Semideuses Em Treinamento

6 Capítulo 6 - O mostro de Gaia


Sentada no chão lúgubre de uma das salas vazias das masmorras, Perrie Edwards encontrava-se em uma conversa enérgica diante de seu tão misterioso espelho.

– Já parou para pensar que talvez eu possa não querer mais participar? – sua voz saia num misto entre o sibilar e sua voz prepotente. Os olhos azuis da loira contemplavam fixamente o rosto de uma mulher com os olhos fechados que a mirava raivosamente do outro lado do espelho.

– Não me questione Edwards. Você aceitou ser quem é, e agora não pode voltar atrás. Um pacto se desfeito não consome só tempo... Mas também... A vida! – uma voz rouca e, para muitos, assustadora, rompeu do frágil objeto que a menina segurava com tanta volúpia. – Precisamos recrutar mais semideus se quisermos ganhar essa guerra, já tenho alguns e mente e eles precisam de alguém que lhes mostrem o caminho ...certo a se seguir. E é por isso – a garota bufou alisando seus cabelos, ainda fitando a outra que parecia não se importar com a opinião da menor. — ... que você deve encontra-los e os levarem até o local do teste... – deu uma breve pausa e nesse exato momento um grito agoniante pôde ser ouvido do outro lado do espelho. Segundos depois, a mulher voltou a ocupar seu devido lugar. – Preciso ir minha princesa... Sei que és capaz! – e no instante seguinte, o reflexo de Perrie formou-se.

– Que assim seja... Senhora! -a garota resmungou jogando o objeto em suas mãos sobre o ombro sem se importar se iria quebra-lo ou não.

Xx

Exatamente vinte e quatro horas se passaram desde as ultimas instruções recebidas pela sua senhora. Edwards trajava sua típica vestimenta de treino: um short jeans colado, uma blusa básica prateada com o brasão de sua família e um coturno preto que lhe dava o ar mais esportivo. Perrie caminhou lentamente do dormitório a sala comunal de um pequeno castelo no Canadá onde estava presa com as ordens de treinar os novatos. Lá, um grupo seleto de jovens meio-sangues, a aguardavam espalhados pelo local. Um singelo e frigido sorriso estampou a face da loira.

– Então vocês vieram... -deu uma breve pausa enquanto encaminhava para o meio da sala- confesso que não esperava tantos.

A menina deu uma pausa e girou sobre os calcanhares passando os olhos sobre os rostos ali, alguns ela reconhecera de seus dois anos no Acampamento Meio-Sangue, e podia ver o espanto em seus olhos ao raciocinar que ela era quem iria treina-los, e outros ela via pela primeira vez.

- É, estamos aqui. Gaia nos enformou que iriamos encontrar a pessoa que iria treinar seu exercito. - disse um menino que Perrie sabia que nunca tinha visto antes, ele era novo, mas mesmo assim muito bonito e a menina tinha certeza que nunca esqueceria um rosto daqueles. — Bem aqui estamos, o exercito está aqui, é você que vai...

- Exército? - indagou a loira deixando uma risada sarcástica se esvair - Que exército? - O menino trocou olhares confusos com os semideuses ao seu lado.

- Eu pensei que... - começou ele, mas a menina não o deixou continuar.

- Que era só Gaia dizer sim que você já estava no exército? - Edwards jogava um balde de veneno nas palavras que saiam de sua boca, ela , no fundo, não gostava de ser assim tão rude logo na primeira impressão. É preciso ganhar a confiança das pessoas. Mas se ela não fizesse isso eles nunca seriam bons o suficientes para entrar para o exército e todo o seu esforço ao lado de Gaia seria em vão. - Não é bem assim; Antes você precisa passar por um pequeno teste.

- Teste? - uma voz fina de uma menina de aparentemente 14 anos perguntou as costas de Perrie a fazendo virar - Que tipo de teste?

Observando a menina Edwards não pode deixar de sentir compaixão. Afinal, ela lhe lembrava muito ela mesma quando havia feito o teste. A loira balançou a cabeça tentando deixar esse sentimento de lado e deu as costas à garota se fixando nos semideuses a sua frente deixando um sorriso maldoso se formar em seus lábios.

- Me acompanhem e saberão.

Xx

Perrie sugou o ar gélido que adentrou seus pulmões como uma adaga afiada e descansou as mãos nos bolsos do casaco que havia se lembrado de pegar para não correr o risco de pegar uma segunda hipotermia. Alias a lembrança da primeira ainda estava bem vivida na cabeça da loira, ela havia a pego quando estava fazendo o teste para o exército de gaia assim como esses semideuses estavam fazendo agora sobre sua supervisão.

As memorias daquele dia não tardaram a aparecer para lhe atormentar um pouco mais...

