Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.

38 capítulo trinta e oito - Déjà Vu?


Notas iniciais
Quando Ben e o Yuri estavam preparadas para curtirem uma noite juntos, um imprevisto acontece. Mudando literalmente os planos dos dois apaixonados. Parece que cada vez mais está difícil manter segredo pros outros sobre o namoro dos dois. "E ai, meus leitorxs fofxs! Eu simplesmente adorei as reviews passadas, obrigado por se mostrarem presentes aqui. Acho que é importante para quem escreve saber sobre o que seu público acha da história e ver se algo deve ser mudado e etc. A história não é engessada, ou seja, o desfecho das coisas podem seguir a influência da maioria. hahaha". BOA LEITURA! :)

Oi, japinha, como vai você?

— Melhor agora, meu amor. Já estava morrendo de saudades de tu, sabia?

Seu bobo, a gente treinou junto de manhã no clube, almoçamos juntos com a Báh e o Arthur, e ainda fomos ao cinema com eles. Acho que nos despedimos não faz nem meia hora. Inclusive ainda estou na estrada para casa.

— Qual é o problema de eu já estar sentindo saudades do meu namorado? Ele é meu, não é?

Ben se fez de difícil ao telefone.

— O.K, mas quem está me ligando é você – ele riu enquanto falava –, ou seja, quem sentiu a minha falta cedo demais foi tu, seu puto.

Bobo! Estou ligando por um motivo sério. Sabe aquele jantar na minha casa e depois, passarmos a noite juntos aqui?

— Não vai mais rolar pelo jeito?

Como tu sabes?

“Estou ligando por um motivo sério” e depois só ouvi “jantar” e “noite juntos”. Mas O.K, o que aconteceu? Seu pai não vai mais fazer aquele plantão no continente ou o Mig não vai mais para o luau em Balneário Piçarras?

Meio que os dois juntos com uma cereja extra no bolo que estou lhe dando.

— Então venha para a minha casa. Eu dou um jeito da Yumi e do Camilo darem o fora de casa e a minha, bem, eu dou um jeito nela também.

Benjamin começou a rir sem controle.

Caramba, eu fiquei com medo agora, parecia um psicopata falando: dou um jeito em tudo e em todos! — terminou, voltando a rir.

Yuri não gostou de o Ben não estar levando a conversa a sério. É claro que ele não se referia a dar um jeito na mãe naquele sentido, mas quem sabe dar um sonífero?

Tu tinha que me perguntar qual é a cereja do bolo que estragou todos os nossos planos.

— Qual é a cereja mais azeda que está neste bolo, Sr. Furlanetto?

A doutora Marisa Belucce Mion. Isso tá bom ou quer mais?

— Acho que já está ótimo isso. Quer dizer então que ela está voltando para a casa hoje à noite?

Sim! O meu pai acabou de me ligar e me disse pra ir para casa agora mesmo porque minha mãe estava voltando para a casa e ele escolheu fazer um jantar de boas-vindas e de reconciliação da nossa família. Nunca ouvi o meu velho com aquela voz de cachorro abandonado. Até o Miguel foi proibido de ir à festa. Então é isso!

— Caramba, isso é bom, não é?

Sei lá, já tinha me acostumado com a casa tranquila daquele jeito sem ela para encher o saco da gente. Aquele dia do aniversário da sua irmã, eu posei na sua casa e nem fui cobrado na manhã em casa.

— Pare com isso, Benjamin! Eu sei que sentiu a falta dela e estava morrendo de preocupação pelo casamento dos dois.

Preocupação é uma coisa bem diferente de estar com saudades.

— Insensível. Seja o mais cavaleiro possível com ela. Eu adoro a minha sogrinha, tá bom?

A sua o quê?— gritou ele em meio a gargalhadas.

— Eu não disse nada, só que adoro a sua mãe. – Yuri riu em seguida.

Eu acho que ouvi um “sogrinha” ou meus ouvidos estão cheio de cera?

— Tem alguma dúvida de que estão?

