Semideuses: A coroa Perdida.
9 O Barco.
Notas iniciais
Capitulo nove: O barco.
Tudo bem foi melhor do que eu imaginei, primeiro o motorista do taxi era maluco, ele saía cortando todos os carros e ia em alta velocidade, pensei que eu fosse morrer ali dentro, mas chegamos aonde Chie deu o endereço. Era um apartamento pequeno, mas a tia de Chie nos recebeu e nos acomodou muito bem.
A família dela era toda japonesa? Sua tia, seu tio e seu primo tinham olhos tão esticados que aparentavam estarem sempre com os olhos fechados, apesar de ser pequeno o apartamento era aconchegante, dormimos na sala mesmo. Em como é que Chie disse? Tatame? Tanto faz.
Pela manhã bem cedo Chie nos chamou. A menina usava suas calças jeans tênis da Nike rosa com azul escuro, seus cabelos estavam presos em uma trança que caia em seus ombros.
– temos que ir – disse – de acordo com a titia o ônibus para Miami saí as oito em ponto, mas temos que está lá as sete.
– que horas são? – perguntei limpando meus olhos, olhei pela janela e o sol mal tinha nascido – ainda nem amanheceu!
– deixe de preguiça, anda! Vamos! – falou me puxando.
A tia dela que estava fazendo o café sorriu para mim e apontou para cima da mesa aonde vi uma toalha. Ela não sabia falar inglês muito bem, por isso usava muito as mãos para se comunicar.
Aquilo eu não precisava que Chie traduzisse para mim, tenho que tomar banho. Entrei no banheiro e me tranquei. Tirei a roupa e a deixei dobrada em cima do vaso sanitário e em cima da roupa minha toalha. Entrei no boxe e tomei uma ducha de água quentinha e relaxante, demorei o máximo que pude, quer dizer uns 20 minutos, lavei bem meu corpo, não sabia quando ia tomar um banho de novo, depois vesti o mesmo jeans e outra camisa laranja que estava dentro da minha mochila.
Olhei-me no espelho e estava com uma aparência de dar medo, meu cabelo ondulado estava tufado o que me deu trabalho para pentear, amarrei em um rabo de cavalo alto e prendi minha franja também. Tentei dar um jeito no meu rosto, dentro da minha mochila lá no fundo estava meu estojo, não era da escola e sim de maquiagem mesmo que eu não use, Bianca fez bem deixa-lo ali.
– vamos lá Debby, você consegue dar um jeito nisso – falei me referindo ao meu rosto, minha olheira funda, minhas sardas mais escuras e meus olhos inchados, escovei os dentes e passei uma base para melhorar, depois uma mascara para os cílios e pronto, estava melhor.
Saí do banheiro e dei de cara com Rick que segurava a tolha no ombro, ele estava com a mesma cara que eu, acabado, horrível, seus cabelos loiros arrepiados e sua bochecha vermelha. Tentei não rir e me contive para não oferecer meu kit de maquiagem para ele.
– é todo seu – disse pegando minha roupa suja e minha mochila. Ele tentou sorrir e bateu a porta do banheiro.
Depois de um tempo ele já estavam com sua cara normal, olhos azuis brilhantes, o rosto não amassado e o rosto não estava com um lado da bochecha vermelha, será que ele usou maquiagem? Tentei não perguntar. Comemos o delicioso café que a tia de Chie fez para nós e saímos.
– sua tia foi caridosa pagando a nossa passagem – comentei quando já estávamos sentados em nossos lugares indo para Miami – ela sabe sobre você?
– não – respondeu Chie que estava do meu lado. Nas cadeiras atrás de nós estavam Rick e o treinador – mas quando eu pedi ajuda, ela se apressou em fazer isso.
– que tia legal – comentei sorrindo. Eu e Chie ainda não tivemos uma conversa digna, eu não sabia nada sobre ela, sei que ela tem sague japonês, e que é filha de Atena, fora isso mais nada.
– que nada, ela faz isso porque já fez muito mal para meu pai e para mim – falou colocando seus fones de ouvido e fechando os olhos – me acorde quando tivermos chego em Miami.
