Mikaela acordou no dia seguinte se sentindo renovada. Parecia que tinha dormido dois dias inteiros. Encontrou Blanca ainda dormindo. Percebeu que estava suja, e que sua cama estava toda melecada. Separou uma roupa e foi tomar banho. Tentou tirar sua blusinha, e reprimiu um grito. Estava grudada nos ferimentos e no sangue que haviam sido criados por Philip no dia anterior. Decidiu tomar banho daquele jeito mesmo: com a blusinha e o short. Depois de molhada, e de ter liquefeito novamente boa parte do sangue, ela conseguiu tirar a roupa, apesar de algumas partes ainda estarem grudadas.

Terminou seu banho, estancou os ferimentos que ainda sangravam, limpou todos os outros mais superficiais, vestiu-se e saiu do banheiro.

Saiu e deparou-se com Blanca ainda dormindo. Resolveu acordá-la.

– Ei dorminhoca. Acorda.

– Hum?

– Anda, acorda e vai tomar um banho, você está horrível.

Blanca olhou-se e viu que ainda estava com as roupas do dia anterior, que estavam com um pouquinho de sangue.

– Nossa! Horrível é apelido, amiga.

– Acredite, eu estava pior. Há! E acho melhor você entrar no banho com suas roupas, porque o sangue deve ter grudado.

– Valeu pelo aviso. Acho que nem preciso perguntar aonde você vai, não é?

– Acordar o dorminhoco – disseram as duas, em uníssono.

Mikaela sempre fazia isso. Bem, quase sempre. Algumas raras vezes ele acordava na hora, e outras mais raras ainda acordava antes de todos. Ele era um tremendo preguiçoso, como dizia Blanca.

Conforme Mia ia passando pelos corredores, alguns transeuntes que já haviam tomado café, os famosos madrugadores, olhavam com interesse para Mikaela. “Ótimo – pensou ela, com raiva – mais um evento para minha lista de: Ei, vamos julgar o nível de estranheza de Mia!” Mas ela respirou fundo e continuou. Chegou ao quarto de Théo, e quando foi bater na porta, ouviu um grito. Reconheceu a voz de Théo. “Danem-se as regras.” Abriu a porta e entrou.

Théo olhou surpreso para a porta. Avistou Mikaela entrando e fechando a porta, e pensou “Graças ao deuses. Minha salvação.”

– O que você pensa que está fazendo? Está louco?

– O que? Só tentei tirar minha roupa, mas ela estava meio grudada, aí pensei em rasgar a parte solta e...

– E retirar o resto de pele que você tem! Ótima idéia! Não quer uma faca, pra ajudar? Pelos deuses! Você tentou tirar com a faca!

Mikaela não sabia se ficava com raiva, chorava, ria, ou qualquer outra coisa. Estava com um milhão de pensamentos e preocupações.

– Vá tomar um banho agora! E só tire o resto da roupa quando o sangue tiver saído!

– Sim senhora. – ele estava aliviado. Nunca foi muito bom de cuidar desse tipo de situação. Não tinha a mínima idéia do que fazer, então se contentou a obedecer à ordem de Mia. Pegou uma toalha, uma roupa limpa e entrou.

– Da próxima vez, porque você não arranca o pano, ao invés de tentar tirá-lo? Já que você não liga mesmo pra se machucar e acabar com você, faz uma coisa mais inteligente. – disse Mia, irritada.

– Deixei você brava mesmo, não foi?

– Não, imagina. Só surtei porque tenho problemas em ver pessoas se matando. Sabe, não se vê isso todos os dias.

– Desculpa Mia. Não achei que fosse ser tão difícil assim.

– Pra mim não foi nada difícil. Vai ser difícil depois que você sair daí. Além de ter que cuidar dos ferimentos causados por um gigante estúpido, vou ter que cuidar de um masoquista mais estúpido ainda!

– Nossa, obrigada por me comparar com aquele bicho.

– Se ele tivesse o tanto de cérebro que você tem, acho que ele seria muito mais inteligente do que você!

– Tá Mia. Já entendi. Eu fiz uma burrada, você tá brava, eu entendo. Não precisa pegar pesado, tá? – Théo estava começando a ficar irritado e magoado.