Ben voltou a rir. Ele já havia entrado na rua onde ficava seu condomínio.

Tu vai fazer o que agora?

— Ah, acho que vou ligar pra Bárbara e aceitar o convite dela e do Arthur para ir à festinha da Civil.

Quê? Tu vais na Betonada sem mim? Eu fiz a besteira de me apaixonar por um homem e quando isso acontece é justamente por um safado igual a tu? — brincou ele, mas no fundo havia ficado com um pouco enciumado.

Yuri riu enquanto se olhava no espelho da porta do seu armário.

— Tá bom, eu fico em casa como uma senhora de setenta anos e assisto a um filme preto e branco para me lembrar do tempo que era virgem.

Vai se foder, japa do caralho! Eu estou brincando pela parte de tu ires à festa. Na real, na real, eu acho uma boa pra ti já que não vai rolar o nosso jantarzinho e sei o quanto o Arthur queria que tu fosse com eles.

O japonês pareceu ignorar tudo aquilo, só conseguiu se focar em uma coisa:

— Que história é essa, mocinho, de que só está brincando sobre a parte de ir a festas? Quer dizer então que se arrepende de estar junto comigo?

Ah, por favor, né, Takashi? Não vou nem responder! Vou desligar porque acabo de chegar na garagem de casa e o carro da minha mãe já está aqui também. E, por favor, vá à festa, quem sabe eu chegue lá mais tarde.

— Não faça essa merda, hein, lembre-se que a sua mãe está voltando para casa e o motivo que a fez se afastar foi um pouco por causa disso aí. Eu vou ficar de cara se tu fazer merda e, depois, vir chorando aqui para se lamentar da separação dos seus pais.

Eu estava brincando, Yuri, mas O.K, tu tens razão. Isso que dá namorar um cara CDF, oriental e muito certinho. Vai se lascar antes que eu me esqueça, tá?

Os dois riram e, logo, desligaram o telefone. Yuri continuou na mesma posição em frente ao espelho por mais alguns minutos, decidindo o que iria fazer. Primeiro, o menino ligou para o celular do Arthur para confirmar a sua saída com o casal. O carioca ficou feliz quando o japonês lhe disse aquilo, o Yuri conseguiu ouvir do outro lado da linha a gritaria de comemoração da Bárbara ao ouvir a notícia pelo namorado

Antes de ir tomar banho, ele decidiu convidar a irmã e o namorado dela, que estava hospedado ali desde o aniversário da Yumi na última quarta-feira para acompanha-lo naquela noite sem o seu namorado. Claro, que o Camilo não estava sendo bem tratado pela matriarca da família, mas em comparação a outros momentos, estava, sim, senhor.

Isso só estava acontecendo porque a japonesa havia ameaçado sua mãe um dia antes de ele chegar ali; se ela fosse a Nara de sempre com o garoto, essa seria a última vez que a japonesa pisaria naquela casa. O Yuri e a Yumi sabiam muito bem que a advogada faria de tudo para não perder o único apoio em relação à partida do seu marido que vinha dos filhos.

— Pare de ser tão preguiçosa, Yumi... O Camilo já está entediado de só ficar em casa, poxa, ele veio lá de Sampa só para o seu aniversário – continuava a insistir Yuri.

A japonesa olhou do irmão para o namorado, que estava deitado sobre as suas pernas. O moreno sorriu querendo influenciar na decisão da oriental.

— OK, OK, meus garotos pidões!

Benjamin não viu nenhum dos seus pais ao entrar em casa, mas quando estava subindo para o quarto deu de cara com o irmão. O Miguel estava com uma cara de saco cheio, sabia muito bem que o Ben também deveria estar ali por um motivo maior chamado: a ordem de seu pai.

— Cadê os dois?

— Os nossos pais estão conversando lá no quarto deles e, agora, ele me pediu para cuidar da carne na churrasqueira para ela não queimar. E, outra, o pai mandou eu te ligar para te apressar, só que como já chegou; dê um olá para eles no quarto.

