Sempre
47 Capítulo 47
Notas iniciais
CAPÍTULO 47
O casal estava deitado calmamente na cama enquanto ouviam o tamborilar suave da chuva batendo na janela. O quarto estava rodeado de caixas que pertenciam a Eduardo. Os braços de Cecília serpenteavam em torno do corpo de seu namorado enquanto ela olhava ao redor para ver que as caixas realmente faziam uma grande fortaleza em torno de sua cama. Um sorriso bobo apareceu em seus lábios e um pensamento feliz surgiu em sua mente.
Era a casa deles.
– Do que você está rindo? Cecília aconchegou-se mais perto de Eduardo, que deixou escapar um gemido de descontentamento por ser espremido subitamente.
– Este é o nosso quarto em nossa casa. – ela suspirou.
Ela podia, literalmente, ver seus olhos rolando enquanto ele murmurava:
– Tudo ainda excita, não é?
Os dedos finos e delicados de Cecília deslizaram sob a camisa de algodão longa que cobria a barriga dele. Ela acariciou sua pele macia quando acenou com a cabeça em seu pescoço como uma criança.
– Muito, muito e se o Tavinho não estivesse dormindo eu iria gritar como uma menina de emoção. – ela brincou.
Um estrondo suave saiu de sua garganta antes que ela mudasse de assunto.
– Quando é que você vai terminar de desencaixotar tudo? Eu sei que você está trabalhando horas extras no hospital, mas isso está ficando um pouco demais, não é? Por que você não deixa eu te ajudar?
A recusa da ajuda de Cecília estava ficando um pouco agravante, pois ela tinha que evitar os caixas assim que acordava todos os dias. Com sua memória atrapalhada na parte da manhã, ela tropeçava nas caixas e quando pensava que havia memorizado onde elas estavam uma nova caixa aparecia de repente.
– Porque eu mesmo posso desencaixotar. Tudo que você tinha que fazer era me ajudar a tirá-las do caminhão e colocar dentro de casa. Você fez a sua parte, agora eu faço a minha.
Eduardo firmemente convicto de sua decisão, enquanto Cecília tentava convencê-lo de que ela podia ajudar de outra forma.
– Há algo que você não quer que eu veja? Confie em mim quando digo isso Edu, eu já vi tudo o que você possui. Ainda assim, ele balançou a cabeça antes que ela colocasse sua perna em volta da cintura dele, mais uma vez, desde que Eduardo acrescentou que eles deveriam saborear este momento de silêncio juntos em vez de ficar discutindo sobre as caixas que ele irá descompactar depois.
– Isso é o que você disse há duas semanas. — Ela murmurou.
– Você disse alguma coisa?
– Nada.
Eduardo zombou:
– Melhor não ser nada.
O silêncio envolveu-os novamente quando ele começou a cantarolar baixinho. O leve zumbido começou a formar palavras que ele murmurou em forma de rap sob sua respiração. O pequeno sorriso que tomou conta de seus lábios era contagiante quando ele começou a sorrir e continuou a cantar próximo ao ouvido dela.
Em seguida, o beijo logo foi interrompido por um grito vindo do monitor ao lado de sua cama. Cecília instantaneamente começou a se levantar. Eduardo imediatamente disparou.
– Eu vou pegar ele.
Ela levantou uma sobrancelha quando ele tranquilizou-a a ficar na cama enquanto ele cuidava de seu filho. Cecília ainda se sentia estranha de ter alguém por perto para revezar os cuidados com Otávio em casa, mas ela voltou para a cama novamente, enquanto observava Eduardo sair do quarto.
Os grunidos suaves foram ouvidos no monitor quando Eduardo perguntou a Otávio por que ele estava tão chateado. Em seguida, surgiu um grito antes que ela ouvisse a voz de seu namorado ficar mais baixa e mais profunda, vociferando um monólogo que deixava Otávio muito intrigado. Eduardo conseguia ganhar a atenção de Otávio sempre que fazia aquela voz. O pequeno era apaixonado pela voz.
Cerca de 20 minutos ouvindo a dificuldade que Eduardo ainda tinha em trocar fraldas, os dois rapazes entraram no quarto em que Cecília estava. Quase que instantaneamente, quando Otávio viu sua mãe, seus braços estenderam-se para ela. Ela o segurou no colo, enquanto Eduardo pensava sobre seus horários de trabalho.
