Notas iniciais
Desculpem pelo tamanho, me empolguei.

– Onde estou?

Ciel se levantou meio tonto, olhou para os lados e se viu em uma sala escura sem iluminação nenhuma, não sabia como conseguia enxergar tão bem naquela escuridão imensa. Tentou lembrar o que havia acontecido mas sentiu uma forte enxaqueca.

Ciel entrou em desespero quando percebeu que não conseguia se lembrar de nada, a não ser de seu próprio nome.

– O que está acontecendo? – Ele pensou em voz alta. – Aonde estou?

–Está aonde todos de nossa espécie devem estar. – Disse uma voz feminina na escuridão.

–Quem está ai? – Ciel gritou assustado. Mesmo com sua visão melhorada no escuro não conseguia enxergar de onde vinha a voz.

–Não adianta me procurar jovem Semini. – Respondeu a voz. – Eu estou em todo o lugar.

–Semini? Do que está falando? Tire-me daqui, quero voltar para minha casa, não lembro aonde é, só sei que não é aqui!

–Esta é sua nova casa, bem vindo!

A voz cessou. Ciel procurava por todos os lados alguma forma de sair dali e fugir daquela voz. Encontrou uma porta e saiu correndo em direção a ela, tentou girar a maçaneta mas ela não se movia. Sentiu medo quando ouviu a voz de novo, mas dessa vez sentiu sua presença a alguns centímetros atrás.

–Calma jovem Semini, só quero conversar com você.

Ciel apertou os punhos e virou certo de que acertaria um golpe na face da dona daquela voz, mas quando virou para lhe acertar o golpe algo aconteceu. Sua mão parou sozinha em pleno o ar, não conseguia movê-la de forma nenhuma. Virou seu rosto para ver a face da dona da voz. Mesmo com seus sentidos aguçados, era difícil distinguir como era seu rosto, a única coisa que via era um brilho enorme no lugar dos olhos.

–Como está fazendo isso? Me solte. Onde estou, que lugar estranho é esse? Porque não lembro de nada?

–Acalme-se jovem Semini, eu lhe explicarei tudo, apenas esfrie a cabeça.

–Para de me chamar assim, eu nem sei o que é isso...

–Como eu te disse, eu te explicarei tudo.

A mão de Ciel foi liberta da grande força que a segurava, a dona da voz fez um gesto com a mão e a luz da sala se acendeu de repente.

Ciel pode ver agora quem era a garota. Sua altura era comum, Tinha a pele pálida , o brilho nos olhos desaparecera revelando que eram azuis, porém sem pupilas e seus cabelos loiros eram curtos para uma mulher chegando a altura do pescoço.

–Agora me siga e eu irei te explicar tudo Ciel. – Disse a garota

– Como sabe meu nome?

Ela sorriu e começou a andar, Ciel a seguiu.

–Eu sou Franchini, uma das líderes dos Seminis Lucis, você nunca ouviu falar de nós, não é?

Ciel balançou a cabeça negativamente.

–Normal. – Prosseguiu Franchini. – O livro sagrado sempre nos oculta, mas estivemos presentes em tudo, Torre de Babel, Arca de Noé, Destruição de Sodoma e Gomorra. Somos a terceira raça, conhecidos como Semini Lucis, os “Nascidos da luz”, viemos antes dos homens, fomos criados na grande Primeira Guerra Divina, viemos do ódio de demônios e das preces dos anjos. Temos o corpo semelhante aos humanos, porém pequenas coisas nos diferenciam...

Enquanto Franchini ia falando, Ciel foi observando por onde passavam, era um grande galpão com varias pessoas, talvez da raça mencionada, carregando caixotes de um lado para o outro, ele não sabia como, mas sentia o cheiro de comida saindo de dentro delas, seus sentidos pareciam realmente poderosos. Mesmo com sua presença, os outros pareciam não ligar para isso, atraindo apenas algumas vezes os olhares curiosos.

–Uma delas é o nível de poder. – Continuou a líder. – Nós temos o poder mil vezes mais elevado que o de um homem comum, como consequência, cada um de nós tem uma habilidade específica...

–A sua seria? – Perguntou Ciel curioso.

–Telecinese. – Respondeu. – Eu posso ler mentes, posso mover todo o tipo de matéria e até mesmo dissipar as moléculas do meu corpo por alguns segundos.

Ciel ligou os pontos e entendeu como ela sabia seu nome e todo o resto que havia acontecido na sala.

–Porém nós temos um nível de energia também, quanto mais usamos estas habilidades, mais cansados ficamos.

Franchini levou Ciel a um tipo de elevador, os dois entraram e no mesmo instante ele começou a descer.

–Outra coisa que nos diferencia, é a alma...

A líder fez uma leve pausa.

–A alma significa a aprovação de Elohim, o Livre Arbítrio, isto é como se fosse um passaporte para o dia do juízo, para a determinação dos que vão ao céu e dos que sofrerão no inferno.

Ciel não havia entendido muito, tudo aquilo parecia confuso, porque estava ali com eles?

–Olha Senhora Franchini. – Disse Ciel.

–Me chame de Fran. – Respondeu a líder. – É assim que todos daqui me chamam.

–Ok, Fran, eu gostei da história, foi bem legal aprender sobre vocês mas, porque eu estou aqui, não lembro de muito, mas tenho certeza que sou um humano.

