Semeando o Destino
4 Cap. 04 - Floreios e Sonhos
Notas iniciais
Gina apesar de estar acostumada com o tom de surpresa que provocava nos primeiros contatos, pelos lugares onde passava, por vezes raramente até se divertia com isso, mas geralmente sentia mesmo uma certa irritação, ao ver que a batalha preconceituosa pelo fato de ser mulher ainda seria longa.
— Algum problema nisso?
Gabriel que percebera o desconforto que causara, logo tentou amenizar a situação.
— A senhorita me descurpe! Não há problema algum nisso... – havia ficado totalmente sem jeito diante dela — ... só não esperava.. nossa, que surpresa.. [que BELA surpresa!] – Gabriel sussurrou as últimas palavras com medo de causar um novo constrangimento.
— Não esperava que Falcão fosse uma mulher, não é?! – Gina o questionava franzindo o cenho.
— Não vou mentir, realmente não esperava pois é uma situação incomum uma mulher se propor ao feito .. – Gabriel tentava agora amenizar sua reação tentando tornar o momento mais agradável — .. mas isso não quer dizer que a senhorita não seja bem vinda aos estudos a qual se inscreveu, né mermo?!
— Espero que sim! – agora era a vez da ruiva ajudar a apaziguar a situação — Pra dizer a verdade, estou bem interessada em saber sobre os métodos utilizados nas terras do Senhor Viramundo nas lavouras de soja, soube que conseguiram praticamente dizimar os percevejos q invadiram a colheita, senhor ..
— Que distração a minha .. nesta confusão toda até esqueci de me apresentar! – virou-se para Gina pegou sua mão e fez uma mesura de beijá-la – Prazer, Gabriel Viramundo! Sou filho do Senhor Almir, com quem tratou os seus estudos por cá!
Gina se sentia desconfortável com essas formalidades e no instante que Gabriel pegou sua mão para cumprimentá-la conforme a etiqueta dos bons costumes, tratou logo de quebrar esse protocolo que julgava tolo e o cumprimentou com apertos de mãos firmes e seguros.
— Prazer, como havia dito antes, Gina Falcão!
— Gosto do seu jeito simples e espontâneo de resolver as coisas! – ela realmente o surpreendia a cada minuto que passava a seu lado e não conseguiu conter um meio sorriso sarcático que brotava em seus lábios – Acho que nos daremos bem neste período que passaremos juntos!
A ruiva novamente se contraiu com a última frase dita pelo rapaz a sua frente, não sabia se foi pelo que ele disse ou o tom e expressão que usou para dizer, talvez pelos dois, pois logo desfez o cumprimento e questionou desconfiada:
— O que ocê quis dizer com isso?
Gabriel notou que sua tentativa de persuasão havia estragado todo o esforço que havia feito para conquistar a simpatia da ruiva desde seu desembarque até aquele momento. Se sentiu um idiota por isso, mas não iria desistir tão fácil. Precisava se redimir rapidamente pela má impressão.
— Que além de interessada no cultivo como pude perceber, acredito que tem facilidade de aprender e posso até supor que também tenha muito a ensinar. Acho que faremos uma ótima parceria, senhorita!
— Claro! – Seu semblante ainda permanecia desconfiado, sua intuição cochichava em sua mente que ela jamais deveria baixar sua guarda quando estivesse perto dele, mas sua razão falava do outro lado da sua mente que não fosse tão explícita quanto as suas ações. Então apenas se deixou relaxar, a ponto de transparecer que não se sentia incomodada a aquilo que parecia ser um flerte. – Faremos uma ótima parceria!
Encerrou a conversa se dirigindo a saída ao lado de Gabriel.
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Na Casa Grande, no quarto de Pituca as emoções tomavam conta do recém-chegado.
— Pituquinha, que sardade que eu tava docê maninha! – já era a sétima vez que Ferdinando dava um abraço de urso na irmã caçula, enquanto que reiniciava uma série de beijos em sua face. Sentia como se precisasse compensar os carinhos não dados, no seu período de ausência.
— Ara mano veio, ocê já repetiu isso várias vezes .. – e num descuido de Ferdinando ao afrouxar o aperto do abraço, Pituca escapuliu de seus braços, pulou de sua cama, ficando de pé e passando a mão em todo o tecido do seu vestido – .. mas agora chega disso, que ocê já amassou todo o meu vistido!