– Eu estava pensando que deveríamos ter uma babá. Cecília congelou quando estendeu a mão em direção a Otávio e sua pequena mão agarrou no dedo de sua mãe, dando-lhe um sorriso cheio de dentes. Ela podia ver que Otávio estava criando mais dentes. Mudando sua atenção de volta para Eduardo, ela perguntou:
– Por quê?
– Porque nós dois somos pessoas muito ocupadas, Cecília. Você espera que sua mãe ou Marina tome de conta do Tavinho toda vez que nenhum de nós dois pode cuidar dele? Eu acho que é hora de contratarmos alguém para tomar conta dele em tempo integral.
Eduardo cortou Cecília mais uma vez, acrescentando que desde que ele estava trabalhando várias horas no hospital e ela estava perto de viajar para fazer um treinamento, era a hora de encontrar alguém confiável.
– Mas uma babá? Edu, você não acha que é um pouco demais?
– Eu tive uma babá e eu me dava muito bem com ela.
Cecília conteve a respiração não querendo entrar em outra briga tão cedo. Ela iria viajar nos próximos dias, isso era fato, e obviamente Eduardo iria precisar de ajuda nos cuidados com Otávio.
Mexendo os dedos, Otávio bateu e levantou-se segurando em seu dedo antes de cair entre as pernas de sua mãe. Assistindo Otávio rastejar em suas pernas, ela tomou uma decisão rápida.
– Por que Otávio não viaja comigo?
Ela manteve os olhos no seu filho não querendo ver o olhar que seu namorado estava lhe dando no momento, provavelmente era um olhar de incredulidade.
– Dessa forma eu vou tê-lo comigo em todos os momentos. Ele vai ficar em mãos perfeitas, muito bem cuidado e eu não vou sofrer com a saudade.
– E aqueles dias em que você vai estar em treinamento por 10 horas ou mais? E treinamento de tiro, diga-se de passagem. Você vai ter que levar uma babá com você, de qualquer maneira. Por mais que você não goste da ideia de Otávio ter uma babá, ele vai ter uma. Será mais fácil para todos nós.
Eduardo olhou convicto enquanto Otávio estava fascinado pela pulseira de ouro que estava no pulso de sua mãe. Era um símbolo doce que Eduardo deu a ela alguns dias atrás que tinha o nome de Otávio e sua data de nascimento gravado na placa de ouro. Eduardo tinha uma e a apertou em seu pulso também.
– Sei que vai ser difícil. – Eduardo salientou. Ele queria ser tão simpático quanto possível, sem parecer intransigente. — Mas, com eu vou estar de plantão de 24h precisamos de uma babá, porque eu não posso correr para o hospital com um bebê cada vez que tiver uma emergência. Então, vamos contratar uma babá e ponto final.
Cecília sentiu a pulseira sendo torcida, restringindo qualquer movimento do pulso. Olhando para baixo no par idêntico de olhos verdes de seu amado, seu coração amoleceu um pouco mais, não querendo que ninguém cuidasse de seu filho.
Correndo os dedos pelos cabelos macios de seu filho, ela fez uma brincadeira com a boca e Otávio a imitou em seguida. Cecília sorriu quando bateu dois dedos em sua bochecha.
– Dê um beijo na mamãe.
Tavinho encarou rosto de Cecília, antes de apertar os lábios molhados em sua bochecha e então ela sentiu o ar quente bater em sua pele. Ela riu vendo a tentativa de Otávio em dar um beijo em sua bochecha. Segurando-o em seus braços, Cecília respirou fundo antes de pressionar seus lábios na bochecha gordinha de seu filho e soprou forte fazendo um som de peido. Um riso contagiante irrompeu da criança pequena quando ele estendeu a mão em direção a Cecília para ver se ele podia fazer isso sozinho.
Eduardo sorriu com a interação entre os dois, feliz que ele tomou a decisão de voar de volta para o Brasil, assim ele pôde fazer parte da vida dos dois também. Ele não queria parecer demasiado sentimental, então se levantou e foi tomar um banho, enquanto os risos e gritos altos eram emitidos do seu quarto.
(...)
– Ela era... agradável. Eduardo olhou para Cecília, incrédulo.