– Hã, sim... Eu só... – disse Mia, meio sem jeito.

– Ficou preocupada comigo? – disse ele, sorrindo e aproveitando a oportunidade de falar com ela sem realmente se encararem.

– É, acho que sim. – disse ela, derrotada, escorregando até sentar-se no chão, ao lado da porta do banheiro. – Você faz muitas coisas sem pensar, e eu não sei o porquê. Só queria entender. Sério, você vai acabar se matando um dia, se continuar assim.

– Acho que a humanidade não vai sentir minha falta.

– E você só se preocupa com a humanidade! Blanca sentirá sua falta Eu... – disse ela, com a voz falhando. – Eu sentirei sua falta.

Théo, mesmo não a vendo, podia sentir as lágrimas correndo pelo seu lindo rosto dourado.

– Nossa! Você fala como se minha morte fosse certa. Eu só falei pra te zoar.

– Que um dia você vai morrer, vai. Todos nós vamos. Só não podemos saber quem vai primeiro.

– Hã... Vamos sair dessa conversa? É meio morta demais. –disse ele, abrindo a porta do banheiro.

– Engraçadinho. – ela estava sorrindo-lhe com escárnio.

– Não se importa se eu ficar sem blusa, não é? – ele deu um sorriso inocente.

Ela nem tinha notado. Tentou não parecer uma demente olhando para ele, mas não teve muito sucesso. Apesar de Théo pensar que não conseguiu o resultado esperado, Mikaela estava impressionada.

– Para um garoto que não faz metade dos exercícios diários que eu e Blanca fazemos, você está com uma barriga tanquinho das boas, ein?

– Só porque vocês não me vêem fazendo, não quer dizer que eu não faça.

– Hum... – ela fez cara de pensativa. – Mas vamos lá. Nossa! Não sabia que ele tinha acertado você no peito.

– Pois é. Mas foi o corte mais feio que ele conseguiu fazer. Já de você não posso dizer o mesmo.

– As lutas de você e de Blanca provocam muitos cortes, mas o gigante tinha a altura dele como obstáculo, e as aves tinham, bom, as asas. Já o Philip não. Ele estava no mesmo terreno que eu, e tínhamos praticamente os mesmos obstáculos. Então ficou mais fácil para ambos nos golpearmos.

– Ah, tá. AI!

– Tá doendo, é? Agora dói?

– Dói sim! AI CARAMBA! Mia, cuidado!

– Isso porque eu ainda estou nos braços. Imagine quando eu chegar nesse grandão aqui.

– Acho que você vai ter que colocar uma mordaça em mim.

– Você é muito palhacinho, não acha? Aliás, essa é uma boa idéia. – disse ela, enquanto pegava um pedaço de atadura e esparadrapo, e fingindo que ia realmente amordaçá-lo.

– Você não pretende usar isso aí de verdade, não é? – ele perguntou, inseguro.

– É claro que sim.

Ele se agitou, e tentou desvencilhar-se.

– Calma aí, garoto. Confia em mim.

– Fácil falar. – mas ele confiou. E ela fingiu que ia colocar a atadura em sua boca, mas no ultimo momento direcionou-a para seu braço direito.

– Você é uma tremenda chata, sabia?

– Chata porque eu estou cuidando de você, ou chata porque eu decidi fazer uma brincadeira inocente?

– Não sei. Acho que é porque às vezes você é irritante.

– Então eu não sou chata, sou irritante.

– Ai, tanto faz. Você é irritantemente chata.

– Oras, chegamos a uma conclusão. Não foi tão difícil, não acha?

Ambos riram. Mikaela continuou cuidando das feridas, quando Théo fez uma cara de quem havia descoberto algo.

– Ha-há! Você acabou de admitir que veio aqui pra cuidar de mim!

– Dã! Talvez por isso eu esteja aqui, cuidando de seus machucados... – ela disse, irônica.

– Mas você sempre falou que estava aqui pra cuidar dos meus machucados, dos meus ferimentos e nunca de mim. – ele declarou, com um sorriso triunfante.

Ela enrubesceu. Nunca tinha notado isso. Sempre tivera medo de declarar que ela estava aqui por ele, e não por obrigação. Ela olhou para o ferimento do peito, e começou a cuidar dele. Théo colocou a mão no queixo dela, e ergueu seu rosto até ambos ficarem na mesma altura, e muito próximos.

