Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.

28 Capítulo vinte e oito - O que você espera de mim?


Notas iniciais
As coisas entre o Benjamin e o Yuri começam a balançar com a distância. Aliado a isso fica a incerteza da relação que os dois estão estabelecendo - até aonde irá esta doce paixão? O menino de olhos verdes se esquecerá do melhor amigo ao se aproximar dos novos? Meus queridos, agradeço os feedbacks que vieram do último capítulo. Peço para que não deixe de escrever o que está achando dos capítulos e deste drama. É muito importante saber como os acontecimentos da história estão lhe surpreendendo, tanto positivamente quanto negativamente. ♥ "Uou, consegui pegar todos de surpresa com este novo capítulo, a semana foi mais "de boas", graças a Deus.

Benjamin esperou estar dentro do seu carro para então olhar as mensagens não visualizadas no WhatsApp. Algumas delas eram da Bárbara, do Yuri e de um amigo da faculdade.

As mensagens da Báh foram abertas por primeiro.

Bárbara:

Amore mio... faz dois dias que voltou pra sua casa, mas já estou morrendo de saudades. O japa me contou a noite superquente que vocês tiveram e o susto pela manhã (quis dizer, pela tarde, rsrs)! (05:30)

A gente começou a fazer academia ali na FloripaGym, perto do quartel dos bombeiros, no Trindade, sabe? (05:31)

Ele está preocupado com o corpo... disse que estava engordando e que tu não olharia pra ele se virasse uma rolha de poço, rsrs. Imagina só, o nosso japa um lutador de Sumo? Acharia FOFO! (05:32)

Decidiu mesmo ir com o pessoal da sua sala naquela festa hoje à noite? Em uma plena quarta-feira? (05:36)

— Porra, Yuri, vá se foder! Por que tinha que contar pra ela sobre a nossa noite? Que ódio, que ódio. Porra, cara! Vá se foder! Pega logo o telefone e conte tudo para a minha mãe também.

Benjamin escreveu sem pensar muito na resposta ou mesmo sem responder a todas as perguntas da garota. Foi ao ponto chave, ele não tinha tempo para ficar escrevendo – já estava quase atrasado para a primeira aula do dia.

Bárbara, estou sempre com saudades de ti, minha gata

O japa voltou pra academia? Ainda bem! Hahahahahah (Aqles!)

Vou, sim

A minha subturma não terá aula amanhã, então, vai rolar de boa aquela festa. Quero começar a me enturmar mais. Uma galera pensou que eu estava meio depressivo aqui. Tá certo que fiquei meio assim mesmo na semana passada, porém esta já está sendo muito massa. Fiz alguns bons amigos lá! Depois te conto mais sobre eles

Te amo!

Beijos

Ele ligou a ignição do automóvel, contudo sem sair do lugar. Abriu a mensagem do Yuri:

Porra, o que aconteceu contigo? Me deixou aqui sem respostas depois de me dar oi à noite (02:14)

Visualizou a minha mensagem e nem deu bola, é isso mesmo? (02:14)

Porra, Benjamin! Não vai me responder mesmo? (06:26)

Ben sorriu enquanto ajeitava os seus cabelos lisos na touca cinza claro, estilo Beanie.

Ben:

Caraca

Juro que eu apaguei completamente

Desculpa

A gente conversa na hora do almoço, gatão

A última mensagem não visualizada era de um novo amigo que Benjamin conheceu na FURB. O nome do menino era Gustavo, vinha de Porto Alegre para estudar em Blumenau após um ano de cursinho e terceirão.

Gustavo:

E aew, my boy!

Cara, a Manoela ficou muito loca no happy hour de ontem, não achou? Tipo, eu acho maneiro brincar com os amigos e pá, mas subir na mesa e dançar Gretchen? (00:50)

Certeza que o apelido dela agora por diante será Thammy. Topa chamá-la assim? (01:02)

Olhos verdes, não vá se esquecer de trazer seu jaleco e luvas para a aula de anatomia. Dessa vez, não vou te emprestar (06:10)

Zoas! Eu te empresto o que precisar... Tamu aí pra isso! ;) (06:24)

Ben:

Gus, na moral, ela pagou o maior mico mesmo. Fiquei com vergonha alheia (emoticon rindo e chorando ao mesmo tempo).

Topado!