— Ara veja Catarina, ela está desfazendo de minha sardade! – o engenheiro fingiu uma cara tristonha, com a escapada da irmã.
— Num é nada disso! Mas agora que vortou teremos bastante tempo pra matar as sardades, não?! – Pituca também era rápida nas respostas. Ferdinando ficava surpreendido como eram parecidos nisso.
— Tá certo! Tá certo!
— Vou descer e ver com a Mância se a janta já tá pronta! – a menina se dirigia a porta de seu quarto e na saída apenas disse – Licença! Já vorto!
O rapaz ria descontraído. Estava feliz em ver como a irmã havia crescido, como se tornara uma menina linda e inteligente, embora Catarina haver dito que por causa de rixas políticas, seu pai havia impossibilitado a menina de frequentar alguma escola, que supunha ser mero orgulho ferido, contudo, via que a razão pelo qual havia voltado, seria apenas um dos muitos problemas a se ater com o coronel.
— Como ieu estava dizendo Nando, soube que aquele prefeitin lá das Antas, contratou um perfessora lá da capitar pra dar aulas pra essa criançada toda! – Catarina falava ao enteado em tom de descontração, mas começou a tremelicar os dedos indicando nervosismo pelo teor do que contaria a seguir. – Mas seu pai proibiu que os fios dos empregados que trabaiam aqui nas terras dele, incrusive sua irmã Pituquinha, de frequentá! Tudo purquê Seu Pedro fez a escola a pidido da fia dele!
Não era novidade para Ferdinando as desavenças que seu pai tinha com Seu Pedro por causa das terras que havia doado ao mesmo, quando ele ainda nem era nascido. Tão pouco as bem feitorias que Falcão havia feito nelas ao longo dos anos a ponto de transformar boa parte do seu terreno na hoje Vila de Santa Fé. Assim como ter financiado a candidatura do atual prefeito das Antas, que venceu com folga o adversário que por ventura era o candidato apoiado pelo coronel. Mas o fato de sua madrasta ter mencionado a filha de Seu Pedro o deixou curioso, pois por mais que tentasse buscar em suas memórias alguma lembrança sobre ela, falhou miseravelmente.
— Como assim foi um pedido da filha de Seu Pedro? – ele perguntava meramente por curiosidade. Não havia nenhum indício de outro interesse na questão.
— A Gina! – Catarina chegou mais perto do enteado afim de cochichar algo em seu ouvido. – O povo aqui da região chama aquela uma de Muié-Home ..
Antes de Catarina completar o raciocínio, Ferdinando se afastou da madrasta pelo calafrio que sentiu com a menção do apelido a referida moça, levantando-se de súbito da cama.
— Oxe, que besterage é essa que tá me dizendo? Gina é mulher-homem? – falava sem saber o que pensar sobre essa hipótese – Olha o absurdo que está me dizendo, Catarina!
— Eu não a conheço direito! – Catarina continuava o discurso agora corrigindo sua postura ao sentar-se como uma rainha na cama de sua filha — Só sei que ela lida com as terras do pai dela com uma garra que deixaria muito home barbudo por cá no farelo! Ela num tem medo do trabaio pesado e tomém ouvi dizer que está sempre viajando por esse mundão afora pra aprender coisas novas de plantio, e aplica tudo o que sabe lá pelas suas bandas! Soube inté que nessa úrtima vinda por cá ela organizou um mutirão com as beatas para fazer sopa pras famías carentes! Eu quis inté dar um ajudório mas seu pai, sacumé .. não deixou!
As palavras saiam uma atrás da outra, parecia que a madame nem respirava ao comentar sobre o que sabia sobre Gina. E antes que Ferdinando comentasse o que absorveu sobre a enxurrada de informações que havia ouvido, Catarina continuou sua análise sobre a moça:
— Acho que a Gina deve de ser uma boa moça! Foi ela que convenceu o pai a construir a escola e falar com o prefeito da Antas pra contratar a perfessora! – os dedos voltavam a tremelicar – Mas não é muié de delicadezas, essas frescurages! É bem xucra pra dizer a verdade! Tarvez seja por isso que chamam ela de Muié-Home!
Era muita informação pra similar, mas sem saber o por que, Ferdinando começava a nutrir sem outras intenções uma admiração pela desconhecida moça.