– Agradável? Ela estava de sacanagem. Ela ficou olhando para o meu pênis.
O médico não achou que seria tão difícil encontrar uma babá que fosse capaz de cuidar de seu filho, mas sim, as mulheres que vieram estavam aqui jogando charme para ele, de certa forma. Agradável. Eduardo rosnou em frustração quando jogou o pacote de currículos para baixo sabendo que nenhuma das mulheres que foram listadas eram boas o suficiente.
Era óbvio que elas acharam Eduardo muito atraente, especialmente porque não estavam prestando atenção em Cecília quando ela fazia-lhe perguntas. Isso o deixou doente e no ritmo que eles estavam indo, eles não iriam encontrar uma babá para Otávio antes de Cecília viajar para Buenos Aires.
– O que você acha que devemos fazer então? Nenhuma delas é do seu agrado.
Cecília achou um pouco engraçado o fato de Eduardo ter sugerido uma babá e ainda assim ele estava muito relutante na escolha. Ela sabia que algumas daquelas mulheres eram perfeitas para cuidar de seu filho, mas Eduardo encontrou pequenos motivos para não contratá-las.
– Minha mãe sempre pode cuidar de Otávio.
– Não. — Eduardo respondeu com firmeza. — Eu não vou chamar a sua mãe às três da manhã porque eu tenho que ir trabalhar. Ela tem o trabalho dela Cecília e eu prefiro contratar alguém que é pago para cuidar de crianças, em vez de ser apenas um quebra galho.
Pelo menos ela tentou.
Olhando os currículos, ela tentou escolher uma decente. Reunindo três, ela os colocou sobre a mesa.
– O que você me diz sobre estes três? Precisamos escolher alguém antes de eu viajar e se você não gostar da escolhida enquanto eu estiver fora, então podemos procurar outra babá.
Ela disse tudo de uma vez, para que ele não a interrompesse. Eduardo franziu os lábios enquanto olhava os três currículos que ela escolheu. Nenhuma delas parecia apta para o trabalho, mais apta do que a maioria das mulheres que passaram por aquela porta, mas não apta o suficiente para cuidar de seu filho. Recusando, ele pensou que eles deveriam procurar um pouco mais antes de decidir.
Uma batida suave na porta fez ambos ficarem cheios de curiosidade. Quem era? Cecília deu de ombros e caminhou até a porta, abrindo-a para ver uma mulher de olhar inocente, de estatura baixa que deveria ter seus vinte e poucos anos, se tivesse que adivinhar. De pé parada na porta, ela cumprimentou-a com bondade.
– Posso ajudar?
– Na verdade, sim. Eu estou aqui para a vaga de babá.
Cecília estava confusa, pois a última ligação que tinha recebido foi há cerca de duas horas e, de repente, essa mulher aparece em sua porta, sem aviso.
– E quem é você?
A pequena mulher negra balançou a cabeça em choque, não acreditando como ela tinha esquecido-se de se apresentar.
– Mil desculpas, eu sou Ezili Benony. Eu liguei esta manhã, mas eu meio que me perdi no caminho e bem... aqui estou.
– Quem é? – Eduardo perguntou bastante curioso, já que Cecília estava ali há algum tempo. Percebendo a cabeça raspada, ele esticou o pescoço para ver a mulher baixinha de pé na frente de Cecília. Congelado no lugar em que estava ele balançou a cabeça em descrença.
– Ezili? — O choque tomou conta de sua voz quando ele deu um passo em frente para encontrar a mesma amiga que deixou para trás no Haiti.
– O que você está fazendo aqui? Você não deveria estar no Haiti?
Cecília olhou para os dois, completamente confusa ao ver Eduardo abraçar uma estranha tão calorosamente. Foi uma cena estranha de se ver, mas quando ele se afastou um pouco, Eduardo apresentou as duas.
– Prazer em conhecê-la. — Ezili sorriu — Finalmente conheci você. Eu ouvi muito sobre você.
Cecília não poderia dizer a mesma coisa. Eduardo realmente não falava muito sobre o Haiti, exceto sobre os pacientes e situações de vida, mas os laços que ele fez por lá, ela estava no escuro sobre isso. Ela sorriu, mas sentiu-se um pouco desconfortável quando Eduardo disse:
Como- Eu acho que nós encontramos uma babá.
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