Sempre
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Mais um capítulo para vcs cheio de detalhes importantes. Espero que gostem.
Queria agradecer aos 90 leitores!! Estou surtando com isso, tudo bem que a maioria é leitor fantasma, mas tudo bem!! Mas, ó, se quiserem aparecer e comentar para a gente trocar uma ideia, fique à vontade, tá? Mostrem-se, leitores anônimos!!
Para aqueles que comentam, meu muito obrigada!! Eu li todos os comentários e opiniões de vcs. Vou reponder à todos, como sempre faço!
Bom é isso...
Boa leitura à todos!!
CAPÍTULO 21
Eduardo estava atordoado. Todos os sentimentos que ele pensou que nunca mais fosse sentir estavam de volta. Resignação, raiva, sentimento de vingança e indignação. Como as coisas fugiram do controle dessa maneira? Porque Helena deixou-se envolver por alguém assim? Seus pais com certeza deviam estar arrasados com toda a situação e por isso aconselharam a filha a procurar refugio com Eduardo. E as crianças? Só de pensar no sofrimento delas, o médico sentia uma dor no coração.
Helena não quis denunciar o marido a policia. Pelo bem dos filhos, ela disse categoricamente. Eduardo era contrário a essa decisão, mas, infelizmente, ele não podia fazer nada sobre isso.
(...)
- Então, como está o primo Arthur?
Eduardo franziu os lábios ao ouvir o nome de seu melhor amigo saindo dos lábios de sua irmã. Era difícil responder, já que ele não tem visto o primo há dias. Com o Natal se aproximando, era difícil dizer se Arthur ao menos consideraria passar a data em família, como fazia todos os anos.
- Eu não sei. — Ele encolheu os ombros observando seus sobrinhos correrem no parque da Lagoa da Jansen. Colocando as mãos nos bolsos, ele viu Helena dar-lhe um olhar astuto. Revirando os olhos, ele murmurou:
- As coisas estão complicadas...
Helena zombou quando ela cruzou as pernas ao sentar no banco do parque.
- Por favor, quando é que nunca foi complicado entre você e Arthur? Há algo acontecendo, então comece a falar.
Helena não era tola. Ela sempre conviveu em torno dos três melhores amigos. Saiu com o trio tempo suficiente para ver os sentimentos que cada um deles carregava consigo e ela não estava surpresa quando Eduardo disse tinha havido uma pequena tensão entre ele e Arthur.
Eduardo não iria lhe contar sobre ele e Cecília. Ele já tinha problema suficiente e lidar com o sermão de sua irmã não era o que queria no momento. Ele sabia que sua irmã o conhecia muito bem, e ela ia fazer dele um livro pronto para a leitura.
- Você sabe por que há uma tensão entre vocês dois?
- Não. — Ele mentiu — Nem uma pista.
Helena suspirou quando seus olhos verdes atentos olhavam por cima de seus filhos.
- Malu, saia de cima de seu irmão neste instante! – Helena balançou a cabeça enquanto observava sua filha mais velha cair fora de seu irmão mais novo.
- De qualquer forma — Helena voltou sua atenção totalmente para o seu irmão — Seja o que for, espero que você descubra uma maneira de se desculpar com ele, porque eu sei que você teve ter feito uma merda muito grande para Arthur não querer falar com você.
Eles já tinham se falado, mas ainda assim, a relação entre os dois amigos tinha ficado estremecida. Eduardo estava prestes a protestar, mas ele sabia que era verdade. Tudo parece ser culpa dele, todo mundo o culpava por tudo, então por que não levar a culpa agora? Assentindo, ele levantou-se do banco e correu para as crianças, levantando seu sobrinho do solo que soltou um grito. Eduardo riu quando Malu entrou em modo “irmão super protetor” correndo atrás dos dois.
O que Eduardo precisava agora era livrar-se de todo o drama e qual a melhor maneira de fazer isso do que passar algum tempo com a sua família? Como a hora do almoço estava se aproximando, ele segurou Malu no colo e a levou à sua mãe. Em seguida, ele se aproximou do pequeno Caio e segurou sua mão.
- Quem está com fome?
Os olhinhos das crianças se iluminaram e Caio levantou a mão primeiro:
- Eu quero um pouco de batata frita!