Ah, porra, cadê todo o amor envolvido na nossa amizade? O que custa emprestar algumas luvinhas de novo, guri?

Kkkkk

Té depois

Assim que ele enviou a mensagem, ela foi aberta e respondida:

♥ temos seis anos para prová-lo, irmão

Muitas provas para colar um do outro também

O menino de olhos verdes apenas visualizou a mensagem e saiu com o carro da garagem rumo à faculdade. O trânsito da cidade era muito melhor e fluía muito mais do que o da ilha de Florianópolis – aquilo deixava o manezinho (quem é nativo de Floripa) mais tranquilo para sair de casa faltando vinte minutos para o início das aulas da manhã como naquele momento.

— Hei, Gus! – chamou Benjamin, se aproximando do amigo, que andava através de um corredor a caminho do anatômico da faculdade (local onde as aulas de anatomia são ministradas). Ele estava acompanhado por uma menina loira, que era desconhecida do manezinho.

— Fala, manezinho da ilha! Vanessa, este aqui é o Benjamin, melhor conhecido como Bem ou como foi batizado pelos veteranos: manezinho da ilha. Ele também é da minha turma. – O menino tinha a mesma altura do de olhos verdes, os seus cabelos eram pretos, um pouco mais ondulados do que lisos, penteados num topete de vários centímetros. Ele tinha um corpo definido por suas malhações diárias, que ficava aparente com aquela blusa de moletom grudada em seu tronco. O sorriso do gaúcho era bem destacado por seus olhos castanhos escuros.

— Outro calourinho! É um prazer te conhecer, Ben. Sou uma veterana de vocês, lá da oitava fase.

— Orra que massa. Não vejo a hora de poder chegar lá e seguir para o internato na nona fase – confessou Benjamin, sorrindo.

— Pera aí, calouro. Mal começou o curso e já se vê no internato? Um pouco precoce, não acha? – retrucou a garota com as sobrancelhas arqueadas. – Olha, o papo está legal, mas estou atrasada para a minha aula de gineco-obstétrica. Nos vemos de noite, Gus. Foi um prazer lhe conhecer, Benjamin.

Depois, a veterana dos meninos se afastou corredor adentro enquanto os dois entraram no laboratório que teriam aula naquele dia.

Yuri estava ficando um pouco estressado, o motivo foi o mesmo da noite passada; se sentia ignorado pelo menino de olhos verdes. Ele tinha prometido que conversariam durante a hora de almoço dos dois, porém não era o que estava acontecendo.

O oriental até terminou o almoço mais cedo para poder se afastar dos seus amigos da faculdade a fim de ter mais privacidade com o outro. Já estava passando de uma hora da tarde, e o Yuri já tinha ligado mais de quatro vezes para o Benjamin.

Ele abriu o seu WhatsApp várias vezes num curto espaço de tempo para ver se recebera alguma mensagem do amigo e quem sabe seu telefone por algum engano não tenha lhe notificado.

— Mas que droga mesmo! – xingou antes de entrar na sua sala de aula.

Após a aula começar, foi que o telefone dele começou a vibrar em uma ligação do menino de olhos verdes. A princípio se sentiu tentado a rejeitar a chamada, porém decidiu ir até o corredor para atendê-la.

Alô! Tudo bem, japinha do meu coração?

— Que tudo bem, velho? Tu me fez passar por um papel de bobo agora a pouco, nem almocei bem para poder falar contigo e nem para me atender.

Me desculpe mesmo, é que eu andei meio ocupado... Mas estou ligando agora para dizer o quanto estou com saudades do seu corpinho nu aqui comigo neste final de inverno. — Benjamin sabia como acalmar os ânimos do japa. Ele mentiu ao dizer que estava ocupado, na verdade, esqueceu totalmente da ligação e também deixou seu telefone dentro da mochila no modo vibracall. Só foi se dar conta das chamadas perdidas quando pegou o celular para tirar uma foto do campus da faculdade para enviar aos seus pais. – E aí, me diga como foi a sua aula cedo?

— Foi estressante como sempre. Tive um monte de conteúdo sobre imunologia humana para entender nada, até a Fernanda se sentiu totalmente perdida com o novo conteúdo. O pior é que temos prova daqui a duas semanas e nem sabemos como estudar.

Uou, então a matéria deve ser bem puxada mesmo. Converse com seus veteranos, quem sabe não possam ajudar de alguma forma. Acordei bem atrasado hoje de manhã, por isso nem respondi direito a sua mensagem.