— Bem capaz que eu vou atrapalhar a conversa dos dois – comentou o menino de olhos verdes à prontidão.

— Para de ser mané, idiota. O pai é que pediu isso, então, acho melhor não contraria-lo – mentiu para o irmão, querendo que ele levasse uma bronca pela demora. – Sabe que o doutor Manuel é muito bonzinho, só que quando fica puto, ELE FICA PUTO...!

Ben terminou de subir o restante dos degraus e se flexionou a entrar no seu quarto, porém concordava com o irmão no ponto de não tirar o seu pai do sério. Ele bateu algumas vezes na porta antes de ouvir do seu pai:

— Pode entrar!

Ao entrar, ficou totalmente sem jeito ao ver sua mãe secando os olhos com o dorso das mãos.

— Ah, tu chegasse, filho... que bom! – disse Manuel.

— Desculpa o meu atrasado – falou o menino, entrando ainda mais no quarto e indo em direção a sua mãe. – Mãe, que bom que voltou. Sentimos a sua falta. – Ao terminar de dizer aquilo, o menino abraçou os ombros de Marisa. Ela estava sentada na ponta da cama, não pensou nem duas vezes para terminar aquele abraço de pé.

— Eu senti muita mais a falta dos três homens da minha vida. – Ao ouvir aquilo, Benjamin sentiu um aperto dentro do peito. Era ridículo como não tinha sentido até aquele abraço que a mulher havia feito tamanha falta na casa.

— E como estão os tios? Bem? – perguntou para mudar de assunto.

E aí, ela contou tudo sobre a irmã, o seu marido e seus filhos. Era evidente que mesmo morando tão próximo uma da outra, a relação das duas famílias não era tão próxima quanto podia ser.

Quando terminou de tomar banho, Benjamin encontrou a família no píer da sua casa para jantar. Miguel continuava com aquela cara de infelicidade, porém foi ignorado pelos outros três.

— Eu fiz a minha inscrição para o vestibular na sexta, mãe – contou Ben.

— Sério, meu filho? Que ótimo! Eu fico muito feliz que continue atrás do seu sonho.

Miguel sorriu de canto para provocar o irmão, queria poder dizer: puxa saco bem alto, ao invés disso soltou:

— Que dessa vez vai, né?

Manoel deu um resposta incisiva antes do Ben:

— Se não der dessa vez como na outra, ele chora, levanta do chão, sacode a poeira e volta à luta. Eu atendi um senhor de sessenta anos na emergência do HU, anteontem, que estava me contando sobre o seu neto que foi chamado na metade desse ano em medicina lá na UFRGS. Ele estava feliz porque o menino levou seis anos para ser aprovado numa universidade pública e foi. Daí, eu perguntei se ele estava feliz por ele ter entrado na federal do Rio Grande do Sul, sabe o que aquele senhorzinho me respondeu?

A família não soube responder.

— Que estava mais feliz por ele ter provado a todos que sabe lutar pelos seus objetivos.

Ben quis levantar e aplaudir o discurso para gozar da cara do irmão. Miguel, aparentemente atingido ficou calado o restante do jantar todo. A conversa no resto da noite girou em torno apenas dos planos da família para uma viagem juntos pela Europa.

O menino de cabelos castanho claro aproveitou para informar sobre a possível viagem dele com os amigos pela Cordilheira dos Andes no feriadão da proclamação da república no mês que vem.

Para a sua surpresa, Marisa pareceu incentivá-lo a fazer mesmo isso. Manuel não achou muito seguro uma viagem tipo mochilão por jovens inexperientes, ainda que só por uma semana.

No momento em que eles estavam comendo a sobremesa, Benjamin recebeu uma foto enviada pela Bárbara no seu WhatsApp. Era uma selfie, onde o Arthur, o Yuri, a Yumi e Camilo apareciam abraçados atrás dela.

Ben:

Muito lindos todos vocês, meu Deus, como esse japonês aí é um mô gatão. Me apresenta ele aí, ôô, me apresenta, gatinha

Báh:

Opa, eu já faço o esquema de vocês. Aproveito que ela está solteiro hoje à noite

*faço *ele

Corretor automático maldito!

