Semanas Realmente Divinas
5 Tudo acaba bem no final
Notas iniciais
Acordei um pouco tarde, em meu beliche no chalé 8. Nunca me senti tão feliz, estava no acampamento com meus amigos e não precisava ficar naquele chalé branco sinistro, com seu pai gigante te observando, sozinha e sem conforto, aquilo não podia ser chamdo de "lar".
Eu estava com bom humor quando me levantei, absolutamente ao contrário das outras Caçadoras que odiavam ficar aqui.
– Calma gente, é só um pequeno desvio – eu as acalmava.
Fui para o pavilhão tomar café com o resto das Caçadoras que acordaram. Avistei Percy na mesa de Poseidon e não pude conter o risinho lembrando da cara vitoriosa dele mudando para confusa quando eu o lancei voando para trás. Terminamos e as garotas se espalharam pelo acampamento procurando encrenca com os meninos de certo.
Ontem, após o jogo, conversei com minha tenente e decimos partir quando começasse a anoitecer. Não podia contar à ninguém do porquê de passarmos aqui no acampamento, ia ser uma zoação geral dos campistas da minha cara.
Caminhei pelo acampamento, ouvindo discussões e xingamentos por toda parte até o almoço.
A tarde me juntei a Annabeth e Percy na praia. Conversamos, rimos muito, falamos babaquices e os últimos dias que passamos, até que resolvi deixar os dois a sós. Andei pela praia até eles estarem bem longe e deitei na areia.
Peguei meu Ipod, acredite, até isso é perigoso para um semideus ter, mas eu não me importava. Coloquei os fones, ouvindo algumas músicas do Greem Day quando do nada uma sombra me tampa, olho pra cima e vejo Nico di Ângelo parado ali.
– Hey Nico.
– Oi Thalia – ele sorriu, mas logo fica sério de novo – "Err... Eu preciso que você venha comigo. Eu mexi com coisas que devia ter parado de mexer, mas agora é tarde." — ele hesitou – E agora tem.. tem alguém querendo te ver. Venha! – ele andou até a margem da floresta, me olhou chamando para eu o seguir e entrou na mata.
Pensei por um momento, olhando para os lados, vi Percy e Annabeth se beijando ao longe, minha curiosidade me venceu, guardei meu Ipod e eu fui atrás de Nico entrando na floresta.
– Nico, o que está acontecendo? – eu gritei não o vendo.
– Shiu. Aqui! – Nico me chamou alguns passos ao oeste – Me siga.
Fui até ele de testa franzida e ele começou a andar, fui atrás.
– Para onde estamos indo Nico?
– Já falei, vamos encontrar... alguém. Como vou explicar? Hm, vamos dizer que eu já... evoquei Bianca depois dela ter pego a estatueta de meu pai para mim, sabe? – ele disse dando uma piscadela, mas permaneceu sério – Já estamos chegando.
Ele puxou uns galhos a frente, fazendo aparecer uma pequena clareira onde havia uma pessoa de pé que fez meu coração quase parar. Aquilo não estava certo, era estranho por 3 motivos. Primeiro: havia uma poça borbulhante com uma embalagem vazia do mc lanche feliz perto da pessoa. Segundo: Aquele não era exatamente uma pessoa, sua imagem transparecia um pouco e tremulava, parecia um fantasma. Terceiro: Não era simplesmente um fantasma, era o fantasma.
Meus olhos estavam marejados eu eu corri até ele.
– Luke! – tentei o abraçar, mas foi em vão, meus braços passaram direto por seu corpo imaterial.
– Perdão Thalia. Eu sou um imbecil – ele tentava parecer forte, mas seus olhos pareciam úmidos – Fui pelo mal caminho, fiz todos sofrerem. Eu.. eu sou um monstro.
– Não fale besteira imbecil. Você não é um monstro, nem um imbecil – falei deixando uma lágrima escapar.
Ele riu do que falei e tentou limpar a lágrima do meu rosto, é claro que não funciona, ela continua a escorrer.
– Sim, eu sou. Olhe só para nós, uma Caçadora e um morto, nunca poderemos... nunca... – ele não concluiu.
– Nunca poderemos ficar juntos? – ele olhou para o outro lado ao longe, foi quando percebi que Nico não estava mais ali.
– E é tudo minha culpa. – ele respondeu finalmente.
– Não importa Luke, você é um herói. Se não fosse por você eu nem estaria vivendo agora.
– Porque eu envenenei seu pinheiro! – ele baixou a cabeça.
– Luke, você salvou todos nós, me salvou e por fim salvou a você mesmo, é isso que conta. Tudo acaba bem no final.
– Menos para nós, ou pelo menos para o que poderia ser.
Demorei para responder, acho que ambos perdidos em pensamentos e lembranças.
– As coisas acontecem como tem que acontecer. Eu estou bem, de verdade. Agora é sua vez, se liberte. Eu te perdoo, mas se você me perdoar por não ter me despedido nas duas vezes que fomos separados vitalmente.
– Você não tem do que pedir perdão Thalia, mas me sinto muito mais leve com o seu. Finalmente sinto que posso reencanar e tentar a Ilha dos Abençoados – ele fez uma pausa com um sorriso, mas seu espírito tremulava – Acho que o que me prendia a essa vida era você.
– Luke, não importa o que você fez, você sempre será importante para mim tanto quanto as noites que batalháva-mos juntos contra os monstros, nunca se esqueça disso.
– Tudo acaba bem no final não é mesmo? – ele disse se inclinando – Obrigado Thalia – ele me deu um selinho, que eu não pude sentir, se dissipando e misturando as sombras da floresta até desaparecer.
Fiquei parada sorrindo, mas então parei, será que meus votos de Caçadora contava com mortos? mesmo que tenha sido algo tão à toa? não, não foi tão à toa. Sorri de novo, não importava o que aconteceria comigo, pelo menos eu sei Luke está bem agora. E eu também.
De repente Nico apareceu.
– Estava ai o tempo todo?
– Não, eu senti a presença dele ir embora. Hora de voltar?
– Hora de voltar – concordei.
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