– tudo bem – falei olhando para a janela.
Que maravilha, não sei quanto tempo de viagem é de New York para Miami não suporto ficar aqui parada, é mal de semideus ser hiperativo, queria poder conversar e conhecer Chie melhor, mas ela estava apagada ate roncava aqui do meu lado, tirei meu sinto e olhei por cima do banco o banco aonde estava Rick lendo um livro com o fone no ouvido e o treinador dormindo, ele ainda babava, lembrei-me do dia em que viajamos parece ter ocorrido a tanto tempo.
– o que foi? – perguntou Rick me encarando com seus lindos olhos azuis – algum problema?
Voltei a realidade e sorri para ele.
– nada, nenhum, estou bem é que estou entediada – assumi.
– eu sei como é – falou rindo – porque não tenta dormir, escute uma musica, toma – ele me deu o seu MP4, sim era um MP4, pensei que isso nem existia mais.
– ainda existe? – comentei rindo, ele ficou levemente corado depois sorriu.
– semideuses não são lá muito ligamos para tecnologia, eu sempre vivi no acampamento, por isso nunca liguei para essas coisas de tablete e de Iphone.
– entendo – segurei o MP4 e voltei a me sentar no banco, coloquei o fone no meu ouvido e dei play na musica que ele estava escutando.
Piano? Não sei, era uma melodia sem a canção, só o áudio o que me fez relaxar, quando percebi estava apagada.
Em meus sonhos eu estava em um barco, um barco de madeira, o mar estava agitado estávamos dentro de uma tempestade, o barco balançava o que me fez cair no chão molhado, vi Rick agarrado ao mastro central da embarcação, seu rosto estava tomado pelo pavor, vi Chie desmaiada no chão, vi o treinador segurando o leme e gritando para que nos segurar em algum lugar.
Tentei me agarrar em alguma coisa, mas não via nada na qual pudesse me segurar a minha única alternativa foi segurar a perna de Rick que gritava, será que ele tinha medo do mar? Não queria perguntar para o Rick dos meus sonhos, mesmo que perguntasse ele estava ocupado de mais chorando e gritando para me responder.
O meu sonho ficou mais calmo, o céu se abiu e o mar parou, parou literalmente, não havia ventos e as águas estava paradas era como se eu tivesse em uma piscina de águas azuis. Percebi que eu estava sentada em uma cadeira dentro de uma cabine, quando eu vim parar aqui?
Lembrei que era um sonho, tudo podia acontecer. Saí da cabine e procurei pelos demais, não vi ninguém, não havia ninguém ali.
– Rick! – chamei – Chie! – ninguém respondeu – TREINADOR!
Mais uma vez o silencio me respondeu, era estranho, muito estranho, andei por todo barco ate no couves, não havia ninguém ali. Quando subi de novo vi o céu estrelado, quando senti uma mão me puxar para baixo quando vi era Rick, mas não o lindo Rick loiro de olhos azuis.
Os olhos dele ainda eram azuis, mas ele estava cinza como se tivesse morrido, sua pele descascava como se ele fosse um zumbi de filmes e series de televisão. Gritei e chutei ate acordar com um salto.
Estávamos em Miami, Chie do meu lado de encarava como se eu fosse um fantasmas.
– pesadelos? – perguntou.
– sim – respondi seria – um barco.
– pesadelos são comuns para semideuses – comentou a menina – eles sempre nos mostram algo que vai acontecer. Mas um barco? Que estranho. Será o barco que temos que pegar. Vamos, depois você me conta os detalhes, temos que ir.
Ela se levantou. Tentei me acalmar, mas parece que meu coração ia rasgar minha pele e pular para fora de mim de tão acelerado que estava. Eu mal conseguia respirar, tentei mais uma vez me acalmar fechando os olhos, mas a imagem de Rick como zumbi me assustou e eu abri os olhos.
Se os sonhos de semideuses mostram o que vai acontecer, não quero subir em barco nenhum, não quero ver o final desse sonho.
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