Semideuses: A coroa Perdida.
5 A filha de Apolo.
Notas iniciais
Capitulo cinco: a filha de Apolo.
Quando me deitei na cama eu apaguei. Sempre tive pesadelos, já devia está acostumada, mas parece que cada vez mais os sonhos pioram. Eu me vi em meio de um circulo de fogo. Não tinha para onde fugir, tentei gritar, mas ninguém me ouvia ou veio me salvar.
– o que vai ser? – perguntou uma voz depois do fogo. As chamas eram tão altas que eu não conseguia ver quem era, mas sua voz era grave e alta, só de ouvir eu fiquei arrepiada e com medo – quem vai ser? Eu ou você?
A voz riu alto e o teto do lugar aonde eu estava desabou. O pior não foi isso, o chão sobre meus pés se abriu e eu caí para a escuridão. Um segredo: eu tenho medo de altura, tenho medo de cair, tenho medo de ficar em um lugar muito alto, sempre, desde pequena, nunca entendi o motivo.
Acordei gritando, já era de manhã e ao meu lado vi Philip e Clarisse. Ela estava preocupada e ele estava normal, aqueles lindos olhos me encarando, fiquei meio envergonhada por ter gritado.
– o que aconteceu? – perguntou Clarisse – tudo bem?
– foi só um sonho ruim – respondi descendo da minha cama.
– semideuses sempre tem pesadelos – disse Philip – as vezes são muito ruins.
– estou bem – menti – não se preocupem.
Eu fui ate o banheiro aonde tomei banho, penteei meus cabelos e escovei os dentes. Em cima da minha cama estava uma camisa laranja que tinha escrito “acampamento meio sangue”. Tentei procurar minhas outras blusas dentro da minha sacola, mas não havia nada ali dentro, ótimo, um acampamento que tem uniforme. Como não vi outra saída, vesti a camisa laranja por cima da minha camiseta branca, coloquei o meu short preto e saí do chalé.
O dia lá fora estava lindo. O sol brilhando no céu, as árvores bem verdes, os morangos da colina bem vermelhos e apetitosos. Campistas saindo de seus chalés em grupos, usando sempre a camisa laranja e caminhando para só uma direção.
Perto da floresta havia um conjunto de colunas brancas com um teto de pedra, isso me lembrou a Grécia. Quando eu cheguei mais perto pude ver varias mesas compridas aonde os campistas se sentavam. Uma mesa de frente para todos eles comprida aonde estava sentado Quíron e mais dois homens barbudos com cifres.
Havia uma mesa com comida, aquele cheiro fez meu estomago roncar, fui ate aquela estrutura, refeitório e peguei um prato branco como o de todo mundo e fui me servir. Haviam lindas meninas servindo a comida, elas tinham cabelos perfeitos, a única coisa estranha era que elas tinha orelhas pontudas e a pele meio verde. Ninfas, como aquelas que eu vi no dia em que cheguei aqui.
A comida era de aparência boa, cheirosa, só que era tudo light, não tenho problema em comer cereais com iogurte sem açúcar, mas leite de soja com café... aí já tive um problema. Tentei não tomar café com leite, peguei um monte de frutas e fiquei parada procurando um lugar para sentar.
– nós sentamos bem ali – disse Clarisse apontando para uma mesa pequena no canto do refeitório – antes de comer você tem que oferecer metade para os deuses.
– o que?
– jogue metade de sua comida na fogueira e ofereça a algum deus.
– ah, só porque estava com fome – falei olhando para a minha bandeja com um prato cheio de frutas frescas, uma tigela com iogurte e cereais.
– faça o que eu faço – disse Clarisse se aproximando do fogo e jogando dentro dele metade do que ia comer. Ela pegou uma xicara de café com leite de soja. E foi se sentar, eu me aproximei do fogo e joguei umas três frutas lá dentro.
– por favor, quem quer que seja meu pai, me diga – sussurrei. Depois disso eu fui me sentar junto de Clarisse. Philip chegou depois com um prato cheio de frutas, ovos e um copo de suco de morango – porque não podemos sentar com os outros? – perguntei.
– temos regras – disse Philip – somos desconhecidos. É meu segundo ano aqui e não sei quem é meu pai. Cada mesa representa um chalé, só sentam nela quem faz parte dele, como somos do chalé dos desconhecidos, quer dizer, novatos, sentamos aqui.
– isso parece ser injusto – comentei mordendo minha maçã – tipo, se meu pai não me proclamar vou ficar para sempre sentando nessa mesa?
– ate você ter idade de escolher vim ou não para cá – disse Clarisse – perceba aqui só tem adolescente, ate 17 anos. Depois que você completa 18 pode ir a faculdade ou se tornar veterano aqui.
– entendo – comentei – quanto tempo você está aqui? – perguntei para a menina. Ela mirou os seus olhos verdes claros em mim e sorriu.
– três anos – respondeu – nunca podendo ir a uma missão e sempre excluída de tudo.
Era terrível não saber quem é seu pai. Eu já me sentia abandonada, olha que eu agora que descobri que tenho um pai divino, fiquei imaginando Philip que é seu segundo ano indo para o chalé dos novatos sem saber quem é seu pai, ele deve pensar que foi esquecido, depois imaginei Clarisse, três anos... queria entender porque os deuses tem tantos filhos se esquecem deles?
Depois do café eu comecei a andar pelo acampamento ate encontrar a arena aonde ontem mesmo eu vi meninos treinando com espadas. Passei por perto dela e ouvi o barulho de dois ferros se encontrando, corri para ver o que era e lá dentro da arena estava Rick segurando a sua espada, partindo para cima de outra pessoa.