— As pessoas podem ser perversas quando querem! – o rapaz tentava traçar um perfil sobre a mulher descrita por sua madrasta – Pelo que me disse ela não é dada a luxos, nem se importa em ser feminina .. talvez seja a maneira que ela encontrou para sua auto-defesa! De qualquer forma o fato dela buscar novas técnicas, pelo que ocê me disse, para plantio me deixou interessado em conhecê-la! Espero poder ter essa oportunidade algum dia!
Pituca entra no quarto neste momento.
— A janta está servida! Vamos descer?
— Catarina desça na frente com a Pituquinha! Vou tomar um banho rápido e desço em seguida!
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Na casa de Seu Pedro todos estavam jantando, enquanto o dono da casa comentava com a professora, a história de quando havia vindo morar para aquelas bandas, recém-casado até então, como havia convencido o coronel a doar alguns hectares de suas terras e os transformou na Vila que era hoje.
Juliana percebia a emoção do senhor enquanto relatava com satisfação cada conquista. Também percebia em seus olhos o brilho de orgulho que sentia de sua filha, de como cada feito dela havia melhorado a qualidade de vida das pessoas que o cercavam. Parecia até utopia, mas era realidade e mesmo assim, pelo pouco que pode perceber nos minutos que a conhecera, era da mesma simplicidade que seus pais, sem se gabar de tudo que fizera por aqueles moradores dali. Sentia e queria que ela pudesse ser uma futura grande amiga.
— Juliana aminhã, vou levar a senhora pra conhecer a Vila e sua escola! – as emoções invadiam Seu Pedro ao referir-se sobre o local de ensino – não tem muito luxo fique ocê sabendo, mas a Gina fez questão que tivesse tudo que fosse necessário para a sinhora e as crianças que vão estudar lá!
— E eu não vejo a hora de poder começar a lecionar, Seu Pedro! – a professora dizia contagiada com a emoção do senhor – Tenho certeza que vou adorar conhecer a escola e quem sabe, poderei até formar uma turma para alfabetizar os adultos aqui da região!
Seu Pedro e Dona Tê se surpreenderam e entreolharam com a última frase que a professora havia dito.
— A Senhora pretende dar aulas para os marmanjos tumém perfessora? – disse Dona Tê, preenchendo o copo de suco do marido.
— E por que não? É claro que a prioridade é alfabetizar as crianças, o motivo pelo qual fui contratada, mas acho que poderia dar oportunidade aos trabalhadores de suas terras e vizinhas a aprender, abrindo seus horizontes à descoberta do saber!
— A perfessora fala dificir .. mas se a senhora acha que pode dar conta, podemos falá mió sobre isso dispois! – Seu Pedro olhava a jovem moça com admiração, maravilhado com sua empolgação e esperando que não fosse apenas fogo de palha.
— Tudo bem, Seu Pedro! E Dona Tê.. – agora olhava a senhora enquanto pegava uma das mãos da mesma e depositava um casto beijo de gratidão nela — .. obrigada pela comida maravilhosa que preparou com tanto carinho! Fazia muito tempo que não tinha uma refeição tão deliciosa como está!
— Ara Dona Juliana, deixe disso! – falava a senhora sentindo o rubor instaurar em sua face – tenho certeza que sua mãe tumém deve de preparar comidas tão saborosas quanto essa!
A simples menção de sua mãe, fez com que Juliana mudasse imediatamente sua feição amorosa em uma carranca. Dona Tê percebeu o súbita mudança e questionou:
— Disse argum argo que a sinhora não gostô?
Juliana tentou a todo custo não transparecer ainda mais o desconforto que sentiu com as vagas lembranças que agora voltavam a assombrá-la, engoliu em seco tudo aquilo e procurou amenizar a situação embaraçosa que havia se formado.
— Me desculpem Seu Pedro e Dona Tê, mas gostaria de pedir que não falássemos sobre esse assunto .. “meus pais!” Não hoje! Não nos próximos dias .. [se possível, nunca! – apenas pensou] .. um dia com mais calma, talvez eu consiga falar sobre eles, mas não agora, por favor! – Não conseguia conter a lágrima que já escorria sobre sua face e outras sem a sua autorização brotavam em seguida, precisava fugir para o seu novo canto antes que a cachoeira lacrimal transbordasse. – Peço licença aos senhores, mas a viagem foi longa e preciso descansar!
Se retirou antes de ouvir os anfitriões permitirem sua saída num uníssono:
— Toda!