Xx

“AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH” era o grito que se ouvia na fúnebre masmorra do castelo de Gaia. Grito fino e desesperado típico de uma garota assustada ao extremo. O caminho para chegar a masmorra principal havia muitas intersecções e no fim de uma delas podíamos encontrar duas pessoas: uma visivelmente de pé com a espada a centímetros do pescoço da outra que estava visivelmente caída aos prantos. Seu corpo tremia tão intensamente que ouvidos bem apurados poderiam escutar o choque de suas cartilagens.

– Não, por favor... Para! Eu não te fiz nada. - A garota caída suplicava, sua fala foi interrompida por um soluçar frenético, seus olhos fechados ainda sim não paravam de jorrar lágrimas. A morena que estava em pé, parecia se deliciar com tudo aquilo. Trajada apenas com um sobretudo preto, apresentava seus vastos cabelos soltos. Seus olhos faiscavam e seus lábios se abriam em um constante sorriso. Era visível o sabor que aquela ação tinha para a mulher.

- Implorando pela vida Edwards? Para assassina isso chega a ser cômico - disse a mulher enrolando sua delicada mão esquerda nos cabelos loiros da menina e puxando violentamente para trás movimentando a espada fazendo um pequeno filete de sangue escorresse em seu rosto a olhando fixamente. Com seu pé direito esmagou a mão que a apoiava no chão. – Você acha mesmo que não tem motivo para estar aqui?? - sua voz fria ecoava pelas masmorras. Seu semblante sério intimidava a garota que não demonstrava nenhum intuito de reagir. – TOLA!!! — Pressionou ainda mais seu pé, pondo o peso do lado direito do seu corpo a esmagar a delicada mão de Perrie – Você teve a audácia de vir até aqui para a procura Gaia não teve? AGORA AGUENTE AS CONSEQUÊNCIAS SE QUER FAZER PARTE DESSE EXERCITO - e um estampido ecoou nos corredores e mais uma vez um filete de sangue escarrou pelo rosto da menina jogada ao chão, dessa vez mais intenso. Um ultimo grito foi ouvido da boca da loira antes que caísse inconsciente.

As dores eram constantes. Pontadas incomodavam tanto que não havia conseguido sequer pensar em algo a noite inteira, aliás, nem sabia que horas seria e muito menos se estava perto de amanhecer.. Virava de um lado para o outro na esperança de que as dores pudessem passar, mas nada acontecia de diferente. A loira fechou os olhos com mais força repassando mentalmente o que havia decidido fazer.

“ Primeiro levantar, segundo distinguir a hora, terceiro tentar achar o castelo de Gaia.”

Não era uma lista longa, mas Perrie não havia conseguido sucesso nem sequer no primeiro item. Os cortes feitos por aquela mulher latejavam e o sangue seco, congelado pelo vento cortante do Canadá, estava lhe dando náuseas. A menina forçou o corpo para cima sentindo cada mínimo milímetro do seu ser responder em contragosto. Edwards apoio seu joelho no chão encoberto de neve e abriu os olhos pela primeira vez desde que havia acordado analisando onde estava e chegando a uma conclusão rapidamente.

Ela estava no meio do nada.

Para onde olha-se a pequena só conseguia enxergar o grosso tapete branco de neve encobrindo absolutamente tudo.

Edwards abriu um pouco sua boca deixando o ar quente que saia dela formar uma pequena fumacinha em frente aos seus olhos e então pois se a se analisar.

Havia um corte um tanto fundo em sua bochecha, um em seu ombro, sua mão estava quebrada e tinha um galo em sua testa. Seu corpo estava completamente dolorido e cansado, um calafrio subiu de sua espinha a fazendo tremer por inteira, estava tonta e estava siente de que sua respiração estava mais lenta do que o normal.

Quanto tempo estava ali? Era possível que ela já estivesse entrando em estado de hipotermia?

Em um movimento rápido a garota pois se de pé fincando seu pé direito na neve em busca de um equilíbrio que não tinha. Passou seus braços envolta de seu próprio corpo em uma tentativa inútil de esquentar a pela congelada e pôs-se a caminhar lentamente em frente.

“ Sempre em frente, vá sempre em frente” repetia a menina mentalmente.

Com o passar dos meninos, além do cansaço aumentar, um desejo cresceu no coração da loira.

Vingança.

Aquela mulher iria pagar por deixa-la a mercê do perigo no meio do nada nem que essa fosse a última coisa que ela faria antes de morrer. E então, aquecida por esse sentimento de ira Perrie continuou seu caminho pelo mar brando de neve até encontrar algo que lhe chamou a atenção.

Uma pequena fogueira se destacava de todo aquele cenário. Um fogo laranja crepitava e a garota podia sentir seu corpo sendo atraído como um imã para ele. Tirando forças de onde nem sequer existia Perrie conseguiu chegar à pequena fogueira se jogando de joelhos ao seu lado e tentando aquecer as mãos que há essa hora já estavam roxas.

- Pensei que já tivesse morrido – Um arrepio involuntário surgiu quando a loira ouviu aquela voz. Logo a menina estava de pé fitando com um ódio ardente uma das servas de Gaia, mais especificamente, a mulher que a avia abandonado no meio do nada. – Mas acho que lhe subestimei.

