Sem idéias para título
1 Dia 1
Eu cortei meus pulsos essa noite. Terei que esconder as marcas com alguma pulseira por algumas semanas, usar maquiagem por meses, e cobrir as marcas emocionais com um sorriso.
Nunca foi meu intuito morrer. Muito menos quis chamar atenção. Não vou permitir que ninguém veja, ou que saiba. Esse é um segredo, como tantos outros, só meu e do meu travesseiro.
Eu só queria sentir. As vezes me corto, as vezes me queimo, tantas outras saio sem rumo fazendo coisas que minha consciência condena. Medo, dor, é tudo que eu sou capaz de ter.
Pode parecer engraçado, talvez até dramático, mas eu não me importo. Pelo menos não com isso, opinião alheia.
Mais uma vez eu estava vazia.
Já me acostumei com a sensação de não pertencer a lugar nenhum. Já entendi que eu nunca vou conseguir ser uma pessoa normal, com atitudes e desejos normais. O não sentir é que me incomoda.
Os médicos dizem que eu estou depressiva. Que o fato de eu estar apática o tempo todo não é normal, mas eu nunca conheci outra forma de se estar.
Semana que vem eu volto pra vida. A estudante dedicada, a futura engenheira da família, a garota bonita que todos acreditam ter a maior auto estima do grupo social. Ninguém consegue ver, ou se importa em tentar, através da minha máscara.
Sabe, eu não tentaria me matar. Principalmente não cortando os pulsos. Pular de um prédio é bem mais rápido e prático. Mas eu não faria isso com meus pais. Não sabendo o tanto que eles me amam, se importam, o quanto sou especial e única para eles. Não sou capaz de causar neles essa dor, então eu causo em mim.
Cansei de chorar sozinha no travesseiro, então vou desabafar na internet. E espero do fundo da minha alma que ninguém leia. E que esse texto se perca em meio a tantos outros que pipocam na rede todos os dias. Não quero ser notada, vista ou confortada. Só quero sentir algo.
Eu cortei meus pulsos essa noite.
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