SEMANA CULTURAL DO SANTUÁRIO

Chiisana Hana

CAPÍTULO VI – PREMIAÇÃO

No dia seguinte, os Cavaleiros reuniram-se novamente na arena.

– Foi um sucesso! Um tremendo sucesso! – Saori exclamava extasiada. – O pessoal amou a nossa Semana Cultural! Saíram todos felizes por terem diversão gratuita tão perto de casa. Estou até pensando em formar um grupo de teatro permanente. Podíamos montar um novo espetáculo e apresentá-lo várias noites, sabe? Uma temporada de teatro para a população! Vai ser outro sucesso!

– Pelo amor de Deus, não – murmurou Camus.

– Ah, eu topo! – disse Seiya, seguido por Milo e Afrodite, que adoraram o palco.

– Não me incomodaria de participar – disse Shiryu. Shunrei tinha aprovado a pequena performance dele como Lampito. Além do mais, era bom para ele soltar-se um pouco, expressar-se.

Dohko também gostou da ideia. O papel de diretor caiu-lhe muito bem e ele já planejava até chamar Shunrei para ser sua figurinista e, talvez, assistente de direção.

– Estão todos de parabéns – continuou Saori. – Como prêmio pela colaboração, amanhã todos irão almoçar por minha conta no restaurante mais badalado da cidade! E tem mais surpresa, pessoal! Eu não quis anunciar antes para não estimular a competição, mas os ganhadores da votação popular serão premiados com... uma viagem para as Ilhas Maldivas, com acompanhante e, é claro, tudo pago!

A maioria dos cavaleiros comemorou, exceto Camus, que não se via torrando numa praia, e Shaka, que desaprovava esse prêmio excessivo.

Tatsumi, fiel mordomo deSaori, ajudou-a a abrir as urnas e contabilizar os votos. Dohko acompanhou tudo de perto, ansioso para ver quais pupilos seriam premiados.

– Bom, vamos lá – disse Saori depois da contagem, com a lista final em mãos. – Ah, esperem um pouco! També tem troféu!

Tatsumi saiu de cena e voltou trazendo uma bandeja com estatuazinhas de Nike, réplicas daquela que a grande estátua de Athena segurava.

– Agora sim! – prosseguiu Saori. – O prêmio de "Melhor Apresentação Individual" vai para... June!

– Eu? – surpreendeu-se a amazona. – Uau! Nunca ganhei nada, gente!

– Parabéns! – Shun cumprimentou-a com um abraço que deixou ambos embaraçados.

– Uma loira de calça colada, decotão e chicote na mão obviamente faria sucesso – constatou Milo.

– Pelo menos eu perdi para alguém bonito – resmungou Afrodite. – Não admitiria perder para o Seiya.

Saori continuou anunciando os vencedores.

– O prêmio de "Melhor Obra de Arte" vai para o Camus e suas esculturas de gelo!

– Isso aí, mestre! – comemorou Hyoga, enquanto Camus tentava parecer indiferente.

– Só ganhou porque o povo ficou intrigado – desdenhou Máscara da Morte. – Todo mundo ficava querendo saber como o gelo não derretia nesse calor maldito.

– Agora o prêmio de "Melhor Peça", que foi para... "Lisístrata"!

Enquanto o elenco comemorava, o rei Édipo não estava lá muito satisfeito.

– Só ganharam porque foi comédia... – disse Seiya. – O povo gosta de besteirol. Só porque a minha peça foi séria o pessoal não gostou...

– Não seja invejoso, Seiya – Hyoga disse. – A peça deles foi melhor mesmo.

– Foi uma ova... – ainda resmungou Seiya, antes de Saori continuar a premiação.

– E o vencedor do "Melhor Figurino"... – Saori disse, e o coro gritou quem era:

– Shiryu! Shiryu!

A deusa confirmou o palpite:

– Shiryu!

O cavaleiro trocou um olhar envergonhado com Shunrei, que o abraçou, comemorando a conquista.

– Agora o prêmio mais esperado, o de "Melhor Ator". Quem será?

Ninguém se arriscou a dar palpite. Saori continuou fazendo suspense por alguns segundos, até finalmente anunciar:

– E o vencedor é... o Seiya!

