Sem saída, gatinho.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Mais um dia melancólico. Mais um dia igual aos outros. Mais um dia tedioso. Mais um misero dia em que eu terei de aguentar aquele cabeças ocas ignorantes.
Suspiro pesadamente, encarando várias cabeças enchendo o bucho de alguma guloseima nojenta, porque comida que é bom, criança passa longe.
Coloco a minha mais famosa carranca no rosto antes de entrar no salão iluminado, algumas cabeças se viram, outras abaixam e tem algumas (apenas uma, na verdade) que não tem um pingo de vergonha na cara e fica encarando e lançando sorrisos maliciosos, mas é claro que eu os ignoro.
Passo por sua mesa com passos rápidos, não sem antes escutar um assovio duvidoso.
Só porque é da Grifinória se acha no poder, grande cabeça oca. Mas não vou dar esse gostinho pra ela, vou apenas ignora-la.
Me sento ao lado de Dumbledore, que me lança um sorriso largo. Apenas balanço a cabeça.
—Então meu filho, como anda a menina dos cabelos roxos? Ainda te incomodando? -me pergunta.
—Não sei e nem quero saber, e sim, ela ainda me incomoda. -respondo ríspido.
—Sabe Severo, eu acho que isso não te incomoda realmente.
Paro para refletir, e acho que o velho tem razão. Não acho que me incomode tanto assim, não mais. Talvez no começo, mas agora já estou acostumado.
Na verdade, no tempo em que ela pegou uma virose horrível por nadar no lago negro durando a noite e, por isso, faltou uma semana de aulas, eu senti falta das suas cantadas baratas e de seus assovios.
Não que eu goste, é só que... Argh! É só que nada! Não tem nada! Absolutamente nada, eu continuo em perfeito estado.
Eu a olho de relance, e lá esta ela com aquele cabelo roxo ridículo rindo como se não houvesse amanhã. Garota irritante.
Enquanto enchia minha xícara de chá, percebo uma movimentação em sua mesa, dou uma olhada e ela está em pé, me encarando.
—Atenção pessoal! -ela grita, fazendo com que todos lhe olhem- Eu quero lançar um desafio aqui e agora! -ela me olha sorrindo de forma diabólica- A pessoa que conseguir dar um abraço no prof Sevvie ganha um prêmio, mas não é qualquer prêmio! -fico estático.
—O que essa garota está falando? -mal consigo raciocinar.
—Dumbledore deu total apoio ao meu desafio. Ok, chega de enrolar, quem conseguir dar um abraço no prof Sevvie ganha um passe grátis para a dedos de mel, podendo pegar quantos doces quiserem, de graça! -ela grita.
Mas que porra está acontecendo? Numa hora eu estou sentando quietinho e na outra estou me escondendo feito louco?
Depois que aquela diaba gritou aquilo, várias crianças e adolescentes grudentos correram em direção a mesa dos professores e tentaram me agarrar, eu até tentei dar um jeito de parar, mas foi em vão.
Dumbledore me paga, e aquela diaba... Ah, eu vou acabar com a raça daquela grifinória!
E o pior de tudo isso? Eu não posso dar um azarão em nenhum dos alunos. Isso é frustante.
Se eu tentei ir ao meu dormitório e me trancar lá até que essa baboseira acabe? Eu tentei sim, mas estava cheio de cabeças ocas lá, me esperando feito uns assassinos! Piores que comensais.
Me escondi feito um rato com medo, mas acho que não muito bem.
Virei o corredor que levava até a sala de Dumbledore e quando olhei para trás tinha uma onde de idiotas vindo até mim, me virei novamente para frente e estava pior.
Na onda da frente se encontrava a diabinha, sorrindo de um jeito safado.
Ela veio correndo junto com os outros mil atrás dela, fechei os olhos esperando o pior.
Mas só o que eu senti foi um corpo pequeno me abraçando o pescoço e me envolvendo com suas pernas grossas. Senti vontade de aperta-las, mas me contive.
Abri os olhos e dei de cara com os olhos mais lindo que eu já havia visto, Lilly que me perdoe, mas até mais lindo que os dela.
Era a diabinha, com seus olhos azuis ora fortes e ora fracos me olhando sorrindo.
—Sem saída, gatinho. Eu te peguei! -riu. Tentei me soltar, mas ela me segurava forte.
—Ora sua... Sai de cima de mim agora antes que eu te mate! -gritei. Ela nem ao menos se mexeu.
—Saio nada! Tenho que esperar Dumbledore pra ganhar meu prêmio... Se bem que estar assim com você é bem melhor que qualquer tipo de chocolate. -deu mais um de seus sorrisos maliciosos, mas esse foi realmente de tirar o folego.
—Me solta agora!
—Nossa, até parece gay! -debochou.
—Gay? Vou te mostrar o gay! -disse segurando sua cintura fina. Quando ia lhe dar a prova de que não era gay, fui interrompido por uma voz atrás de mim.
—Parece que você ganhou, não é mesmo senhorita Charlie! -riu Dumbledore.
—É, ganhei sim! Mas olha, foi bem difícil, mas o senhor sabe, nada de que não valesse a pena!
—É tenho certeza que sim. Severo, já pode soltar a moça. -riu.
—Eu não 'tô segurando essa cabeça oca! Ela que me prendeu aqui com algum feitiço barato!
—Que nada, só usei meu charme. -tentei me desgrudar novamente e não consegui. -Tá vendo, ta tão envolvido comigo que nem percebeu que ta me segundo. -e eu realmente esta segurando a menina, uma de minhas mãos se encontrava em sua bunda e a outra nas costas. A soltei rapidamente.
—Agora, senhorita, se você puder desfazer o feitiço de congelamento nos alunos, eu agradeço. -o velho pediu. E como assim descongelar? Olhei em volta e aquela onde de alunos estava congelada! Todos eles. Eu realmente estava tão envolvido com ela que nem percebi.
—Sim, senhor! -ela fez um movimento com sua varinha e o gelo envolto neles derreteu, fez outro movimento e limpou e secou as crianças.
—Eu ganhei! Há. -comemorou.
—Eu não vi nada! -disse um aluno, outros concordaram.
—Mas eu ganhei. -piscou um olho para a onde de pessoas envolta de nós.
—Quem garante? É verdade professor Snape? Ela conseguiu pegar o senhor? -perguntou uma aluna.
Eu queria dizer que sim, que ela me pegou totalmente, mas não conseguia. E também não queria dizer que não, mesmo que essa brincadeira estúpida tenha sido realmente estúpida, eu não conseguia mentir, não por causa dela.
—Senhorita Charlie, está em detenção pelo resto do ano comigo! -foi a única coisa que disse, vi ela sorrindo.
Me virei com minha carranca um pouco mais suavizada ao sentir o cheiro do perfume dela em minhas roupas negras.
Agora, se Dumbledore acha que irá se safar de alguns bons gritos meus, está totalmente enganado.
E o mesmo se plica naquela garota... Argh!
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