Sementes de rancor
8 Capítulo 8 – Folhas, muitas folhas.
Notas iniciais
Ficar um tempo em um bosque, olhando para o nada era tudo que ela precisava, afinal.
Quando Emily andava em direção aos chalés, no fim daquele dia cheio de estranho, já estava aceitando o fato de um dos seus pais serem um deus, ela ter esfaqueado sua madrasta que na verdade era uma fúria, Paulo estar envolvido com uma Barbie porto-riquenha e ela ter que sair numa missão extremamente importante e perigosa.
Tudo muito animador obviamente.
Quando chegou ao aglomerado de chalés, afastando da mente a cena que havia acontecido ali mais cedo, Emily começou a observar cada um pensando qual seria o de Hermes quando um braço feminino foi colocado no braço dela e uma voz disse:
– Hey achei a novata!
A dona da voz era uma menina esguia que parecia uma elfa, com um cabelo curto bem cacheado marrom chocolate e olhos travessos da mesma cor.
– Desculpe, mas quem é você? disse Emily se desvencilhando da garota.
– Ops! Esqueci de me apresentar eu sou Cilene Cei, você pode me chamar de Cice , filha de Hermes e eu e meus irmãos estávamos atrás de você já que vai ficar no nosso chalé por enquanto e além disso, eu queria evitar que um amigo surtasse.
– Que amigo?
– O Paulo. Ele está que nem louco atrás de você desde que desvencilhou da nojenta da Penélope.
Emily tentou conter a onde de alegria que tomava conta dela, afinal, descobriu alguém que também não gostava da Penélope e isso tinha feito Cice ganhar um ponto com ela, apesar da garota emanar um ar de encrenca.
– Bom Cice, você me achou. Pode por favor, me mostrar onde fica o chalé? Eu realmente preciso dormir.
– Vou mostrar novata, mas antes: comida!
E dizendo isso saiu puxando Emily até o Pavilhão de jantar, lugar onde os semideuses vaziam suas refeições. As duas entraram na fila para pegar seus pratos enquanto Cice explicava sobre como os semideuses costumavam jogar um pouco da sua comida na fogueira, como oferenda e fazer um pedido, depois que fizeram isso, com Lily desejando saber quem era o seu pai elas foram se sentar com os outros barulhentos filhos de Hermes.
Depois disso foram para o chalé onde Emily adormeceu num saco de dormir ao lado da cama de Cice, pedindo por uma noite sem sonhos.
Claro que não foi isso que aconteceu.
Em seu pesadelo, Lily estava andando por uma floresta cheia de neblina e tremendo de tanto frio.
– Filha... Finalmente.
Amarrada entre as raízes secas de uma árvore próxima havia uma mulher. Ela vestia um manto marrom rasgado, ela se parecia muito com Emily, o rosto da mulher estava coberto de arranhões dos quais escorria um líquido dourado.
Aqueles olhos, Lily definitivamente conhecia aqueles olhos.
– Mamãe?
A garota correu em direção à mulher tentando desamarrá-la, mas as cordas queimavam suas mãos e não havia nenhuma arma por perto.
– Sim querida, sou eu, eu preciso que você vem me regatar, antes que ela mate todas as plantas e faça a humanidade morrer de fome. Eu quero que você...
Mas foi interrompida por uma risada, acompanhada de uma repentina tempestade de neve que embaçou a visão de Emily e tornou o frio tão intenso e doloroso que a fez gritar e acordar.
Ainda deitada em seu saco de dormir ela acordou com um vestido feito de folhas e flores e com uma coroa de galhos na cabeça, a chão ao seu redor estava coberto de folhas secas e todo chalé estava a encarando boquiaberto.
– Bom... Acho que todos nós sabemos quem é sua mãe novata.
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