta:
Fred: Não posso ficar pensando em Cristina. Não a amo! É só desejo. Isso! Só desejo (tentava covencer-se antes de conciliar o sono).
Quarto de Cristina
Ela encontrava-se deitada, porém ainda acorda. Estava pensando; buscando soluções; recordando o passado ou apenas esperando que o sono a ganhasse.
Cris: Um dia me livrarei dessa prisão. Não posso dar-me por vencida. Lutarei, e, se preciso for, enfretarei Frederico.
Os meses passaram- se sem muita mudança. A fazenda prosperava; Maria do Carmo vivia na casa; Cristina seguiu sendo abusada por seu marido; Frederico continuava com sua vida composta de apostas, bebidas e mulheres. No entanto, dessa vez ele tinha controle sobre seus impulsos. Não colocaria tudo a perder como havia feito com Olho D'água. Agora era um homem poderoso, pois tinha a fazenda mais produtiva e havia recuperado Olho D'água.
Aquele dia era especial, pois Carlos Manoel regressava. Todos o esperavam na sala ansiosos por sua chegada.
CM: Olá família! (disse Carlos Manoel ao entrar na sala).
Todos se alegraram, mas, especialmente, Maria do Carmo que abriu um amplo sorriso, mas que aos poucos se desfez ao ver uma mulher entrar atrás de seu amado.
CM: Família lhes apresento a minha noiva, Debora Falcão (disse sorrindo enquanto olhava para Débora).
Maria do Carmo sentiu-se sem chão. Cristina pôs uma expressão séria ao ouvir aquele nome, pois sabia que Debora Falcão era uma das amantes de seu marido. Consuelo também sabia e ficou sem ação diante daquilo. Frederico congelou- se, pois não conseguia acreditar no que estava diante de seus olhos: sua amante e seu "sobrinho" juntos. Após uns segundos de silêncio que pareceram uma eternidade, romperam-o:
Fred: Então quer dizer que essa era a tua surpresa? (falou sinicamente).
CM: Assim é, tio (sorriu).
Fred: Pois deixe-me comprementá-la (Frederico se direcionou a Debora, lhe abraçou e beijou seu rosto) Você me paga, vadia! (disse-lhe ao ouvido).
Debora estremeceu-se ao ouvir aquela ameaça, mas logo resolveria. Era esperta e sabia enrolar os homens, mesmo sendo Frederico Rivero.
Dias depois
Cristina saia da igreja acompanhada de uma criada. Frederico passava naquele instante montado em seu cavalo. Aproximou-se de Cristina e despensou a criada, oferecendo-se para levar a Cristina em seu cavalo.
Cris: Por que me obriga a aturar sua presença? (disse montada no cavalo com Frederico atrás e com uma das mãos sobre sua cintura).
Fred: Porque sou seu marido e assim será até que a morte nos separe (disse enquanto cavalgava lentamente).
A verdade era que Frederico adorava se exibir com sua linda esposa, que apesar de cega, era a mulher mais bonita de toda a região. Cristina Alvarez de Rivero, sua. Somente sua!
Durante o trajeto ambos permaneceram em silêncio. Cristina recostou-se sobre o peito de seu marido e fechou os olhos. Sentia a tranquilidade da natureza; o ar puro; os pássaros cantando; o leve som das patas do cavalo contra o solo. Era uma manhã de temperatura refrescante. Podia ouvir também o som da cachoeira que estava próxima. Sentia uma paz que a muito tempo não sentia, porém o que lhe espantava era que estava com Frederico. Como podia sentir-se em paz com ele? (Cristina perguntava-se mentalmente).
Frederico encontrava-se na mesma situação. Estava perdido em seus pensamentos. Sentir Cristina tão perto e rendida, sem reagir de forma agressiva era a melhor sensação que havia esperimentado. Sentia o cheiro de seu cabelo negro e macio como seda misturado com o seu perfume de rosas. Ah! (exclamou em pensamento). Cristina era delicada como uma flor; tinha feições angelicais. Sim! Era um anjo. Era o seu anjo. Não sabia o que sentia em exato por Cristina, mas sabia que não poderia mais viver sem ela. Embriagado com o cheiro de sua mulher, ele começou a roçar sua face contra seus cabelos. Descendeu sobre seu pescoço e depositou um suave beijo. Não queria fazer nada que estragasse aquele momento.
Cristina deixou-se acariciar por ele. Sentiu um calafrio percorrer em todo o seu corpo. Não sabia o porquê de havê-lo deixado beijar seu pescoço, mas naquele momento os motivos eram o que menos lhe importavam. Fazia muitos anos que não a tocavam com tanta ternura.
"Abrázame que el tiempo pasa y él nunca perdona
Ha hecho estragos en mi gente como en mi persona
Abrázame que el tiempo es malo y muy cruel amigo
Abrázame que el tiempo es oro si tú estás conmigo
Abrázame fuerte, muy fuerte, más fuerte que nunca
Siempre abrázame."
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