— Pois é... Percebi! Estava pensando em viajar para Blumenau nesta sexta-feira e voltar contigo para cá no sábado. Eu não terei aula esse dia inteiro e assim podíamos ficar juntos um pouco mais no seu apartamento.

Benjamin pareceu pensar um pouco antes de responder:

É uma ideia bacana, podemos ver isso certinho.

— Como assim? Não quer que eu vá? Eu não vou, então!

Yuri pare de falar tanta besteira. É claro que não me importo de tu vir pra cá... Pode vir, vai ser muito legal passarmos outra noite juntos.

— Cara, tu não acha que eu nasci ontem, acha? Eu sei muito bem quando não sou esperado em um lugar. Só pensei que seria bacana ficar contigo aí e jurava que tu gostaria da notícia, mas pelo que vejo...

Porra, velho! Pare agora mesmo de falar besteira. Eu só fui pego de surpresa, só isso. Aliás, fiquei pensativo aqui para ver se não tinha outro compromisso com os meus amigos daqui.

— Caramba, jurava que tinha mais valor para ti. Agora, para me receber tem que ver se não há choques de agenda? É isso mesmo?

Não foi o que quis dizer, Yuri. Meu, tu sabe que pode vir me ver quando bem quiser...

— Realmente era o que eu estava achando até agora, entretanto é bom saber que não é bem assim. Ok, Benjamin! Me deixa voltar aqui para a minha aula de genética que eu ganho mais.

Affs! Tu ficou de cara agora? Porra, cara, o que espera de mim? Também tenho que dar atenção aos meus outros amigos...

— Mas que porra tu estás dizendo, Ben? Vá se foder! Não quero nada de mais de ti, só que pensava que tínhamos um lance bacana rolando entre nós. Talvez, isso já fosse o suficiente para me tratar um pouquinho melhor. Não acha? Ou acha que os sentimentos dos outros não tem importância?

Meu, o que isso tem haver com isso? Não precisa envolver aqui o que estamos sentindo, é claro que te amo. Eu acho que só fui mal interpretado por ti.

— Benjamin Belucce, me dá um time. Eu já estou bem estressado e não quero piorar este lance. Abração!

Yuri... Yuri…— chamou Ben quando o telefone foi desligado pelo japonês.

O menino de olhos verdes ligou outra vez e mais outra vez, só que as suas chamadas foram diretas para a caixa de mensagem. Ele sabia que para o amigo agir daquela forma era que nada estava legal entre eles novamente. Mas justamente agora que os dois estavam se acertando finalmente, acontece isso?

Benjamin achava que não tinha culpa alguma e que o Yuri estava agindo como uma criança. Já Yuri estava achando o Benjamin um babaca por tratá-lo com a mesma importância do que os seus outros amigos. Afinal, eles estavam se apaixonando cada vez mais – ou seja, Yuri queria que o menino de olhos verdes lhe vesse acima dos outros amigos assim como o japa lhe via.

O resto da tarde pareceu se arrastar para o Benjamin. Não quis prestar atenção na sua aula de bioquímica, não conseguia parar de pensar na discussão com o Yuri. Ele só voltou ao planeta Terra quando o Gustavo lhe fez uma pergunta:

— Ben, estamos querendo saber se você ainda não mudou de ideia sobre ir à festa conosco hoje à noite?

O gaúcho estava se referindo a ele, a outro amigo e a duas amigas do menino de olhos verdes.

— Não sei. Não estou mais com cabeça para isso...

— Que porra está nos dizendo, Ben? – perguntou Renata, uma garota de pele e cabelos negros.

— Nada disso, tu prometeste a mim ontem à tarde, filho – ressaltou Tiago, um menino gordo, de olhos azuis e pele clara. – Além do mais, o seu ingresso já foi comprado pelo Gus na internet.

— Isso mesmo! Nada de voltar atrás, lindinho – concluiu Jaqueline, uma menina loira, de olhos verdes.

Os cinco estavam na cantina do prédio da saúde, que ficava de frente para o enorme estacionamento do campus.

— Tá bom! Eu vou à festa hoje, só que não quero me demorar lá. Acho que amanhã vou ir a Floripa para visitar a minha família.

— Como assim? Depois de amanhã, ainda será sexta-feira e temos três aulas. Está se esquecendo disso, é? – interferiu Gustavo, sorridente.

