Semideusa?!
32 Sequestrada...
Notas iniciais
Antes que eu pudesse aceitar qualquer pedido de Ares,ouço uma oração de um mortal em minha cabeça:
Olha,err....se existe um deus ou uma deusa da amizade,por favor me ajude!Estou apaixonado pela minha melhor amiga e não sei o que fazer.Não quero parar de ser amigo dela caso ela negue meu pedido.Ilumine minha alma por favor!
Eu o aconselhei a contar o que sentia para sua amiga,e caso ela não sentisse o mesmo,ele poderia seguir em frente e continuar sua amizade com a garota.
Talvez eu tenha reunido um casal.Certeza que Afrodite vai vir falar comigo.
Quando lembro que Ares perguntou se eu queria sair com ele,respondo:
–Ares,é lógico que aceito seu pedido!Aonde vamos?-Ele estala os dedos e uma venda aparece,e ele diz,colocando a venda em mim:
–Surpresa!E você vai sem reclamar porque sei que não gosta que eu te carregue nas costas como um saco de batatas.-Sorrio maliciosamente para ele,ou pelo menos para o lugar de onde sua voz vinha,pois já estava vendada.Eu simplesmente sento no banco e não saio dali por nada.
Ele tenta me segurar mas eu me transporto para o que eu acho ser a mesa de Atena,só que escorrego e caio em cima de alguém.Ouço a voz de Nico:
–Olha Mel,não que você não seja bonita.Na verdade ficou muito gata ruiva,mas dou valor a minha vida,então saia do meu colo.-Eu rio e peço desculpas.Quando sinto Ares segurar na minha mão e começar a me puxar,eu saio correndo.Sinto que o lago do acampamento é por ali e continuo correndo vendada.Só esqueci de um pequeno detalhe:o refeitório tem mesas e paredes.
Eu pulo uma mesa,caio no chão e sigo meus sentidos.Acontece que sou princesa dos mares,e posso sentir água.Mas não sou princesa das paredes.Dei de cara com uma coluna e caí de costas no chão.
Porém eu não desisto facilmente.Corro em direção ao lago e pulo ali.Imadiatamente alguém me agarra.Que coisa!Não dei essa intimidade ao Ares!Quando passo a mão pelos braços que me cercam,percebo que não são os braços cheios de músculos do deus da guerra.Subo as mãos para o rosto da pessoa,e tem uma barba por fazer e cabelos bagunçados,e só uma pessoa que tem interesse em mim é assim:Hermes.
Antes que eu possa realmente tirar a venda e confirmar isso,meu seqüestrador se teletransporta comigo para um lugar que não sei o que é.
Eu queria fazer tudo:fugir,chorar,pedir ajuda.Sou uma deusa,mas ainda sim sou uma adolescente vendada e sequestrada.Até queria me desesperar um pouco mais,mas o ser maligno que sumiu comigo do Acampamento coloca um pano em frente ao meu rosto e o pressiona sobre meu nariz,logo sinto o cheiro éter,uma coisa que os mortais usam para desmaiar os outros.
Aí penso:estou ferrada.O éter faz efeito imediatamente e eu entro no mundo de Morfeu.
Acordo depois zonza e quando tento me levantar,sinto que estou presa.Tento me teletransportar mas não consigo.Todo o meu corpo dói e eu levanto a mão com uma dor inimaginável e tiro a venda.
Procuro qualquer indício de que fui violentada ou algo pior.Nada.Deve ter sido o efeito do éter.
Olho para meus pulsos e tornozelos.Ambos os lugares têm correntes que me prendem.Elas são negras e possuem uma aura assustadora.Observo o lugar em minha volta.Estou em uma caverna,está muito frio e tenho hematomas na cintura,provavelmente provocados no momento em que relutei ao sequestro e fui contida.Na minha frente,tenho uma pequena fogueira,que ilumina pouco a caverna aparentemente gigantesca.Ao canto do espaço em que eu me situava presa,um vulto estava sentado e comia.Meu estômago roncou.Falo então :
–Onde estou?Quem é você?Porque fez isso comigo?-E noto o tanto que minha voz está sofrida e cansada.Não sei quanto tempo estou desacordada.O homem que me seqüestrou se aproxima e a pequena claridade que a fogueira proporciona ilumina seu rosto:Hermes me olhava,seu rosto estava indecifrável e em seus olhos haviam um brilho perigoso.Ele diz:
–Oi amor.Tudo bem?Respondendo as suas perguntas,está em uma caverna e eu te sequestrei porque você é MINHA,e não me importa o que pense disso.Quando Hades sequestrou Perséfone ela ainda não o amava,e hoje ela o ama.E será isso que acontecerá com você.Só sairá daqui quando me amar de novo.E não me importa quanto tempo fiquemos aqui.Na verdade,eu não ficarei aqui.Preciso que os outros deuses não desconfiem.Sei que está com fome portanto se quiser comer terá de me respeitar.-Ele se aproxima com a comida,mas eu apenas nego e digo:
–Saia daqui seu monstro!Não sinto nada por você e se me ama não me torturaria deste jeito,me deixando longe dos que eu amo!E também não teria me traído!Eu não comerei essa comida e nunca irei me apaixonar por você novamente seu monte de esterco de Minotauro!-E minha boca dói.Sinto meu maxilar estalar com o soco que ele me dá.Acerta em cheio o meu queixo,e na hora sinto o gosto do icor banhando minha boca e escorrendo por meus lábios.
E imagino meu futuro ali.Hermes enrolaria facilmente os deuses.Muitos como Ares,Poseidon e Atena me procurariam por muito tempo.Meus amigos sentiriam minha falta,mas nada poderiam fazer.E ficarei muito tempo ali.Por anos a fio.Insultando Hermes,apanhando, sofrendo.Até que eu me canse e dê o que ele quer,e saia dali.Não sei se serei forte o bastante,não sei se me cansarei semana que vem e farei logo o que ele tanto deseja.Direi que o amo.
E pensando assim,sozinha na caverna,já que Hermes saiu para mentir a todos,eu entro no mundo de Morfeu.
–-2 meses depois—
Eu não aguento mais.Eu conto os dias para sair dali.Estou sim,a dois meses sobrevivendo da minha saliva.Cada vez mais machucada,cada vez mais magra.
As vezes eu evoco água e me limpo,e bebo um pouco.Apenas isso.Não consigo evocar algo mais aqui,como se meus poderes tivessem sido drenados a ponto de eu voltar a ser uma semideusa.Não consigo comer,fiquei tanto tempo presa que meu corpo está rijo pela falta de movimento.Hermes está frustrado por perceber que eu não voltarei a amá-lo.Ele se descontrola e me bate.
Depois,vem todo mansinho...como se não tivesse feito nada.Diz que me ama e me beija forçadamente.Todas as vezes que o vejo,um brilho estranho está em seus olhos,como se estivesse possuído por algo mal.
E ainda estou aqui,nas mesmas correntes idiotas e nas roupas agora surradas e rasgadas.
Hermes chega de novo,e fecho os olhos,pensando:
Tudo de novo.
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