Sem Título No Momento
1 Préfacio
Notas iniciais
Préfacio
A O.C.M – Organização e Console de Mundos — trabalhava sem descanso até a madrugada daquela sexta-feira nublada e tempestuosa.
Além de incansável a O.C.M era bem organizada. Com os vidros demasiado brilhantes e a altura, o prédio se destacava de todos os outros. Tinha 24 andares, contando com as garagens subterrâneas;
2 garagens
1 recepção
15 salas de trabalho
2 armazenamentos, papel
3 salas que viam os mundos pelas câmeras, e também todas as salas da empresa.
E a última, ninguém sabia o que continha. Era trancado, e só se abria com a digital de diretores de total confiança.
Computadores e mais computadores, sistemas de segurança inquebráveis.
Extremamente concentrados, os funcionários faziam meses de treinamento para serem contratados.
Usavam um uniforme sem cor, mas sempre limpo. Estar sempre bem vestido — ser bem vestido era o usar o uniforme cinza com a sigla e o nome da empresa, lavado diariamente — também mantinha a vaga do funcionário.
Qualquer vacilo e eram despedidos. O barulho de chuva, o ventilador, os cliques de mouse, o teclar no teclado e o papel sendo impresso eram os únicos sons a ser ouvidos.
Faziam papéis para a sobrevivência os diversos mundos; uns criavam oxigênio para mundos sem árvores, outros gravidade para mundos do qual não podia fazê-lo, entre outras.
Miguel chegara para seu turno. Começaria dali a dez minutos. Mas devia chegar antes para dar tempo ao funcionário anterior de organizar sua papelada e sair.
''Nada de tumulto, o trânsito deve ocorrer livre e silenciosamente dentro da empresa. '', era uma das regras mais prezadas.
Um grande portão de ferro, sem nenhuma abertura para a rua, era a entrada do prédio.
Miguel apertou o interfone, que rapidamente tocou a voz forte do porteiro.
- Boa noite. Que andar?
- Terceiro — disse Miguel já com a voz não tão forte, pelo cansaço de repetir as mesmas palavras todos os dias.
- Posso ver suas digitais? — disse o porteiro enquanto uma câmera surgia do portão e começou a filmá-lo de perto.
Miguel estendeu o polegar para um espaço á baixo do interfone.
Tocou com força, e logo após sua foto apareceu.
- Esse é você? — o porteiro tampouco parecia animado.
- Sim, senhor.
- Boa noite, sr . Miguel. Afaste-se um pouco.
Então o portão abriu deslizando.
Caminhou até o balcão do qual o porteiro fitava-o com olhar firme e desconfiado, como se quisesse descobrir que ele estivesse com alguma espécie de máscara.
O porteiro pegou uma espécie de pinça, e pressionou conta o dedo de Miguel.
Verde.
Era a cor que uma tela atrás do porteiro exibia.
Um funcionário saiu pelo elevador.
- Daqui a cinco minutos o computador vai precisar de alguém. — disse o funcionário cansado e aliviado, feliz em poder olhar outra coisa além da tela do computador.
Miguel pegou o elevador, foi á sala e entrou; ninguém olhou pra ele. Todos ainda queriam o emprego.
Sentou-se à mesa, deu apenas um clique e saiu rapidamente para o elevador. O mundo qual Miguel estava responsável estava sofrendo danos.
Um monitor que rondava a sala viu Miguel, mas não chegou a tempo de impedi-lo.
Apertou o vigésimo quarto andar. O porteiro lá em baixo, vendo que Miguel não era autorizado, usou o botão que imobilizaria o elevador.
Nada aconteceu. Apertou de novo.
Nada.
Foi verificar a caixa de fios do elevador. O fio que era responsável pelo botão, estava demasiado queimado. Como isto aconteceu, o porteiro nunca chegou a saber. Miguel agora estava no andar no qual nunca deveria estar. Os danos que poderia causar lá são assombrosos. Tirou um DEDO do bolso. Pertencia a um dos diretores de confiança. Mal sabiam eles que o diretor estava mais que morto. Depois de que fora arrancado um dedo, jogaram-no num lago cheio de piranhas excessivamente famintas.
Usou o dedo para poder entrar no andar, e logo avistou uma porta com aviso com letras ofuscantes; NÃO ENTRE SE NÃO FOR AUTORIZADO.
Mas parece que Miguel não ligava para isso. Entrou com violência, e a fechou com um baque de enlouquecer a alma.
O monitor subia pelo elevador para ir atrás de Miguel. Estendeu o dedo e a porta do elevador abriu. Vendo uma porta mais que escancarada ele foi apressado, torcendo para que nada de ruim tivesse acontecido.
Quando chegou á sala, estava depressivamente vazia. Exceto pela janela aberta trazendo chuva, com o vento rugindo, um computador trazendo a mensagem; `”100% CONCLUÍDO”, e um bilhete em cima da mesa.
“DESCULPEM-ME, NÃO TIVE ESCOLHA.”
Dizia a mensagem. Quando o monitor voltou ao terceiro andar, havia apenas dez pessoas lá. E estas não estavam trabalhando.
— PARA ONDE ELES FORAM E POR QUE NÃO ESTÃO TRABALHANDO? – perguntou ele para um faxineiro horrorizado.
- Estavam ali. De repente sumiram – tremulou ele.
PARTE UM
No mesmo momento, em outro lugar uma idosa levara seu neto para brincar no parque.
Observava seu neto quando o celular em seu bolso vibrou. Antes que o garotinho pudesse dizer “Não!”, a idosa já não existia nesse mundo.
Pessoas e pessoas estavam desaparecendo naquele exato momento. Todas elas tinham algo em comum.
Não era uma personalidade, aparência ou gosto. Todas as pessoas que desapareceram naquele momento, estavam tocando coisas tecnológicas.
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