SemiDeuses
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Notas iniciais
Achamos que sempre estamos seguros, que forças do mal não estão se reerguendo, mas, às vezes, nós estamos errados. Eu passei treze anos da minha vida achando que meus pais não me queriam, mas chega uma hora que a verdade aparece… Meu nome é Jake Abell, eu tenho quatorze anos e eu sou um semideus. Meu pai? Poseidon, deus dos mares.
Bem, não importa meu pai ser o deus do mar, eu ainda tenho que estudar e muito. Eu vivo com meus avós em uma pequena cidade no sul da Virgínia ocidental e nos últimos meses, um homem veio até a minha casa e disse que eu era filho do deus do mar… É claro que eu não acreditei de cara! Achei aquilo engraçado, mas quando esse homem me mostrou uma lembrança do mundo dos deuses e de meu pai (e não me pergunte como), eu comecei a acreditar.
O verão está vindo e segundo o homem, chamado Ármesis, eu terei que ir para um acampamento de semideuses no norte da Flórida. Os meus avós, é claro, sabiam de tudo e nunca me contaram. Mas até que eu estou confiante nisso, apesar de estar com medo. Segundo Ármesis, eu sou um semideus muito perigoso, porque meu pai é um dos "três grandes", o que me torna um semideus com mais poderes do que os outros.
Quando finalmente eu saio da Shane E. Lee, o colégio do qual eu estudo e odeio, um carro com as siglas AS. vem me buscar. Eu até teria entendido o resto, mas minha dislexia (algo comum entre os semideuses), não permitiu que eu entendesse.
Demorou mais de três horas para que eu finalmente chegasse até o acampamento e acredite, superou todas as minhas expectativas. Estava chovendo, mas isso não tirou a beleza do lugar. Era lindo. A grama verde brilhava, as casas onde cada filho de treze deuses morava eram belas, mas tenho que admitir que a casa de Atena, a deusa da sabedoria, era a mais linda de todas, até mais do que a casa de Afrodite.
Eu achava que teria apenas semideuses filhos dos deuses gregos, mas também tinha dez casas dos filhos dos deuses romanos.
Ármesis me mandara ir até a minha casa. Eu não achei que teria alguém lá, mas para minha surpresa, na minha frente, a uns três metros, havia um garoto meio pálido e de cabelos escuros, um pouco mais alto que eu. Ele se virou para mim e disse:
– Oi!
– Ahm! — eu disse, dando um sorriso falso — Oi, acho que errei de casa e...
– Não, não! — ele disse, me interrompendo — Esta é a casa de Poseidon… você é filho dele também?
– Ah! — eu hesitei. — Sim, sou Jake e você, quem é?
– Victor — ele disse, estendendo a mão. — É um prazer… então somos irmãos?
– Meios — eu disse, soltando a mão dele e indo em direção a beliche perto da janela central. Agora eu achava melhor não saber que era filho de Poseidon. Eu não queria um irmão. Nunca tivera um, pra que ter um agora?
Mais tarde, à noite, estávamos reunidos em mesas separadas. Cada filho de um deus estava na mesa de seu pai ou mãe. Na que eu estava só tinha eu e Victor. Uma menina ruiva e branca sentou-se na nossa mesa sem dizer nenhuma palavra. E tudo que eu pensei foi que ela não fosse filha de Poseidon.
– Você também é filha de Poseidon? — perguntou Victor. Eu o fitei assim que ele terminou de perguntar.
A menina deu um suspiro e respondeu:
– Não. Eu sou filha de Netuno, deus romano — ela fez uma pausa -, mas também quer dizer que somos irmãos ou talvez temos algum grau de parentesco.
Eu posso dizer que é até legal ela não ser minha irmã, quer dizer não de sangue.
Aquela noite foi fresca, mas não me livrou de um sonho horrível. Eu sonhei que estava em uma caverna com lama. Ela estava escura e eu só sabia que o mundo inferior estava acima da caverna, pois dava para escutar as almas gritando. E ali naquela caverna, uma voz estranha sussurrava em um idioma estranho. Primeiro eu achei que fosse latim, mas então percebi que era em grego antigo.
Depois disso, o cenário mudara para um quarto escuro e no centro, havia um círculo com uma cadeira e com uma múmia, ou era ao menos isso que achava. A múmia se sentara direito na cadeira e eu imediatamente cheguei para trás, mas antes de sair dali, os olhos da múmia brilharam, ficando em um tom verde intenso. Ela ergueu a mão e apontou o dedo em minha direção e disse:
Ao norte a busca pelo perdido falhará,
Na terra das almas um se perderá,
No caminho de volta um morrerá,
O perdido se achará,
E o despedaçado se reerguera.
Depois disso a múmia jogou a cabeça para trás e uma luz verde saiu dos seus olhos, se transformando em fumaça. Eu acordei com alguém balançando meus ombros. Eu sentei na cama, suado e à minha frente havia uma menina loira de olhos cinza claro. Eu a reconheci. Era Anna, filha de Atena.
– Jake — ela disse. — Ármesis, ele… ele quer falar com você. É importante.
Eu a olhei e pensei se ele saberia do meu sonho. Mas se sabia, como?
"Com a sua ajuda, eu irei me reerguer, destruirei o Olimpo. Você é a única que pode me ajudar… Gaia"
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