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Floreios
Trilha Sonora Sugerida: David Bowie — As The World Falls (movie: Labyrinth) — https://www.youtube.com/watch?v=VppuD1St8Ec
O local já estava repleto de convidados. Alguns casais bailavam no espaço destinado a dança, e a contar pelas altas risadas que um e outro davam em um canto qualquer, percebia que as bebidas já surtiam o efeito desejado sobre eles. Sorte a deles, pensava, pelo menos estes encontravam motivos para se divertir.
O baile havia começado há algumas horas. Era um baile de máscaras e pensou como aquela cerimônia poderia ser divertida e lhe reservar algumas surpresas, quem sabe agradáveis, já que incitava sua curiosidade em descobrir a pessoa por trás daquele acessório.
Antes de prosseguir, parou na mesa de bebidas e se serviu de um ponche e continuou sua ronda sobre o local. Algumas pessoas eram tão características que mesmo coberta pela máscara e vestuário a moda veneziana, não tinham como disfarçar seus trejeitos e manias, logo sendo descobertos. Outros contudo, mergulhara totalmente neste clima misterioso que este tipo de festa remete.
E num rodopio e outro que desviava daqui e acolá, no esforço que fazia para observar cada detalhe que a luz fraca de alguns candelabros postos em locais estrategicamente calculados, a fim de tornar o clima harmônico e misterioso, ofuscando sua visão sobre alguma minúcia, não tinha ideia do que fora procurar ali até seus olhares se encontrarem. Novamente.
Sabia que era quem estava procurando, mesmo com toda aquela fantasia que escondia, protegia.
Como num magnetismo, mal percebeu quando se aproximaram ainda mais, ficando a um palmo de distância um do outro. Também não compreendiam, apenas aceitavam o convite de seus corpos, que agora se abraçaram e começavam a valsar, mesmo sem saber se faziam de acordo com a música que tocava naquele instante, pois apenas ouviam a sintonia orquestrada por seus corações.
E a cada giro valseavam para mais longe daquele salão, alheios a quaisquer comentários sobre sua dança. O que não queriam perder naquele momento era a sintonia que seus olhares haviam estabelecido. Não diziam uma palavra sequer, mas seus pensamentos confabulavam milhares de informações sobre a pessoa que conduzia e se deixava conduzir. Mesmo protegidos por algumas camadas de tecidos, suas mentes procuravam descrever minuciosamente em detalhes, cada traço daquele corpo deveria ser, desnudo a sua frente. Talvez fosse seus desejos a desenhá-los conforme as emoções que sentiam ao simples toque.
Nem notavam que seus passos fantasiosamente sincronizados já os haviam conduzidos ao passeio do jardim fora do ambiente que estavam anteriormente, mas ambos não faziam questão alguma de voltar. Apenas aceitavam o caminho que seus pés os queriam levar. Não tinham a mínima ideia de onde aquela sensação, ou como deveriam nomear aquelas emoções, só queriam prosseguir.
E num novo giro se deparam em frente a uma lagoa, iluminada apenas pela luz de uma lamparina posta no banco de uma gôndola, uma espécie de barco veneziano.
Foi apenas neste momento que seus olhos se desviaram para observar a embarcação que os convidavam, mas logo voltaram a se encontrar apenas a ver se consentiam ou não o convite proposto.
Incrível como seus olhares conseguiam estabelecer e se entender naquele diálogo mudo, pois eram eles que comandavam os próximos passsos e quando se deram conta já estavam dentro da gôndola, ela sentada e ele adentrando a embarcação pelas águas com o auxílio de um remo, os conduzindo ao imenso horizonte flutuante, iluminada também ao que agora puderam perceber, pela imensa lua cheia, vaidosa de seu reflexo nas águas.
Quando viu que a distância que tomara da terra que estavam a poucos instantes, apenas os possibilitavam de vez minúsculos pontos que julgava ser a iluminação do local que estavam, ele parou de remar, descansou seu remo sobre uma das laterais do barco e se aproximou da dama que permanecia sentada e silenciosa durante todo o trajeto e sentou-se ao seu lado.
Colocou suas mãos nas laterais da máscara da moça, afim de revelar a face do rosto que ansiava encontrar, mas mal teve tempo de começar tão logo fora impedido de realizar o feito pela mascarada que percebera suas intenções. Ela na verdade não queria interromper aquele momento místico, só queria manter oculta as pessoas dentro daquelas supostas armaduras, queria que fosse apenas revelados os desejos que transbordavam naquele momento.
