Semideuses 3

1 Capítulo 1- Mais fortes


" — Conseguiram ? " — Perguntei a Andresa e Juliane pela mente.

" Querida, o que é que a gente não consegue ? " — Se gabou Andresa e eu dei uma breve risada.

" Como vai por aí Tati ? " — Perguntei a ela, estava encarregada de cuidar da entrada como uma vigia.

" Perfeitamente tranquilo, isso é o que me preocupa. " — Não só eu mas todas demos risada, mesmo que fosse pela mente dava para saber disso.

Guilherme surgiu do corredor e se juntou a mim, não paramos de caminhar pelo museu. Tínhamos que fazer com que todos acreditassem que só estavámos ali por diversão, como uma casal.

— Estamos com o pedaço ? — Ele perguntou discretamente e eu assenti.

— Estamos livres, já podemos ir.

— Está muito fácil... — Ele murmurou, tinha razão, estava muito fácil.

— E então, tem planos para hoje a noite ? — Ele me olhou e deu um breve sorriso.

— Vou sair com uma garota especial, estamos juntos faz um mês. Mas ela é tão especial que para mim parece bem mais...

Eu sorri.

— Ela tem sorte. — Brinquei.

— Não estamos oficialmente juntos... AINDA.

Dei risada e então notei três faxineiros que nos encaravam e engoli em seco.

— Estou com uma má impressão...

— Lana, você esta sempre com más impressões. — Segurei o riso e notei os faxineiros vindo atrás da gente.

— Guilherme, temos três faxineiros na nossa cola. Acho que a coisa de ser discreto para os monstros acaba de ser quebrada, então... Corre. — Juntos disparamos escada abaixo do museu.

Continuamos correndo sem parar e ouvimos gritos vindos lá de cima que nos obrigaram a parar para olhar. No lugar dos faxineiros estava uma Hidra, cinco cabeças com a do meio cuspindo fogo.

— Temos que tirar esse bicho daqui, ele vai machucar os humanos.

Eu assenti Guilherme estava certo. Assoviei para chamar atenção do monstro e funcionou, ele fixou o olhar em nós dois e começou a vir em nossa direção. Juntos voltamos a correr, sem rumo algum só precisavámos distanciar ela das pessoas depois a gente pensava no que fazer com ela.

" Meninas, estamos com uma Hidra nos perseguindo. Por favor, estamos precisando de sinceras ajudas. " — Implorei mentalmente.

Viramos a primeira a esquerda e notamos que era um beco sem saída, mas era tarde demais para voltar. O monstro apareceu ali nos encarando e eu e Guilherme trocamos um olhar.

— Acho que finalmente poderei testar meus poderes... — Dei uma desculpa e Gui deu uma leve risada tirando de sua aljava a sua espada, Mordecostas.

Ele havia me dito que essa espada pertenceu a um traidor que se tornou o heroí da última guerra, um corte dela é como se seu sistema nervoso estivesse entrando em colapso porque você começa a se sentir pesado e a ardência acaba te enlouquecendo.

A Hidra nos surpreendeu lançando uma parede de fogo em cima da gente mas eu ergui meu campo de força inquebrável e o fogo não o atravessou.

— Está bem, você quer brincar ? Então vamos brincar.

Estralei o dedo e as rachaduras começaram a rachar o chão delas saíram cinco cavalos infernais. São cavalos só com esqueleto, olhos vermelhos e são rodeados por uma fumacinha vermelha que desconheço o nome. Quatro deles atacaram a Hidra e um veio até mim me oferecendo para que eu pudesse montar nele, eu sorri e me armei com Poison.

Subi no cavalo e olhei para Guilherme que gesticolou para que eu fosse, ele sabia que eu adorava uma boa aventura e lutar, adorava matar monstros não há coisa mais emocionante do que matar monstros.

O cavalo cavalgou para frente enquanto a Hidra estava bagunçada tentando se concentrar nos outros quatro. Eu ergui a espada e ia cortar sua pata da direita mas uma das cabeças a defendeu de última hora e o pior aconteceu. Minha espada escorregou por seu pescoço e sua cabeça foi depositada no chão, acabei de cortar uma cabeça de uma hidra. A cabeça do chão virou pó dourado imediatamente e duas cabeças começaram a nascer do lugar da que foi arrancada.

Guilherme deu risada e avançou, pude ver claramente. Primeiro ele jogou uma das suas esferas que soltou uma fumaça, eu tapei imediatamente o nariz para não ingerir o gás. O monstro estava tão bagunçado com a fumaça, cavalos e comigo que acabou não notando Guilherme. Ele saiu do meio da fumaça e atacou logo abaixo do pescoço do meio que jogava fogo. Ele soltou um urro de dor e começou a cambalear, precisava de um golpe final.

