Semideuses: A coroa Perdida.
11 Separados
Notas iniciais
Capitulo onze: Separados.
Não, eu pensei que a minha vida fosse acabar quando uma enorme serpente do mar tentou nos engolir. Estávamos agora dentro do mar de monstros para qualquer lugar que olhamos havia um monstros, não é a toa que aviões e barcos vivem desaparecendo por essa área.
A pior coisa que podia acontecer era meu sonho, vi todos em forma de zumbi, eu acho que isso não tem nada haver, quer dizer, meus amigos não vão virar zumbis se eles morrerem, ou vão?
Desci para o quarto, estava uma tempestade horrível lá fora e nem sabíamos aonde estávamos, quando abri a porta da cabine com as camas vi Rick agarrado no ferro do beliche, ele estava com o medo impregnando em seu rosto.
– o que foi? – perguntei olhando para ele – algum problema?
– nenhum – mentiu – só estava checando se o ferro do beliche é seguro.
– sei – eu me sentei na cama de frente para ele – e ele é?
– muito resistente – respondeu sorrindo, mesmo com o rosto pálido, seu sorriso ainda era bonito, mas esse desapareceu quando o barco balançou, o menino voltou a se agarrar no ferro da cama, assim a cama ia quebrar – muito mesmo!
– Rick, você tem medo do mar?
– não! Só um pouco... – o barco parou de se mexer e ele relaxou – quer dizer, aqui é domínio do deus dos mares, Poseidon...
– e o que isso tem haver?
– como filhos de Poseidon não gostam de voar eu não gosto de mar, simples. Estamos em um ambiente que é desfavorável para nós. Entende?
– acho que sim, mas este lugar é seguro, nada pode acontecer...
Nesse mesmo momento a porta da cabine se abriu e Chie entrou nela, a menina estava toda molhada, da cabeça aos pés, seu rosto demostrava desespero e foi quando eu vi a água invadindo o lugar.
– problemas – disse Chie por fim – há água por todo o lugar! Vamos afundar!
– o que? – perguntei.
Me senti mal por ter deixado Rick sozinho, mas corri ate as velas e me vi em uma situação meio complicada de mais. Não sei muita coisa sobre velas rasgadas, sei que elas não são boa coisa. Sei também que água dentro do barco não é um bom sinal e cadê o treinador?
Um bastão de madeira, parte do veleiro, voou em cima de mim, se não fosse pelo meu reflexo de ter me abaixado aquilo teria me atirado no mar em tempestade. Era chuva era água do mar, eu já não conseguia entender o que estava acontecendo. Quando eu vi uma enorme tartaruga marinha.
Ai deuses! Aquilo era enorme. Com dentes afiados arrancava as velas do barco e dava patadas nele fazendo ele se mexer mais do que as ondas do mar. Minha visão encontrou o treinador em cima da cabeça da tartaruga batendo nela com força seu bastão.
– o que é isso? – perguntou Chie que segurava sua espada pesada com as duas mãos – ataque das tartarugas?
– acho que sim... mas tartarugas... santo Poseidon! – exclamei quando eu vi outra tartaruga gigante arriando sua cabeça e partindo o barco no meio. Eu e Chie ficamos em uma parte, mas Rick ficou em outra, ele estava agarrado a boia salva vidas tentando evocar um raio, mas uma onda o engoliu – Rick!
Eu não o vi mais. Meu coração ficou acelerado, eu havia o perdido? Tentei não pensar no pior, tentei me concentrar no que estava acontecendo. Olhei rapidamente o treinador furando o olho do monstro e depois o outro monstros nos atacou, eu e Chie pulamos no mar, ela afundou com aquela espada de mais de um metro, lutava para nadar, mas não conseguia.
Veio uma onda, eu mergulhei, mais uma, essa me levou para o fundo, quando voltei para superfície mais uma me engoliu, eu mal consegui pegar um ar, afundei, rolei e bati minha cabeça em alguma coisa. Tudo ficou escuro e eu fui afundando ate pegar no sono.
Quando acordei estava na beira de uma praia, a areia quente sendo molhada pela maresia do mar, o sol era forte e eu mal conseguia abrir meus olhos, mas logo que minha visão se acostumou consegui me localizar. A primeira coisa que pensei foi que estava morta, mas depois percebi que ainda estava viva, pois meu coração batia.