–É ai que você se engana Ciel.

–Como?

–Nossa raça começou a se reproduzir e crescer cada vez mais, sabendo disso, Lúcifer, o arcanjo caído, começou a sentir medo de nós, achou que iríamos tomar seu reino, e colocou seus caçadores mais poderosos atrás de nós, já Elohim, até hoje não sabemos o motivo, mas também mandou seus anjos mais fiéis e poderosos para nos aniquilar. Desde então vivemos escondidos dentro da magia dos nossos feiticeiros mais poderosos. O sonho de todo o Semini Lucis é conseguir um lugar no juízo final, queremos ser julgados por nossos atos e seguir para algum caminho. Mas não podemos, já que não temos almas, nosso destino é o grande esquecimento, o vazio, o nada. Passaram-se mais alguns séculos e descobrimos que, por um pacto com um humano, um tipo de contrato, conscientizado pelos dois lados, nós poderíamos pegar a alma dos humanos e em troca eles virariam Semini Lucis, com poderes próprios.

–O que quer dizer com isso? – Interrompeu Ciel.

–Pare de me interromper, deixe-me continuar. Prosseguindo, um lado de nós sempre foi contra esse tipo de contrato, chamado de “Troca de destinos”, por acharmos que as almas eram apenas dos que nasceram com elas, não tínhamos o direito de pegá-las para nós, porém, uma parte da nossa raça era a favor, concordando que mereciam uma alma, não eram os culpados de terem nascido desse jeito. E foi ai que começou a nossa guerra civil, vários de nós foram mortos por defenderem suas próprias causas, perdemos milhares por causa dessa guerra idiota. Depois de toda essa ocorrência, os que eram a favor da “Troca de Destinos” fugiram e se denominaram como uma nova raça, o quinto poder, os “Semini tenebris”, apesar de serem semelhantes a nós, se acham superiores a ponto de quererem nos destruir.

Fran deu um leve suspiro e olhou nos olhos de Ciel, seu olhar sem as pupilas lhe amedrontava.

–Dizem que os olhos são o espelho da alma, isso é verdade, por isso não temos pupilas...

–Como assim “temos”, eu sou um humano, eu já disse.

–Deixe de ser tolo garoto, ainda não percebeu, você se tornou um de nós, um dos efeitos colaterais da mudança é a perca de memória.

–Não, eu não lembro de nenhum motivo para ter trocado de destino com um de vocês.

–Você não lembra de nada... Olha Ciel, sinto muito, mas agora não tem mais volta.

Ciel se sentia assustado, porque tudo aquilo havia acontecido com ele?

–Você lembrará de tudo depois de algum tempo, talvez demore alguns dias, mas sua memória irá voltar, e junto com ela, sua sede de vingança para quem te fez isso, só te peço um favor Ciel, Siga do nosso lado e eu prometo que lhe ajudarei a encontrar sua alma e toma-la de volta.

Ciel não via outra alternativa, era a única forma de voltar a ser o humano que ele era. O elevador parou e Fran saiu dele seguida por Ciel, os dois estavam em algo que parecia ser uma praça de alimentação de Shopping Center. Ele viu todos aqueles “Semini” sentados conversando e rindo sem prestar atenção na presença de sua líder.

–Aceito. – Disse Ciel para Fran.

Franchini parou e sorriu, havia mais um aliado ao lado dos Lucis.

–Seja bem vindo meu novo combatente, você fez a escolha certa. Quanto a sua habilidade, você logo saberá sobre ela, costuma aparecer bem rápido, você só vai precisar aprender a controla-la, questão apenas de prática...

BOOM

Antes da Líder Franchini acabar de falar, houve uma explosão no teto daquela praça de alimentação, pedaços caíram do teto e uma redoma de magia foi exposta.

–Nos descobriram! – Gritou a líder Franchini. – Seminis, Preparem-se para a defesa. Ciel, você vem comigo.

Os dois saíram correndo, Ciel olhou para a redoma lilás e percebeu que criaturas aladas a atacavam por fora, fazendo com que ela trincasse pouco a pouco.

–São os anjos! – Gritou Franchini novamente. – Ei, você!

Fran puxou um Semini que estava socorrendo alguns feridos debaixo dos escombros.

–Este aqui é Ciel, um recém transformado, preciso que leve ele e todos os outros até o mestre, ele já deve estar sabendo sobre o ataque e vai saber o que fazer com nossa raça.

–Mas e você Fran? – Perguntou Ciel.

–Eu agirei como uma líder e segurarei esses malditos anjos até todos estarem seguros.

No momento em que Fran disse isso um grupo de mais ou menos 300 Semini Lucis surgiu do elevador.

–Atenção esquadrão, vamos defender este lugar até o último de nós ficar de pé.

Nesse exato momento a redoma mágica foi quebrada causando um grande estrondo no lugar.

–Vai! – Gritou Fran ao Ciel

O Semini selecionado pela líder puxou Ciel pelo braço, Ciel Correu, sem olhar para trás, sem olhar para a garota dos olhos sem pupila...

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–Vamos, Varizi, Vamos destruir o lar desta raça podre. – Disse Caliel, o Serafim das asas de prata.

–Sim mestre.

Caliel ordenou que a tropa de 1000 anjos adentrasse aquele buraco feito na redoma mágica.

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–Caliel! – Gritou Franchini. – Serafim maldito, você pagará por seus pecados!