Sem controle- A garota Meminger
4 Nota sobre a vida
O silêncio era destruidor. Tudo parado. Tudo muito familiar e ao mesmo tempo muito estranho. Olhos focados e vidrados na janela que emitia uma luz branda e confortável como se estes não conseguissem fazer nada além disso. A luz, de tão calma, queimava seus olhos. Sua retina manchada a impedia de ver o que estava a sua frente, o que a esperava:
A vida.
Nota:
Entendo muito sobre a última. Vivo por esperar o término dela. Chego ao fim. Ao fim de algo patético e desnecessário. Aclamo os que têm a coragem de terminar algo tão inútil de maneira breve, e desconheço as razões dos que lutam por algo mais duradouro. Porque passar por tanto sofrimento e dificuldade? Humanos ingênuos em busca de algo que pensam ser eterno, mas na verdade é a mais momentânea das coisas. A felicidade. Não existe felicidade eterna e todos sabem disso. O que não quer dizer que deixam de procurar por ela. Qual o intuito de se procurar por algo o qual se têm a certeza de que não será encontrado? Minha humilde opinião. Sou a morte e não a dona da verdade universal. Sou a morte, não sou eterna. Sou a morte e carrego você para outro lugar. Fosse eu para sempre e não precisaria carregar-te em meus braços ao termino de tudo. Se te levo, é porque você ainda existe. E se ainda existe é porque fui apenas uma transição. Para onde te levo? Não sei. Minha função limita-se ao carregar do que sobrou de você. Sou a morte. Não tenho começo, meio ou fim. Sou o momento. Aconteço quando você termina. Ou será quando você recomeça?
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