– aonde será que estou? – perguntei para mim mesma olhando ao redor, não via nada além de coqueiros, mar azul, areia branca e quente, reder feitas de heras e um caminho de pedras que levava para algum lugar – é, vale a pena tentar...
Andei pela areia, entrava quilos de areia dentro do meu sapato molhado, resolvi tira-lo, andei descalças e senti meu pé queimar, corri ate a parte do caminho de pedras e comecei a andar devagar, olhando a paisagem, era um lugar muito bonito, com uma linda floresta tropical e lá no topo de uma colinha havia uma casa toda de vidro. Subi umas escadas de madeira ate a casa, no fim vi um arco de gesso branco como os de templo gregos antigos e nele estava escrito algo em grego, me assustei mais uma vez quando consegui ler. “casa de amor”. O que seria uma casa de amor?
Quando passei por ali entendi porque. Nossa deuses o que vocês fazem aqui? Quero nem comentar, tudo ali tinha um ar romântico, namoradeiras de madeira, a piscina em forma de coração. Olhei para dentro da casa e vi a sala de está, cozinha e sala de jantar, uma escada levava para o segundo andar.
– isso só pode ser...
– minha casa e verão? – perguntou aquela voz doce e familiar, olhei para trás e vi Hera sentada em uma namoradeira vendo um álbum de fotografias – sim é ela sim, foi a primeira chegar.
– cadê os demais? – perguntei para ela.
– ainda não apareceram – respondeu – eu pensei que fossem chegar juntos.
– tivemos uns problemas – comentei lembrando de Chie afundando e de Rick sendo engolido pela onda — se era aqui que a coroa deveria está, quer dizer que você já a achou?
– não, quero que você a ache para mim – disse a deusa.
Algo na voz dela estava estranho. Hera disse que não podia sair do olimpo e está aqui, porque ela não procura a coroa sozinha se está aqui? Não consegui entender.
– não consigo entender os deuses – comentei – dão uma dica, mas na verdade não dão! Poderia ser mais clara?
– ache a cora para mim – repetiu a rainha dos céus – abra os olhos e ache-a para mim.
Tudo começou a tremer, a deusa caiu em um precipício que se abriu sobre seus pés. Uma voz sonolenta e calma gargalhou, não queria olhar para baixo e ver quem era, tentei correr, mas estava presa, alguém segurava meu pé.
“vocês não vão conseguir sair juntos dessa”
Disse a voz que vinha lá de baixo. Tentei correr, fechei os olhos, senti alguém amassar meu peito me fazendo cuspir água, abri os olhos e me vi dentro de uma caverna, tossindo muito consegui olhar para quem estava na minha frente.
Era um garoto de um olho só no meio da testa e tinha um sorriso bobo na cara. Senti meu corpo pesado e fiquei me perguntando se tudo aquilo foi um sonho, voltei a me deitar e olhei para o garoto.
– foi você quem me salvou? – perguntei.
– David salvou semideusa – respondeu – David não fazer mal.
– tudo bem – falei sorrindo – eu não vou te machucar.
– nem David — ele usava uma camiseta roxa e uma calça jeans – agora tomar néctar.
Ele me deu um copo cheio de néctar, tomei aquilo que me fez sentir um tanto melhor, meu corpo ficou mais leve e minha fome se abriu.
– tem algo de comer? – perguntei.
– comer? – perguntou David – comida? Você querer comida?
– sim, isso, comida, muita fome – falei de um jeito que ele pudesse me entender, se bem que eu não preciso falar como se eu fosse sei lá o que, uma besta.
David se levantou e foi pegar algo dentro de uma geladeira. Achei estranho ter uma geladeira dentro de uma caverna, mas achei melhor não perguntar. Percebi que estava toda enfaixada, na minha testa tinha uma faixa, meu braço e nas minhas pernas, usava outras roupas, estava usando uma camisa que ficou enorme em mim e uma bermuda que também ficou gigante em mim, deduzi que essas roupas fossem de David que me trouxe uma bandeja que tinha um prato com peixe e um suco de morango.
Comi tudo e bebi ate a ultima gota do suco. O menino ficou me encarando e tocando no meu rosto, achei estranho, mas não fugi. Fiquei de pé e a calça caiu. Ah deuses ainda bem que ele não tirou a minha calcinha. Achei uma corda e amarrei a blusa como se fosse um vestido, ate que ficou bom assim.
– aonde estamos? – perguntei para ele – pode me dizer?
– ilha do ciclope – respondeu – meu pai morar aqui comigo.
