Uma noite fria como qualquer outra em Nova Orleans, sentada em frente o espelho penteava meus longos cabelos castanhos. Era incrível como a lua estava linda, eu podia ver seu reflexo no espelho. A janela da minha sacada estava fechada, era visível ver as folhas do velho bordo passando pelo vidro, suas lindas folhas laranjadas vivas estavam mortas naquela noite fria.

A luz da lua iluminava todo meu quarto vazio, eu permanecia sentada ereta em frente o espelho depois de passar um bom tempo admirando a lua, voltei a pentear meus cabelos, a alça de minha camisola de seda cor perola deslizou em meu ombro, fazendo arrepiar todo meu corpo, me peguei novamente distraída e dessa vez eu olhava para minhas mãos postas ao meu colo, deixei sem querer a escova cair ao chão, fez um estralo batendo seu cabo de madeira no chão de cerâmica rosada. Sorrir pelo meu descuido e peguei novamente o objeto. Levantei minha cabeça com a escova entre os dedos, senti meu coração bater, o rufar dos tambores ensurdecedores, meu corpo tremeu deixei cair a escova, levei as duas mãos ao espelho e coloquei meus dedos sobre uma figura refletida.

Ele não estava ali, quando a escova caiu pela primeira vez. Lindo! Era isso que ele era. Olhei para trás é lá estava ele, sentado nas grades de minha sacada, embora as grades estivessem molhadas pela neve, isso não parecia incomodá-lo. Estava elegantemente sentado. Vestia como um homem de varias qualidades. Calça preta social, camisa branca bem coloca dentro da calça. Os dois primeiros botões estavam abertos, tive medo ao olhar para seu rosto extremamente branco, sua pele era como porcelana. Desejei mortalmente em tocá-lo, era convidativo ao toque. Seus olhos azuis estranhamente fixados em mim, sua boca rosada entre aberta brilhava, seus lábios estavam úmidos pude ver isso, pelo brilho.

O vento estava forte lá fora, seu cabelo loiro, que pareciam fios de ouro brilhavam mais do que a lua que o refletia, uma fina mexa bailava sobre sua face.

Sem perceber eu estava parada imóvel olhando para ele, era impossível me mexer, a beleza dele me dominava me obrigava olhá-lo.

Com um simples gesto me senti forçada a abrir a janela, ele queria entrar, disse ele em minha mente, sua voz doce falava, mas nenhum som ou movimentos de seus lábios foram feitos. Ele apenas piscou suavemente.

Pés descalços. Dei passos leves sobre a cerâmica fria, aproximei da sacada e ele permanecia do mesmo modo, estiquei meus braços tocando a maçaneta da janela eu não olhava para ela, apenas para ele, homem que me conduzia sem menor esforço sobre mim. Abria os dois lados da janela o vento frio queimou meu rosto, senti um floco de neve tocar meus pés. O vento fez meus cabelos esvoaçarem, um perfume leve afrodisíaco veio rápido ate mim, era dele, só podia ser dele.

Fiquei entre a abertura da janela, eu poderia caminhar ate ele, pisar na neve acumulada na sacada sem problemas, mas não era isso que ele queria.

As mãos dele seguravam firme a grade, ele tombou a cabeça de leve para o lado e sorriu. Eu não queria, mas sorri.

Um barulho veio de trás de mim, olhei meu espelho estava em pedaços no chão, a aparte que o reflexo dele estava, havia se quebrado, apenas a lua estava la, um grande pedaço do espelho estava firme sem nenhum estrago.

Eu não me importei, olhei para fora da sacada, mas onde estava ele? Estiquei meu corpo para frente, mas sem sair do lugar, ele não estava la. Recuei de cabeça baixa voltei meu corpo para dentro do quarto, senti algo tocar minhas mãos que seguravam a maçaneta. Levantei a cabeça duas mãos frias empurraram as minhas para fecharem a janela. Era ele conduzindo as minhas mãos, fechando a janela senti sua fria respiração em meu pescoço. Uma de suas mãos deslizou sobre meu braço e parou na minha cintura, pude sentir seus dedos segurarem a seda que cobria e puxá-la para cima, o fino pano ficou preso entre seus dedos que me agarravam. A outra pausou em meu ombro desnudo, seus dedos entrelaçaram a fina alça de minha camisola fechei meus olhos quando senti seus frios lábios úmidos me tocarem. Franzi o cenho, ele mal me tocava, mas o prazer já me dominava. Coloquei minhas mãos sobre as dele, sua pele era fina tão fina como a seda que me vestia porem frias como a neve que caia lá fora.