Benjamin riu e abaixou a cabeça, aproveitou para conferir o seu Whats e as suas chamadas. Não havia nada do oriental – aquilo deixou o de cabelos castanhos muito preocupado.

Mais tarde, quando Benjamin já estava no seu apartamento, ele pegou o seu celular novamente e resolveu telefonar para o Yuri assim que conferiu novamente as mensagens e as chamadas do aparelho.

Alô! — Uma mulher atendeu o telefonema.

— Alô, gostaria de falar com o Yuri – disse ele.

Oi, menino... quanto tempo, hein? Aqui quem está falando é a Nara, a mãe do Yuri.

— Nossa! Faz muito tempo mesmo. Tudo bem com a senhora?

Estou bem e pelo que soube através da sua mãe na minha última consulta com ela, tu estás muito bem. Eu atendi o celular do Yuri porque ele saiu e deixou o telefone aqui na sala de casa.

— Sabe se ele vai demorar pra voltar?

Olha, menino! O Yuri foi à academia com a Bárbara não faz nem meia hora ainda.

— Ah, tudo bem. Eu ligo depois para falar com ele.

Ok, então! Quando vem a Florianópolis?

— Neste final de semana.

Apareça aqui em casa para jantar com a gente. Tchau!

— Se der eu apareço, sim. Tchau, Sra. Nara!

Imediatamente, ele pegou o seu celular e ligou para a Bárbara. A ruiva atendeu depois de alguns toques.

Gato! Tudo bem? Não me diga que está morrendo de saudades de ouvir a minha voz gorjeada?

— Caralho, onde tirou esta de “gorjeada”? Meu Deus!

A menina riu por alguns segundos antes de responder.

Eu li esta palavra num livro obrigatório da UFSC hoje à tarde. O que quer falar comigo é tão urgente, amor? É que a Báhzinha está andando na esteira justo agora.

— Para te falar bem a verdade: eu liguei para falar com outra pessoa – confessou em meio a risos.

Seu desgraçado! Eu fiquei chateada agora, mas tudo bem... vou chamar o japinha. Ele está na musculação agora.

— Eu te amo, meu amor.

A ruiva demorou alguns instantes para conseguir desligar a esteira e procurar o seu amigo pela academia.

Yuri... o Ben está no telefone e quer falar contigo. Cadê o seu celular, oriental? — Benjamin conseguiu ouvir a sua amiga dizer em um tom engraçado.

O que importa? Eu o esqueci em casa, eu acho.

Segundos depois, o japa atendeu a ligação do Benjamin com uma voz áspera:

E aí, Benjamin... quer me dizer mais algumas grosserias?

— Não começa, Yuri. Eu liguei para pedir desculpas pela nossa discussão mais cedo. Não quero ficar distante de ti além de todos estes quilômetros entre a gente. Tu é uma pessoa muito importante para mim, ainda mais agora que estamos ficando juntos. Por favor, me perdoe, eu me expressei de uma forma errada e possivelmente grossa.

É, eu fiquei realmente magoado contigo. Poxa, disse aquilo de ir te visitar numa boa. Achava mesmo que seria legal pra nós dois ficarmos mais um pouco de tempo juntos.

— E será! Eu quero que venha pra cá na sexta-feira, faltarei a minha aula para ficarmos juntos em casa.

Não precisa faltar nenhuma aula. Espero por ti na tua casa mesmo.

— Vou faltar e pronto! – concluiu ele, rindo. – Mas vou deixá-lo em paz agora para conseguir terminar o seu treino aí.

Hei, mas antes saiba de uma coisa: eu te amo muito mesmo!

— Tu é muito lindo, meu amorzinho. Também te amo um bocadão. Eu vou naquela festa daqui a pouco com os meus amigos da faculdade, queria tanto que pudesse vir com a gente.

Não faltarão oportunidades. Eu tenho certeza! Beijos nesta boca rosada.

— Beijos na sua também – respondeu em meio a gargalhadas.

Ao desligar o telefone, Ben sentiu seu coração ficar mais tranquilo dentro do seu peito. Saber que os dois estavam novamente em paz já o tranquilizava. Assim que desligou o telefone, foi tomar banho, se vestiu e se mandou do apartamento rumo ao apartamento do amigo.