- E eu quero sorvete! – Helena deu à sua filha aquele olhar que ela conhecia muito bem, e em seguida ela murmurou:
- Não posso ter sorvete? – ela fez beicinho e Caio passou por cima da autoridade da sua irmã mais velha, censurando-lhe que ela não devia tomar sorvete antes do almoço e que ele deveria comer primeiro.
- E depois podemos tomar café, assim como o tio Edu faz. – Caio complementou.
- Não café é somente para os adultos. — Eduardo disse e revirou os olhos, sabendo que ele toma café à noite, principalmente quando está chateado ou quando quer enterrar seus sentimentos, o que acontecia a maior parte do tempo, mas ele estava sendo capaz de se conter com as quantidades de outras atividades que aos poucos substituíam sua vontade de beber café.
Helena entrou em cena entre os dois filhos.
- Tudo bem vocês dois. Vamos lá, vamos comer.
De mãos dadas, a família de quatro caminhou em direção ao carro. Eduardo colocou Caio em seu assento, enquanto Malu protestou à sua mãe que ela podia muito bem afivelar o cinto de segurança por conta própria. Após as crianças estarem devidamente acomodadas, Eduardo deu a volta para o lado do motorista e dirigiu para casa para preparar o almoço para todos.
Felizmente, quando chegou em casa Malu ficou fascinada pela televisão de tela grande que estava na sala de estar enquanto Caio estava correndo em alta velocidade pelo apartamento, como o pestinha que ele era. Chegando á cozinha, Caio animadamente perguntou:
- Posso ajudar?
Os dois adultos concordaram. Eduardo não sabia cozinhar direito e descascar batatas foi a única maneira que ele tinha de ajudar. Ele mostrava a Caio como fazer as batatas fritas que ele tanto queria, quando a campainha tocou.
- Eu atendo! – Malu gritou.
Helena olhou para Eduardo antes dela praticamente correr para a porta dizendo para a filha aguardar na sala de estar. Eduardo colocou Caio para baixo e murmurou:
- Fique aqui enquanto eu vou verificar a sua mãe, ok? Você pode fazer isso por mim? – Caio balançou a cabeça lentamente e Eduardo saiu do cômodo para ver Cecília em pé parada na porta em choque.
Quando os olhos de Cecília avistaram Eduardo, ela virou a cabeça para Helena em saudação.
- Helena... Quanto tempo. Como tem passado? — Seu olhar traçou os hematomas no rosto em preocupação quando ela tentou superar o choque de ver a irmã de Eduardo atender a porta.
Ela estava esperando por Eduardo e ela não queria usar a chave que tinha, já que as coisas entre ele estavam estranhas desde aquela noite.
- O que aconteceu com você? – Cecília indagava em choque.
- Você não vai me abraçar? – Helena desconversou e reorientou a sua atenção sobre Cecília, que a cumpriu gentilmente e a abraçou enquanto murmurava como era bom vê-la novamente.
- Onde estão as crianças?
- TIA CECI! – Caio gritou quando ele correu da cozinha e atacou as pernas da mulher mediana em saudação. Seus olhos verdes, característicos da família Guerra, brilharam quando Cecília levantou o pequeno com um grande sorriso estampado em seu rosto.
-Você se lembra de mim?
Caio assentiu:
- Claro! Você é a mulher que todos os meus tios dizem que é linda. – Cecília sorriu com o coração cheio de emoção quando ela concordou com a cabeça.
- Sim, sou eu. O que você tem feito?
Isso fez Caio divagar quando ele puxou a manga do blazer de Cecília e apontou para a cozinha compartilhando uma história sobre como sua mãe queimou as batatas fritas na semana anterior. Antes que ela fosse até a cozinha, Cecília viu Malu ainda sentada na frente da televisão.
- Malu, olha quem está aqui! – Caio gritou para chamar a atenção de sua irmã, ainda envolto nos braços de Cecília.
Malu virou a cabeça cheia de tédio quando seus olhos levantaram para ver Cecília.
- Oi. – e então ela continuou a assistir televisão.
- Malu! – Helena repreendeu.
- Não se preocupe com isso. Tenho certeza de que Malu vai vir no seu tempo. – Cecília colocou a mão no ombro de Helena e viu o quanto ele era parecida com seu irmão Eduardo. As semelhanças muito fortes, até os gestos e a maneira de falar eram parecidos.