Controlei meu cavalo até as costas do monstro e saltei nele. Era viscoso como a pele de uma cobra, foi bastante dificil escalá-lo, mas consegui sucesso. Quando finalmente senti o topo de sua "coluna vertebral" eu lhe espetei Poison. Ele se ergueu e eu escorreguei de suas costas caindo com força no chão. Gui correu até mim e me ajudou a levantar, mas acima de minha cintura nas minhas costas estava bastante dolorido.

Eu abri a cratera que engoliu os cavalos menos o que estava ao meu lado, ele me olhava com carinho, como quem oferece carona.

— Muito bem garoto, vou precisar de você mas não agora. Tem que retornar. — Ele me olhou com tristeza e aceitou a cratera que se abriu sendo engolido por ela.

A Hidra começava a se transformar em pó dourado bem devagar.

— Está machucada ? — Gui perguntou.

— Não, eu sobrevivo. Eu sempre sobrevivo não é ?

Ele negou com a cabeça.

— Você está cada vez mais poderosa, mas ainda continua um desastre sabia ? — Eu o encarei brava.

Ouvi uma espécie de piar e meus pelos se arrepiaram.

— Passáros de Estinfália ? — Perguntei incredúla. — Será que a gente não tem nem mesmo cinco segundos para descansar ?

Guilherme riu e me pegou no colo se colocando a correr novamente mas nós dois sabíamos que esses animais eram terríveis não daria tempo. Viramos uma esquina e demos de frente com o resto de nosso grupo. Maicon, o sátiro que cuidou de mim faz um tempo, tomou a frente levando sua flauta a boca ele tocou uma canção que fez com que todos aqueles monstros dessem meia volta e sumissem.

— Parece que vocês tiveram uma luta das boas... — Comentou Tatiane olhando nossas roupas e nosso estado.

Guilherme me colocou no chão e eu assenti.

— A gente simplesmente enfrentou uma Hidra. — Dei de ombros. — Coisa comum, todos fazem isso no dia a dia.

Todo mundo riu, mas a verdade é que meu corpo estava dolorido. Pelo menos meu treinamento serviu de alguma coisa.

— Tem que amar muito mesmo não é Guilherme ? Essa daí passa a 1000 quilômetros e atrai monstros mesmo assim. — Brincou Andresa e Guilherme assentiu.

— Essa coisa só me dá trabalho.

Eu o encarei mas não sorri dessa vez.

— Olha só para o meu grupo, péssimo cantor, esquentadinha, a sabida, o nerd e a terrível. E vocês ainda acham que estão encrencados comigo ? — Todo mundo riu, era bom descontrair. — E a pedra ? Conseguiram ?

Ju e Andresa assentiram me mostrando o pedaço.

— Agora temos dois pedaços, estamos indo bem não é ? É o nosso primeiro pedaço. Como esta o grupo do seu namorado Tati ? — Ju perguntou e Tati deu de ombros.

— Os pedaços estão muito longe uns dos outros, esta complicado para pegá-los. Foi um mês para pegar só um, me pergunto se estamos na pista certa... — Eu assenti, Tatiane tinha razão.

— Era isso que eles queriam mas também acho estranho. É como se eles tivessem permitindo que a gente as capture. — Andresa negou, discordando.

— Não devemos confiar em NINGUÉM, além de nós mesmos é claro.

— Andresa tem razão, não podemos confiar em ninguém. — Afirmei. — Agora por favor, temos que descansar. Eu estou morrendo de sono.

Todos gemeram, igualmente sonolentos.

— Lana você está com um corte na mão. — Me informou Maicon e todos riram juntos menos eu.

— Um dia eu ainda vou entrar em uma batalha e sair sem nenhum corte, vou fazer questão de esfregar na cara de todos vocês sabiam ? — Eles deram mais risada ainda.

— Você é um desastre amiga ! — Zombou Andresa e dessa vez até eu mesma dei risada.

— A onde esta o próximo pedaço ? — Perguntei a Juliane e Andresa, as duas estavam com o mapa para nos guiar. Desde que Andresa começou a estudar magia ela vem sendo nossa principal estrategista, na verdade ela sempre foi nossa estrategista então não faz diferença.

As duas engoliram em seco e eu fiquei imaginando que lugar tão terrível seria este. Tati, Ju, Andy e Maicon me encararam assim que viram o mapa e Guilherme me cutucou sério e disse:

— O próximo pedaço está no submundo...

Notas finais
Se gostaram deixem um comentário no capítulo e se não gostaram deixem um comentário também dizendo o que exatamente devo melhorar. Muito obrigada por lerem minha história, até mais.
Lana.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.