Sempre
1 Sempre
Notas iniciais
Bom, o contexto da fic é um pouco diferente da série. Basicamente, o Arthur já é rei e casado com a Gwen, porém a Morgana só foi desmascarada há pouco tempo; Sem dizer que ignorei o fato da Morgana e do Arthur serem meio-irmãos, porque, na minha opinião, isso arruinou o plot da série XD
Espero que gostem ;*
–Só me diga por quê – Arthur pediu; Sua voz uma mistura de angústia e decepção.
Cedo ou tarde ele descobriria, ela dizia para si mesma. Entretanto, não importava o quanto ela desejava ter adiado tudo. O relevante no momento era a maneira como os olhos dele penetravam nos dela, implorando por respostas. A traição que banhava a atitude dele indagava-a, e exigia ouvir as razões vindas de sua boca.
Por mais que ela quisesse responder a altura, não pôde. Dizer aquilo que estava entalado em sua garganta seria demais, já que só pensar nas palavras faziam seus olhos arderem. Morgana não iria chorar. Seu orgulho era mais forte do que seus instintos.
–Eu nunca esperaria isso de você – ele disse, dessa vez dominado pelo desprezo. – Depois de tudo –
Arthur não conseguiu terminar, afinal, não era só Morgana que estava morrendo por dentro.
–É lógico que você nunca esperaria – ela disse cruelmente, sentindo o veneno de suas palavras escorrer por sua língua – é muito limitado para isso.
Atacar era a melhor defesa.
Esse sempre fora o principal princípio dela, e não seria agora que seus princípios mudariam. Seu orgulho falaria mais alto como sempre.
Morgana quase se arrependeu quando viu a dor cruzar as feições dele.
Desviar o olhar não era uma opção. Ela não demonstraria fraquezas, mesmo que seu coração martelasse violentamente contra seu peito. O que Arthur faria? Executá-la-ia publicamente? Exilá-la-ia? Matá-la-ia com as próprias mãos?
–Bruxa – ela disse, clara e lentamente. – Feiticeira. Maga. Chame do que quiser.
A respiração dela estava mais pesada do que nunca. Não era fácil se submeter ao olhar de Arthur, principalmente quando a atmosfera que o envolvia era tão sombria.
–Se você retirar o que acabou de dizer – ele disse, tentando inutilmente afastar a repulsa de sua expressão -, posso inventar algo. Dizer que as acusações são calúnias e –
–Não são calúnias – ela o interrompeu, firmemente.
Arthur fitou-a por longos segundos. A teimosia e a determinação eram os traços que o fizera se apaixonar por ela anos atrás, mas nem mesmo ele poderia aturar isso.
–Morgana, você não entende. – Ele tentou, apostando todas as suas forças em que ela tivesse um pingo de bom senso. – Não é um jogo, isso é –
–Isso sou eu – Morgana disse, sua voz falhando loucamente. – É você que não entende, Arthur.
Arthur levou a mão à testa, como se esse gesto fosse ajuda-lo a pensar com mais clareza. Não funcionou.
–Qual é o seu problema? – Arthur exclamou, perdendo qualquer rastro de tolerância que possuíra nos últimos quinze minutos.
Aproximando-se dela como uma verdadeira tempestade, ele não parou para pensar que guardas e criados poderiam ouvir seus gritos no castelo. Arthur também não calculou o quão perto ficaria de Morgana e muito menos o tamanho da força que a prensaria contra uma parede.
–Solta – Morgana ordenou no momento em que sentiu as mãos dele apertarem seus braços com uma força sobre-humana.
–Escuta, – ele rosnou. – Já aturei muitos caprichos seus, mas dessa vez é diferente. Bruxaria não é um assunto que você possa brincar. Invente outra historinha para chamar atenção.
–Não é uma historinha – ela retrucou, encarando-o com uma ferocidade sobrenatural. – É a verdade.
Talvez fosse a maneira como ela pronunciou as palavras, ou talvez fosse apenas o modo como os claros olhos dela cravaram nos dele; Algo fez com que Arthur dessa vez a ouvisse e realmente acreditasse nas alegações dela.