– E sabe o que mais? – disse ele, sussurrando – eu adorei isso.

Se Mikaela pudesse ficar mais vermelha, ela ficaria. Mas como não conseguiu, contentou-se em ficar em um tom muito rosado.

– Hã... Eu... – disse ela, sem jeito.

– Shh... – ele pôs o dedo indicador em sua boca.

Ele acariciou-a, mas contentou-se a fazer somente isso. Não queria arriscar tentar e ser atrapalhado, ou pior: ser rejeitado. Mas inconscientemente ambos se aproximaram.

De repente Mikaela saiu do torpor. Mas não foi indelicada. Parou de se aproximar e colocou a mão no peito de Théo, segurando o algodão com o remédio bem firme.

– AU! – disse ele, surpreso.

– Ai, me desculpe. – ela falou, dando um sorriso débil. – Tinha me esquecido disso.

Sua tentativa funcionou: ele nem sequer desconfiou de que havia sido de propósito.

– Não foi nada. Só... Doeu.

– Se doeu, é porque tenho que cuidar disto agora. Deve estar começando a infeccionar.

E ela voltou sua atenção para o ferimento. Realmente, estava começando a infeccionar. Já tinha um pouco de pus, e estava sangrando. Alguns minutos depois, quando Mia estava terminando de passar o remédio na ultima ferida, Blanca entrou, dizendo:

– Vocês vão mesmo perder o café da manhã?

– Que? – disse Théo, exasperado. – Por quê? Já está terminando?

– Calma garoto. Só fiz isso pra assustar. Pelo jeito consegui.

E foi assim que o trio se dirigiu para o refeitório: Blanca e Mikaela rindo e zombando de Théo, por tudo o que ele fazia.

– Hum... Que cheiro bom é esse? – Théo perguntou. Ele era ótimo em farejar comida.

– Sim. Cheiro de waffles, torrada e panqueca. – Concluiu Mia.

– Nossa! E de bebida, tem o que? – perguntou Blanca, zombando.

Mikaela “farejou” mais um pouco.

– Suco de laranja, de caju, café, leite e chocolate quente.

– Tá... Eu falei brincando, mas...

Eles entraram. Mikaela havia acertado. Acertado em tudo, para ser mais exato. Ela serviu-se de waffles e torrada, e pegou manteiga, mel e suco de caju. Blanca pegou uma panqueca, jogou caramelo por cima e pegou um suco de laranja. Théo pegou de todas as comidas, e um chocolate quente.

– Dieta que é bom nada, não é? – disse Mia, furiosa.

– Dieta para que? Eu sou saudável, faço exercícios físicos, e preciso de energia de manhã.

– Só porque você precisa de energia, não quer dizer que deve comer o salão inteiro. – redargüiu Blanca.

– Eu não estou comendo o salão. Só estou comendo tudo o que ele tem a oferecer.

– Dá na mesma, não dá? Tudo o que é comestível nesse salão você tá dando um jeito de comer.

– Ai, Blanca, dá um tempo! Eu estou com fome, tá?

– Ei gente! Será que não dá pra vocês darem um tempo não? Anda, vamos comer. Depois eu quero ver o quadro de avisos, tem um monte de gente lá.

Depois de comerem encaminharam-se para o quadro de avisos. Os novos horários escolares estavam lá. Mikaela procurou o horário de sua turma. Tinham várias aulas, umas novas, outras consideradas “normais”, mas era basicamente o seguinte: de manhã tinham aquecimentos e exercícios de condicionamento físico; de tarde tinham aulas teóricas sobre todo o tipo de assunto (inclusive os chatos que tinham normalmente); e de noite fazendo treinamentos “puxados”.

A parte preferida de Mikaela era à tarde: tinham aulas de mitologia grega, aprendiam as utilidades de plantas e seus poderes curativos; tinham aulas de história, mas era praticamente uma matéria nova para eles, pois como dizia seu professor, eles foram enganados com fatos mesquinhos e inverídicos. A parte preferida de Théo era de manhã: ver todo mundo se matando pra fazer dez abdominais. Já Blanca gostava da parte da noite, na qual ela treinava com arco e flecha, e descobriu que Mikaela não era tão boa assim nisso.