Ele combinou com o Gustavo que iria para lá antes da festa já que o gaúcho morava bem mais perto da boate e lá pegariam um táxi para nenhum dos dois se comprometer a dirigir depois de curtirem umas bebidas com a galera.

Assim que o menino de olhos verdes chegou ao pequeno condomínio de dois blocos do amigo, interfonou para o apartamento dele e uma mulher atendeu.

E aí, olhos verdes... Veja se o portão abre— disse Gus após tomar o interfone das mãos de sua avó e apertar o botão que abria o portão da garagem. – Abriu?

— Sim, sim!

— Pode subir então.

Ben recolheu o carro para dentro da garagem e estacionou numa parte especial do condomínio reservada aos visitantes. O menino custou a encontrar a entrada do bloco “A”, depois subiu pelas escadas até o terceiro andar.

Gustavo já estava na porta do apartamento a sua espera. Os dois se abraçaram e o menino de olhos verdes entrou no lugar, o cheiro de frango invadiu as narinas do visitante. Logo, uma senhora de aparentemente oitenta anos saiu da cozinha para vir cumprimentá-lo.

— Ben, esta aqui é a minha avó.

— Olá, é um prazer – saudou ele, estendendo sua mão para um aperto, mas a mulher desviou e lhe deu um beijo na sua bochecha.

— O prazer é todo meu, garoto. Bá, tu és tribonito, que olhos são estes? – O sotaque gaúcho da mulher era bem forte. O Gustavo quase não tinha sotaque de lá e não costumava usar o pronome “tu”.

Benjamin apenas riu, constrangido pelo elogio.

— Não liga, não, a minha avó costuma sempre constranger todos os meus amigos com seus elogios – confessou Gustavo, vestindo seu casaco de lã. – Já podemos ir, Benjamin. Ali na esquina tem um ponto de táxi para facilitar a nossa vida.

— Gus, nem vai deixar o seu amiguinho provar a minha torta de frango? Pra que sair tão rápido por aí. A sua avó está voltando para casa daqui a pouco – disse a mulher, encarando fixamente o neto.

— Vó, a gente combinou de encontrar os nossos amigos na frente da boate às 9h30 e já são 9:15. Pode deixar a torta dentro do forno, depois, eu e ele voltamos para comê-la. Obrigado pela sua visita e me espere em Erechim no feriadão do dia sete de setembro.

— Bá, mas o feriado está tão longe ainda, meu amor – comentou ela em tom de súplica.

— Bem capaz, né, vó? A semana do dia sete já é a próxima.

Ela riu, piscando para Benjamin. Ela novamente lhe deu um beijo no rosto e afagou os cabelos soltos do menino de olhos verdes, por falar neles, já estava grande demais. Ben nem conseguia mais fazer um topete por causa do peso de todos os fios juntos.

— Que Deus proteja vocês – profetizou ela antes dos dois saírem pela porta. – Parabéns pela atitude de trocar o carro de vocês por um táxi, se todos pensassem assim teríamos menos acidentes nas nossas estradas.

Benjamin riu para ela e o Gus virou os olhos para cima quando entraram no elevador.

— Cara, me desculpe, a minha vó é bem sem noção mesmo.

— Orra, bem capaz, velho. Eu confesso que adorei ela, parece bem humorada.

— Fique com ela três dias em casa que vai desejar pular pela janela do apartamento. Ela veio no sábado porque tinha um café colonial com a velhotada na segunda-feira aqui na cidade e pensei que não fosse mais embora.

Benjamin começou a rir, o seu amigo também. Quando saíram pelo portão de pedestres, ouviram a mulher gritar lá de cima:

— Te amo, Gustavo! Te espero lá em Erechim no dia sete.

— Ain, meu caralho! – comentou com vergonha do Benjamin.

Meu neto, volte e pegue um casaco mais quentinho — caçoou o menino de olhos verdes, imitando uma voz rouca.

Os seus outros amigos estavam na frente da boate à espera dos dois. De certo modo, o menino de olhos verdes lembrou do seu grupo de melhores amigos de lá da ilha e sentiu um aperto leve no seu peito. Ele se sentia mal por estar começando a curtir a sua nova vida.

Notas finais
E aí, meus amores, o que acha que será da relação dos dois? Vocês acreditam que a forte amizade entre eles, e digo mais, o amor, resistirão a tudo isso e o que está por vir? ♥ Amo vocês! Té o próximo cap.