–Você não tem amor próprio? – Ele disse, chacoalhando-a. – Não dá valor a vida?
–Me solta – ela involuntariamente gemeu quando o aperto dele tornou-se insuportável. Certamente hematomas vibrantes a acompanhariam por dias.
–Vou fingir que não ouvi o que acabou de dizer – ele disse, declarando cada palavra próximo do ouvido dela. – Você vai negar toda essa história de magia –
–Arthur – ela arfou, em mais uma tentativa de fazê-lo se afastar.
–diante dos representantes das famílias reais – ele continuou, como se ela não tivesse dito nada. – Vou passar por cima dessa traição contra Camelot –
–Traição? – Ela cuspiu as palavras. – Camelot me traiu. Você me traiu.
Arthur ficou sem palavras, incrédulo de que ela se atreveria a respondê-lo. Morgana estava indo longe demais.
–Nós dois sabemos que era eu que deveria estar usando aquela coroa, sentada ao seu lado – ela disse, mordendo os lábios com força.
Se Morgana fosse afundar, que ela jogasse todas as cartas na mesa antes.
–Isso não tem absolutamente nada –
–Nós dois sabemos que tem sim – ela continuou. – Eu nasci para ser a rainha de Camelot. Guinevere? Não acha que foi um pouco baixo demais?
Os olhos dele arregalaram-se, claramente surpresos demais com o rumo que conversa tomara.
Talvez fosse irônico considerando a situação, mas Morgana conseguia analisar cada fio de cabelo loiro que estava tão anormalmente bagunçado nele, sentir seu cheiro e até mesmo ver a minúscula gotícula de suor que escorria por sua testa.
–Pelo menos fui esperto o suficiente e não coloquei uma bruxa ao meu lado – ele respondeu; Entretanto, apesar de querer desesperadamente que seu tom de voz grosso e indiferente estivesse de volta, ele sabia que não estava.
Morgana engoliu em seco, atonteada. Arthur não se afastara e muito menos parara de estuda-la de perto. Um arrepio percorreu sua espinha e ela se amaldiçoou por isso. Por mais que ela odiasse admitir, Arthur sempre a tocou de um jeito que ninguém mais a tocara. Ele mexia com a essência dela e nada poderia ser mais assustador do que isso.
Por outro lado, Morgana também sabia que o afetava. Ela poderia apostar tudo que tinha na teoria de que o coração dele estava tão acelerado quanto o dela – que ele sonhava com ela tanto quanto ela sonhava com ele.
Não era como se eles fossem alma gêmeas, porém era incontestável que a atração estava presente; Como cargas negativas e positivas se atraindo loucamente no vácuo.
Todavia, ao contrário do que muitos acreditam, certos limites Morgana não estava disposta a ultrapassar.
Manipular, roubar, enganar e até mesmo matar aqueles que ameaçavam o seu povo – a sua identidade – tudo bem. Entretanto, envolver-se com um homem casado era um patamar que a maga não alcançaria. Porque até mesmo Morgana Le Fay respeitava uma ética – distorcida e egocêntrica, porém ainda assim uma ética repleta de moralidades próprias.
Ele pertencia à outra. O anel dourado em seu dedo gritava isso.
No entanto, como ele poderia pertencer à outra mulher quando sempre fora dela em primeiro lugar?
Com esse pensamento, a maga não hesitou. Colidiu seus delicados lábios aos dele, sem pensar sequer em uma consequência. Já era tarde demais para isso.
Talvez fosse paixão ou apenas adrenalina que o moveu a respondê-la impetuosamente. Morgana parecia tão fria contra ele, e Arthur queria esquentá-la – como se dessa forma pudesse salvá-la.
Os braços dele escorregaram para a fina cintura dela, envolvendo-a firmemente. Quase como um instinto mascarado, o frágil corpo da garota relaxou contra o dele, permitindo que a impiedosa língua de Arthur invadisse-a.
Nem mesmo a mais tenebrosa feiticeira de Camelot poderia prever o que o futuro reservava; Entretanto, Morgana estava certa de algo: não importava o que as circunstancias indicassem, Arthur era dela. Sempre seria.
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