– Isso de arco e flecha não é pra mim. – disse ela, no fim de mais uma aula. Olhava para suas mãos, que estavam com cortes do rabo da flecha.

– Ah Mia. Não fica assim. Você está indo bem. Acerta nos alvos, quase sempre no centro. Só tem que tomar cuidado com a mão que segura a flecha. É só por isso que você está com esses cortes. Pensa pelo lado bom – disse ela, abaixando a voz. – pelo menos você está melhor que o Théo.

– Ei, eu ouvi essa, viu?

– Ah Théo. Pelos deuses. Você está péssimo. E o pior, nem se esforça.

– Blanca, eu não gosto de arco e flecha. E eu conversei com Philip agora, e ele disse que logo vão abrir uma turma de forjas, e eu gostei. Vai ser bem nesse horário, e eu vou tentar. Sempre gostei de fazer coisas, mexer com fogo, você sabe.

– Só por causa disso você não vai se esforçar aqui? – disse ela, enfurecida.

– É. Assim como você não vai se inscrever pra aula de forja porque você não gosta de fogo.

– Vocês dois não cansam nunca? – disse Mia, intrometendo-se. – Por que ao invés de vocês ficarem brigando por coisas tolas, vocês não fazem algo produtivo?

– Por exemplo...? – perguntou Théo.

– Por exemplo, prestar atenção aonde vão. Vocês já estão bem longinhos do caminho, não acham?

– E porque você está acompanhando a gente, então? – disse Blanca, surpresa.

– Quero ver onde isso vai dar. – disse Mia, apontando para uma trilha.

– Isso não estava aqui antes. – disse Théo.

– É isso o que me preocupa. Lembra daquele rosto? Pois é, eu nunca mais o vi desde que os centauros chegaram. Acho que ficou com medo. Mas uma trilha não aparece assim, de repente. Algo ou alguém têm de fazer o mesmo caminho diversas vezes para formar uma trilha. – Mia falou.

– E você acha que essa trilha vai para fora dos limites da escola, Mia? – disse Blanca, receosa.

– Não sei Blanca. E não pretendo ver isso agora. De noite não é uma hora segura. Pelo menos não para nós, que ainda não fomos treinados o suficiente para termos os sentidos aguçados. Só vou um pouquinho para dentro, para ver se tem alguma curva, ou ela segue reto.

– Mia, eu acho que devemos falar sobre essa trilha com Philip ou algum outro centauro. – Théo declarou.

– Sim, eu vou fazer isso. Mas sinto que preciso dar uma olhada nisto antes. Fiquem de olho para ver se tem alguém vindo.

Blanca e Théo se posicionaram um em cada lado da trilha, e Mikaela adentrou um pouco.

– Não dá pra ver muita coisa daqui. Vou um pouquinho mais para dentro. – disse Mia, já se distanciando.

Passaram-se cinco minutos, e Mia ainda não tinha voltado. Ambos começaram a se preocupar.

– Acho que vou lá ver o que ela está aprontando. – disse Théo.

Théo começou a se aproximar, quando de súbito uma sombra pulou nele. Ele caiu, e tentou lutar com a sombra. Blanca pegou um galho caído do chão e se aproximou velozmente para acertar a sombra. Vendo o rosto do ser, estacou. Começou a rir. Théo, ainda em estado de choque, olhou para Blanca com o rosto interrogativo. Blanca apontou para o atacante, que já havia saído de cima de Théo. Então ele focou seus olhos no rosto e viu... Mikaela. Ele ficou enfurecido.

– Você enlouqueceu?! Que idéia é essa? Quer me matar de susto?!

– Calma menino! Foi só uma brincadeira! E você Blanca, com essa mania de improvisar armas!

Théo olhou pra mão de Blanca e não se segurou: desatou a rir. Mia ajudou Théo a se levantar, e o trio se encaminhou para a arena de treinamento, ainda rindo.

Chegaram na arena, e perceberam que estavam um pouco atrasados. Philip chamou-os e perguntou o porquê. Mikaela falou do caminho encontrado, e da verificação feita, que ela ainda não tinha comunicado aos amigos.