– entendo – aquele menino tinha uns 2 metros imagine o pai, não queria ter que lutar contra dois ciclopes sozinha e nesse estado – e seu pai aonde está?
– papai foi falar com a nossa mestra – respondeu – só voltar daqui a três dias.
Melhor para mim, tentei não dizer, o ciclope me deu um pente de cabelo e um espelho quando vi minha aparência no espelho tive um troço. Meus cabelos estavam cheios de nós e meu rosto estava horrível. Penteei meus cabelos e lavei o rosto.
– há outros semideuses por aqui? – perguntei.
– não, David só achar você, papai trouxe do fundo do mar
– seu pai me trouxe do fundo do mar? Havia mais alguém por lá?
– não, só você, papai dizer que você tem que ficar aqui para sempre.
Aquelas palavras começaram a me dar medo. Tentei parecer calma, mas algo estava me incomodando porque eu tinha que ficar aqui? Tudo bem que aqui não era tão ruim, tinha comida e tudo mais. Mas meu subconsciente gritava na minha cabeça, meus instintos eram de correr para longe dali, foi quando uma voz veio na minha cabeça “devem trabalhar juntos” era uma parte da profecia em que eu Chie e Rick deveríamos ficar juntos para lutar, separados não somos nada. Mas como é que o pai de David sabia disso?
– para sempre pode ser muito tempo – comentei. David era bacana, cuidou de mim, mas ele era meio burro, preciso tentar convence-lo de me deixar ir – porque não me deixa ir?
– ir? – ele coçou a cabeça confuso – mas o papai...
– ele não está aqui, está? – perguntei.
– não, já disse que ele foi falar com a nossa mestra – respondeu ele meio irritado, acho que pensou que eu fosse a besta, melhor assim, nem vai desconfiar de mim.
– você é quem manda aqui – comentei – não precisa obedecer ele.
– mas... David é um bom filho.
– ele te dar algo em troca?
– não, mas...
– David – eu tentei segurar em seu ombro, mas era alto de mais para mim então segurei no seu dedo que era grande – você não pode para sempre ficar preso aqui, tem muitas coisas para fazer no mundo lá fora, não seja burro, vamos comigo...
– BURRO? – gritou David me empurrando para trás, eu voei e caí de costas no chão – David não é BURRO!
– David – gritei antes dele agarrar meu pescoço e espreme-lo, já nem conseguia respirar – desculpe...
Minha visão foi ficando embaçada quando ele me soltou, caí no chão tossindo para recuperar o ar, levei as mãos ao meu pescoço, foi por pouco, eu quase morri, olhei assustada para David quando ele tentou me tocar eu me afastei tremendo.
– você sente medo de David? – perguntou se afastando de mim seu olho estava cheio de lagrimas – como os outros?
– não David – respondi ficando em pé – eu não tenho medo de você.
– David quase a matou – falou – David é mau!
– não! – gritei pulando em cima dele antes que ele pegasse um bastão para bater em si mesmo – eu que sou má! Tentei fazer você me ajudar a fugir! David é bom!
– David é bom? – perguntou me pegando das suas costas e me colocando no chão.
– muito bom – respondi – Debby que é má.
– Debby? Quem é Debby?
– sou eu – respondi rindo, esqueci de falar meu nome. Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa a imagem de um ciclope bem maior e bem mais feio pareceu atrás de David era uma imagem feita a partir da água que tinha dentro de uma bacia.
– como a prisioneira está? – perguntou o outro ciclope.
– está dormindo – respondeu David se metendo na minha frente – ainda está fraca de mais.
– ótimo, deixe-a viva, mas bem fraca para que ela não possa fugir e vim atrás de seus amigos.
O ciclope mostrou para David algo atrás deles, vi Rick e Chie pendurados por uma corrente em uma caverna escura e úmida, o rosto de Rick estava ensanguentado e Chie tentava lutar para se livrar das correntes, o ciclope riu e deu um peteleco na barriga dela que cuspiu sangue. Não sei se ela me viu através daquela imagem, mas seus olhos encontraram com os meus, tinham lagrimas escorrendo deles, tinha um corte serio na testa, sua boca de mexeu, mas não saiu som, mas eu consegui entender a mensagem, era para mim.
“nós ajude”
Foi o que Chie disse. Uma parte da profecia tinha que ser cumprida, temos que ficar juntos, não vou deixar que esse ciclope machuque meus amigos, nunca!
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