O menino deu olhada sobre a mesa para os pais, querendo ver se ele podia continuar escrevendo sem que os dois percebessem o seu distanciamento.

Ben:

Solteiro o caralho! Diga a todas as piranhas e os gays da balada que ele tem DONO. D-O-N-O-O-O

Terminou de escrever aquilo, rindo para ele mesmo. O Miguel tentou ler o que o irmão havia escrito de tão engraçado, mas o Ben conseguiu bloquear a tela do seu telefone a tempo.

— O que tu perdeu aqui?

Miguel pediu licença para os pais e saiu da mesa. Ele subiu para o seu quarto logo em seguida, já que não podia sair, não passaria o resto da noite, ouvindo sobre o que poderiam fazer quando estiverem na Itália.

O menino de olhos verdes abriu novamente a sua conversa com a ruiva, só que para a sua frustração, a amiga só havia visualizado a mensagem sem se dar ao trabalho de responder.

Ele mandou uma mensagem para o namorado:

Como eu queria estar aí com vocês! O jantar aqui já acabou, só que não tem clima para eu pedir para sair de casa já sendo tão tarde da noite.

=C

— Yuri, por que diabos nos trouxe aqui para ficar mexendo no seu celular, hein? – questionou Camilo, puxando seu cunhado pelo ombro. A música estava um pouco alta, mas permitia que as pessoas conversassem num tom mais próximo do natural.

O japa riu para ele. Guardando o celular no bolso.

— Eu estava lendo uma mensagem do Benjamin.

— Ah, se ele quisesse, teria vindo com a gente – reclamou Bárbara, abraçando o amigo pela cintura.

— Não é bem assim, Bàh... ele queria ter vindo, só que não podia furar aquele jantar improvisado.

A ruiva estava visivelmente bêbada. Ela começou a rir enquanto via o japa defendendo o seu namorado.

— Eu quero que tu me defenda dessa maneira, Arthur Guetter, quando for preciso. Yuri Takashi, que homem que tu és... Sério, tu és o melhor namorado que alguém poderia ter, não é mesmo Yumi?

A menina não respondeu apenas riu, não ia querer provocar o namorado que também estava na festa. O Yuri mordeu os lábios, franzindo a testa para o Arthur, que ficou chateado pela cutucada.

— Eu não ligo para a Bárbara quando está bêbada. Ela adora arrumar uma crisezinha de vez em quando.

— Sério que tu pensas isso de mim, morzão?

— Eta, eta, já chega disso. Vamos beber civilizadamente e dançar com os amigos. É uma pena que o Ben não pode estar aqui, mas já que não está, vamos nos divertir por ele – comentou Yumi, puxando a Bárbara para começarem a se mexer.

A noite no clube era das músicas eletrônicas. Havia muitas pessoas nas pistas de dança. Até o momento, os cinco ficaram dançando juntos ali, mas a Yumi e o namorado, depois de um tempo, quiseram se sentar próximos ao barzinho.

— Hei, olha só quem está aqui – comentou uma voz facilmente reconhecida pelo grupo ao se aproximar do Yuri, da Bárbara e do Arthur. Ele estava com mais três amigos desconhecidos pelos três, duas meninas e um menino.

— Fred, seu filho da puta, tu está faltando aulas demais – disse Arthur, abraçando seu amigo loiro.

— Ah, quero evitar de ver umas bichas que andam frequentando aquele cursinho – provocou o loiro. – E olha só quem está aqui hoje... o Yuri!

O japa fechou o punho, controlando o ódio que sentia do seu amigo desde o dia em que o Joshua disse que ele havia fofocado sobre o Yuri estar pegando o Ben. E, agora, o menino tinha entendido o recado.

— Quê? Arthur, pare de falar suas merdas de sempre – pediu inocentemente Bárbara. – Vou ter que ligar para os seus pais lá no restaurante e dizer que o filho novamente não vai passar no vestibular de novo por causa de frequência insuficiente.