– Parece que é uma trilha que tem varias bifurcações, como se uma pessoa estivesse tentando encontrar algum caminho para alguma coisa. O senhor sabe se foi algum centauro que fez a trilha?

– Que eu saiba não, Mia. Vou procurar me informar sobre isso, e pedir para um ou dois centauros verificarem as trilhas.

– Eu gostaria que nós pudéssemos ir junto professor.

– Nisso eu ainda vou pensar Mikaela. Agora vão para seus lugares, que a aula já vai começar.

Eles se dirigiram ao fundo da turma, como sempre faziam. Isso pode dar a impressão de que eles não são alunos exemplares, mas na verdade era exatamente o contrario. Eles eram ótimos e esforçados em tudo o que lhes era pedido. Após se acomodarem, Philip começou a falar.

– Como vocês têm treinado pela manhã, e os seus professores disseram que seu rendimento aumentou muito rapidamente, o que realmente me deixou impressionado, eu decidi começar a fazer aulas mais divertidas, digamos assim.

Todos fizeram caretas, principalmente o trio. Eles não haviam tido uma boa experiência de aulas mais “divertidas”. Geralmente isso significava lutas mais acirradas, e muitos ferimentos profundos e doloridos.

– Não se preocupem. – disse Philip, entendendo as expressões. – Vou tentar começar devagar. Vou puxando mais o treinamento conforme vocês forem se mostrando mais aptos. Vamos começar com um desafio que se chama caça ao tesouro. É basicamente muito simples: sem monstros, só vocês e algumas armadilhas bem óbvias, que pelo menos 90% de vocês vão identificar.

– Os outros 10% se lascam. – disse Blanca, que era péssima em identificar armadilhas.

– O jogo é o seguinte: serão formados quatro grupos, um em cada ponto cardeal, e cada grupo deverá proteger seu tesouro, e ao mesmo tempo tentar pegar o dos outros times. O tesouro estará em um baú. É estritamente proibido retirar o baú do local selecionado, ou carregar o baú inteiro para fora dos limites. O objetivo de vocês está dentro do baú. Terão quatro panos em cada baú. Quem conseguir colocar no baú os quatro panos, um de cada cor que representará cada time, vai carregar o baú inteiro para o centro dos pontos cardeais e encontrará uma tuba. Essa tuba deverá ser tocada, e o jogo finalizado. Portanto, esse será um jogo onde será de muita ajuda uma coisa chamada estratégia, que só alguns de vocês têm, pelo jeito.

Todos começaram a conversar, estipulando estratégias, grupos e táticas de batalha, quando Philip interrompeu-os:

– Esqueci de um detalhe: os grupos já estão montados. – todos o olharam com rostos inconformados.

– Deixa eu adivinhar – disse Mia – Nós vamos ficar em grupos diferentes.

– Exato Mikaela. – Disse Philip. – Vocês têm que aprender a ter boas estratégias com todos, e se dar bem com todos. Acho bom vocês, que já tem grupinhos formados, irem se acostumando a ficar separados em minhas aulas.

Os grupos foram formados. Mikaela não caiu em um grupo de pessoas muito boas, pelo menos não aparentemente; sua cor era a azul. Ela teria que dar um jeito. Blanca parecia ser a mais sortuda do trio: havia caído no time amarelo, com pessoas talentosas. Théo havia caído com alguns meninos que ele não simpatizava muito. Ele era da cor vermelha. Todos os quatro grupos: vermelho, amarelo, azul e verde, se dirigiram ao centro do local de batalha. Philip mostrou um mapa com a configuração do terreno, e os times viram em qual ponto cardeal eles ficariam: o time azul ficaria no norte, o verde no sul, o amarelo no leste e o vermelho no oeste.

– Mais uma coisa – disse Philip. – Vocês vão para seus terrenos, e terão um tempo para fazer uma estratégia. Terão dez minutos. Depois disso, soarei a tuba e o jogo começará. Sem mais nada de tempo, a menos que vocês queiram ficar desprotegidos ou algo do gênero. Todos entenderam?

Todos fizeram que sim com a cabeça.

– O tempo de vocês começa agora. Dirijam-se aos seus postos o mais rápido possível, é o último conselho que lhes dou.

Philip não precisou falar duas vezes. Todos se apressaram para seus respectivos postos.