E parece que ele havia entendido a mensagem de seus pensamentos, pois no instante seguinte, suas bocas já estavam seladas num beijo abrasador. Agradecia mentalmente ambas as máscaras não serem totalmente fechadas, senão não poderiam sentir todas as sensações deliciosas que seus lábios os conduziam. Ele segurava a nuca da moça enquanto mordiscava seu lábio inferior, queria dar passagem a sua língua dentro daquela boca saborosa, intensificar e despertar ao mesmo tempo, os desejos que permaneciam ainda ocultos.
Ela não permitira que desvendasse seu rosto, mas parecia não fazer objeção ao restante do corpo quando uma das mãos dele desceu displicente passeando por suas costas parcialmente desnudas, provocando arrepios naquela pele macia. Mas logo ela decidira que aquelas sensações deveriam ser conjuntas, pois ele sentira que ela havia achado uma brecha entre os botões de sua camisa, nem mesma sabia como ela havia aberto seu casaco sem perceber, mas sentia sua mão pequena, fria e tremula deslizar e iniciar um processo exploratório por seu corpo, arrancando um gemido involuntário quando tocou o peito esquerdo do rapaz.
Enquanto suas línguas ditavam o ritmo da dança entrelaçadas naquele momento, ele decidira que era sua vez de começar uma exploração por aquele corpo desejoso. Deslizou suas mãos sobre a cintura dela e a colocou sentada em seu colo, intensificando ainda mais o beijo afim de entorpecer seus sentidos, por vezes intercalando entre beijos e mordidas no lóbulo da orelha e pescoço.
Seus gemidos denunciava que ela estava começando a se excitar, o que facilitaria ainda mais suas investidas, lentamente depositou sua mão em um dos seios dela, massageando-o por cima do decote do vestido, pois queria ter certeza que ela não iria se opor se avançasse um pouco mais. A reação dela no primeiro momento o deixou tenso, mas logo mudou para uma deliciosa surpresa quando a mesma colocou a mão dela sobre a sua e o conduziu a fazer o que os seus receios o impediam, pois logo sua mão massageava o mesmo seio, mas agora sem a proteção do vestido que o cobria. Esta iniciativa dela fez com que seu corpo que instantes atrás, correspondia aos seus estímulos de maneira cadenciada, entrasse em combustão e um desejo desesperado de possuí-la naquele momento o consumiu. Queria pular as preliminares e sumir com todas as barreiras que os impediam de sentir aquele momento de forma plena, mas conseguiu se conter ao lembrar que são justamente as preliminares que ajudam a ditar o ritmo que deviam seguir. O seio que estimulava já estava rijo. Cessou temporariamente o beijo e começou a trilhar um caminho lento de sua boca mordendo seu queixo, indo em direção a sua orelha, começando uma nova série de beijos, mordidas e lambidas, descendo pelo pescoço, enquanto sua mão começava a massagear o outro seio. A outra mão começava uma batalha puxando as diversas barras do seu vestido.
Tê-la tão entregue a ele, aumentava ainda mais sua excitação. E mais uma vez a admirou quando ela se ajeitou como pôde no chão do barco e trouxe o corpo dele logo em seguida para se juntar ao seu. Suas bocas novamente também se juntavam trazendo outra vez aquelas sensações de puro prazer.
O barco balançava, mas o único balanço que interessava era do corpo que se encontrava sob o seu. Mas o barco não parava de se balançar e praguejava quem ou o que insistia em atrapalhar aquele momento.
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Numa tentativa desesperada de interromper aquele movimento que o interferia de prosseguir com todo aquele momento de prazer que estava tendo com a sua ruiva até ali, Ferdinando acordou no instante que quase cairia da cama. Totalmente suado, tentando recobrar o raciocínio de que tudo aquilo não passara de um sonho e, ao que pode perceber agora, ainda “estimulado” pelas sensações.. sentidas? não, espera, sonhadas.
Olhou o relógio e percebeu que ainda era madrugada, mas precisava de um banho frio pra acalmar os.. ânimos antes de tentar voltar a dormir. Mas ao recobrar o sonho, um sorriso malicioso se instaurou em um dos cantos de sua boca e disse para si:
— Ah menininha! Se ocê for pelo menos metade do que resolveu se mostrar nos meus sonhos essa noite, vale a pena torcer que nossos caminhos se cruzem novamente!
Se levantou e foi em direção ao banheiro.
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