Eu não fazia ideia de quem seja a outra pessoa, usava um elmo e armadura protegendo o tórax, também usava calças jeans e uma camiseta laranja por de baixo da armadura. A pessoa segurava duas espadas, bem menores do que a de Rick.
Ela ou ele partia para cima do menino com tudo, Rick tinha desvantagem por ter uma espada bem mais pesada, já o seu oponente tinha uma agilidade incrível, pulava, socava e corria mesmo com o peso da armadura, no fim ele deu um chute na barriga de Rick que caiu, sua espada voou da sua mão e seu oponente colocou a ponta de uma das espadas no pescoço de Rick.
– boa luta – disse Rick se levantando – vejo que melhorou e muito.
– obrigada – disse o seu oponente que tinha uma voz feminina – fiquei bem melhor do que você.
– vai sonhando – Rick tirou o elmo da cabeça dela e longos cabelos negros ondulados caíram. Era uma menina bonita, forte, malhada, pele bem branca, cabelos negros e olhos azuis – você ainda é uma garota que precisa ser protegida.
– sim preciso – concordou a menina colocando a mãos no peito de Rick – mas o meu príncipe me deixou por um longo tempo sozinha e eu tive que aprender a me defender – ela sorriu e nossa tinha um belo sorriso, dentes perfeitos e bem brancos.
– desculpe por isso Belle – disse Rick – eu não queria te deixar só, mas sabe, eu tive que ir, você já passou por essa missão.
– isso é um saco – ela se afastou de Rick. Tinha um sotaque francês muito forçado – primeiro fui eu, quando eu penso que vou poder finalmente ficar o ano todo do seu lado... te tiram de mim e te mandam para o Canadá.
– Belle agora estou aqui, vamos aproveitar esse tempo – ele puxou a garota que sorriu, ela passou os braços pelo pescoço de Rick e o beijou.
Meu coração parou, senti uma dor horrível, nunca passei por isso antes. Era como levar uma facada nas costas. Meus olhos se encheram de lagrimas e eu sai correndo, não entendo o porque. Meu coração doía e as lagrimas caiam dos meus olhos. corri sem rumo, quando percebi estava na frente do chalé de Apolo.
Aquele chalé que parecia ser feito de ouro, brilhante sobre a luz do dia. Algo ali dentro me chamava, estranho meu corpo começou a se mexer sozinho, quando eu vi estava na porta do chalé quando alguém saiu.
Era um menino bem mais alto do que eu, mas algo nele lembrou a mim mesma, cabelos dourados e olhos cor de mel. Ele me encarou, acho que percebeu a nossa semelhança.
– quem é você? – perguntou depois de um tempo.
– sou Debby – respondi, depois de um tempo, estava pasma de mais, aquele menino era uma versão masculina e musculosa de mim – desculpe, eu não deveria está aqui, sinto muito.
– tudo bem, você é nova aqui, deve está perdida – ele sorriu – meu nome é Will, sou filho de Apolo.
– Apolo... – olhei para a lira dentro do sol, o símbolo do deus que estava acima da porta do chalé – esse nome é legal.
– que nome? Apolo? – Will riu – você é engraçada, vamos deixe que eu te mostro o caminho ate o lago, vai ter uma aula de canoagem, seria legal se você viesse.
Ele saiu na frente, apenas o segui. O menino tinha nas costas uma aljava presa com seis flechas e o arco. Usava a camisa laranja e calça desbotadas. As meninas o viam e sorriam, não as culpo por agirem feito idiotas na frente dele, ate que Will era bonito.
Chegamos no lago, aonde vi varias canoas e vários campistas e um deles era Philip que estava remando juntamente de uma menina asiática. Ela era tão baixa quanto eu, cabelos negros lisos estavam presos em um rabo de cavalo, ela tinha olhos esticados que se fechavam quando ria de Philip.
– que bom que veio – disse Clarisse quando me viu – não sabia que gostava de canoagem.
– nem eu... – concordei – mas o que temos que fazer?
– ué? Apenas remar – riu Clarisse.
Eu e ela subimos em uma canoa e remamos ate perto de Philip que jogava água na menina que ria e jogava água nele também. Eram bem próximos e fofos juntos. Não pude deixar de sorrir.
– ei Philip – chamei. Ele me olhou e sorriu.
– como vai as coisas? – perguntou.
– ótimas e você?
– eu vou bem... está aqui é... hm... Chie – ele estava meio envergonhado olhando para a menina que sorriu para mim.
– sou Chie Fukai, prazer – falou.
– Debby Hilton – disse – prazer é todo meu.
– vamos apostar uma corrida de canoa ate as margens do lago? – perguntou Clarisse.
– eu vou ganhar de você – disse Philip.
– duvido.
– ótimo, quem chegar por ultimo vai ter que arrumar o chalé sozinho – falou Philip.
– isso vale para mim? – perguntei. Eu não queria ter que arrumar aquele chalé gigante.
– não, só para ela – respondeu Philip apontando para a colega de chalé.
Em 3...2..1 os dois começaram a remar com toda a força quem tinham, claro que eu e Chie os ajudamos, mas no fim, deu empate. Pularam da canoa e começaram a discutir.
Fiquei distraída puxando a canoa para a areia e a prendi para não escapar assim como Chie, não percebi, mas a menina me olhava assustada, olhei para trás e não vi nada, olhei de volta para Chie e percebi que tanto Philip quanto Clarisse me olhavam.
– o que foi? – perguntei.
– você... – disse Chie, mas sua voz falhou. Percebi que todos que estavam ali me olhavam, em meio a multidão surgiu Will que me olhou e sorriu, mas ele estava tão espantado quanto os outros.
– santo Apolo – falou – você é minha irmã!
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