A maioria comemorou a vitória do cavaleiro. Seiya tinha realmente se esforçado e ido rapidamente de uma leitura inexpressiva no primeiro ensaio a uma performance viva e emocionante nas apresentações. Quase todos admitiam que o esforço dele era louvável e merecia ser reconhecido, apesar dos pequenos tropeços na capa, no cenário e no texto. Dohko sentia-se ainda mais vitorioso que o próprio 'ator' por ter conseguido fazer dele um bom Édipo, embora soubesse que o mérito era mais da teimosia de Seiya do que de qualquer outra coisa. Afinal, era assim que ele agia na vida e nas lutas: perseverando, não desistindo nunca e chegando ao seu objetivo.

Apenas Milo não ficou muito feliz, pois esperava ganhar o troféu. Mesmo assim, admitiu a derrota e cumprimentou Seiya.

– Parabéns, Seiya – disse. – Eu realmente não esperava que...

– Não esperava perder pra mim, não é? – provocou o cavaleiro de Pégaso.

– Eu só acho que fui melhor que você, mas se o público não tem discernimento para reconhecer um talento verdadeiro, o que eu posso fazer?

– Ah, para, ô! – Seiya disse, dando um tapinha nas costas de Milo. – Isso é inveja!

Na bandeja de Tatsumi, ainda sobrava um troféu.

– Ah, temos um prêmio extra... – anunciou Saori, deixando todos intrigados querendo saber do que se tratava. – ...que vai para o nosso querido 'diretor', Dohko! Parabéns pelos fabulosos espetáculos!

Emocionado, ele agradeceu de forma breve:

– Sem vocês, nada disso seria possível. Muito obrigado a todos! Vocês foram magníficos!

Os cavaleiros celebraram. No final das contas, tinha sido divertido participar do evento e até mesmo Shina acabou cedendo e admitindo que gostou de ser rainha por alguns dias.

Num cantinho bem escondido, um observador também comemorava.

– Acertei todos os vencedores! – murmurou Ikki de Fênix, socando o ar. Do seu posto de observação, tinha acompanhado todas as apresentações e deixado seus votos.

Dias depois, numa praia nas Ilhas Maldivas.

Shunrei e Shiryu divertiam-se na água cristalina. Vez ou outra trocavam um carinho ou um beijo discreto. Ela ainda não sabia, mas o cavaleiro planejava pedir sua mão em casamento num jantar.

Na areia, Saori e Seiya estavam fazendo planos para o grupo permanente de teatro, intercalando-os com ideias de passeios românticos pelas ilhas.

Dohko, que também recebeu a viagem de presente, estava sentado no píer, pescando.

Camus levou seu pupilo como acompanhante, mas preferiu ficar dentro do bangalô, no ar condicionado, vendo uns filmes de arte. Já Hyoga aproveitou para renovar o bronzeado estirado numa espreguiçadeira.

Vencedora na categoria apresentação individual, June levou Shun como acompanhante. Viviam repetindo que eram apenas amigos, mas todo mundo percebia o climinha que rolava entre os dois, coisa que só se acentuou durante a viagem.

Enquanto isso, no Santuário, Ikki cumpria sua punição por ter se recusado a participar da Semana Cultural. Estava achando que era conversa fiada de Saori, mas ela foi firme e determinou seu castigo: varrer as escadarias do Santuário diariamente, pelo período de um mês, sem usar qualquer tipo de poder ou artimanha, sob a supervisão de Shaka. Ele ainda pensou em mandar tudo para o espaço e sumir, dessa vez de verdade, mas no último momento, resolveu ficar e cumprir a determinação da deusa. No final das contas, nem era tão ruim. Enquanto varria, sua mente viajava, pensando, na maioria das vezes, em Esmeralda. E, às vezes, até conversava com Shaka. O cavaleiro de Virgem falava-lhe da vida e da transitoriedade dela, e também de carma.

Enquanto os dois cumpriam suas missões, os demais cavaleiros que não foram premiados, reuniam-se na casa de Escorpião para discutir sobre o grupo permanente de teatro e a nova peça que seria montada. Como "Lisístrata" tinha feito muito sucesso, queriam fazer outra comédia do mesmo autor, Aristófanes, provavelmente "A Revolução das Mulheres".

Lá nas Maldivas, Saori não sabia, mas tinha alcançado seu objetivo: agora os cavaleiros estavam novamente unidos por um propósito comum.

FIM

Notas finais
E chegamos ao final! A fic teria entre nove e dez capítulos do jeito que planejei inicialmente. Mas no final das contas, ela ficou com apenas seis e, admito, ficou bem corrida, o que é uma pena. Era um tema muito legal, que merecia algo melhor. Obrigada a todos que leram até o final! Chii
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!