- Agora, mostre-me as batatas fritas que você estava fazendo para mim.
Caio franziu o nariz em confusão.
- Não tia Ceci, eles estão fazendo batata frita para mim e Malu, mas eu acho que podemos dar algumas para você. – Ele concluiu encolhendo os pequenos ombros. Cecília foi arrastada pela criança de quatro anos para a cozinha com os outros dois adultos caminhando lentamente atrás deles.
No momento que Caio encontrava-se distraído, Cecília chamou Helena em um canto para conversarem. Vê-la cheias de hematomas estava deixando Cecília indignada e um pouco perturbada. Ela sabia o que tinha acontecido. Com certeza tinha sido o Luciano. Tudo bem que ela não tinha nada a ver com aquilo, mas ela ia se intrometer. Ah, ela iria.
- Você denunciou o Luciano, certo? – ela cruzou os braços e disse com uma voz suave.
Helena permaneceu em silêncio.
- Helena, por favor, você sabe que existe a Lei Maria da Penha. Você só precisar denunciar e deixar que a justiça se encarregue do resto. Isso não pode ficar impune. Você sabe disso.
- Como no seu caso? Não me venha falar sobre como eu devo agir, Cecília. Você passou pela mesma situação e agiu exatamente como eu. Desculpe, mas você sabe que é verdade.
Bem, aquilo tinha sido um golpe baixo. Cecília sabia que tudo que Helena acabara de falar era a mais profunda verdade. Ela tinha agido da mesma maneira quando seu então namorado, Raul, batera nela. Ela nunca esqueceu o dia em que, depois de uma discussão por ciúmes de Eduardo, ele desferiu um forte tapa em seu rosto. Em seguida, agarrou-a pelo braço e a empurrou com tanta força que ela caiu e bateu a cabeça. Foi a primeira e última vez que ele encostou um dedo nela. Bem, ela tentou esconder de todos, mas sua família e Eduardo e acabaram descobrindo, obrigando-a a enxergar o covarde e cretino que Raul era. O médico tinha ódio mortal de Raul, e só não fez algo com ele por causa dos pedidos de Cecília e conselhos de Arthur. Não valia à pena.
Na época, Cecília não fez nada. Isso era verdade. No entanto, ela jurou que um dia ela iria se vingar e, bem, esse dia chegou. Foi há alguns meses, quando da sua viagem para Brasília. Coincidência ou não, ela descobrira que Raul estaria em Brasília a trabalho na mesma época. Foi então que ela colocou seu plano em prática. Cecília não teve dificuldades em descobrir e entrar em seu quarto de hotel. Bastou apenas um telefona.
Junto com seu colega de trabalho, o agente federal Igor Macedo, ela entrou no quarto 403 do Bristol Hotel, na Asa Sul, e minutos depois o cretino do Raul foi imobilizado. Depois de algumas horas de socos, chutes, pontapés, sermões e ameaças, a delegada estava de alma lavada. Agora sim ela tinha tido sua vingança. Tudo bem que demorou alguns anos, mas ainda sim, ela tinha se vingado do cretino. Não que violência fosse a coisa certa a se fazer, no entanto Cecília sabia muito bem fazer uso dos privilégios de ser uma delegada federal para resolver seus próprios problemas. Ela ainda o fez prometer que nunca mais chegaria perto dela novamente. Em seguida Cecília e o agente foram comemorar fazendo sexo. Sim, fazendo sexo! Raul finalmente teve o que mereceu.
Ela nunca contou para Eduardo do ocorrido. Ela só contou que havia encontrado com Raul em Brasília e, só o fez, devido à insistência do médico. Então, tecnicamente, ela não estava mentindo para ele, certo? Ela só havia omitido alguns fatos que ela queria esquecer.
Helena colocou a mão em seu ombro e então Cecília desligou-se de seus pensamentos concentrando sua atenção na mulher cheia de hematomas à sua frente.
- Ceci, não fique brava comigo... Eu apenas não quero falar sobre isso. Não quero pensar nisso, pelo menos por enquanto.
- Tudo bem, Helena. Eu entendo você. Só quero que você saiba que pode contar comigo. Se você precisar de ajuda é só falar comigo.
Notas finais
Até o próximo!!!
Bjs, Nara.
Fale com o autor