— O que aconteceu, Yuri? Por que o Benjamin não veio com você? Brigaram novamente, japa? – cutucou Fred, ignorando a brincadeira da ruiva. Ele estava a fim de aborrecer outra pessoa. – Logo, agora, que estão se dando tão bem, não é?

— Deixa eu ir pro banheiro, não tô a fim de perder a cabeça aqui – confessou Yuri, tentando ignorar as provocações.

— Yuri, o que está acontecendo? – perguntou Arthur. – Espere aí, eu vou contigo lá.

— Bárbara se eu fosse tu, cuidava do seu namorado lá no cursinho e, agora, aqui na festa. Nunca se sabe quando ele vai se apaixonar pelos seus melhores amigos.

— Já chega! Vai se foder, Frederidículo! – gritou Yuri, avançando com toda velocidade para cima do Fred.

Quando Benjamin estava preparado para fazer o mesmo que o irmão, e ir para o seu quarto, a sua mãe puxou um assunto que lhe prendeu à mesa por mais algum tempo.

— Nesta semana, a Angela, a mãe da Paula, me ligou para dizer que todos estão ansiosos para saber o sexo do bebê do Miguel e para pedir que eu como sogra e obstetra dê algumas dicas de segurança para a Paula. Cuidados que ela deve ter nos próximos meses ao transar com o Miguel.

Benjamin quase riu ao ouvir aquilo. Como a Angela poderia achar que para a sua mãe seria fácil falar sobre a vida sexual de um dos seus filhos ainda mais com a sua futura nora?

— Ela não acha meio tarde agora já que a Paula está com quase quatro meses de gravidez? Quaisquer conselhos deveriam ter sido dados antes de esses dois irresponsáveis porem uma criança no forno.

Ben não conseguiu mais segurar e começou a rir, o seu pai também não resistiu ao próprio comentário.

— E não foi por falta de conversar com o nosso filho, aliás, com os nossos dois filhos. A gente sempre deu bons conselhos a você e ao Miguel, não é, Benjamin?

Ele parou de rir assim que seu pai lhe envolveu na conversa.

— Eita, eu acho que sim, mas não tenho nada com isso, eu ainda não engravidei ninguém. – E, agora, é mais difícil ainda, não é, Ben, pensou ele, quase rindo.

— E o que você disse a ela, Marisa?

— Disse para ela procurar a ginecologista da Paula e pedir orientações. Mas a coisa mais fofa que eu ouvi foi que o Mig está sendo muito atencioso com a Paula e com o bebê, que ele liga toda noite para saber se ela está precisando de alguma coisa. Acho que ele será um bom pai. Pode até continuar sendo o Miguel de sempre, só que será um bom pai.

— E por falar de bebê... Ben, está sabendo alguma coisa sobre o filho do Yuri-pai fora do casamento? Ele já nasceu, não é?

Marisa pareceu curiosa também.

— Nasceu, sim. O que eu sei é que o Yuri está morando junto com a namorada em um apartamento provisório no Agronômico (um bairro próximo ao centro de Floripa) até encontrarem um sobrado aqui pelo Jurerê Internacional.

— Caramba, ele resolveu assumir a relação com a amante? – soltou Marisa, horrorizada, tentando se pôr no lugar da paciente. – A Nara deve estar muito abalada? E os meninos como estão lidando com o fato de terem um novo irmãozinho?

— Bem, a Yumi está adorando a criança, a propósito se chama Luigi. Ela me mostrou algumas fotos do criança e tenho que concordar que ele é muito lindo mesmo. Só o Yuri Neto que não está curtindo seu irmãzinho nem um pouco. Eu e a Yumi estamos achando que é por causa da Nara, que o Yuri está pensando na mãe.

— Isso é bastante complicado mesmo! Eu não sei se gostaria de ver você ou o Miguel misturados com um filho do Manuel fora do casamento – confessou ela, sorrindo para o marido. – Isso destrói uma mulher. Ainda mais depois de vinte anos de casamento...