Perrie ouviu a voz da mulher apenas como um murmuro no fundo da sua cabeça, a raiva, o ódio e o desejo de vingança gritavam para serem libertos.

E assim ela o fez.

Em um movimento rápido a loira puxou seu colar fazendo o pingente de coração que residia nele voar para longe e uma espada brilhar em sua mão direita. Por um segundo Edwards pareceu notar um espanto no rosto da mulher parada em sua frente, mas um segundo depois suas feições voltaram a ser frias.

- O que pensa que está fazendo? – indagou a mulher entretendes – Eu não tenho tempo para brincadeiras de crianças. – Antes mesmo de pensar no que estava fazendo Perrie viu sua visão ficar vermelha cercada de ódio e um murmuro sair do fundo de sua garganta.

- Pensei que tinha aprendido que não devesse me subestimar.

Em outra situação a loira se sentiria mal em atacar alguém nem ao menos armado, mas naquele momento a única coisa que ela queria era ver o sangue da mulher escorrer de seu rosto assim como ela havia feito com ela. A ver implorar. Com um movimento rápido de seu braço extremamente hábil Perrie lançou sua espada diretamente na cabeça da morena, mas a outra foi rápida o suficiente para desviar e sair somente com um corte na bochecha.

Exatamente como o da Edwards

Um sorriso sarcástico surgiu nos lábios perfeito da filha de Afrodite.

- COMO VOCÊ SE ATREVE? – gritou a morena passando uma das mãos pelo sangue que escorria. A menina se aprumou deixando sua coluna reta e correu em direção a mulher, agora com uma adaga em mãos. Perrie se jogou contra a mulher a jogando no chão e ficando por cima. Com uma das mãos a loira puxava o cabelo da morena com certa violência prendendo sua cabeça no chão e com a outra segurava a adaga contra o pescoço dela.

- PARE COM ISSO – gritou a mulher fazendo Perrie soltar uma risada.

- Implorando pela vida? – sussurrou a pequena - Para uma quase assassina isso chega a ser cômico. – disse ela com a voz cheia de sarcasmo fazendo a mulher arregalar um pouco os olhos.

“– Não, por favor... Para! Eu não te fiz nada. — A garota caída suplicava, sua fala foi interrompida por um soluçar frenético, seus olhos fechados ainda sim não paravam de jorrar lágrimas. A morena que estava em pé, parecia se deliciar com tudo aquilo. Trajada apenas com um sobretudo preto, apresentava seus vastos cabelos soltos. Seus olhos faiscavam e seus lábios se abriam em um constante sorriso. Era visível o sabor que aquela ação tinha para a mulher.

- Implorando pela vida Edwards? Para assassina isso chega a ser cômico — disse a mulher enrolando sua delicada mão esquerda nos cabelos loiros da menina e puxando violentamente para trás...”

- Garota, acredite você não quer me matar – a mulher resmungava enquanto tentava soltar seus braços muito bem presos debaixo dos joelhos de Perrie.

- Ah eu quero –sussurrou ela – Mas eu não vou. E sabe por quê?

- Por quê? – Um sorriso maldoso surgiu nos lábios de Perrie.

- Por que machucar é muito mais divertido. – Puxando a adaga, Perrie rasgou o rosto da mulher de cima a baixo e ao ouvir o grito de dor e desespero dela não pode deixar de gargalhar.

Tomada pelo sentimento de estaze que a envolvia Perrie nem havia percebido que estava desfigurando a lateral do rosto da mulher. Em meio aos gritos ensurdecedores que ela emanava Edwards pode distinguir uma voz no fundo de sua cabeça.

- Chega – exclamou a voz fazendo Perrie parar instantaneamente. – Acho que você já provou ser digna o bastante.

A loira olhou para as mãos cheias de sangue e para o corpo da mulher que derramava lágrimas de dor que acabavam se misturando ao sangue quente que escoria em rios de seu rosto totalmente em pedaços.

Perrie se levantou libertando a mulher e jogou sua adaga no chão.

- Quem é você? – ouvi-se perguntar e a voz em um sussurro respondeu:

- Aquela a qual você quer se juntar.

Xx

Piscou. Seus olhos cheios de lágrimas, ocasionados pelo tempo em que passou sem nem ao menos piscar, foram esfregados e secados pelo dorso da mão. Suas orbitas esmeraldas pousaram agora na mulher que acabara de chegar.

- Elas já foram deixados no local – disse a mulher e Edwards apenas assentiu com a cabeça desviando seu olhar do rosto totalmente desfigurado da mulher que ela mesma destruiu.

- Eu vou para a fogueira, fique de olho neles –murmurou a loira se virando nos calcanhares e caminhando em linha reta até o crepitar laranja que ela via no horizonte.

Depois daquele dia em que foi aceita no exército de Gaia Perrie havia mudado. Agora não era mais somente uma assassina. Era um mostro também.

Um monstro cruel e sanguinário comandado por Gaia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.