Manuel piscou para a esposa, isso deixou o caçula do casal muito feliz. Até um dia atrás, acreditava que o casamento dos seus pais havia ido dessa para a melhor.

— E falando no Yuri, como ele está? Se recuperou bem daquele acidente? – perguntou Manuel.

— É verdade, temos que marcar um jantar aqui em casa para ele e a Yumi. Eu adoro demais aquela japonesa e soube que ela voltou a morar aqui em Florianópolis.

— Respondendo a sua pergunta, pai: ele se recuperou bem, sim, agora, está fazendo algumas consultas com uma fisioterapeuta. E, mãe, a Yumi não voltou bem a morar aqui, ela trancou um semestre na faculdade para poder ficar com o irmão enquanto ele se recuperava totalmente. Só que, no começo de dois mil e dezesseis, ela volta a São Paulo.

— A Yumi sempre fazendo mais do que um papel de irmã. Estes dois japonês são existem mesmo. São muito fofos!

Não precisamos nem discutir no quanto o menino ficou feliz por ouvir aquilo. Ele estava pensando que quem sabe com toda aquela admiração da sua mãe pelos amigos não ficaria mais fácil para ele contar a verdade sobre o namoro com o melhor amigo em breve aos seus pais.

Só que Benjamin ainda achava que não era o momento certo de abrir o jogo. Talvez, era melhor esperar o ano acabar para revelar o seu amor. Ele encarava os seus pais pensando em como reagiriam caso soubessem daquilo. Muito provavelmente, o seu pai mesmo se opondo à relação não agiria pior do que a sua mãe agiria.

Frederico só sentiu um grande choque na altura do seu peito antes de ser arremessado ao chão pelo oriental. Yuri acabava de se jogar, literalmente, em cima do outro como aqueles quarterbacks fazem em seus jogos de futebol americano.

Arthur, Bárbara e os três amigos que acompanhavam o Fred foram pegos de surpresa. Yuri caiu sobre o amigo já soqueando a sua cara com dois socos num punho fechado e carregados com toda a ira daquele menino. O loiro não conseguia mover os seus braços, que estava presos pelos joelhos do velho amigo.

— Segure ele, segure ele – gritava Bárbara, empurrando o seu namorado para cima dos dois caídos.

Só que nem o Arthur e nem outro rapaz conseguiram tirar o oriental de cima do Fred. Yuri errou um errou um soco e atingiu o chão, quase quebrando os seus dedos – a dor que começou a sentir lhe fez se distrair. Então, o Arthur conseguiu puxá-lo e foi nesse momento em que Fred se aproveitou e deu um chute na boca do estômago do japonês perto donde ele foi operado há um mês.

Fred conseguiu se levantar e partir para cima do Yuri com uma chave do seu carro como arma. Ele conseguiu socar aquilo no ombro do adversário, que foi solto das mãos do Arthur pela Bárbara, que tinha se irritado com aquela covardia.

Yuri deu outros socos na cara do Fred, que já estava meio zonzo na pista. As pessoas como era de se esperar apenas curtiam a briga sem intervir. O japa conseguiu dar uma rasteira no amigo, que caiu em cheio outra vez no chão.

Nesse momento, o oriental começou a cobri-lo de pontapés por todo corpo, mas quando começou a chutar o rosto do caído, a Bárbara e o Arthur puxaram ele – foi aí que a sua irmã conseguiu se aproximar dos três. Duas pessoas ajudaram a levantar o Frederico do chão.

Ele estava com todo o rosto coberto de sangue, mesmo assim deu uma de valentão e tentava ir para cima do japa.

— E diga a todos que foi uma bicha que lhe deu uma surra, seu filho da puta – gritou Yuri assim que alguns seguranças começaram a dispersar todos daquela pista.

Notas finais
Ixiiii, depois de uma briga dessa, me diga o que acharam da atitude do Frederico? Acham que o Yuri foi longe demais? Beijois, até a próxima!